Por uma semana de 4 dias

“O diabo está nos detalhes”. No nome das coisas, por exemplo. Como se chama o período entre a segunda e a sexta-feira? “Dias úteis”. Como se o sábado e o domingo fossem dias inúteis e, como tais, dispensáveis.

Na relação trabalhista, esses dias também têm outra nomenclatura: “Descanso remunerado”. Ou seja, é a caridade do patrão que paga para você descansar. Como você recebe pelo domingo, conclui-se que descansar no domingo faz parte de suas obrigações como empregado.

Logo, a função do domingo é garantir que você trabalhe mais na segunda. Se você resolve pegar o domingão para ir à praia, à Convenção Jedi e a uma micareta, e chegar em frangalhos na segundona, seu chefe tem todo o direito de lhe passar um sermão.

É por isso que defendo mudanças nessa nossa relação com o trabalho. Tudo bem que realizar um ofício é super recompensador e bacana, mas a vida é um pouco mais que isso, certo?
O que proponho:

  • Semana de quatro dias trabalháveis (antigos “úteis): trabalhamos de terça à sexta e usamos sábado, domingo e segunda como bem entendermos.
  • Carga horária de 10 horas diárias. Já trabalhamos isso mesmo, ou mais. Na prática, temos uma carga de quase 50 horas semanais. Oficializemos as 40 em 4 dias. Isso inclusive gerará mais empregos, acabará com as horas extras e não afetará a necessidade de produtividade das empresas.
  • Fim do descanso remunerado. O salário deve corresponder ao trabalho. Não é preciso uma relação paternalista ou de caridade entre patrão e empregado. Basta um salário digno que permita à pessoa usar bem seu tempo livre.
  • Manter as férias remuneradas, mas sem aquele bônus de 30% (mesmo motivo acima).
  • Nosso tempo livre é nosso, e não deve ser bancado pela empresa nem controlado por ela (seu direito, já que paga por ele).

É meio louco e, admito, leviano, pois não levei em conta os aspectos econômicos e legais ligados a isso. Mas a idéia do wikibanco também era doida e teve um bom ibope.

Um Comentário

Rafael Cruz  em janeiro 3rd, 2008

Uma idéia original, Cassano, porém utópica. Não que utopia seja ruim, pelo contrário! Eu mesmo sou utópico em demasia. Sabe-se também, que o socialismo que mais se aproximou do idealismo social foi o socialismo utópico, implantado nas fábricas inglesas de Robert Owen e outros utopistas. O curioso é que Marx e Engels, os pais do socialismo científico, criticavam ferozmente o socialismo utópico.

Creio que no mundo de hoje, o socialismo utópico é o único socialismo que pode viver em harmonia com o capitalismo, trazendo o que todo mundo espera um dia: igualdade social.

Mas… porque diabos falei de socialismo em um post sobre leis trabalhistas e wikibanco???

Culpa do Brin e do Page!

Rafael
http://www.tecnologia-e-cinema.com

Deixar um comentário