Helen Sue acordou deprimida, magneticamente atraída pelo frasco repleto de Prozacs. Fechou os olhos, apertou os dedos sobre a colcha de cetim azul-turquesa, encheu o pulmão de ar e gritou para que todos os seus neurônios pudessem ouvir:
– Eu posso ser amada! Eu serei amada! Eu... serei... amada!!!
Então fez escova. Maquiou-se como se fosse a um casamento. Depois de quinze trocas, escolheu a sua roupa mais matadora. Pegou sua bolsa e foi para a rua.
Parou no ponto de ônibus, girando sobre o próprio eixo para evitar que o vento estragasse seu penteado. Fez sinal. Então sentiu alguém tocando de leve sobre seu ombro. Mal se virou, e uma voz masculina, firme, forte e destemida fez a pergunta. Não uma pergunta qualquer, mas a pergunta pela qual Helen Sue havia esperado por toda sua triste vida:
– Você acredita em amor à primeira vista?
O coração disparou. 100, 200, 300, um milhão de batidas por minuto... seu coração poderia fazer o ônibus que parara em vão para Helen dar a volta na Lua e voltar. O homem era lindo, e a olhava fixamente nos olhos esperando por uma resposta, que veio num grito a plenos pulmões:
– Sim! Sim! Acredito!
Então ele marcou um “X” num formulário sobre uma prancheta, agradeceu educadamente e foi embora, com seu crachá do Ibope.Marcadores: arte, contos, humor, literatura