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29 Outubro, 2008
Todos podem ser um Crisdias?
Durante sua apresentação na edição 2008 do Intercon, Cristiano Dias nos apresentou uma fascinante visão de um mundo onde o verdadeiro capital não é financeiro, mas social. O que o Crisdias fala tem peso. Tem peso porque ele tem capital social, o que só reforça sua tese.
Capital social é “tudo aquilo que o dinheiro não compra” numa relação entre duas ou mais pessoas. Afeto, credibilidade, reputação, pertencimento... tudo isso tem valor, tudo isso transita pra lá e pra cá quando você faz um discurso, quando entra numa comunidade ou manda o link para aquele vídeo da Paris Hilton. E, em termos de capital social, o Crisdias é podre de rico.
Mas a pergunta que me fiz, vendo a bela palestra, foi: será que todo mundo pode ser um Crisdias?
No que depender das leis matemáticas por trás da internet, da sociedade, do mercado financeiro e até do metabolismo celular, não. Mesmo que, subitamente, todos nós nos tornemos simpáticos, sagazes, inteligentes, sortudos, com boa reputação, totalmente “do bem” e bem relacionados (que é a “carteira de ações” que faz do Crisdias um Carlos Slim do capital social), isso não significa que todos nós nos tornaremos um Crisdias.
A explicação, na verdade, é bastante simples e assustadora: a natureza e nossa sociedade abominam a igualdade. Recorro ao pesquisador Albert-Lászlo Barabási para me socorrer. Em seu livro Linked, de 2003, ele nos revela avanços em nosso entendimento sobre redes complexas. A internet, a economia, as redes sociais (offline ou online), as rotas aéreas, os ecossistemas e o metabolismo celular são redes complexas. E são redes de um tipo particular, as redes livres de escala: em todas, absolutamente todas, um pequeno número de nós (elementos) possui um número absurdo de elos, Links, relações com um número assombroso de outros nós/elementos. E uma grande maioria possui apenas um punhado de elos, links e relações.
O gráfico que desenha isso é um gráfico de lei de potência. Aquele mesmo que ilustra a cauda longa (Long tail). Soa familiar? É o velho e batido teorema de Pareto. Os 20% de Crisdias acumulam tanto capital social quanto os 80% de Cassanos, Zés da Silva e Joe Does que completam a blogosfera.
Imagine um exemplo bem prático: seu bairro tem três açougues. Um deles tem ótima reputação, a carne é ótima e o açougueiro é gente boa. Os outros dois são uma porcaria e a carne é de procedência duvidosa. Ora, você aceita até pagar mais caro pelo açougue do gente-boa. Agora, se os três açougues são ótimos, com reputação, carnes incríveis e açougueiros seus amigos, você pode comprar em qualquer um. E vai, provavelmente, optar pelo mais barato, ou pelo mais perto de sua casa. Isto é: quando todo mundo tem muito capital social, a sociedade como um todo é rica, mas individualmente todos são pé-rapados de wuffies, a moeda virtual citada pelo Cris em sua palestra. Capital social é elemento de diferenciação.
Mas será que tudo o que pesa no capital social é regido pela mecânica das redes? Quase tudo. As mesmas teorias que explicam as redes livres de escala mostram que elas são assim porque os links que têm mais, tendem a ganhar mais. Cada vez que o Cris é chamado para um evento, ele ganha capital social (“ih, olha lá aquele blogueiro que deu certo...”). Na hora de fazer um evento e escolher os blogueiros a chamar, matematicamente, o Cris tem mais chances de ser chamado do que a gente, porque a tendência é a pessoa chamar aquela que já recebeu mais convites. Quanto mais conhecidos ele tem, maior a chance de ele ser apresentado a mais pessoas. Quanto mais trabalhos/negócios legais ele fizer, maior a chance de fazer outros trabalhos/negócios bacanas.
É por isso que os ricos tendem a ficar mais ricos. Os famosos, mais famosos. Os “pegadores”, pegando mais gente.
Então é o fim? Devo parar de blogar? Fugir da internet? Claro que não. Primeiro, porque estatisticamente é difícil, mas longe de impossível, ser um Crisdias. O tal 80/20 de Pareto é mais um exemplo do que uma fórmula matemática precisa, mas vamos lá: nesse raciocínio você teria, mais ou menos, 20% de chance de virar um Crisdias. Nada desprezível. Só não há a menor possibilidade de você, todos os seus amigos e os amigos de seus amigos virarem Crisdias. Só com clonagem.
Segundo, porque o Cris estava certo. Existem mil formas de capital, todas até mais importantes que a mera monetização dos blogs. E terceiro, porque não é preciso ser um Crisdias para ser um blogueiro/ blipeiro/ twitteiro/ qualquercoisazeiro realizado profissionalmente. O que explica isso é outra característica das redes sociais: se você pegar um pedacinho de uma rede livre de escala e “olhar no microscópio”, ela apresentará a mesma estrutura da mãe. Isto é, não importa a escala (se você está olhando 10%, 50% ou 100% dela), ela terá o mesmo desenho: alguns poucos hubs mega-conectados e uma maioria pendurada na rede por alguns fios.
O que isso quer dizer? Muita coisa. A internet não é uma mídia de massa. Não é comunicação de massa, mas o império da massa de comunicadores. Não existe uma Meca na internet para onde todo mundo olhe ao mesmo tempo. Mesmo o Crisdias é um ilustre desconhecido pra muita gente. Isso acontece porque o mundo – não faz mais sentido separar mundos online e offiline, é tudo a mesma coisa – é assim. Um conjunto de zilhões de pequenos, complexos e incríveis mundos.
O movimento dos busólogos (apaixonados pelo estudo dos ônibus urbanos) certamente tem seus Crisdias. Os médicos também. Os analistas de capital de risco, os umbandistas, os fãs de Maria Rita, os punks, os funkeiros, os palmeirenses e os abraçadores de árvores. Existe, até mesmo, o Crisdias dos bebedores de Santo Daime.
Afinal, para cada Carlos Slim tem sempre uns dez Eike Batistas. E, convenhamos, não é nada mau ser um Eike Batista.Marcadores: filosofia, intercon, internet, trabalho
27 Outubro, 2008
Livros que ainda vou escrever: Gambiarra
23 Outubro, 2008
Ode à gambiarra
Oh doce gambiarra, tu que ao mundo amarra emenda este pobre homem que por tua ingeniosidade se domina.
Mãe de todos os improvisos bombril de nossas antenas faz de fio, corda de uma tomada, três um mundo com uma caixa apenas.
e se no final falta a rima criativa, inventa uma palavra: astrublecomiarra e fecha rimando com gambiarra.Marcadores: cotidiano, filosofia, humor, internet, literatura, poesia
Novos significados para "gambiarra"
A gambiarra é a melhor amiga do homem. É ela que permite a inovação e a perpetuidade da espécie. Sem ela não haveria o McGyver, por exemplo. Além de nos permitir fazer mil coisas, a gambiarra também pode assumir mil significados.
Gambiarra pode ser...
Um animal "Uma gambiarra de três metros e 600 Kg encalhou na costa Sul de Santa Catarina..."
Um prato "Hmmm... Vou pedir essa gambiarra à bolonhesa, com rúcula e tomate seco. Mas dá pra trocar o manjericão por orégano grego?"
Um jogador italiano "Canavarro avança, toca para Gambiarra, tabela com Cassano e é gol. Gooool!!!"
Um remédio "Pra curar essa micose você vai tomar uma gambiarra 500mg de 8 em 8h."
Um lugar "Quando visitei Gambiarra ano passado choveu o tempo todo, mas os restaurantes eram ótimos"Marcadores: cibt, cotidiano, filosofia, humor
18 Outubro, 2008
10 coisas para fazer se o Twitter acabar
1 - Compre um caminhão. Passe a escrever tudo o que você twittaria no pára-choque. 2 - Passe a falar seus tweets para estranhos. Por exemplo, vire-se para a senhora a seu lado no ônibus e diga: “Odeio festa em que servem Kovac. Pronto, falei”. 3 – Escreva seus tweets em post-its e prenda na geladeira. De tempos em tempos, fotografe sua geladeira e mande a foto para o Flickr. 4 – Descubra outras funções para seu celular. Como joguinhos ou telefonar, por exemplo. 5 – Dê mais atenção para seu abandonado agregador de RSS. 6 – Leia jornais. De preferência impressos, para evitar a eventual tentação de twittar alguma matéria específica. 7 – Compre uma lata de spray. Imortalize seus tweets em muros e paredes. Recomenda-se aprender Le Parkour e contratar um bom advogado. 8 – Volte a blogar. 9 – Sempre que vier uma vontade de twittar, o braço começar a tremer e você procurar o celular/PDA/smartphone/EeePC/laptop, pense “Só por hoje não twittarei. Só por hoje” 10 – Monte uma Herbalife para ex-twitteiros em abstinência. “Deixe de twittar agora. Pergunte-me como”.Marcadores: cotidiano, filosofia, humor, internet, twitter
14 Outubro, 2008
Sou+Web debate Redes Sociais no Rio
Recebi este aviso para mais um evento dedicado às Redes Sociais e compartilho com a turma. Até porque o sempre gente boa Nepô vai participar.
Neste sábado, dia 18, acontecerá o segundo debate do Sou+Web (série de eventos mensais sobre Marketing e Comunicação na Internet, promovidos pelo curso de Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Marketing Digital, da Facha). O bate-papo irá de 10h ao meio-dia, no auditório da Facha (Rua Muniz Barreto, 51, Botafogo, Rio de Janeiro). Ofereceremos sucos, café e biscoitinhos doces e salgados para quem quiser nos acompanhar num café-da-manhã e trocar idéia antes do debate (basta chegar um pouquinho antes das 10h).
O tema será: Redes Sociais como ferramenta de marketing Comunidades, Orkut, Facebook, Twitter, Digg, Delicious, Blogs... como estão usando estas ferramentas para comunicação e marketing online?
Estou feliz por ter conseguido juntar três profissionais mega-feras que são muito admirados e respeitados no cenário de internet no Brasil:
Carlos Nepomuceno Jornalista formado pela PUC-RJ, mestre em Ciência da Informação pela UFRJ, doutorando pela UFF e especialista em informação no ciberespaço, pela Internet Society no Havaí. Consultor de tecnologia para o Sebrae, IBAM e Petrobrás. Professor do MBA do Crie/Coppe/UFRJ e autor do livro "Conhecimento em Rede". Idealizador do Instituto de Inteligência Coletiva, e do primeiro software livre brasileiro para criação de redes sociais.
Cristina Dissat Jornalista formada pela UFF, trabalhou com jornalismo de moda nas revistas Desfile, Amiga, Manchete, Fatos e Fotos e Criativa. Desde 1989 atuando em jornalismo científico, passou a se especializar em conteúdo web a partir de 1995. Referência nacional em conteúdo digital na área de saúde e Membro da Academia Ibest de Imprensa por duas vezes e, em 2008, foi da Academia Ibest. Em 2004 criou o blog Fim de Jogo, que acompanha o que acontece nos arredores do Maracanã em dias de jogos e grandes eventos. É a única blogueira credenciada pela Suderj, que acompanha regularmente as coletivas convocadas pela Secretaria.
Raphael Perret Formando em jornalismo pela UERJ e mestre em Informática pelo NCE/UFRJ, na linha de pesquisa de trabalho colaborativo. Professor do curso de pós-graduação de Gestão em Marketing Digital na Facha. Pesquisa a área de Comunicação Digital, com foco em jornalismo online, blogs e redes sociais. Mantém o blog Butuca Ligada. Tem artigos e reportagens publicadas em veículos como Jornal do Brasil, Jornalistas da Web, Comunique-se e Webinsider. Trabalhou na Prefeitura do Rio de Janeiro. Atualmente, atua na área de Comunicação Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Cada um dos convidados irá apresentar suas idéias em 20 minutos. Em seguida, abriremos para perguntas e interação com o público.
O evento é gratuito, basta enviar pedido de inscrição por email (para nino.carvalho@gmail.com) até a sexta-feira, dia 17 (nós enviaremos um reminder):
Seu Nome Seu Email Onde trabalha Qual cargo Como soube do evento Marcadores: internet, trabalho
03 Outubro, 2008
Apresentação do Frogcampus exibida no Blogcamp-RJ
Atendendo a pedidos, a apresentação do Frogcampus, circuito de palestras que fazemos em universidades, e que acabou sendo exibida, meio que no improviso, no Blogcamp-RJ.
Marcadores: blogcamp, internet, trabalho, twitter
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