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30 Janeiro, 2007
PING KONG | KING PONG
PING..............I..............PONG
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Marcadores: arte, cinema, humor, poesia
23 Janeiro, 2007
Babel: o que nos une é a dor e a Coca-Cola
Segundo a Bíblia, no início dos tempos todo mundo falava a mesma língua. Se você dissesse “coé, brod, tá ligado na parada?”, um japonês responderia de bate-pronto: “sóóó...”.
Mas como o Homem não presta e começou a arrumar quizumba, e para evitar a falência prematura dos cursos de idiomas que seriam criados milênios depois, Deus inventou os dialetos e línguas para nos punir. É por isso que, hoje, seu filho fala com você e você fica olhando desesperado para a mãe dele, esperando por uma tradução simultânea.
Línguas, culturas, sociedades... Poderíamos ser um só, mas somos muitos só para a gente ver o que é bom para tosse.
É sobre os efeitos deste castigo que fala Babel, filme ganhador do Globo de Ouro, do mexicano Alejandro González Iñárritu. Fala de intolerância, de inconseqüência...
Numa espécie de “Efeito Borboleta” anti-globalização, Alejandro e seu parceiro Guillermo Arriaga mostram que o que nos une é a dor e a Coca-Cola. E talvez a inconseqüência sobre nossos atos. Dor, preconceito, inconseqüência e Coca-Cola (Sprite, Fanta, Coca Light...) unem Estados Unidos, México, Marrocos e Japão.
Nesses quatro países, histórias que se passam em idiomas, cenários e até tempos diferentes (uma ligação atendida no começo do filme só é feita pelo outro personagem no final) se amarram em nós indiscutíveis, em paralelos de causa-efeito às vezes até artificiais demais. Mas os escorregões na trama são facilmente superados pela bela fotografia, direção de câmera e pelas atuações impecáveis de Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, e dos demais atores iniciantes, menos famosos mas igualmente convincentes.Marcadores: cinema, filosofia
16 Janeiro, 2007
Ponte-aérea (2007)
Decolo sob nuvens plúmbeas de São Paulo A cidade a esgueirar-se em pseudópodes de luz. Não termina. Seu concreto negro invade o horizonte por onde quer que olhe meu olhar ovalado da janela do avião.
A cidade não tem fim. Nem começo. Não esbarra no sopé de uma montanha. Não se banha numa espuma de mar. Não abraça uma lagoa, um lago, um delta. Simplesmente a cidade se espalha. A cidade simplesmente resplandece.
Colméia de luzezinhas que piscam. De artérias de elétrons que pulsam. Que se ramificam, se entrelaçam. Neurônios nervosos numa massa cinzenta que escorre pelo horizonte, Crânio rompido à bala. Estilhaço. Foguete. Doce no sinal.
Milhares de metros abaixo, a cidade-monstro brilha. Inofensiva. Gigante. Quilômetros de paulistas, de concreto, de travessas, de imigrantes, de marginais, de metáforas, de dólares, de sangue, de dores, de risos, de sotaques, de cores. Quilômetros paulistas transbordando na pequena janela. Sendo aos poucos devorados pelas nuvens de chumbo. O gigante devorado pelo ar cinza que expira.
A luz se acende. Me servem um sanduíche. Logo a Coca-Cola no copo denuncia a inclinação. O Rio de Janeiro se aproxima.Marcadores: literatura, poesia
14 Janeiro, 2007
Máfia russa
43º andar Sempre soube que ter escritório em andar alto era um bom negócio.
42º andar Bela vista, as formiguinhas andando lá embaixo... acho que aquilo é um caminhão.
41º andar Gerenciamento de crises... por que eu faltei essa aula mesmo?
40º andar Ah, lembrei. Fui sair com a Joana. Nossa, que peitos!
39º andar Eram tão bons assim? Valeram a pena?
38º andar Gerenciamento de crises ou aqueles peitos?
37º andar Os peitos, claro. Os peitos...
36º andar Eles deveriam ter sido mais compreensivos. Com ou sem gestão de crises.
35º andar Porra, um milhão não é tanto dinheiro assim...
34º andar Como se eu só valesse um milhão! Eu valho mais que isso.
33º andar Caramba! Aquilo era um urubu?
32º andar Se bem que a Joana disse que eu não valia nada...
31º andar Mas mamãe disse que eu era um gênio.
30º andar Meu pai me achava criativo.
29º andar Uma vez minha irmã jogou meu autorama da janela.
28º andar Tudo porque meu Falcon matou a Barbie dela.
27º andar A Joana me deixou por causa da Angélica.
26º andar Aquilo de anjinho não tinha nada...
25º andar Se eu tivesse ido à aula de gestão de crises ainda teria meu autorama.
24º andar Se eu tivesse ido à aula de gestão de crises ainda teria a Joana.
23º andar Mas seu eu tivesse ido à aula eu nunca teria pego a Joana.
22º andar Escolhas... a vida é cheia de escolhas.
21º andar O terno, por exemplo. Um Armani teria rasgado?
20º andar Não era para esses ternos terem um reforço na perna?
19º andar Mas não... tinha que comprar um mais barato...
18º andar O infeliz aluga um escritório no 43º andar e compra terno vagabundo.
17º andar Isso nem é nada. O pior é apostar 1 milhão de dólares num negócio furado.
16º andar As formigas estão aumentando... parecem uns ratos zanzando.
15º andar Gente de longe é muito feio. Parecem umas bolas de pelo perambulando.
14º andar Pior é quando o milhão nem era seu.
13º andar Nego não tem espírito esportivo, é foda. E por que me seguraram pela porra da calça?
12º andar Não tem mais diálogo no mundo... todo mundo estressado.
11º andar A gente deveria amar mais o próximo... saber perdoar.
10º andar Joana, me perdoa!
9º andar Eu perdôo minha irmã. O autorama não era tão legal assim.
8º andar Eu perdôo o professor de gerenciamento de crises.
7º andar Como ele ia adivinhar?
6º andar Se bem que não custava nada dar a aula extra.
5º andar Não passei no concurso por causa disso.
4º andar Aí acabei me metendo com gente errada.
3º andar Agora é tarde... tarde mesmo.
2º andar Nunca mais me meto com a máfia russa.
1º andar
* * * Baixe aqui o conto em formato PDF. Marcadores: contos, literatura
13 Janeiro, 2007
Paranoid Android - o conto
Tem conto novo na área!!!
Este é o primeiro de uma série que batizei de "Letras do disco": pequenas histórias que usam como argumento as letras de músicas de álbuns que marcaram minha vida. Ok Computer, do Radiohead, é o primeiro.
Clique aqui e baixe "Paranoid Android", minha modesta homenagem a este disco de 1997, eleito por diversas publicações como o melhor da década de 90. Com justiça.
Saiba mais sobre Ok Computer no Last.fm.
Leia o conto.Marcadores: contos, literatura
11 Janeiro, 2007
Começa temporada de observação de baleias na República Dominicana
Depois do discurso bombástico de Graziele Massafera, nos chega outra notícia bombástica. Desmarque todos os seus compromissos. Cancele seu casamento. Tranque a faculdade. Não compre carro este fim de semana. Afinal...
“Começa temporada de observação de baleias na República Dominicana”As baleias jubarte, aquelas que, imitando a Daniela Cicarelli, se reproduzem no mar, perto de Abrolhos (BA), passam as férias de verão na República Dominicana, provavelmente atraídas pelo câmbio favorável.  Incrível é saber que as três mil baleias jubarte que migram para as águas dominicanas todo verão, fugindo dos trios elétricos da Bahia, são filmadas e fotografas em suas estripulias aquáticas – que incluem saltos e acrobacias – e nenhum dos cetáceos jamais processou o YouTube. Um exemplo de espírito esportivo e visão de futuro. Ao visitar o recanto das baleias, Samaná, o turista ainda pode descobrir outra fantástica característica do local: a maior densidade de coqueiros por metro quadrado do mundo. Maior inclusive do que a densidade de vendedoras de acarajé em Salvador. Um pacote para a República Dominicana (que entre todas estas atrações ainda tem a qualidade de estar a milhares de quilômetros de Porto Seguro) custa em torno de US$ 1.649, nas melhores agências de turismo do mercado. Boa viagem! Marcadores: humor
09 Janeiro, 2007
Viva! Começou o Big Brother Brasil 7!
Finalmente podemos parar de ocupar nossas cabeças com bobagens como o Iraque, o aquecimento global, a aposentadoria do Coronel Marco ou as milícias no Rio de Janeiro. Começou o Big Brother Brasil 7! Para brindar esse momento de eloqüente regozijo cerebral, e nosso tão auspiciado encontro com estes primorosos cérebros do povo brasileiro, reproduzo o discurso proferido há alguns minutos (são 22h50 da noite de estréia do BBB7) pela ex-Big Brother e atriz global Grazielle Massafera, para dar as boas-vindas aos novos participantes: "Acho que vocês devem aproveitar bem estes três meses, para quem ficar os três meses, claro, e encará-los como umas férias e uma oportunidade de exercitar o auto-conhecimento de si mesmo" Viva a cultura nacional! Marcadores: filosofia, humor
Você sabe que virou um monstro capitalista quando:
1 - Não conquista as mulheres. Faz uma aquisição hostil. "Ontem dei um take over naquela gata..."
2 - Depois do take over, você não pede a mulher em casamento. Você apresenta uma proposta de fusão.
3 - Você faz declarações de amor em power point
4 - Você recicla as declarações que fez para a ex-namorada para ter "ganho de escala".
5 - Você pára de dar "bom dia" porque se todos derem "bom dia" o valor de mercado de um "bom dia" vai cair. E ninguém merece um "bom dia" que não vale nada.
6 - Você faz as finanças pessoais em Excel mas se auto-engana com maquiagens fiscais.
7 - Você distribui sopa aos pobres mas antes chama o sogro e a sogra para testemunhar seu marketing social.
8 - Você pega o ônibus no ponto final para poder vender o lugar sentado para velhinhas e gestantes.
9 - Você compra ações da Sinaf sempre que há crise na Saúde.
10 - Contesta o "racha" na conta do bar alegando que comeu menos batatas-fritas que o resto do grupo. E guarda algumas para vender aos amigos depois que a conta já estiver fechada.Marcadores: filosofia, humor
08 Janeiro, 2007
Rio aposenta o figuraça Coronel Marcos, dos bombeiros
 Pingüin fritando na praia? Lá está ele. Baleia encalhada? Sempre a postos. Ressaca? Não saia de casa sem ouvir seus conselhos. Chuva, alagamento, destruição, caos? Conte com ele.
Um dos maiores figuraças do Rio de Janeiro, o coronel Marco Silva, Subcomandante-Geral e Chefe do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros do RJ, foi aposentado pelo governador Sérgio Cabral, após 33 anos na Corporação.
O que será dos pingüins perdidos? Quem vai dar entrevistas no RJ TV falando da condição das praias e dos resgates de banhistas afogados? E agora? Quem poderá nos defender?
O coronel Marco visivelmente amava o que fazia. Tanto quanto gostava de falar na TV. Era presença garantida nos telejornais. E a TV gostava dele também. Havia uma cumplicidade, melhor chamar de parceria, entre a imprensa e o coronel.
Segundo uma matéria do jornal O DIA, para não cair em depressão, o ex-herói vai passar a distribuir donativos para famílias carentes. Acredito que se ele resolver se candidatar a qualquer cargo público, será eleito fácil-fácil.
Mas se eu fosse o Coronel não me preocuparia com os riscos do ócio. Quem leu gibi ou curte os filmes da Marvel e da DC sabe que super-herói que se preza nunca aposenta a capa. Ou, no caso, a sunga.Marcadores: cotidiano
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