Faculdade: fazer ou não?
Assim que terminou a sessão de perguntas do 14º Encontro de Web Design (EWD), uma jovem estudante interpelou os palestrantes, que conversávamos num canto do auditório. Ela queria escolher uma faculdade de design e não sabia qual escolher.
Acho que as dicas que recebeu não eram exatamente as que procurava. Com estilos ou motivos diferentes, nós a fizemos pensar duas vezes antes de fazer uma faculdade apenas por fazer uma faculdade, como se sua carreira dependesse disso e só começasse pra valer daqui a quatro ou cinco anos.
Isso me fez voltar a pensar sobre aquela história de profissões e carreiras. Não consigo desprezar o curso universitário. Podem me chamar de antiquado, mas eu não abriria mão de minha graduação. Ela foi muito importante, mas não pelo conhecimento técnico que adquiri. Foi, sim, pelo processo de amadurecimento, pelo rito de passagem e pela cultura geral que fui forçado a absorver.
Hoje, não vejo muito sentido em graduações técnicas, como Jornalismo, Publicidade, Design ou Informática. Não tem nada ali – no que diz respeito aos lides, campanhas, serifas ou classes da vida – que não se aprenda quebrando a cabeça em casa ou em cursos menores, focados.
Acho que seríamos profissionais melhores se os publicitários fizessem cursos de técnica publicitária e se formassem em algo que os ajudasse a entender melhor as pessoas e suas necessidades, como Antropologia, Psicologia ou Sociologia. A mesma coisa para jornalistas, que poderiam estudar a fundo História, Ciências Sociais ou as mesmas graduações do publicitário e em seis meses (ou num bom estágio) pegar toda a técnica necessária.
E por aí vai. Se um designer vai ficar quatro anos estudando, é melhor que seja a História da Arte e do Design do que aprendendo técnicas ou ferramentas que estarão defasadas quando ele se formar.
Bom, respondendo à jovem do EWD: faça sim uma faculdade. Mas não aquela que te ensine a usar o martelo, mas sim a que te ensine porque martelar, quem já martelou antes e qual o papel do martelo no mundo.

Formar o cidadão é fundamental e isso já era verdade há anos e anos, só que as pessoas são muito afoitas, querem técnica, técnica, técnica. Dei muito valor à parte teórica da minha formação, “aumentei minha orelha” como disse um professor na época. Aprender a usar a técnica depois é mole. Grande Cassano, parabéns!
É +/- o que eu sempre digo qdo alguém me pergunta q faculdade eu fiz ou se recomendo algum curso.
Eu sempre fui da opinião de que faculdade não fazia a cabeça de ninguém, e sempre fui terrivelmente contra quem considera que alguém sem faculdade é um idiota por definição. Talvez porque nunca tinha feito faculdade (por falta de tempo e dinheiro) e porque já tinha sido “discriminado” por isso, mesmo quando meus conhecimentos ou experiência eram claramente superiores ao esperado.
Mas quando fiz 26 anos vi que tinha tempo e dinheiro pra isso então decidi voltar e fazer faculdade, até pra poder ter causa pra falar bem ou mal. Me formei em dezembro passado, já com 31 anos. Minha opinião sobre o assunto (em inglês):
http://zehfernando.com/2008/the-end-of-the-end/
A conclusão é que continuo mais ou menos com a mesma opinião, mas agora acho que faculdade é bastante enriquecedora não só pra seus conhecimentos mas também pro seu caráter. Eu me considero “sortudo” por ter feito faculdade tão tarde – pude absorver todo o conteúdo melhor.
Enfim, foi difícil, mas valeu a pena. Faculdade não é tudo, mas com certeza é alguma coisa, desde que você aproveite direito (o que nem sempre é o caso).
Faculdade é importante, realmente pela questão de amadurecimento, de te ajudar a caminhar por uma estrada acadêmica que é até possível fazê-la sozinho, mas é mais simples com um guia. Mas o lance é que não adianta ir atrás de formação imediata, o lance é usar estes quatro ou cinco anos para acumular perguntas que serão respondidas depois.
Ou como diz o prezadíssimo Alex Primo: “Que esse livro te traga mais questões que respostas”. Não se pode mais confiar em respostas, temos que “conquistá-las”. Belo Post.
De textos com essas características que as pessoas precisam ler. Já não é de hoje que vejo estas mesmas pessoas formadas nos cursos que citou acima, totalmente vazias, focadas apenas no que aprendeu de técnica. Como se o mundo se resumisse a isso. A formação como ser humano ético e moralmente correto é fundamental.
Grande abraço.
Excelente colocação.
Só tenho uma ressalva: Cursos de Informática (que na verdade é uma palavra muito genérica pra se classificar um curso ou área do conhecimento) não são necessariamente técnicos. Assim como design tem diferentes cursos, a “informática” também possue cursos e cursos.
Claramente a informática está fortemente associada a aspectos muito técnicos na nossa sociedade como: programação de computadores, a hardware, software, windows, internet explorer, etc.
A maioria das pessoas que eu lido todos os dias, seja ela da área de TI ou não, não sabe nada ou desconhece os fundamentos da informática. Eu sei que essa última frase é muito forte, mas é verdade e repito, muita gente de TI é apenas tecnólogo (mesmo possuindo diploma de nível superior), daí surge o pensamento que um curso de informática que surgiu da matemática, física, eletrônica, economia, etc, seja visto como essencialmente técnico.
Sou engenheiro da computação, assim como você, também acredito que não seria o profissional que sou hoje sem a minha graduação, que teve muita teoria (e haja teoria) de engenharia e de “informática”.
Abraço a todos.