Paulo Barros e o mashup como forma de inovar
Não entendo muito de carnaval (até desfilei uma vez, mas isso é outra história), mas curto acompanhar os desfiles. E desde o carnaval 2007, quando apresentou um enredo sobre fotografia, sou fã da Unidos da Tijuca. Este ano, depois de muito bater na trave, a agremiação faturou o carnaval do Rio de Janeiro. Paulo Barros, o carnavalesco, mais uma vez é incensado por público e pela imprensa. O que ele tem de especial?
Paulo Barros não vive 100% o mundo do carnaval. Isso é visível em seu discurso e em suas referências. Ele vive em diversos mundos, como a maioria de nós. Olha o mundo e suas tendências como inspiração. E, mais que tudo, Paulo Barros entendeu que vivemos a era do mashup.
Seus desfiles saem da mesmice e encantam porque não procuram inovar dentro do repertório repleto de “miscigenação”, índios, e “… é carnaval!”. Ele busca inovar trazendo elementos corriqueiros de outros universos.
Sua premiada comissão de frente com bailarinos fazendo seis trocas de roupa a cada dois minutos nada mais é do que um truque do mundo do ilusionismo. O mesmo caminho levou Jack Sparrow, Batman, Michael Jackson e Homem-Aranha para a Avenida. Seus desfiles trazem elementos do teatro, do cinema, dos quadrinhos.
O enredo foi sugerido por um adolescente, via Orkut. Paulo Barros não fala de internet de forma caricata e desentendida, como fez a Portela este mesmo ano. Ele traz a internet como linguagem, como cultura.
O segredo de Paulo Barros é a mistura. Ele cria a partir não das referências que desenterrou de gravuras da época de Cabral, ou de lendas indígenas desconhecidas. Ele cria a partir das referências que cada um de nós, que não vive 100% carnaval, temos. Paulo descobriu que é muito mais fácil e inovar pelo mashup do que por variações sobre o mesmo tema.
Se você quiser inovar, ser um Paulo Barros na sua indústria, tente descobrir o que é seu carnaval e que elementos você pode trazer dos carnavais dos outros.
2 Comentários
Vagner Duarte em abril 6th, 2010
Paulo Barros é Campbell Soup. Sou fã desse cara e fiquei muito contente com a vitória dele (ainda q não tenha sido o melhor desfile DELE). Ele inova de verdade e usa outras saídas para aquelas alegorias q são sempre um gigantismo de algum bicho. É fazer coisas práticas e sim.. como caiu no gosto dos comentaristas: orgânicas. Pô, não dá para fazer movimento cibórgue com perfeição. Mas com gente dá. É fractal. “DNA” na veia.
Parabéns Cassano.





Vamos abrir uma igreja? : Blog da Voraz em fevereiro 17th, 2010
[...] segundo texto é antigo, de 2007, mas tão pertinente que seria impossível não falar. Lendo este post do Blog do Cassano, cliquei no link do referido texto e, novamente, a certeza do que falo é reforçada: você não [...]