Eu queria ser um rock star
e disparar sem dó
um dó distorcido
no meio do salto
e cair de joelhos
segurando a nota
fazendo careta
quebrando a guitarra
atirando a palheta
e eu me vestiria como se ninguém estivesse ali
usaria um cabelo estranho,
como se ninguém estivesse vendo
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali
meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.
todo rock star tem dois milhões de amigos.
queria ser galã de cinema,
beijar a mocinha no fim da cena,
ter um dublê para ser eu,
sempre que eu correr perigo.
um galã de cinema,
letras maiúsculas na fachada
nome nos créditos de entrada
agradecer pela estátua
como se ninguém estivesse vendo,
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali
meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.
todo galã de cinema tem dois milhões de amigos.
e eu queria ser um escritor best seller,
ter hábitos estranhos,
uma casa na escócia
e traçaria tramas
sobre a escória e
sobre a história
e daria autógrafos
pra gente na fila
livro após livro
como se anotasse um telefone
como se ninguém estivesse vendo,
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali
meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.
todo best seller tem dois milhões de amigos.
onde estarão escondidos
onde estarão escondidos
o que estarão esperando
meus dois milhões de amigos
meus dois milhões de amigos
todo mundo tem direito a dois milhões de amigos.Marcadores: arte, cotidiano, filosofia, literatura, música, poesia