Olhos rasos d’água, acabo de ouvir In Rainbows, sétimo álbum do Radiohead. Ouço em MP3, desbloqueado, que baixei na Internet. O link do arquivo zip? Quem me passou foi a própria banda, por e-mail. Ouço sem medo do Capitão Nascimento bater na minha casa. Paguei 2,5 libras (uns R$ 10) pelo download.
Para quem não sabe (sei lá, muita gente vive em Marte esses dias), o Radiohead lançou ontem (10/10) seu novo álbum de uma maneira revolucionária: distribuição pela internet, sem DRM. O preço? Você decide. Um campo em branco pergunta ao usuário quanto ele deseja pagar pelo álbum (grátis é uma opção). Eu quis pagar. Primeiro, porque fiz duas juras na vida: “Nunca mais passarei fome novamente” (mentira, fiz não) e “Jamais piratearei um Radiohead, um Legião Urbana ou um Los Hermanos” (essa eu fiz mesmo). Segundo, porque acho que R$ 10 é preço mais do que justo por um disco. Terceiro, porque preciso retribuir esses 11 anos de felicidade e de ininterruptas e incontáveis reproduções de Ok Computer & cia.
O álbum? Curtinho, 10 faixas, 42 minutos, maravilhoso. Radiohead. Menos hermético e eletrônico do que Kid A e Amnesiac (brilhantes mas que você leva um tempão para digerir), com faixas que a banda vem executando ao vivo há algum tempo. As letras não deu para sacar ainda e aí a gente começa a ver a falta que faz uma capinha, um encarte, um “deitar no sofá e ficar ouvindo o som lendo os encartes”. Mas nada que Google não resolva.
O disco saiu ontem. O hit até agora é a faixa 3, Nude, com quase 9 mil ouvintes no Last.fm (http://www.last.fm/music/Radiohead/In+Rainbows). Obrigado Radiohead. Quer o seu? Compra (ou só baixa) aqui: www.radiohead.comMarcadores: arte, internet, música