Patriotismo é acordar cedo num sábado, rumar para Bangu e me juntar a algumas centenas de papa-bocas-livres, curiosos, cabos eleitorais e puxa-sacos num café da manhã promovido por alguns dos ícones da decadência política brasileira.
Logo na entrada a mesa repleta de "quitutes pra pobre". Muito pão, biscoito e bolo pra encher logo a pança.
No som, berram jingles dos candidatos a prefeito e vereador. Melodias pegajosas e lugares-comuns como "fazer mais pela cidade", "povo feliz", "compromisso com o Rio" e "um Rio melhor pra você".
Na chegada dos candidatos, abraços apertados nos eleitores desconhecidos, sorrisos amarelos e gestos de jóia. O público se divide entre cercar os candidatos (pra pegar autógrafos, pedir para taparem o buraco da rua, coisas assim) e atacar os pães.
Começa. Surge do nada uma horda de jovens uniformizados que gritam e aplaudem com ênfase. Algo me diz que o partido contratou a claquete do Raul Gil ou do Silvio Santos. Elas nao deixam a gente ver nada. Vou ter de levantar. Ficar de pé, agora? O César Maia não merece isso.
Discurso rápido, metralhadora giratória contra os outros candidatos (falando a verdade, o que é pior). Nem uma palavra sobre o próprio e catastrófico governo. E foi-se embora, deixando a palavra para seus protegidos.
Nos saturamos daquele espetáculo de enrolação e fomos embora logo em seguida, não sem antes ver minha esposa, de dedo em riste, dizendo para o prefeito umas verdades sobre o descaso com a educação. Missão cumprida e a triste constatação de que a política é cada vez mais um espetáculo sujo.Marcadores: cotidiano, filosofia