Uma vez levantei um tema polêmico: o sucesso dos Big Brothers da vida abririam espaço para uma democracia direta? Isto é, um sistema onde o Legislativo não seria mais necessário, já que a tecnologia permitiria a todos criarem suas propostas de Lei (em formato Wiki), e todos votariam nas propostas usando as tecnologias disponíveis. As mesmas usadas pela massa para mandar candidatas a musas da Playboy pro paredão.
Realidade ao mesmo tempo fascinante e assustadora. Imaginem o perigo da manipulação pela mídia. Imaginem o (terrível dizer isso) risco da supremacia da imbecilidade. Você confiaria a constituição à mesma massa que elege o casal Garotinho, ajoelha para o deus Crivela ou se mobiliza para dar milhões para Caubóis, Bambans e Alemães da vida?
A verdade é que nossos representantes não são dignos, mas eles construíram uma rede que os torna indispensáveis à democracia. Como deixar a massa ignorante e analfabeta decidir por si seu destino? Como alijá-la e deixar tudo nas mãos de uma minoria? Abandonar o modelo democrático na perigosa egotrip do "eu sei o que é melhor pro povo"?
Baita sinuca de bico. Baita risco à Democracia. Enquanto isso não acontece, nos resta eleger bem os candidatos. Daí a inutilidade do voto nulo (que tanto pratiquei). É vã a esperança de que os votos nulos inviabilizem um pleito. E, se isso acontecer, estaremos até dando um recado de nossa indignação, mas nenhuma solução.
É difícil, tarefa quase impossível, achar alguém que faça jus a nosso voto. Mas é nosso dever procurar, ao menos. E, se não encontramos ninguém, porque não nos habilitamos nós mesmos?
Será que fugir do mundo podre da política é o melhor que os cidadãos de bem podem fazer? Deixar a política para os vermes de sempre é a contribuição que podemos dar? Lembrem-se das palavras de Raul Seixas: "se você quer entrar num buraco de rato, de rato você tem de transar".
P.S. Comece a fazer sua parte assinando a petição contra a equivocada e perigosa (má)redação da Lei de Cibercrimes: http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.htmlMarcadores: cotidiano, filosofia