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28 Dezembro, 2006
Trabalho e poesia
As seções dedicadas aos contos, poesias, artigos e reportagens, que tinham desaparecido com a mudança de visual do Brogue, voltaram ao ar. Ainda estão incompletas, enquanto converto os velhos arquivos para o novo formato. Mas já têm bastante coisa para se ler e ver. É só clicar nos ícones na barra ao lado ou aqui embaixo:
Contos+poesias Trabalho
Feliz 2007!!!
27 Dezembro, 2006
Um planeta para chamar de meu
Sempre quis criar meus próprios planetas. Mas nunca imaginei que seria tão fácil! Essa dica eu recebi de Cristiano Junqueira, e acredito que isso pode ir longe.
Trata-se de um pequeno truque de Photoshop que transforma fotos de paisagens (de preferência fotos panorâmicas) em pequenos planetas! Muuuuito bacana.
Exemplos de minhas primeiras tentativas:
Planeta Vista-da-minha-Varanda

Planeta Rio-Niterói

Planeta Enseada-de-Botafogo

Quer saber como fazer? http://www.photojojo.com/content/tutorials/create-your-own-panorama-planets/Marcadores: arte
21 Dezembro, 2006
Seis bebês... - Capítulo 15 - O FIM
Enfim, o fim de tudo. Confira agora o derradeiro capítulo da saga colaborativa mais confusa da galáxia. Se tiver perdido o fio da meada, baixe o PDF completão com o texto completo do conto escrito por mim e por Leonardo Paiva.
Capítulo 15 – Todo fim tem um começo (e vice-versa)
Balbúrdia. Todos querem falar ao mesmo tempo. Bolinhos de chuva voam pelo espaço sideral. Pedaços de Belo Horizonte flutuam pelo nada, rodopiando serenamente sobre a imensidão estrelada. Parece o cenário do fim do mundo, mas não é. Na verdade, é o cenário de dois minutos depois do fim do mundo.
A Assembléia reúne a cada Aeon todos os departamentos, diretorias, gerências e sub-suplentes envolvidos na reformatação dos planetas alinhados à Corporação. Miguel, ainda vestindo o corpo de um mexicano caliente, discute calorosamente com o corpo furado de bala de Suzanne Cooper. Rose Shelley circula pelo ambiente, completando xícaras de chá que bóiam sobre o éter, oferecendo bolinhos que volta e meia cismam de sair voando de sua bandeja.
Um bebê brasileiro protesta com a boca cheia de guloseimas, e farelos voam pela galáxia. Johnny Hellmont, no corpo de Johnny Hellmont, tenta se livrar do bebê sem-nome de Vanildo e Amarilda, que questiona seus métodos para influenciar o resultado da formatação. Caminha pelo nada até bater de frente com um africano com longas tranças grisalhas. Olha para Yohana, dá meia volta, estica a perna para passar por cima do bebê e caminha para perto da Mesa da Presidência. Sobre a mesa, uma galáxia em forma de olho gira solenemente.
– Protesto! As máquinas foram beneficiadas! – brada um dos bebês queimados por Suzanne. – É. Nós nem tivemos chance!!! É a primeira vez que isso me acontece... – pondera outro bebê. Johnny pega três estrelas do firmamento e começa a fazer malabarismos. – Contra o estatuto reformulação está – afirma Yohana, batendo com seu cajado sobre Júpiter. – Topetudo descumprir regulamento. – Que descumpri o quê, ô Steven Seagall. Não tinha que tacar um neném no vulcão? Taquei um neném no vulcão. Não tinha que explodir o planeta? Então explodi... – REFORMATAR. Silêncio. Quando Ele fala, é bom escutar. A galáxia em forma de olho prossegue: – REFORMATAR É O PLANO. REFORMATAR É O PROCESSO. NÃO DESTRUIR A CRIAÇÃO. ALGO SAIU ERRADO. – Eu disse! – gritam uns três. – Eu sabia! – berram outros dois. – Eu disse que sabia! – bradam os demais. – Quem quer mais bolinho? – pergunta Rose Shelley. Johnny olha para a galáxia em forma de olho. Acha que reconhece aquela voz de algum lugar, mas não se lembra de onde. – Quem é o rosquinha, hein? – SOU O CRIADOR. DE TUDO. MÁQUINAS E HOMENS. PLANETAS E ESTRELAS. PARA VOCÊ, SOU HÉLIX – Helinho, camarada... bem que tava te reconhecendo... você deu uma engordada né, mas ficou bem legal... – CALE A BOCA. – Tá. Valeu.
Johnny recua até perto de Europa (a lua de Júpiter, não o continente, que nesse exato instante entra em órbita ao redor do Sol nas vizinhanças do Cinturão de Orth). A balbúrdia recomeça. Todos os representantes de departamentos estão visivelmente contrariados.
– Olhem só para isso!!! Era para termos recomeçado tudo numa boa, tranqüilos... – explana o bebê de Vanildo e Amarilda, fumando um charuto. – nem naquela Era Glacial que o Departamento de Clima e Expectativas criou por engano foi tão problemática! – O bebê brasileiro, representante do departamento de Clima e Expectativas, partiu para cima do outro, sendo erguido pela fralda por Miguel. – Olha galera... o papo aqui tá bom, o chazinho tá maneiro, né gatinha?, – diz o anjo mexicano, dando uma piscada de olho para Rose Shelley – mas eu tenho mais o que fazer... tem um zilhão de planetas por aí com porrada comendo solta e com umas mulheres... hmmm... de outro mundo.... anh... er... arram. Então? Dá para decidir ou tá difícil?
Silêncio. Se o momento é de decisão, isso é tarefa para o chefe. Hélix se manifesta.
– QUANDO JOHNNY JOGOU SEU BEBÊ NO VULCÃO, OUTROS DOIS BEBÊS, QUE LUTAVAM PRÓXIMO AO CUME, TAMBÉM CAÍRAM DENTRO DELE. ISSO CAUSOU A INSTABILIDADE TEMPO-ESPACIAL. Silêncio de novo. Todos esperam que Hélix conclua seu pensamento, até porque a instabilidade tempo-espacial explica muita coisa mas não resolve nada. – E? –Johnny se atreve a perguntar. – E, POR ISSO, A REFORMATAÇÃO NÃO VALEU. – Recomeçar processo Hélix precisa –argumenta Yohana. – E sem interferências. – Completa, olhando para Johnny, o “Deus das máquinas” de Hélix, que apesar de sua obrigação de isenção parece ter mexido seus pauzinhos mágicos para determinar o final de uma história que fugiu até mesmo a seu controle. – COMO QUISEREM. SEM INTERFERÊNCIAS. SESSÃO ENCERRADA.
* * *O Sol brilha com força sobre o deserto. O mamute bebe água tranqüilamente numa poça ao lado de um cactus gigante quando vê um brilho estranho sobre a superfície da poça. Olha para frente e leva um baita susto quando vê um mexicano correndo atrás de uma neanderthal com uma espada flamejante nas mãos. O mamute ergue seus chifres, recua e esbarra no cactus gigante, saindo em disparada. As passadas do mamute apressado fazem a caverna de Vanildo Sapiens e Amarilda Sapiens tremer. Com isso, o desenho de pequenos morcegos (que obviamente ainda não surgiram na cadeia evolucionária) que Vanildo faz na parede fica total e completamente borrado. Ele sai para ver do que se trata. Amarilda o segue, curiosa. O mamute passa por eles e some no horizonte. Vanildo pede a Amarilda que busque água no riacho que passa em frente à caverna. Ela obedece. Quando se abaixa, se encanta com formas coloridas que começam a surgir na superfície. São galáxias, que giram e rodopiam sem parar. Então aparece uma grande galáxia em forma de olho. Amarilda gosta do que vê. E aquela imagem a inspira a criar coisas. Não pinturas na parede ou roupas com pele de tigres dente-de-sabre. Coisas com madeira, com pedra. Coisas mecânicas. Então ela se levanta e começa a imaginar que uma pedra redonda poderia ajudar a carregar coisas de um lado para o outro. E que uma pedra pontiaguda presa a um pedaço de madeira poderia dar uma boa ferramenta para cortar coisas. Ela se levanta e começa a maquinar mais invenções. Na outra ponta do Cosmos, uma galáxia em forma de olho sorri. FIM (ou melhor, recomeço)Marcadores: contos, humor, literatura
17 Dezembro, 2006
Minha gênese musical – Parte 1:a pré-história
“Tô trancado aqui no quarto De pijama Porque tem visita estranha na sala Aí eu pego e passo a vista no jornal Um piloto rouba um Mig Gelo em Marte diz a Viking Mas no entanto não há galinha em meu quintal Compro móveis estofados Me aposento com saúde Pela assistência social” Enquanto eu saía do líquido quentinho de minha barriga-natal, Raul Seixas e Paulo Coelho pegaram um jornal e compuseram Eu também vou reclamar, música do álbum Eu nasci há dez mil anos atrás, lançado no mesmo ano, 1976. Descobri isso anos mais tarde, quando já ouvia Raul Seixas e pus as mãos em um exemplar do JB do dia de meu nascimento. Pois olhe que curioso. As manchetes do Jornal do Brasil no dia em que nasci se tornaram versos que definiriam aquilo em torno do qual minha vida giraria: Música Jornalismo Aventuras fantásticas: pilotos arrojados, sonhos, mocinhos e vilões Ciência e tecnologia
Sou filho dessa época. Da Guerra Fria, Comandos em Ação, Caverna do Dragão, da luta do “bem” contra o “mal”, seja lá quem incorpore cada alcunha.
É realmente um tanto estranho ter seu nascimento e seu destino registrados numa letra de Raul Seixas e Paulo Coelho. Especialmente se levarmos em conta o destino de ambos: um cemitério precoce e uma gorda conta-bancária capitalista para quem sonhava com uma Sociedade Alternativa. Não são exatamente dois tipos que você identifica como oráculos confiáveis.
Na verdade, só fui começar a ouvir Raul bem depois do lançamento de Eu nasci... Não tenho qualquer recordação de meu universo musical nos anos 70. Mas os 80... ah, os 80. Eu fui criança na década de 80. E nessa fase, música não é a trilha sonora de nossa vida. É mais uma brincadeira, junto com o playmobil e o matchbox.
Assim, tive meus discos de vinil da Xuxa, Balão Mágico, Clube da Criança. O favorito era a trilha sonora de Os Saltimbancos trapalhões.
“Uma pirueta Duas piruetas Bravo, bravo Superpiruetas Ultrapiruetas Bravo, bravo Salta sobre A arquibancada E tomba de nariz Que a moçada Vai pedir bis Que a moçada Vai pedir bis” (Piruetas, Chico Buarque, 1981)
Os pontos fora da curva nesta fase pré-musical são Perigo, de Zizi Possi (não me pergunte por que eu gostava tanto desta música. Não sei dizer) e os álbuns de meu pai (especialmente Queen e a trilha sonora de Roda de Fogo, aquela novela em que Tarcísio Meira tinha um coágulo no cérebro.)
Eu tinha alguns compactos. Três, porém, eram os favoritos: Bicicleta, de Marcos Valle (1984) Um compacto flexível com os jingles do Big Mac e da Coca-Cola.
“Não tem sabor como esse aqui, é demais! Refresca muito, muito mais! Mais e Mais! Pra sede logo desistir! É isso aí! Coca-cola é isso aí!”
E o compacto de Você não soube me amar, da Blitz (1982). O lado A tinha a música e o lado B não tinha nada. Assim, se você o botasse para tocar, podia ouvir o Evandro Mesquita falando “nada, nada, nada, nada...”.
Minha relação com a música começou a mudar quando as prateleiras de discos infantis deixaram de me atrair, a palavra rádio passou a fazer parte de meu vocabulário e as festas de aniversário deixaram de ter temas, chapeuzinhos e correria pelo quintal.
Na próxima parte desta autobiografia musical: os primeiros vinis de Rock, a descoberta de Michael Jackson, RPM e Fausto Fawcett, como a Guerra Fria trouxe minha primeira música de dor-de-cotovelo e as primeiras fitas K7.
14 Dezembro, 2006
Mamífero come dinossauro
A informação está no pé de uma matéria de Reinaldo José Lopes, do portal G1 (leia aqui), sobre mamíferos malandros que planavam de árvore em árvore para tirar onda com a cara de dinossauros.
Ao mencionar outros mamíferos de responsa, o repórter cita o grandalhão Repenomamus, que tinha quase um metro e... pasmem!... comia bebês dinossauros.
Eu devia estar dormindo, contando pterodáctilos, quando esta notícia saiu. Fato é que ela soou como novidade para mim, e uma novidade daquelas.
Quantas vezes nos achamos pequenos demais para dar conta dos problemas que caem feito meteoros sobre a gente? Siga o exemplo de nossos ancestrais. Quando um T-Rex vier pela proa, tome a dianteira e coma o calango-gigante enquanto ele ainda é bebê.
Repita consigo mesmo: "eu sou mamífero e não desisto nunca".
Com determinação e dentes afiados, a gente come até dinossauro.
Te cuida, Horácio!Marcadores: cotidiano, filosofia, humor
07 Dezembro, 2006
Você reconhece esse lugar?
Essa foto é um detalhe de um lugar bastante conhecido do Rio de Janeiro. Ou ao menos deveria ser, pela importância do prédio e, principalmente, de quem fez esta obra de arte. Quem mata essa charada?
 Marcadores: arte, cotidiano
05 Dezembro, 2006
O fim chegou. Confira agora o eletrizante penúltimo capítulo da saga colaborativa escrita por mim e por Leonardo Paiva.
Capítulo 14 - It's the end of the world as we know it...
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