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25 Setembro, 2006
Capítulo 11 - Rumo ao Klimandjaro
Falta pouco para o fim do mundo. Ou para ele ser evitado. Enquanto o Deus das Máquinas encontra motivação para voltar ao mundo dos vivos (exatamente para acabar com o mundo dos vivos), um africano, um Helsing, uma Stocker, um bebê e um leopardo cruzam a África. Leia aqui o Capítulo 11 da saga colaborativa escrita ora por mim, ora por Leonardo Paiva.
- Prelúdio - Capítulo 1 - Capítulo 2 - Capítulo 3 - Capítulo 4 - Capítulo 5 - Capítulo 6 - Capítulo 7 - Capítulo 8 - Capítulo 9 - Capítulo 10
O pelo do leopardo é duro. Duro e pontiagudo. Duro e pontiagudo como se estivesse ali, pegando poeira e endurecendo, por uns duzentos anos. E está. Por isso mesmo, espeta o traseiro de Vanildo, enquanto ele incessantemente seca o suor da testa queimada pelo sol escaldante das savanas africanas. Sol este que, inclemente, escalda sem cessar a pequena e intrépida trupe que segue rumo ao monte Klimandjaro, na Tanzânia. – Eu continuo sem entender porque você não prefere um carro, um caminhão ou qualquer veículo mais confortável – berra Vanildo contra o vento, tentando se fazer entender por Yohana Lauwo, que guia o Leopardo. – Yohana de máquinas não gostar. – De nenhuma máquina? – Nenhuma máquina. – Nem um computador? – arrisca Vanildo. – Nem computador. – Nem relógio de pulso? Relógios de pulso são legais. Uma vez comprei um na Transilvânia que tinha uns morceguinhos... – Nem relógio de pulso – interrompe o africano, fazendo uma curva ao leste rumo a uma montanha de formato triangular e neve no cume. Amarilda Stocker tenta dar de mamar ao bebê enquanto o Leopardo salta por cima de arbustos, a quase 100 Km/h. – Vani, você já sabe o que a gente vai fazer nesse lugar? – Eu? Nós? Errr... Yohana... o que exatamente a gente vai fazer na montanha? – Matar o Deus das Máquinas Vanildo e Amarilda irão. E reformatar o planeta o bebê irá. Ao se sentir mencionado, o bebê parou de mamar e começou a recitar o Alcorão em latim e a Bíblia em árabe. – Isso eu sei... a parteira já falou isso. Mas... por quê? E por que a gente? – Isso Yohana não sabe... De família de matador de vampiros você ser. E derrotar bebês malignos deve. E sangue imortal Amarilda ter. –Eu?!?!? – Nenhuma outra Amarilda Yohana conhece. – Mas eu não sou imortal! – No alto da montanha isso Yohana descobrir vai. O resto da viagem prossegue em silêncio, quebrado apenas pelos versículos em árabe recitados pelo bebê. Conforme se aproximam da montanha, o cume nevado se revela coberto por nuvens negras, repletas de relâmpagos. Curiosamente, mesmo eles estando quilômetros distantes de qualquer cidade, todos ouvem claramente o barulho de máquinas trabalhando. Muitas máquinas. Muitas mesmo. Súbita e igualmente de forma curiosa, Amarilda sente um desejo incontrolável de estar dentro de um Chevette velho.
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