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04 Julho, 2007
Estúdios ainda erram a mão no script das ações digitais
Os estúdios de cinema aprenderam que mesclar marcas a seus roteiros é uma receita para lá de lucrativa. Também estão descobrindo maneiras muito criativas de explorar o product placement como forma de promoção dos próprios filmes. Um bom exemplo é a ação que transformou lojas do 7-Eleven em Kwik-E-Marts para divulgar o longa dos Simpsons. Mas quando o assunto é mídia digital, as atuações são dignas de Silvester Stallone.
Os responsáveis pelos sites de filmes ainda não se tocaram que a comunicação na web é diferente. Que conceitos abstratos como pertinência, utilidade e relevância ganham vida no meio digital. Vejamos o próprio longa de Homer & cia. O site traz, entre outras firulas, uma ferramenta para criar seu avatar simpsoniano. Apesar de um pouco limitada, a ferramenta diverte e temos um sem-número de springvillenses espalhados por blogs, MSNs e GTalks por aí. Legal, né? Bem legal.
O detalhe é que esses avatares só foram parar nestes lugares pelos poderes mágicos do e do Photoshop. O site mesmo não oferece uma utilidade clara para os avatares simpsonianos que você cria lá. Tudo depende do esforço e envolvimento dos internautas com seus ídolos.
Quer dizer que não tem nenhum papel de parede ou ícone para Messenger? Tem. Mas sempre com um “Dia X nos cinemas” piscando enorme. Quantos desses ícones eu vi por aí? Nenhum. Porque as pessoas não querem ser avatares-sanduíche, promovendo filmes por onde passam. Elas são fãs (ou fiéis) dos Simpsons, não do filme. Utilidade é permitir que as pessoas sejam Homer por um dia. Ou tenham um Líder Optimus irado como papel de parede, sem interferências, sem ruído. E isso comunica? Claro que sim.
É tudo uma questão de foco. Para o cliente, as informações comerciais sobre o filme são o coração da mensagem. Para o usuário, é apenas ruído. Para que dizer que é um filme? Ou que está em cartaz? A mídia tradicional e a própria imprensa se encarregam disso! Não tem como um blockbuster passar incólume hoje em dia. Não precisa transformar cada imagem de exibição do MSN em um mini-outdoor. Isso não é prestar serviço. É contar o fim da história.
P.S. O filme dos Simpsons estréia dia 17/08. Com ou sem ícone do MSN, estarei lá. :-)Marcadores: cinema, internet, trabalho
01 Julho, 2007
Meu encontro com o Rei
Acontece com quase todo mundo. Um dia, de repente, você se vê no meio de um show do Roberto Carlos.
Numa escala dos espetáculos que já pude assistir, fica alguns milhões de anos-luz abaixo do R.E.M. no Rock in Rio e da Legião Urbana no Metropolitan, mas está bem acima de uma palestra-show do Augusto Cury (isso existe, acredite) e de um pocket-show do Jota Quest.
Assistir a um show de Roberto Carlos é como sentar na mesma mesa de bar com um grupo de controladores de vôo ou de operadores da bolsa. Você presenciará um diálogo incrivelmente divertido, desde que você entenda as quinhentas gírias, referências e jargões restritos àquele grupo.
A seqüência das músicas, as balzaquianas histéricas, as declarações de amor de meninas, senhoras, vovós e homens (!!!), o final sempre com “Jesus Cristo” e o arremesso de rosas... é um mais do mesmo que faz todo sentido para aquele grupo fiel. E, justiça seja feita, algumas canções de fato merecem constar em nosso repertório musical coletivo.
Mas um mistério permanece. Se os arranjos são bastante convencionais, se as músicas são as mesmas há décadas, se os músicos são os mesmos há décadas, se até a senhora de vestido de oncinha na mesa do lado subiria ao palco e tocaria as canções...
Por que a banda do Roberto Carlos precisa de um maestro!?!?!?Marcadores: cotidiano, música
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