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27 Outubro, 2005
Mistério da semana: por quê as caixinhas de isopor voltaram?
Não sei se vocês já perceberam, mas as caixinhas de isopor estão de volta, embrulhando doces, hambúrgueres, cafés para viagem e mil coisas mais. Lá estão, brancas, eficientes, macias, suaves, bio(in)degradáveis e, dizem alguns, cancerígenas.
Muitos anos atrás, depois de infinitos pitis de ecologistas, elas haviam sido banidas e o McDonald’s trocou as caixinhas de isopor por essas coisas mambembes de papelão.
Por quê, indago, confuso e perplexo? Por quê voltou? Voltou por quê?
Hipóteses: 1) Os fabricantes de amianto cederam à pressão dos ecologistas e mudaram de ramo. Agora fabricam isopor.
2) Os ecologistas agora preferem que as caixinhas de isopor voltem para gerar empregos de catadores que podem colocar o isopor para reciclagem (dá pra reciclar?)
3) Novos isopores mutantes são biodegradáveis, fazem bem à pele e espantam mau-olhado.
4) Os fabricantes de armas, temendo a vitória no sim no referendo, mudaram de ramo. Agora fabricam isopor.
5) Os ecologistas conseguiram proibir a fabricação de papelão, que derruba árvores. Para não segurarmos o Big Mac com as mãos, aprovaram a volta do isopor. Mas proibirão o hambúrguer, pois derruba boizinhos inocentes.
6) Um dilúvio se aproxima e os isopores serão fundamentais na flutuação da espécie humana. Afinal, quem bóia não afunda. E se bóia, é bom (nem sempre).
7) Os fabricantes de produtos com chumbo, césio 137 e plutônio aditivado cederam à pressão dos ecologistas e mudaram de ramo. Agora fabricam isopor.
8) O isopor sempre foi biodegradável e comestível. Todo aquele alarde era só uma artimanha para desviar nossa atenção sobre a grande e real questão dos anos 80 e 90: quem matou Odete Roitmann (foi a Leila, claro. Mas também pode ter sido a CIA e os ianques imperialistas).
9) O Lobby do Isopor é o mais forte e ativo em nosso Congresso. É feito de deputados que bóiam, que seguem a correnteza e não são biodegradáveis. Por via das dúvidas, jamais enterre um deputado. Ele pode ficar lá por milhares de anos.
Alguma outra idéia? E-mails para o Greenpeace.
P.S. O mesmo ímpeto ecológico deve ter levado os suecos a inventarem esse trem movido a vaca moída. http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/10/051025_tremvacasms.shtml
A vingança unicelular
Imagine esse texto cantado pelo Sepultura com acompanhamento do Olodum. Ou pela Adriana Calcanhoto com acompanhamento dos Ramones. Ou por Arnaldo Antunes acompanhado pela Orquestra Sinfônica Brasileira. Ou pela Acaro's blues band na convenção anual dos artrópodes. E lembre-se dele quando ler algo sobre a gripe do frango nos jornais.
Você pisa em formigas e sentimentos descumpre juramentos diz que ama pelo celular
desperdiça pasta de dente derrama muito detergente não cuida bem de seu lar
Um dia os lactobacilos tomarão o poder e você terá que pedir perdão de joelhos e implorar por sua vida multicelular
cuidado com os micróbios cuidado com os micróbios micróbios, micróbios exército unicelular
Respeite os pequenos Respeite os ingênuos espirro, um cisco, no ar
ácaros atômicos comerão seu jantar é a vingança do mundo unicelular
Um dia os lactobacilos tomarão o poder e você terá que pedir perdão de joelhos e implorar por sua vida multicelular
cuidado com os micróbios cuidado com os micróbios micróbios, micróbios exército unicelular
e eu me arrependerei por não ter amado mais quantos carinhos desperdiçarei antes da vingança unicelular
18 Outubro, 2005
O espaço, fronteira final
Esse mundo só nos dá desgosto. Especialmente seu hemisfério Sul, a parte ocidental, abaixo do Triângulo das Bermudas, à esquerda da Atlântida e acima dos três pingüins jogando purrinha sobre um leão-marinho em decomposição.
Olhemos então para o que está lá, já estava e continuará estando queiramos ou não. Esta semana a Nasa divulgou imagens maravilhosas da mais bela das galáxias (ao menos para quem só tem um telescópio furreca), Andrômeda, que desde criança aguçou minha curiosidade para toda a “verdade que está lá fora”.
A galáxia não está vermelha de raiva (nem de PT da vida). É que são imagens em infravermelho. O resto da explicação é melhor você obter direto da fonte, em http://www.jpl.nasa.gov/news/news.cfm?release=2005-159.
 Também essa semana foi confirmada a ida de Marcos Pontes, o astronauta brasileiro, ao espaço. É um grande sujeito, que merece entrar em campo depois de tantos anos no banco. Uma vez o entrevistei para a Revista Oi, e o resultado está em http://www.revistaoi.com.br/nova/marcos_pontes.asp .
Vida longa e próspera!
14 Outubro, 2005
Sim, não ou depende: o engodo do referendo
Uma vez, escrevendo um polêmico artigo sobre utópicos wikibancos, me vi discutindo com um amigo historiador sobre como seria interessante adotarmos a democracia direta, hoje já viável, graças à tecnologia.
 Numa democracia direta, ao invés (ou além) de votarmos para eliminar alguém do Big Brother, exerceríamos nosso dever de cidadãos dando nós mesmos nossos votos sobre as principais questões do país, de casa mesmo, pelo telefone, celular ou internet, ou das agências dos Correios, por exemplo.
Isso nos forçaria a reduzir a pauta de votações a temas realmente importantes, e não aquelas emendas estapafúrdias que surgem no Congresso. Na democracia direta, não existiria nem câmara de vereadores, nem deputados, nem senadores. Talvez um reduzido número de representantes que organizariam a pauta para nós, a patuléia, darmos a palavra final.
É claro que teríamos novos problemas a resolver. Um deles, conhecemos bem. É o pão e circo. O que impediria que o mesmo povo ignorante, ingênuo e honesto que elege crápulas e suas esposas para governos estaduais não fosse comprado por esmolas de 1 real e aprovasse leis tão cínicas como seus criadores? Infelizmente, o histórico descaso com a educação faz do povo brasileiro incapaz de conduzir satisfatoriamente uma democracia.
Nos falta condições de discernir o certo e o errado, e enxergar o enorme oceano cinza que existe entre o branco e o preto. E, por isso, o povo, tão inculto e ocupado com a difícil tarefa de sobreviver, não consegue ver o mar de dependes entre o SIM e o NÃO no último engodo lançado sobre nós, o referendo do desarmamento.
Além de oportuna cortina de fumaça que empurrará o início da sucessão presidencial para depois do carnaval, o referendo joga em nossos colos uma responsabilidade que é dos legisladores que nós escolhemos para nos representar, e que recebem (fora malas), lascivos salários para tanto.
Ora, já vivemos na democracia direta? Ou ainda temos um Estado por democracia representativa, em que cidadãos “de bem” representam os interesses da população? Ao apertarmos o verde na urna eletrônica estamos, de fato, assinando uma procuração para que o deputado “X” fale e lute em nosso nome. Não caberia a ele, então, decidir sobre a proibição ou não da venda de armas? Será essa uma questão tão acima das demais que tramitam todos os meses pelo Congresso? Se é para sermos uma democracia direta, que se dissolva o parlamento e aplique-se os milhões de reais que sobrarão em educação.
Além disso, ao empurrar para cima de nós a responsabilidade por essa escolha inócua, o governo nos transfere a culpa pela inevitável continuação e agravamento da violência. “Ah, vocês votaram sim? Agora agüenta”. Ou “quem mandou votar não?”.
O referendo não mudará nada, infelizmente. Não tenho uma arma, não teria, e desencorajo que tente ter. É um objeto que, unicamente, serve para matar. E matar não é, em essência, uma coisa boa. E há armas das “pessoas de bem” que possibilitam suicídios, assassinatos estúpidos ou alimentam o vício de seus filhos mal-amados. Mas para um traficante é muito menos vantajoso tentar obter um 38 legal do que ir pessoalmente aos atacadões, depósitos do exército onde pode-se comprar fuzis e o que mais quiserem.
Quer coibir a violência? Dificulte ainda mais a compra de armas (mas não a proíba), reduza as diferenças sociais, fiscalize de perto o estoque legal de armas, fiscalize a sério as fronteiras, cuide bem dos arsenais militares, atue nas ruas retirando as armas que estão circulando, quando não poderiam sair das casas.
Votarei 3. Não porque sou contra ou a favor do comércio (meu coração, inculto, honesto e ingênuo, votaria SIM, 2, sem titubear), mas porque sou contra esse referendo de voto obrigatório, que força o povo a tomar posição em uma questão que ele racionalmente desconhece e que é, em essência, mentirosa. Votarei 3 porque os dois lados nessa briga se valem de uma baixa chantagem emocional para influenciar nosso voto. Os dois lados mentem e distorcem a realidade. Estamos vendendo ao povo uma esperança vã, de que uma lei sozinha mudará o país. Aqui, executivo e legislativo ignoram a Constituição. Algum bandido vai respeitar uma única lei?
10 Outubro, 2005
A presa perfeita
por trás do véu da noite o olhar agudo espreita em busca da presa perfeita
e não se surpreenda não perca o ônibus se a presa perfeita se a presa perfeita for você
ele vê mais longe, sente seu medo e você teme chegar atrasado (por isso saiu tão cedo, eu tomo café no trabalho, querida") ele percebe seu medo
e você nunca mais vai chegar atrasado nunca mais nunca mais vai chegar atrasado nunca mais vai chegar nunca mais vai chegar a lugar algum
o olhar agudo espreita em busca da presa perfeita
e não se surpreenda não perca o ônibus se a presa perfeita se a presa perfeita for você
nunca mais atrasado nunca mais café esfriando e xícara virgem na pia
e lábio virgem no portão e lábia barata na reunião
a presa perfeita a presa perfeita (otário) a presa perfeita é você.
07 Outubro, 2005
Por que a Dança da Diarréia não é boa para publicidade?
A Dança da Diarréia é boa para publicidade? Parece que ninguém se fez essa pergunta na agência que produz peças on-line para a norte-americana Pepto-Bismol, uma espécie de Atroveram/Sal de Fruta Eno. Veja como uma solução on-line, viral e multimídia pode criar uma experiência muito, muito ruim. Não é pior do que diarréia, mas é quase. Dica do blog Monochrom (http://monochrom.at/english/).
Quer ver? http://www.pepto-bismol.com/, clique em Pepto-Bismol Dance Machine.
06 Outubro, 2005
O homem está no topo da cadeia alimentar. Até quando?
Afirmação: O homem está no topo da cadeia alimentar. Questão: Até quando? Efeito: algumas noites sem dormir e você começa a olhar para o bife com uma cara estranha. Tratamento: 1) Não veja Predador. 2) Não veja Aliens. 3) Não veja ou leia Guerra dos Mundos. 4) Melhor não ligar a TV nem sair de casa. 5) Não tenha cães com mais de 20 centímetros. 6) Meça a mandíbula de todos os animais que conviverem com você. 7) Não se esqueça dos periquitos (não é porque eles não têm mandíbulas que não podem comê-lo. Não veja Os Pássaros). 7) Trust no one. 8) A verdade está lá fora. 9) Se você acredita em vingança da natureza, vire vegetariano. 10) Cuidado com plantas carnívoras.

(fonte: http://www.theatlantic.com/doc/200401u/ss2004-01-15)
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