Brogue do Cassano
 

16 Março, 2005  

Questionamentos paranóicos sobre o universo e a realidade

Ando lendo William Gibson e revendo a trilogia Matrix. Daí começam a surgir vários questionamentos filosóficos/paranóicos. Por exemplo:

E se o mundo for realmente uma simulação de computador? Um programa de computador?

E se o mundo for um programa da Microsoft?
Talvez por isso haja morte. A gente não morre. Dá pau.
"Elginovaldo morreu assim ó, de repente." "Cruz credo! Morreu de quê?" "Bug súbito."

E se o universo for um golpe de vista?

E se o universo inteiro estiver dentro de uma bolha de sabão nas mãos de uma menina resfriada num parque de diversões em Nova Deli?
E se a menina espirrar?

E se nós formos as formigas e elas forem nós? E por uma distorção de percepção a gente acha que somos elas e elas acham que somos nós?
Quem foi o inseto que pegou o pedaço de folha que estava aqui na minha colônia?

E se todo o Cosmos estiver dentro do dedo desaparecido do Lula?
E se Lula for Deus?

E se o tempo, na verdade, anda de trás para frente? E nós vamos desaprendendo tudo a cada dia até virarmos nenéns, e entrarmos no ventre de nossas mães, que entram no ventre de nossas avós até chegarmos todos à ameba primordial?

E se todo mundo que passa por nós na rua for apenas figurantes contratados por alguém que quer que achemos que vivemos num mundo de verdade?

E se o mundo já tiver acabado? E se não tiver nem começado?

E se a vacina de varíola for um implante alienígena?

E se Deus fizer copy and paste, e tiver um monte de outros eus pensando besteira em universos paralelos?
E se ele for o copy e eu for o paste?
E se ele gostar de pagode?

E se todos os livros, filmes, blogs e pinturas, forem em branco. Nada. Ou letras sem sentido. E as histórias sejam apenas coisas que formamos nas nossas cabeças. Lemos apenas o que queremos ler?

E se esse texto não existir?

Com tantas incertezas, a mais provável forma para abrigar nosso universo é mesmo a bolha de sabão. Sei lá porque. Toda bolha de sabão parece que tem um universo dentro. É mais provável que estejamos dentro duma bolha do que dentro do dedo do Lula ou do tênis kichute velho que eu usava na casa de minha avó.

Só incertezas. De qualquer forma, recomendo fortemente que você tome cuidado com bolhas de sabão.

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