Seis bebês para o fim do mundo – capítulo 13

Falta pouco para o fim de nossa saga. Este é o antepenúltimo capítulo. Se você já se perdeu, leia os capítulos anteriores em formato PDF, clicando aqui. E não perca, semana que vem, no blog de Leonardo Paiva, o penúltimo capítulo de nossa história.

Capítulo 13

O céu rodopia ao redor de Vanildo Helsing. Ele se senta com dificuldade sobre a terra quente das savanas africanas. Suas costas doem como se ele tivesse caído de costas a 100 Km/h sobre um AR-15. Até porque foi exatamente isso o que aconteceu. Procura por Amarilda, que está sentada a seu lado com o bebê no colo.
– Você tá legal?
– Tô… o que aconteceu?
Vanildo se levanta. Caminha até Yohana Lauwo, que está caído no chão, tremendo.
– correr… precisar… cof… cof… correr… vocês… precisar… – Yohana fala com dificuldade. A seu lado, Zingó parece estar desmaiado. Vanildo olha para a montanha, alguns quilômetros adiante. Percebe também uma coluna de fumaça se erguendo.
– Procure xamã… ele ajudar você vai.
– Mas… e você?
– Yohana bem ficar.
Vanildo pega sua velha maleta de madeira, arruma o AR-15 nas costas e ajuda Amarilda a se levantar.
– Você tem certeza? – pergunta para Yohana, que tenta, em vão, se levantar.
– Vá! Perder tempo você não poder.
Vanildo e Amarilda começam então uma longa caminhada rumo à base da montanha e à coluna de fogo que se ergue. O bebê fala coisas sem sentido, como se estivesse ao telefone com alguém. “Está tudo errado! Cadê o suporte? Cadê o xamã?”
Enquanto isso, um chevete mexicano invade o espaço aéreo da Tanzânia voando a 2 mil metros de altitude e deixando um rastro de fogo por onde passa. Na montanha, membros da tribo dos Chaggas tentam apagar um incêndio que começou na oca com os quatro bebês e que rapidamente se alastrou pelas demais cabanas. Todos correm, exceto um mexicano que assiste a tudo com um sorriso vitorioso no rosto. Não há qualquer sinal do xamã, nem de Suzanne Cooper.
Sem que Poncho Vilaça perceba, a fivela de seu cinto misteriosamente se solta e cai ao chão, indo se juntar a pregos, parafusos, lãs de aço, fios, lâmpadas e dezenas de pequenos objetos metálicos. Escondidos atrás de moitas nos arredores da aldeia, os objetos começam a se unir e a tomar forma humanóide, emitindo um crescente zumbido de máquinas trabalhando.
O vento sopra cada vez mais forte e nuvens escuras tomam conta do céu. Raios caem lá e cá, ateando fogo a arbustos da savana. Animais silvestres correm das chamas. Poncho Vilaça acende um charuto no fogo de uma das cabanas destruídas, passa por cima do corpo inerte do xamã e começa lentamente a caminhar rumo ao topo do Kilimandjaro.
– Chega de palhaçada. Vamos acabar logo com essa merda que eu tenho mais o que fazer.

No alto da montanha, uma inglesa está concentrada desenhando pentagramas com seu próprio sangue na neve eterna do cume e não percebe a aproximação de um mexicano enorme, de um chevete voador, de um casal de caminhantes e de uma coisa esquisita feita de parafusos e fivelas de cintos.

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