|
|
14 Março, 2005
Do Pointcast ao RSS: o jogo de empurra da internet
Leitores mais observadores notaram as pequenas mudanças de lay-out (pra pior, como sempre) desta página e o aparecimento de um colorido e destoante ícone do Blogger no pé da página. Recentemente migrei o sistema do Brogue para este que é o mais famoso dos sistemas blogueiros da internet.
Adotei o pai-de-todos-os-tamagotshzeiros por insistência do amigo e blogueiro profissional Leonardo Paiva (www.lpaiva.jor.br/ock-tock/). Entre diversas funcionalidades bacaninhas, uma que chamou minha atenção foi a integração rápida e simples com o RSS, sigla para Rich Site Summary ou Real Simple Syndication. Traduzindo, Sumário Rico para Sites ou Distribuição Realmente Simples.
O RSS é uma ferramenta, por assim dizer, que permite espalhar notícias ou posts de blogs rapidamente pela Web. Daí, os avisos de atualizações e novos conteúdos podem ser inseridos em qualquer página da internet facilmente. Ou ainda serem digeridos e exibidos pelos chamados Leitores de RSS, programas que ficam constantemente obtendo os feeds RSS dos sites selecionados e exibindo todo o conteúdo numa interface única. Se você se interessar por alguma matéria, basta clicar e o navegador carrega a página escolhida direto no site da fonte. Simples assim.
O interessante é que o RSS (baseado em outra sigla estranha, o XML, variante do HTML que permite a rápida troca de informações entre sites) é anunciado pelos veículos mais nerds e antenados da galáxia como a grande revolução na forma como se distribui informação desde o Geocities (páginas pessoais) e o Blogger (blogs, ou diários virtuais).
Só que muita gente se esquece que a idéia de reunir provedores de informação de um lado e leitores do outro, e empurrar o conteúdo dos provedores para os leitores não é nada nova. Ora, pra começar toda a mídia eletrônica tradicional é assim. TVs empurram Ratinhos e Hebes goela adentro. Rádios nos entubam o Show do Antônio Carlos.
Na internet também foi assim. Em 1996 surgiu um sistema chamado Push (empurre), cujo ícone maior era o programa Pointcast. A premissa era simples. Você escolhia os provedores de conteúdo de sua preferência e, de tempos em tempos o Pointcast pegava as informações mais recentes e as empurrava para você. Browser pra quê?
Surgia a navegação passiva, a Web de assistir. A idéia parecia realmente boa, o Pointcast teve milhões de downloads, passou a valer alguns milhões de dólares e os urubus de plantão anunciavam a morte da internet como a conhecíamos. O que aconteceu cerca de um ano depois? O Pointcast foi pro saco.
A causa da rápida ascensão e queda do império pointcástico foi simples: ele estava muito à frente de seu tempo. Em primeiro lugar, interfaces abertas e democráticas para a troca de conteúdo, como o XML, não existiam. Em segundo, o motivo mais grave. Ora, se a idéia é que nós podemos ficar parados e o programa pega o conteúdo para a gente, o ideal é que não façamos nada mesmo, certo? Como fazer isso se, em 1996, conexões em banda larga eram um sonho distante?
A experiência era sempre meio esquisita. Nos conectávamos à internet, abríamos o (pesado) programa do Pointcast e esperávamos ele sincronizar os canais que havíamos assinado. O resultado é que teria sido mais rápido e divertido abrir o Netscape (um navegador antigo. Não é do seu tempo) e pegarmos nós mesmo o conteúdo desejado. Tivesse surgido uns 10 anos depois, quem sabe o Pointcast teria dado certo? Quem sabe ele não teria o nome de RSS?
Para colocar o conteúdo do brogue no seu site, ou em seu leitor de RSS, basta apontar para o link http://www.cassano.com.br/brogue/brogue.xml .
|