De onde vem as boas ideias?

Dia desses terminei a leitura de “Where good ideas come from (De onde vem as boas ideias?)”, bom livro de Steven Johnson, que segue a estrutura de reportagens da Wired esticadas até preencher o livro inteiro.

Nesse caso, há uma boa desculpa: o autor fez um trabalho de pesquisa muito detalhado e amplo, recheando o livro com várias autópsias de processos criativos clássicos, muitas referências e um mapeamento das principais invenções das últimas centenas de anos.

É um estudo sobre o processo de inovação, desde como as grandes ideias se formam em nossa cabeça – derrubando o mito do “momento eureka” do cientista solitário – até como devem ser os ecossistemas sociais que vão gerar mais inovação.

O livro prova o que o senso comum atual já visualiza como verdade: as ideias não nascem, são construídas na base de reciclagem de ideias anteriores, de fragmentos culturais e sociais. São basicamente o que a gente chama aqui de “ligar lé com crê”. Como “lé” e “cré” estão disponíveis para todos que convivem em um mesmo ambiente, é por isso que tantas vezes você se vangloria de uma sacada inovadora só para descobrir que outra pessoa acabou de ter a mesma ideia em outro canto do planeta.

E também mostra como os ambientes mais caóticos, que permitam a troca de experiências entre pessoas de diferentes focos, passados e objetivos, são férteis à inovação, por permitir que conceitos migrem de um universo para outro.

É a vitória do Princípio Gambiarra. Da bricolagem de ideias. Do foco em observar as oportunidades que estão quicando ao nosso redor.

A leitura me trouxe mais do que o conteúdo em si. “Where good ideas como from” foi o primeiro livro que li integralmente no meu tablet, usando o Kindle. É sem dúvida uma fantástica plataforma para leitura. Li fazendo marcações (notas e highlights). Nem todo mundo sabe, mas você pode acessar suas marcações nos livros lidos via Kindle de qualquer computador, bastando acessar o site da Amazon. Fiz isso e depois foi copiar e colar tudo no meu Evernote. Ou seja: posso compartilhar com outros equipamentos ou pessoas minhas observações e marcações aos livros em tempo quase real. E mais: é possível saber o quanto sou previsível, comparando minhas marcações com as feitas pelos outros leitores. É uma experiência de leitura absolutamente nova, social e multiplataforma.

Com a leitura se dando na nuvem, não importa se um um tablet maçã ou robô, Mac ou PC, de casa ou do trabalho, posso preservar os pontos que acho mais bacanas, e rapidamente misturar, catalogar ou criar em cima dessas observações. E posso compartilhar, tornando a leitura um ato coletivo. Se Steven Johnson fizer uma segunda edição de seu livro, ele bem que poderia analisar como sua própria leitura em ambientes digitais é um impulso à inovação.

Steven Jonhson apresenta e resume o livro nesta palestra no TED:


4 Comentários

Tweets that mention Brogue do Cassano :: Comunicação, nerdices, mídias sociais e tecnologia » De onde vem as boas ideias? -- Topsy.com  em janeiro 30th, 2011

[...] This post was mentioned on Twitter by Roberto Cassano and Julio Valentim, marcosdaniel. marcosdaniel said: RT @Julio_Valentim: De onde vem as boas ideias? http://ow.ly/1b6swK [...]

Prof. Breno Aguiar  em julho 14th, 2011

O processo criativo é algo extremamente interessante.
E ele só é atingido através da junção de múltiplos fatores.
Uma vez vi uma reportagem mostrando como Freud só conseguiu teorizar sobre a mente humana por causa de sua roda de intelectuais amigos.
Einstein também, Newton, entre tantos outros.

Brogue do Cassano :: Comunicação, nerdices, mídias sociais e tecnologia » O Evangelho Segundo Jobs: Tesão, Paixão e Fé  em agosto 26th, 2011

[...] Johnson, no livro “De onde vem as boas ideias?” (falei sobre o livro aqui), demonstra como a maioria das grandes invenções vieram de setores não motivados pelo dinheiro [...]

De onde vem as boas ideias? | Vinicius Paraiba | www.viniciusparaiba.com.br  em setembro 7th, 2011

[...] tempo eu estava lendo um post do blog do Roberto Cassano – diretor de mídias sociais da Agência Frog, lá do Rio – e ele recomendou um livro [...]

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