Brogue do Cassano
 

31 Dezembro, 2007  

Por uma semana de 4 dias

“O diabo está nos detalhes”. No nome das coisas, por exemplo. Como se chama o período entre a segunda e a sexta-feira? “Dias úteis”. Como se o sábado e o domingo fossem dias inúteis e, como tais, dispensáveis.

Na relação trabalhista, esses dias também têm outra nomenclatura: “Descanso remunerado”. Ou seja, é a caridade do patrão que paga para você descansar. Como você recebe pelo domingo, conclui-se que descansar no domingo faz parte de suas obrigações como empregado.

Logo, a função do domingo é garantir que você trabalhe mais na segunda. Se você resolve pegar o domingão para ir à praia, à Convenção Jedi e a uma micareta, e chegar em frangalhos na segundona, seu chefe tem todo o direito de lhe passar um sermão.

É por isso que defendo mudanças nessa nossa relação com o trabalho. Tudo bem que realizar um ofício é super recompensador e bacana, mas a vida é um pouco mais que isso, certo?
O que proponho:
  • Semana de quatro dias trabalháveis (antigos “úteis): trabalhamos de terça à sexta e usamos sábado, domingo e segunda como bem entendermos.
  • Carga horária de 10 horas diárias. Já trabalhamos isso mesmo, ou mais. Na prática, temos uma carga de quase 50 horas semanais. Oficializemos as 40 em 4 dias. Isso inclusive gerará mais empregos, acabará com as horas extras e não afetará a necessidade de produtividade das empresas.
  • Fim do descanso remunerado. O salário deve corresponder ao trabalho. Não é preciso uma relação paternalista ou de caridade entre patrão e empregado. Basta um salário digno que permita à pessoa usar bem seu tempo livre.
  • Manter as férias remuneradas, mas sem aquele bônus de 30% (mesmo motivo acima).
  • Nosso tempo livre é nosso, e não deve ser bancado pela empresa nem controlado por ela (seu direito, já que paga por ele).
É meio louco e, admito, leviano, pois não levei em conta os aspectos econômicos e legais ligados a isso. Mas a idéia do wikibanco também era doida e teve um bom ibope.

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Palpites
>> Uma idéia original, Cassano, porém utópica. Não que utopia seja ruim, pelo contrário! Eu mesmo sou utópico em demasia. Sabe-se também, que o socialismo que mais se aproximou do idealismo social foi o socialismo utópico, implantado nas fábricas inglesas de Robert Owen e outros utopistas. O curioso é que Marx e Engels, os pais do socialismo científico, criticavam ferozmente o socialismo utópico.

Creio que no mundo de hoje, o socialismo utópico é o único socialismo que pode viver em harmonia com o capitalismo, trazendo o que todo mundo espera um dia: igualdade social.

Mas... porque diabos falei de socialismo em um post sobre leis trabalhistas e wikibanco???

Culpa do Brin e do Page!

Rafael
www.tecnologia-e-cinema.com
 
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