Inovação não se fabrica com cimento

Dia desses um impasse entre governo e oposição colocou os Estados Unidos à beira de um colapso. Sem a aprovação do orçamento para o ano fiscal, não restaria outra alternativa a não ser fechar o governo por tempo indeterminando. Isso significaria paralizar museus, parques, órgãos federais e deixar 800 mil pessoas sem salário. Num país onde dependemos intensamente das tetas mãos do Governo, é algo impensável para nós, mas mesmo nos EUA a situação ficou bastante tensa.

No fim das contas eles se entederam e a vida continuou. Mas o que chamou minha atenção foi o discurso de Barack Obama às vésperas do acordo. Ao ressaltar a importância de não se paralizar o governo, ele citou a recente recuperação econômica (medida por ele pela geração de vagas de trabalho) e listou as principais frentes de investimento do governo.

No fim do discurso, Obama destaca as importantes frentes de investimento para garantir a competitividade dos EUA no longo prazo. Na ordem, Educação e Inovação.

Inovação em si é uma palavra vazia – já foi usada para muita coisa e muitos contextos. Mas ela faz um par perfeito com educação e deve ser reconfortante para os americanos que elas sejam as prioridades de investimentos federais.

A revista Época fez um levantamento dos discursos de Dilma e Lula em seus 100 primeiros dias de governo (veja aqui). Dilma citou a palavra Educação 29 vezes. A revista não chegou a contabilizar as menções a “inovação”. No mesmo período, Dilma falou 58 “povo”, 55 “querido”, 51 “Argentina”, 62 “Nordeste” e 50 “Lula”. Difícil ser otimista assim.

Difícil ser otimista quando nossas autoridades parecem realmente acreditar – ou querem que nós acreditemos – que o futuro do Brasil depende de fazer licitações para empreiteiras. Resta cada um fazer o que nos cabe como cidadãos – valorizar, como consumidores, aquilo que for inovador e sustentável; assumir os riscos de empreender e, ao empreender, acreditar que podemos fazer coisas novas, coisas nossas, e não apenas seguir benchmarks como se fossem receita de bolo.

No que diz respeito aos governantes, fico com o bordão que o Casseta & Planeta criou para sua versão do presidente Fernando Henrique Cardoso: “Assim não pode, assim não dá”.

2 Comentários

Infláveis  em julho 21st, 2011

Infelizmente no nosso país há uma cultura política da corrupção e enrolação.
Quando penso nos EUA, fico imaginando todos os políticos com pelo menos um curso superior, o que lhe dá uma capacidade melhor de analisar as coisas, um outro tipo de visão de mundo.
Enquanto aqui no Brasil, aceitamos o Seu Neném da Farmácia como prefeito de várias cidades pelo país adentro.
Não acho que qualquer cargo municipal seja pré-requisito ensino superior, mas a partir da esfera estadual, deveria ser necessário. Afinal, são maiores responsabilidades e deveres, pois está lidando com o destino de muito mais pessoas e muito mais recursos, que se não bem alocados, podem gerar grandes problemas para o povo.

Carro de golf  em agosto 1st, 2011

Uma pena que toda essa bomba da dívida americana explodiu em cima do colo do Obama, que tem que se preocupar somente com problemas financeiros, ao que ele mostrava ser um grande estadista para realmente ajudar a melhorar a política mundial.

Deixar um comentário