Campus Party: de woodstock a micareta
Algo se perdeu na última edição da Campus Party. Pode ter sido o frescor da novidade. Ou a bela arquitetura do Pavilhão da Bienal, substituído pelo “sem-sal” Centro Imigrantes. Ou a mudança no perfil dos participantes, talvez interessados demais em social e menos em mídia, tecnologia, inovação. Enfim, senti (no curto tempo que fiquei por lá, apenas um dia), um clima mais de micareta geek do que o Woodstock geek do ano anterior.
Mas há coisas boas, e muitas. O evento mostrou, mais uma vez, que existe um mercado em torno deste universo, com diversas empresas que crescem e coexistem de forma pacífica, colaborativa. Mostrou que existe um considerável número de pessoas interessadas em tecnologia, mas não como produtos de consumo, um DVD que você compra e leva pra casa. Tecnologia como agente de mudança. Como inovação, como invenção, como revolução.
Perdi apresentações e debates que sei que foram excelentes. Temas que sua mera inclusão no Painel já justificam a plenária. E encontrei pessoas que estavam ali deixando seu tijolinho na construção do futuro. Os empreendedores, que exibiram seus projetos no CPLabs, a turma do faça-você-mesmo, e os sempre fascinantes garotos e garotas da robótica. Convenhamos, não há muitos espaços onde você pode passar dias imerso aprendendo a construir robôs. Isso muda uma vida. Isso faz perceber que, hoje e no futuro, não precisamos ter uma profissão. Podemos simplesmente fazer coisas, como escrevi num post logo depois da Cparty do ano passado. Esse espírito continua.
Esse espírito, que permaneceu em alguns grupos e bancadas, meio que se perdeu no todo (ou estava lá mas não consegui perceber). Para mim, a Campus Party é valiosa como espaço único para se reunir com conhecidos e desconhecidos e criar juntos. Em construir algo juntos. Para plantar a semente de projetos que poderão crescer nos meses seguintes, ou para despertar vocações. E nem tanto como um espaço para aparecer ou “rickrollear” mais que os outros. Não é o espírito Sapucaí do “ver-e-ser-visto”. Isso faz parte? Quebra gelo? Diverte? Claro! A Campus Party, como o nome diz, é uma grande festa. Mas isso a gente consegue em qualquer lugar. Até mesmo no carnaval que se aproxima.
3 Comentários
Renata Lino em janeiro 27th, 2009
Me senti inclusa naquele cruzeiro de micareta jovem mais com pessoas com um QI um pouco mais elevado.
Mas não é porque o QI é maior que não rolam confusões e desastres sociais, afinal as pessoas que antes apenas se viam horas por dia comeram o famoso quilo de sal, e assim, tudo vira uma grande bola de neve.
A organização deixou a desejar, mas algumas pessoas que conheci e algumas palestras que assisti valeram para que eu não achasse tudo um fracasso total.
Como você disse, o clima era de micareta e, em minha opinião, a estrutura não estava preparada pra isso.
Espero, sinceramente, que um dia mude a visão que conquistei lá, mas agora a sensação é a mais estapafúrdia possível. Tomare que ao invés do evento pensar em evoluir, da próxima vez, eles pensam em regredir um pouco e pensar aonde eles se perderam!
ana claudia bessa em janeiro 27th, 2009
Eu adorei participar pela primeira vez da Campus Party e apesar de algumas ressalvas com relação à organização do evento e algumas participações, penso que esse evento é fundamental para agregar pessoas. É fascinante ver tantas pessoas, de tantas idades diferentes partilhando vivências e aprendizados.
Espero que todos os participantes escrevam posts a respeito de suas impressões sobre o evento e que a organização esteja atenta críticas positivas para que possamos ter um Campus Party melhor a cada ano.





Roney Belhassof em janeiro 27th, 2009
Essa foi a minha primeira Campus Party e realmente o encanto da novidade é inebriante! Acho bem provável que eu sinta falta de algo no ano que vem.
Eu e minha esposa (claudiamello.com.br) fomos para fazer imersão no evento e tentar entender o que era aquilo.
O que vimos não é muito diferente do que vc conseguiu captar em apenas um dia.
Fiquei com a impressão que tinha uma certa obsessão por “monetização” na arena blog, mas vi muitas palestrasa boas lá também como a do Ronaldo Lemos.
Creio que o campuseiro em geral estava ali pela festa. Os de jogos para jogar, os blogueiros e twitteiros interessados demais em social (como vc disse) e quase todos queriam tirar proveito dos 10Gb de banda.
Ou seja, não era um grupo visivelmente mobilizado, a maioria nem faz idéia que existe o tal pl 84/1999 e reina uma certa alienação.
Ainda assim, talvez por ser o primeiro, achei que, mesmo sem querer, ali está nascendo uma nova cultura.
Seria bom que isso fosse feito mais de propósito :-/