Blog de papel ensina a escrever
Por meio de minha mãe, que é professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro, tomei contato com um projeto muito interessante: o Almanaque da Rede. Concebido por Sonia Rodrigues, filha do imortal tricolor Nelson Rodrigues, trata-se um uma abordagem inovadora para um desafio e tanto: fazer a geração Orkut-Créu-MSNaprender, exercitar e, principalmente, gostar de escrever. E de conhecer as diferentes formas de escrita, do miguxês ao português erudito.
O projeto contempla uma espécie de agenda de papel, distribuída para alunos do primeiro ano do ensino médio da rede estadual. Nela, além de espaço para dados do aluno (nome, e-mail, perfil no Facebook, perfil no Orkut, comunidades favoritas etc), há dicas de internet (como fazer buscas, downloads, sites interessantes, o que é e como usar blogs, Twitter e afins), dicas de Português e outras disciplinas (por exemplo, comparando o texto de um scrap de Orkut com o de um currículo) e muitos, mas muitos, exercícios de construção de textos.
No lugar de regrinhas chatas, regras de um jogo. Ícones coloridos representam diversos elementos de uma narrativa (personagem, motivo, desfecho etc), de uma dissertação, descrição etc. Para fazer uso do Almanaque e de seu “Blog de Papel”, o aluno precisa encarar a construção de textos como um jogo. Um desafio a ser vencido. Um enigma a ser desvendado. É bem mais do que uma redação de “Minhas férias”.
A parte digital tem ferramentas e conteúdos para alunos e professores. Entre elas, a possibilidade de transpor o blog de papel para um ambiente online. E espaços para os alunos publicarem suas redações, que concorrerão a prêmios.
Parece uma tentativa desesperada de juntar tudo que é inovador e atraente num projeto só – interatividade, tecnologia, redes sociais, jogos e uma linguagem jovem e contemporânea. Mas tudo ali parece ter sido bem pensado, bem estruturado. Nada soa gratuito. O projeto, fruto da tese de doutorado em Literatura de Sonia, é muito consistente e autêntico.
É uma corajosa e valiosa tentativa de se modernizar o ensino. Em minha visão de leigo em educação, o Almanaque busca ensinar os alunos a pensar – não há melhor exercício para organizar o pensamento do que escrever – , e, ao usar a internet como isca para o estudo, acaba realizando uma efetiva inclusão digital, ao dar o básico de informações e mostrar o vasto mundo digital para uma turma que, por mais que esteja conectada, na maioria das vezes não vai além do Orkut e do MSN.
Pena que em muitos colégios, o Almanaque não veio junto com uma boa apresentação sobre o projeto, e o material impresso foi desprezado como “mais uma agendinha”.
4 Comentários
jefferson em maio 23rd, 2009
olá gostei do seu post sobre o almanaque da rede,eu sou aluno de sua mãe la no colegio estadual visconde de cairu e achei super legal esta ferramenta para ensinar aos jovens a exercitar as mentes com uma coisa produtiva.
jefferson
turma 1.022
Julia Costa em maio 24th, 2009
É uma pena, realmente. Muito desse trabalho depende do incentivo e do conhecimento do professor, que nem sempre está envolvido o suficiente com a tecnologia. Mas a iniciativa é bárbara, de fato.
Eliana em novembro 2nd, 2009
Parabéns a essa ilustre educadora pela iniciativa…
A internete necessita, urgentemente, de pessoas que deem uma luz a esses cérebros febris que dão a impressão de nunca terem lido aquele hino maravilhoso de Olavo Bilac, em forma de soneto, sobre a nossa Última Flor do Lácio…





Demerson em maio 20th, 2009
Quem disse que escola pública não tem valor. Só depende de trabalho, muito trabalho. Sabe que sou vidrado em educação e adorei a idéia.