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Todo mundo quem?

11 de abril de 2009

“Todo mundo está falando que fulano vendeu um post”. É comum ouvir isso a cada polêmica ou nova febre no Twitter. “Todo mundo” alguma coisa. Na verdade, se você fizer uma enquete pelas ruas do Rio, de SP e de Recife, raríssimas serão as pessoas que estarão indignadas com o uso de scripts para seguir milhares de pessoas no Twitter.

O assunto, tampouco, foi pauta na reunião do G20, enredo de escola de samba (“tuiteeeei… Lá da Sapucaí… E aí, e aí…“) ou tema no sermão do padre (“irmão, não seguireis a quem não te queres seguindo“). Mas ainda assim a gente considera isso a preocupação maior de “todo mundo”.

Quem é “todo mundo”? Se a resposta é o infalível “depende”, o Twitter a torna ainda mais curiosa. A partir do momento em que você monta sua rede de 100, 200 seguidos, e começa a seguir aqueles desconhecidos com quem seus conhecidos conversam, você monta um universo fechado onde, mais ou menos, todo mundo segue todo mundo. É como um Barrados no Baile, onde todo mundo pegava todo mundo, só que sem a Shannon Doherty.

Como praticamente todas as conversas, desabafos, babados e polêmicas que você acompanha parecem fazer sentido – afinal você lê os diálogos quase inteiros -, têm-se a impressão de que você de fato segue “todo mundo”. Se seu universo de seguidos não toca no assunto, é porque o assunto obviamente não existe.

O novo Google somos nozes. São nossos contatos de primeiro e segundo grau que definem, via Twitter, o que é ou não é tendência. O que existe ou não. O que eu devo ver ou não. São eles que definem que posts pagos ou o viral da moda são o assunto preferido de “todo mundo”.

Para um humano normal, tal comportamento não passa de um fenômeno delicioso para os cientistas sociais analisarem. No fundo, ele não é novo. O “todo mundo” de cada sempre foi muito reduzido. A diferença é que agora ele tem ares de coisa quantificável. De fato aquele interminável rio de frases curtas parece ser tudo. Parece ser todo mundo.

Mas para quem trabalha com redes sociais, esse comportamento é perigoso. Precisamos praticar o sempre saudável exercício de nos afastarmos. De reconhecermos que, sim, “Hanna Montanna” é um dos assuntos mais quentes no Twitter hoje, embora ninguém que eu siga tenha falado sobre isso. É fundamental fugirmos do etnocentrismo, aqui travestido de um ciberetnocentrismo. De acharmos que virais, posts pagos e panes no Speedy são a paixão nacional. Mesmo que “todo mundo” só fale disso.

  1. abril 11th, 2009 at 16:37 | #1

    Cassano,

    O perigo para quem trabalha com redes sociais, IMHO, nasce da dificuldade (seja da pessoa física ou jurídica) em saber quando esse “todo mundo” fajuto e mal interpretado vale receber uma análise mais criteriosa ou não.

    Me parece mais comum do que deveria essa interpretação que você aponta como perigosa, mas perigoso também é ignorar esse mesmo “todo mundo”. Pouco tempo atrás a @thaispontes tuitou seu drama com a Claro e na ultima informação que recebi ela teve 140 RTs e 2200 visitas para o post. É sim mais um caso do nicho de mim mesmo, porém, nesse caso, passar por debaixo do radar de quem trabalha com midias sociais seria uma perda.

    O verdadeiro perigo para quem trabalha com midias sociais não está em ignorar os números (descartando, por exemplo, a tal pesquisa nas ruas de SP, Rio e Recife), mas sim em ignorar o conteúdo. Nem Hanna Montana, nem script. O papel do profissional de midias sociais é interpretar COMPORTAMENTO, não hype, nem tampouco falso hype. É o comportamento (the big picture) que ajuda a definir como trabalhar as próximas 2 ou 3 açoes. ;)

  2. admin
    abril 11th, 2009 at 16:43 | #2

    É isso mesmo. Tenho trabalhado pesado com pesquisas/monitoramento de redes sociais e os resultados são impressionantes. Este ambiente é uma poderosa caixa de ressonância do que acontece no dito “mundo real”. Hoje é tudo a mesma coisa. O analista de mídias sociais precisa estar atendo ao nicho de todo mundo. O que não pode é achar que “seu mundo” é “todo mundo”.

  3. abril 12th, 2009 at 20:43 | #3

    Concordo em gênero, número e grau. Dá impressão que se estivermos fora do Twitter como eu não sobreviveremos… falsa impressão que criam os modismos… abs

  4. abril 20th, 2009 at 23:13 | #4

    Eu to pra ver alguém que está FORA do twitter que acha “todo mundo do twitter” relevante.

  5. abril 22nd, 2009 at 00:01 | #5

    Olá Cassano, cheguei aqui por indicação do Edney, esta semana fui questioná-lo se achava que valeria a pena pagar 400 paus num curso do Senac sobre Buzz Marketing, etc. E então ele me disse que nunca fez cursos, que o melhor é acompanhar os blogs, o que já faço, aí ele citou uma lista da qual não conhecia o seu e mais outro. :) Bem vindos! kk
    Olha só, é verdade que generalizar todo mundo é clichê, isso para tudo. Se for ver, só nesta última frase eu generalizei. Então começa-se utilizar a expressão para dar impressão de importância e volume. Se eu for chamar por todo mundo, vishi…ainda estou meio perdida ao que se diz do Twitter, sabia? Tem um monte de gente, da faculdade, dos blogs que acompanho como o Edney e o Ian, e os de empresas como Abril, UOL, etc. Sabe? Fico meio perdida…como é que que o povo faz para mandar twits assim, oh:
    “Muricy ignora “fumacinha” no São Paulo: http://bit.ly/12ilvO

    “thiagorpedroI belive I Can Fly na voz de uma das minhas bandas preferidas: http://tinyurl.com/kaq7s
    about 1 hour ago from TwitterFox”

    como o pessoal resume as coisas em tinyurl, migre.me… enfim
    tem dicas pra me dar?

    abs

  6. sylvio lindenberg
    outubro 8th, 2009 at 09:35 | #6

    Uma luz no meio da escuridao cega do microcosmo virtual. Muito obrigado por esse post absolutamente esclarecedor.
    No mundo da publicidade (acredito que em outros nichos seja igual) isso já acontece ha muito tempo. Onde os profissionais buscam suas inspirações em si mesmo, bebendo todos da mesma fonte e acreditando que o resto do universo pensa da mesma forma que eles. Ai, nesse caso, vence quem entende que isso não é uma verdade absoluta e que busca outras fontes de informação e inspiração. Ler, ouvir e transitar por universos e culturas diferentes abre mentes e ajuda a dar um bom contrapeso as verdades tidas como absolutas pela maioria. Afinal Nelson Rodrigues já dizia que toda unanimidade é burra.

    Por ultimo, gostaria de comentar que tudo o que falei acima é verdade a exceção da paixão que TODOS nós tivemos pela ‘Brenda Walsh’.

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