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23 Fevereiro, 2007
Encontrei isso revirando documentos antigos na pasta Meus Documentos. Pode salvar sua vida em momentos de pânico:
Milk shake de Ovomaltine
Ingredientes:
4 colheres (sopa) bem cheias de Ovomaltine Chocolate 100ml de leite gelado (=1/2 copo) 4 bolas de sorvete de creme bem consistente
Modo de preparo: Bata o sorvete com o leite no liquidificador, até adquirir uma consistência cremosa. Acrescente o Ovomaltine Chocolate e bata rapidamente. Beba em seguida antes que os flocos crocantes se dissolvam.Marcadores: cotidiano, humor
22 Fevereiro, 2007
O que a Unidos da Tijuca nos ensina?
Podemos assumir, sem medo de errar feio, que seus consumidores entendem tanto de seu produto ou de sua empresa como eu, sujeito meio estranho da cabeça e totalmente doente do pé, entendo os desfiles de carnaval.
Assisto religiosamente aos desfiles da Marquês de Sapucaí, tentando identificar a “conversa entre o tamborim e o surdo de primeira”, ou a inovação na ala das baianas. Suo frio buscando perceber o “Reino Encantado de Ilê-Aloá no Tempo das Garoas Místicas” num carro alegórico tão cheio de plumas, purpurinas e destaques como todos os outros.
Resumindo: não entendo nada de carnaval. Mas isso não me impede de gostar, de curtir, de consumir.
O mesmo acontece fora do período momesco. Quando seu consumidor compra, por exemplo, um barbeador elétrico, ele não precisa entender do revolucionário sistema helicoidal de lâminas. Por quê? Porque ele não compra barbeador, ele compra uma pele que parece bumbum de bebê. Ele compra uma história.
E ninguém compra uma história que não entende. Ninguém passa adiante um causo que não faz o menor sentido. É por isso que, ano após ano, minhas escolas favoritas são aquelas que se permitem entender. Como a Unidos da Tijuca neste ano, com um didático e divertido enredo sobre fotografia. Era fácil, sem legendas ou comentaristas, entender o que simbolizava cada ala. Simples, lindo, empolgante.
A escola não faturou o título, mas ficou entre as seis campeãs. E disse ao que veio, contou uma história.
Tenha isso em mente quando for posicionar ou comunicar seu produto, sua empresa, seu currículo. Mais que as especificações técnicas, que histórias sua marca conta? E elas estão sendo entendidas pelo público? Como sua marca ganha vida no imaginário do consumidor?
Não tente enfeitar o pavão, ou fazer com que as pessoas entendam a importância do “reino encantado de Ilê-Aloá no Tempo das Garoas Místicas”. Isso não importa. Deixe as especificações de lado e foque na experiência do consumidor, nas histórias que ele pode entender, vivenciar e repassar.
Desfile para o público, não para os jurados.Marcadores: cotidiano, internet, trabalho
08 Fevereiro, 2007
Helen Sue
Helen Sue acordou deprimida, magneticamente atraída pelo frasco repleto de Prozacs. Fechou os olhos, apertou os dedos sobre a colcha de cetim azul-turquesa, encheu o pulmão de ar e gritou para que todos os seus neurônios pudessem ouvir:
– Eu posso ser amada! Eu serei amada! Eu... serei... amada!!!
Então fez escova. Maquiou-se como se fosse a um casamento. Depois de quinze trocas, escolheu a sua roupa mais matadora. Pegou sua bolsa e foi para a rua.
Parou no ponto de ônibus, girando sobre o próprio eixo para evitar que o vento estragasse seu penteado. Fez sinal. Então sentiu alguém tocando de leve sobre seu ombro. Mal se virou, e uma voz masculina, firme, forte e destemida fez a pergunta. Não uma pergunta qualquer, mas a pergunta pela qual Helen Sue havia esperado por toda sua triste vida:
– Você acredita em amor à primeira vista?
O coração disparou. 100, 200, 300, um milhão de batidas por minuto... seu coração poderia fazer o ônibus que parara em vão para Helen dar a volta na Lua e voltar. O homem era lindo, e a olhava fixamente nos olhos esperando por uma resposta, que veio num grito a plenos pulmões:
– Sim! Sim! Acredito!
Então ele marcou um “X” num formulário sobre uma prancheta, agradeceu educadamente e foi embora, com seu crachá do Ibope.Marcadores: arte, contos, humor, literatura
07 Fevereiro, 2007
O amor é brega mas é bonito
Foi uma notícia publicada hoje em O GLOBO que motivou este post. Ele fala da descoberta de dois esqueletos com mais de 5 mil anos que desrespeitaram o "até que a morte os separe" instituído alguns milhares de anos depois de sua morte.
Encontrado na Itália, o casal está visivelmente abraçado, olhando um para o outro. Ele parece estar segurando de leve o queixo da amada, como quem diz "Não se preocupe. estamos juntos até o fim".
O que terá acontecido a eles? Seriam estes os corpos de Romeu e Julieta? Seria a história desse casal a inspiração de Shakespeare ao criar sua peça?
Morrer junto de quem se ama é um privilégio de poucos. E um tema recorrente na arte. Como diz Morrissey, em There is a light that never goes out:
And if a double-decker bus crashes into us To die by your side is such a heavenly way to die And if a ten ton truck kills the both of us To die by your side, well, the pleasure and the privilege is mine
Marcadores: cotidiano, filosofia
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