“O diabo está nos detalhes”. No nome das coisas, por exemplo. Como se chama o período entre a segunda e a sexta-feira? “Dias úteis”. Como se o sábado e o domingo fossem dias inúteis e, como tais, dispensáveis.
Na relação trabalhista, esses dias também têm outra nomenclatura: “Descanso remunerado”. Ou seja, é a caridade do patrão que paga para você descansar. Como você recebe pelo domingo, conclui-se que descansar no domingo faz parte de suas obrigações como empregado.
Logo, a função do domingo é garantir que você trabalhe mais na segunda. Se você resolve pegar o domingão para ir à praia, à Convenção Jedi e a uma micareta, e chegar em frangalhos na segundona, seu chefe tem todo o direito de lhe passar um sermão.
É por isso que defendo mudanças nessa nossa relação com o trabalho. Tudo bem que realizar um ofício é super recompensador e bacana, mas a vida é um pouco mais que isso, certo?
O que proponho:
- Semana de quatro dias trabalháveis (antigos “úteis): trabalhamos de terça à sexta e usamos sábado, domingo e segunda como bem entendermos.
- Carga horária de 10 horas diárias. Já trabalhamos isso mesmo, ou mais. Na prática, temos uma carga de quase 50 horas semanais. Oficializemos as 40 em 4 dias. Isso inclusive gerará mais empregos, acabará com as horas extras e não afetará a necessidade de produtividade das empresas.
- Fim do descanso remunerado. O salário deve corresponder ao trabalho. Não é preciso uma relação paternalista ou de caridade entre patrão e empregado. Basta um salário digno que permita à pessoa usar bem seu tempo livre.
- Manter as férias remuneradas, mas sem aquele bônus de 30% (mesmo motivo acima).
- Nosso tempo livre é nosso, e não deve ser bancado pela empresa nem controlado por ela (seu direito, já que paga por ele).
É meio louco e, admito, leviano, pois não levei em conta os aspectos econômicos e legais ligados a isso. Mas a idéia do wikibanco também era doida e teve um bom ibope.Marcadores: cotidiano, filosofia, trabalho