O 11 de setembro nosso de cada dia

Onze de setembro. Dia de ficar com pena dos Estados Unidos. Dia de lembrar que a história é contada pelos vitoriosos. Mesmo se esta é a história de uma derrota.

Se tivessem morrido pessoas nas Torres Gêmeas na mesma proporção com que vidas civis se perdem no Iraque, teriam sido milhões, e não duas mil, as vítimas daque fatídico dia de céu azul em Nova York.

Então por que não nos comovemos com as histórias dos bombeiros heróicos que sobreviveram a um bombardeio cirúrgico americano? Por que nos preocupamos em rezar pelos mortos do velório na capelinha quando há uma vala comum lotada atrás de nós?

Rio de Janeiro. Um Honda em alta velocidade bate. Capota. Cinco belos jovens de classe média morrem. Uma morte estúpida. Imbecil. Desnecessária. Chocante. Vira manchete de jornal. A TV cobre a missa de sétimo dia. A classe-média-indignada veste camisetas e ameaça tomar as ruas em passeatas contra a imprudência no trânsito.

Poucas semanas antes, um carro em alta velocidade acerta a traseira de um caminhão. Cinco jovens morrem de forma estúpida. Imbecil. Desnecessária.
Eram jovens pobres. Vinham de um Baile funk. O outro carro capotou na Lagoa. Este, bateu na Avenida Brasil.

O acidente ganha espaço nas páginas dos jornais populares.

Ninguém vestiu camisetas contra a imprudência no trânsito. Ninguém cobriu a missa de sétimo dia.

No nosso onze de setembro diário, nós somos ao mesmo tempo árabes e americanos.

Deixar um comentário