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	<title>Brogue do Cassano :: Comunicação, nerdices, mídias sociais e tecnologia &#187; Filosofia</title>
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	<description>Nerdices, tecnologia, internet, comunicação, mídias sociais e milkshake</description>
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		<title>Muito ajuda quem não atrapalha</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 09:36:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No Brasil, o Orkut e a proliferação de lan houses foram responsáveis pela popularização da internet. O primeiro, iniciativa de uma mente brilhante dentro de uma gigante multinacional. Os segundos, micronegócios tocados por brasileiros empreendedores, com poucos recursos, muito suor e nenhum apoio. Antes disso, enquanto o governo proibia a importação de equipamentos de informática, pioneiros se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Brasil, o Orkut e a proliferação de <em>lan houses</em> foram responsáveis pela popularização da internet. O primeiro, iniciativa de uma mente brilhante dentro de uma gigante multinacional. Os segundos, micronegócios tocados por brasileiros empreendedores, com poucos recursos, muito suor e nenhum apoio.</p>
<p><img title="stop_sopa" src="http://www.techtudo.com.br/platb/files/2175/2012/01/stop_sopa.jpg" alt="" width="300" height="300" />Antes disso, enquanto o governo proibia a importação de equipamentos de informática, pioneiros se reuniam em grupos, montavam suas próprias máquinas com peças contrabandeadas e criavam os primeiros BBS, núcleos de comunicação em rede.</p>
<p>Como brasileiros, entendemos muito bem o papel do Estado no que diz respeito a tecnologia, conhecimento e comunicação: ele muito ajuda se não atrapalhar. O problema é que se torna irresistível meter o bedelho em tema tão quente e popular quanto a internet e todo seu ecossistema. E bedelho do Estado tem, invariavelmente, uma leitura: complicação, desinformação, atraso.</p>
<p>E isso por aqui, onde nossa cultura aceita, cultura e espera do Estado uma atuação, forte, presente, paterna. E isso por aqui, onde coexistem aqueles que acreditam nas oportunidades de empreender – da barraquinha de churros à empresa de tecnologia – com aqueles que se empenham em conquistar uma vaga no serviço público, em busca da estabilidade que ele garante.</p>
<p>Imagine, então, como o povo norte-americano está reagindo ao afronte da vez chamado Stop Online Piracy Act, na sigla pronta para trocadilhos, SOPA. A lei, se aprovada, matará a internet como a conhecemos, mesmo sendo um bedelho americano em solo americano.</p>
<p>Já dizia minha avó: “Em cozinha em que muita gente mete a mão, a sopa desanda.” E vai desandar para todo mundo porque o projeto de lei pode tornar inviável qualquer espaço digital aberto à produção de conteúdo por nós, usuários, muitos desses mantidos por empresas norte-americanas. Gmail, Picasa, Flickr, YouTube, Facebook&#8230; qualquer desses sites pode, na visão do texto da lei, ser acessado por americanos e usado para roubo de propriedade intelectual norte-americana. Isso inclui a postagem, sei lá, da senha de acesso ao Pentágono ou a simples publicação do vídeo da festa de aniversário de seu filho, repleto de imagens de isopor do Pato Donald, numa grave ofensa aos direitos autorais da Disney.</p>
<p>Além de permitir ao governo censurar todo e qualquer site, a lei ainda facilitará que os donos de direitos autorais punam financeiramente sites e usuários, sem muito espaço para defesa.</p>
<p>Não quero entrar aqui na discussão-anos-90 sobre Propriedade Intelectual, Creative Commons, Anarquia e afins. Mas há uma diferença enorme entre você se filmar cantando uma música de Glee e você vender um DVD de Tropa de Elite no camelô.</p>
<p>Na visão da Lei, é tudo igual. E uma lei que seja aprovada nos EUA – especialmente se nossos parlamentares virem nisso uma forma de engordar o caixa governamental e, por tabela, suas emendas ao Orçamento -, tem meio caminho andado para desembarcar por aqui. Não será novidade, pois temos um projeto de teor similar, que circula desde 1999, de autoria de Luiz Piauhylino (PSDB/PE), e ressuscitad o dez anos depoispelo também deputado Eduardo Azeredo (PSDB/MG). Pergunto, qual a chance de um texto legal sobre internet, que ganha emendas, ajustes e revisões há 13 anos, ser compatível com a realidade dos fatos? Ser de fato útil à sociedade?</p>
<p>Nessas horas, a cultura pop é sempre um alento.  Lembro da cena de Guerra nas Estrelas quando o Senador Palpatine transformou a república galática em Império, em nome de uma suposta luta contra ameaças a segurança de todos. Padmé Amidala, mãe de Luke Skywalker, então jovem moçoila e também senadora, desabafou com a frase clássica: “Então é assim que morre a liberdade: com uma clamorosa salva de palmas.”</p>
<p>É o que a classe política vem tentando fazer mundo afora. Parece que aos políticos, no fim das contas, a liberdade é uma aterrorizante e nefasta aberração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Publicado originalmente no <a href="http://www.techtudo.com.br/platb/internet/2012/01/18/muito-ajuda-quem-nao-atrapalha/">Techtudo</a>, em 18/01/2012.</strong></em></p>
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		<title>Chuva na Tailândia prejudica festa do Pedrinho</title>
		<link>http://www.cassano.com.br/brogue/2012/01/chuva-na-tailandia-prejudica-festa-do-pedrinho.htm</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 10:33:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Treconologia]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
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		<description><![CDATA[A gente só se dá conta da globalização quando ela dá errado. Foi o que pudemos ver quando uma enchente de grandes proporções na Tailândia alagou casas, escritórios, empresas e as principais fábricas de discos rígidos do planeta. Com a chuva, provocada pelo período de monções mais intensos dos últimos 50 anos, as exportações de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A gente só se dá conta da globalização quando ela dá errado. Foi o que pudemos ver quando uma enchente de grandes proporções na Tailândia alagou casas, escritórios, empresas e as principais fábricas de discos rígidos do planeta.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="tailandia_flood" src="http://www.techtudo.com.br/platb/files/2175/2011/11/tailandia_flood.jpg" alt="" width="412" height="275" /></p>
<p>Com a chuva, provocada pelo período de monções mais intensos dos últimos 50 anos, as exportações de HDs pelo país já caíram mais de 20%. Em diversos mercados pelo mundo, já se sente um encarecimento no custo dos computadores e a alta pode persistir até o segundo semestre de 2012. Segundo Loren Loverde, Vice Presidente da empresa de consultoria IDC, crises no fornecimento de componentes não são novidade para a indústria de fabricação de PCs, mas uma falta de <em>hard disks</em> será um choque, já que a Tailândia responde por quase 45% de todo o mercado, com empresas do porte da Seagate e Western Digital.</p>
<p>Aumento de preço é sempre ruim, claro, mas para nossas necessidades cotidianas, o máximo que pode acontecer é postergarmos um pouco a compra daquele HD externo de 2 TB. Imagine o impacto do encarecimento ou, pior, do total desaparecimento dos HDs para as gigantes da Web, cada vez mais mergulhadas de cabeça na oferta de soluções baseadas em hospedagem de dados e de aplicações online, o cloud computing.</p>
<p>Amazon, Google, Apple, todas apostam nisso, sugando e armazenando milhões de megabytes de fotos, músicas, planilhas, receitas de bolo e vídeos. Sem discos para suprir a insaciável demanda por hospedagem, as gigantes ficariam numa baita encruzilhada, que poderia derrubar suas ações nas bolsas de valores e iniciar uma grave crise de confiança do mercado aos cada vez mais prevalentes modelos baseados na Nuvem. Tudo isso porque outras nuvens carregadas fizeram chover além da conta na Tailândia.</p>
<p>O bad block global ainda não aconteceu, mas a simples possibilidade me fez pensar que não estamos tratando o conteúdo digital com o devido respeito no que tange ao uso racional de recursos. Temos para nós que o espaço na Nuvem é infinito e a cada dia mais barato.</p>
<p>O Chris Anderson, editor executivo da fantástica revista Wired, baseou seu best-seller &#8220;A Cauda Longa&#8221; em algumas premissas, sendo uma delas justamente a de que o preço do megabyte tende a zero. E zilhões de planos de negócio e palestras repetiram e se basearam nesse conceito. Faltou combinar com os russos, japoneses, chineses, tailandeses e com São Pedro.</p>
<p>&#8220;E se estiver tudo errado?&#8221; é um péssimo pensamento para se ter quando você está no meio de uma empreitada, como pular de paraquedas, por exemplo, mas é melhor refletir sobre o tema agora do que depois que a História responder por nós. Fato é que essa cultura do megabyte infinito está por toda parte, até mesmo em salões de festas infantis, onde pais babões registram seus pimpolhos em câmeras digitais a 14 megapixels quando 2 megapixels seriam totalmente necessários para dar o devido brilho às fotos tremidas e sem foco de crianças correndo em círculos.</p>
<p>Uma foto de 2 megapixels possui resolução de 1600 x 1200 pontos, o suficiente para imprimir em 10&#215;15 (o tamanho padrão de fotos) e para exibição em telas de alta definição. E tudo isso em 0,9 Mb por foto.</p>
<p>Com 14 megapixels, a mesma imagem teria 4320 x 3240 pontos e ocuparia 2,7 Mb, ou três vezes mais em JPG com 100% de compressão. Dá para imprimir um pôster de 73&#215;55 cm, coisa que nem eu nem você fazemos toda semana.</p>
<p>Esses 2,7 Mb ficam no cartão de memória, no HD do laptop, no HD externo de backup e na Nuvem, no serviço de álbuns online do cidadão, e em seu perfil no Facebook. Em cada um deles, há ainda réplicas de backup. Ou seja, cada foto de seu filho ocupa pelo menos 7 vezes o tamanho do arquivo, isso para ser conservador. Nessa conta, cada foto de seu pimpolho ocupa 19Mb espalhados pelo mundo. Uma festinha básica, com Bob Esponja, bolo e 100 fotos, ocupam 1,9 Gb por aí.</p>
<p>E por mais que os discos sejam cada vez mais potentes e velozes, eles continuam sendo construídos com minérios raros e recursos naturais, demandam energia elétrica e emitem calor (ok, isso algumas tecnologias já superaram).</p>
<p>Sozinhos, os data centers do Google consomem 260 milhões de Watts, mais ou menos um quarto da produção de uma usina nuclear e suficiente para iluminar 200.000 residências e um pouco menos de casas de festas infantis. Essa energia vem do acesso a dados, desde fotos a vídeos do YouTube, passando pela fatia importante consumida por cada busca realizada. Em 2010, o Google emitiu 1,5 milhão de toneladas cúbicas de carbono, isso porque 25% de sua energia já vem de fontes renováveis, como usinas eólicas.</p>
<p>Some a isso o consumo das demais gigantes, das empresas de backup online e etc e temos um lado negro, global e esfumaçado do mundo digital. Em última instância, o mundo pode sobreviver à Guerra Fria e acabar com o excesso de festas infantis e tios com câmeras potentes. Com ou sem chuva na Tailândia.</p>
<p><em><strong>Publicado originalmente no <a href="http://www.techtudo.com.br/platb/internet/2011/11/18/chuva-na-taila…ta-do-pedrinho/">Techtudo</a>, em 18/11/2011.</strong></em></p>
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		<title>Murais: retalhos que não viram colchas</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 23:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sempre que algum projeto inovador surge e toma a dianteira do mercado de forma inegável, suas características mais marcantes deixam de ser um retrato do que pensam seus criadores/executivos para ser uma verdade absoluta, um modelo a ser seguido ao pé da letra por quem quiser triunfar no mercado. Foi assim com o navegador Netscape, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que algum projeto inovador surge e toma a dianteira do mercado de forma inegável, suas características mais marcantes deixam de ser um retrato do que pensam seus criadores/executivos para ser uma verdade absoluta, um modelo a ser seguido ao pé da letra por quem quiser triunfar no mercado.</p>
<p>Foi assim com o navegador <strong>Netscape</strong>, com os maiores sucessos da <strong>Apple</strong>, com o <strong>Yahoo</strong>!, com o <strong>Google</strong> e também com o<strong>Facebook</strong>. E é o <strong>mural</strong> sua característica mais forte, e a área que ocupa a maior parte da tela e do tempo de quem entra no site. O mural, assim como a timeline do Twitter, é o espaço onde os fragmentos de informação de cada membro da rede social se juntam.</p>
<p>Isso é a magia da rede social e – como o recurso é cada vez mais copiado – das redes sociais em geral. Mas é também seu grande ponto fraco. Ao se reunirem na tela por critérios diversos, como cronológicos, popularidade ou relevância, os fragmentos continuam sendo apenas isso. Pedaços.<strong> O mural não é nem uma colcha de retalhos, é uma cesta cheia deles, esperando para serem costurados. Ou não.</strong></p>
<p>Já se falou muito sobre isso, e longe de mim vir aqui atacar de crítico da comunicação digital, mas ao contrário de fóruns, de alguns blogs, das antigas comunidades do Orkut ou outros ambientes digitais que permitem uma troca constante de informações entre um grupo restrito de pessoas, o formato mural não permite que se construa uma ideia sobre pensamentos de outros de forma simples e natural.</p>
<p>É difícil dar sequencia a um pensamento sobre uma ideia postada por alguem quando, segundos depois, você é bombardeado por setas dizendo que  a pessoa acima jamais fez alguma coisa ou um vídeo com uma repórter de TV sendo expulsa do ar por um bando de idiotas.</p>
<p>Ao contrário dos fóruns, dos antigos BBS ou outros temas onde fugir da pauta era considerado fazer um “off-topic” (literalmente, “fora do tópico”), <strong>o mural é essencialmente uma coleção de off-topics</strong>.</p>
<p>É claro que muitas coisas bacanas são criadas o tempo todo no Twitter ou no Facebook, mas, especialmente neste último, a mecânica da rede dificulta isso. Como cada vez dedicamos mais tempo a este formato de rede social, que se tornou uma verdade absoluta, o resultado é preocupante para quem defende e acredita que as redes sociais podem ser fundamentais para a consolidação de uma cultura de colaboração, participação e igualdade.</p>
<p>O modelo mural é rico para a disseminação de informações, de bandeiras ideológicas, para convocar adeptos a campanhas, abaixo assinados e ações populares em geral, mas é fraco e inadequado para a construção do conhecimento, autoria coletiva e a construção de fragmentos inacabados de ideias ou conteúdos que em si não tem vida, mas que estão apenas esperando a outra ideia que os completarão em algo inovador.</p>
<p>Mas cada vez mais o Facebook (liderando um batalhão de clones ou outras redes igualmente inovadoras mas que se renderam ao apelo do líder) se vende e é entendido como <strong>Uma Rede Para Todos Governar</strong>, o que é uma falácia. O Facebook é uma fantástica ferramenta de entretenimento, mas não pode substituir todas as outras ferramentas. Ele pode até se prestar a conteúdos mais aprofundados, mas não é feito para isso. Entretenimento é ótimo, sou, como usuário, apaixonado pelo Facebook, mas diversão não é tudo. A gente também quer comida, arte, fazer amor. Ele é fantástico naquilo a que se destina. O problema somos nós, que teimamos em ver nele a solução para todos os nossos problemas e a cura para a espinhela caída.</p>
<p>O mural é feito para se assistir tentando acompanhar a velocidade das letras, como créditos finais de filmes, só que interessantes e divertidos. <strong>Murais são passatempos. </strong>Com as mudanças na interface, pode-se apenas sentar em frente à tela e assistir ao vivo à vida e ideias de sua rede de contatos. Como no Twitter. O formato mural permite que sejamos para a internet o que os americanos chamam de <em>couch potato</em>, uma batata de sofá, inerte em frente à tela. Podemos ficar horas consumindo conteúdo e, ao final, não nos lembrarmos de nenhuma informação em especial.</p>
<p><strong>Existe, sim, como criar e consumir conteúdo de forma mais organizada e integrada.</strong> As ferramentas para isso estão em todo lugar: <em>hashtags</em> no Twitter, grupos no Facebook e LinkedIn, comunidades no Orkut, fóruns e wikis. O problema é que, para chegar lá, é preciso passar por um buraco negro de tempo e atenção chamado mural. A lâmpada brilhante, divertida e atraente que nós, insetos, aprendemos a amar.</p>
<p><em><strong>Publicado originalmente no <a href="http://www.techtudo.com.br/platb/internet/2011/11/01/murais-retalho…-viram-colchas/">Techtudo</a>, em 01/11/2011.</strong></em></p>
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		<title>O Evangelho Segundo Jobs: Tesão, Paixão e Fé</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 02:34:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Deve ter sido porque eu acreditei no roteiro de “Piratas do Vale do Silício”. Ou porque sua participação em projetos ligados a cura de diversas doenças tenha colocado sua contribuição ao Planeta numa esfera mais palpável e humana. Fato é que tenho muito mais simpatia pela figura de Bill Gates do que pela de Steve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2011/08/piratessiliconvalley.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-767" title="piratessiliconvalley" src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2011/08/piratessiliconvalley-300x207.jpg" alt="" width="300" height="207" /></a>Deve ter sido porque eu acreditei no roteiro de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0168122/">Piratas do Vale do Silício</a>”. Ou porque sua participação em projetos ligados a cura de diversas doenças tenha colocado sua contribuição ao Planeta numa esfera mais palpável e humana. Fato é que tenho muito mais simpatia pela figura de Bill Gates do que pela de Steve Jobs.</p>
<p>Mas Jobs é um cara que alcançou aquilo que mais admiro numa pessoa: viveu conforme suas crenças e deixou um legado que durará por muitos anos. Aposentado, lutando contra uma saúde visivelmente precária, ele certamente pode afirmar que “combateu o bom combate”. Pelo menos segundo seu credo. Jobs revolucionou o mundo que mais me atrai, o da tecnologia. De certa forma, revolucionou meu mundo, sim. Nem que seja ao levar outras empresas a fazer coisas melhores do que seus produtos – mas que não existiriam se não fosse por ele.</p>
<p>Jobs é tudo o que falam dele. Mas Jobs não é Deus, como muitos parecem crer. Porque apesar de seus seguidores evangelistas, não vejo ele como um cara estruturado somente na fé. Jobs é brilhante porque reúne em uma só pessoa três tipos de empreendedores de sucesso: o movido pelo tesão, o movido pela paixão e o movido pela fé.</p>
<p>O empreendedor em série é um típico representante dos movidos pelo tesão. É uma coisa de carne. Sua energia está nos hormônios. É o cara que tem prazer no fechar de um negócio. Na identificação de uma oportunidade. “No Gol”. Conheço vários caras fantásticos com esse perfil. Empreendem em tecnologia, artes e boi gordo com a mesma dedicação, empenho e energia. E farejam o sucesso em qualquer dessas frentes. O tesão é, acredito, uma característica que distingue os profissionais bem-sucedidos dos caras podres de rico.</p>
<p>É como diz o incrível mestre Silvio Santos – “depois de certa faixa, depois de garantir o conforto necessário, dinheiro é apenas troféu. Ter muito dinheiro é ter muitos troféus, que atestam que você foi bem-sucedido no que fez”. O tesão busca esses troféus. Jobs tem tesão. Os investidores tem tesão. Eike Batista tem esse tesão. Steve Woz, o parceiro e cérebro por trás do nascimento da Apple, não tinha tesão. Tinha fé. E traçou um rumo completamente diferente para sua carreira.</p>
<p>A paixão é o elemento mais fácil de se encontrar, mas não menos valioso. Paixão pelo negócio. É o empreendedor da indústria têxtil que pode passar horas na fábrica após o expediente sentindo o cheiro dos tecidos. É o que eu, estagiário, sentia ao entrar na gráfica do Jornal do Brasil. Paixão por aquele cheiro de tinta e papel.</p>
<p>A paixão – cega como sua irmã amorosa -, é o que move o empreendedor que inventa seu mundo, seu país, sua bandeira. É o cara patriota não por um país, mas por sua criação. Paixão de Larry Page e Sergey Brin. Paixão e tesão de Bill Gates. Paixão de tantos outros empresários.</p>
<p>A fé você não encontra tanto na <em>Forbes</em>, na <em>Fortune </em>ou na <em>FastCompany</em>. Fé é o que você encontra nas páginas da <em>Wired</em>. A fé move montanhas, mas não tem o mesmo efeito sobre montanhas de dinheiro andando para contas bancárias. Tim Berners-Lee é movido pela fé. O guru do software livre Richard Stallman também.</p>
<p>A fé leva pessoas brilhantes a cruzadas. A desafiar opiniões. A ignorar conselhos. A criar religiões em torno do que fazem. “Organizar todo a informação do mundo”, lema do Google, não é só uma missão/visão corporativa, é um credo.</p>
<p>Steven Johnson, no livro “<em>De onde vem as boas ideias?</em>” (<a href="http://www.cassano.com.br/brogue/2011/01/de-onde-vem-as-boas-ideias.htm">falei sobre o livro aqui</a>), demonstra como a maioria das grandes invenções vieram de setores não motivados pelo dinheiro em si. Vieram de ecossistemas onde a ideia fluía livremente, porque seus autores não estavam cegos pela paixão a uma invenção, nem guiados pelo tesão de fazê-la virar dinheiro. Estavam motivados pela fé de que aquilo poderia ser algo grande. Nem que para isso fosse preciso abrir mão dos próprios filhos. O cara guiado por essa fé é guiado por seus mandamentos pessoais, e sonha em ver sua utopia realizada.</p>
<p>Steve Jobs conduziu a Apple e tudo o que fez guiado por essas três forças. O tesão que o levou a ser dono da empresa aberta mais valiosa do mundo; a paixão pelo design que o tornou obcecado por seu padrão de qualidade; e a fé que construiu uma religião em torno de produtos que nem sempre foram pioneiros, não necessariamente são os melhores, e que padecem dos defeitos, vícios e contradições de qualquer produto tecnológico moderno.</p>
<p>Jobs – como Gates, Silvio Santos e outros – são MBAs humanos prontos a serem estudados. No caso dele, aprendemos que três forças juntas podem fazer uma empreitada de sucesso. No caso de nós mortais, isso é trabalho para um time inteiro. Ao que parece, Jobs dá conta disso sozinho.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.techtudo.com.br/platb/internet/2011/08/26/o-evangelho-segundo-jobs-tesao-paixao-e-fe-2/">Post publicado originalmente no Blog Internet do Techtudo</a></strong></p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2011%2F08%2Fo-evangelho-segundo-jobs-tesao-paixao-e-fe.htm&amp;title=O%20Evangelho%20Segundo%20Jobs%3A%20Tes%C3%A3o%2C%20Paix%C3%A3o%20e%20F%C3%A9" id="wpa2a_8">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Inovação não se fabrica com cimento</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 13:25:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dia desses um impasse entre governo e oposição colocou os Estados Unidos à beira de um colapso. Sem a aprovação do orçamento para o ano fiscal, não restaria outra alternativa a não ser fechar o governo por tempo indeterminando. Isso significaria paralizar museus, parques, órgãos federais e deixar 800 mil pessoas sem salário. Num país [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia desses um impasse entre governo e oposição colocou os Estados Unidos à beira de um colapso. Sem a aprovação do orçamento para o ano fiscal, não restaria outra alternativa a não ser fechar o governo por tempo indeterminando. Isso significaria paralizar museus, parques, órgãos federais e deixar 800 mil pessoas sem salário. Num país onde dependemos intensamente das <del datetime="2011-04-13T13:31:25+00:00">tetas</del> mãos do Governo, é algo impensável para nós, mas mesmo nos EUA a situação ficou bastante tensa.</p>
<p>No fim das contas eles se entederam e a vida continuou. Mas o que chamou minha atenção foi o discurso de Barack Obama às vésperas do acordo. Ao ressaltar a importância de não se paralizar o governo, ele citou a recente recuperação econômica (medida por ele pela geração de vagas de trabalho) e listou as principais frentes de investimento do governo.</p>
<p><Center><iframe src="http://videos.mediaite.com/embed/player/?layout=&#038;playlist_cid=&#038;media_type=video&#038;content=XK4P1D0DCB1Y2BFT&#038;read_more=1&#038;widget_type_cid=svp" width="420" height="421" frameborder="0" marginheight="0" marginwidth="0" scrolling="no" allowtransparency="true"></iframe></center></p>
<p>No fim do discurso, Obama destaca as importantes frentes de investimento para garantir a competitividade dos EUA no longo prazo. Na ordem, Educação e Inovação.</p>
<p>Inovação em si é uma palavra vazia – já foi usada para muita coisa e muitos contextos. Mas ela faz um par perfeito com educação e deve ser reconfortante para os americanos que elas sejam as prioridades de investimentos federais. </p>
<p>A revista Época fez um levantamento dos discursos de Dilma e Lula em seus 100 primeiros dias de governo (<a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI214537-15223,00.html">veja aqui</a>). Dilma citou a palavra Educação 29 vezes. A revista não chegou a contabilizar as menções a “inovação”. No mesmo período, Dilma falou 58 “povo”, 55 “querido”, 51 “Argentina”, 62 “Nordeste” e 50 “Lula”. Difícil ser otimista assim.</p>
<p>Difícil ser otimista quando nossas autoridades parecem realmente acreditar – ou querem que nós acreditemos – que o futuro do Brasil depende de fazer licitações para empreiteiras. Resta cada um fazer o que nos cabe como cidadãos – valorizar, como consumidores, aquilo que for inovador e sustentável; assumir os riscos de empreender e, ao empreender, acreditar que podemos fazer coisas novas, coisas nossas, e não apenas seguir benchmarks como se fossem receita de bolo.</p>
<p>No que diz respeito aos governantes, fico com o bordão que o Casseta &#038; Planeta criou para sua versão do presidente Fernando Henrique Cardoso: “Assim não pode, assim não dá”.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2011%2F04%2Finovacao-nao-se-fabrica-com-cimento.htm&amp;title=Inova%C3%A7%C3%A3o%20n%C3%A3o%20se%20fabrica%20com%20cimento" id="wpa2a_10">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>De onde vem as boas ideias?</title>
		<link>http://www.cassano.com.br/brogue/2011/01/de-onde-vem-as-boas-ideias.htm</link>
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		<pubDate>Sun, 30 Jan 2011 23:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Dia desses terminei a leitura de “Where good ideas come from (De onde vem as boas ideias?)”, bom livro de Steven Johnson, que segue a estrutura de reportagens da Wired esticadas até preencher o livro inteiro. Nesse caso, há uma boa desculpa: o autor fez um trabalho de pesquisa muito detalhado e amplo, recheando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Dia desses terminei a leitura de “<strong><a href="http://www.amazon.com/Where-Good-Ideas-Come-Innovation/dp/1594487715">Where good ideas come from</a></strong> (De onde vem as boas ideias?)”, bom livro de <strong>Steven Johnson</strong>, que segue a estrutura de reportagens da <strong>Wired </strong>esticadas até preencher o livro inteiro.</p>
<p><a href="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2011/01/wgicf.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-752" title="wgicf" src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2011/01/wgicf.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>Nesse caso, há uma boa desculpa: o autor fez um trabalho de pesquisa muito detalhado e amplo, recheando o livro com várias autópsias de processos criativos clássicos, muitas referências e um mapeamento das principais invenções das últimas centenas de anos.</p>
<p>É um estudo sobre o processo de inovação, desde como as grandes ideias se formam em nossa cabeça – derrubando o mito do “momento eureka” do cientista solitário – até como devem ser os ecossistemas sociais que vão gerar mais inovação.</p>
<p>O livro prova o que o senso comum atual já visualiza como verdade: as ideias não nascem, são construídas na base de reciclagem de ideias anteriores, de fragmentos culturais e sociais. São basicamente o que a gente chama aqui de “ligar lé com crê”. Como “lé” e “cré” estão disponíveis para todos que convivem em um mesmo ambiente, é por isso que tantas vezes você se vangloria de uma sacada inovadora só para descobrir que outra pessoa acabou de ter a mesma ideia em outro canto do planeta.</p>
<p>E também mostra como os ambientes mais caóticos, que permitam a troca de experiências entre pessoas de diferentes focos, passados e objetivos, são férteis à inovação, por permitir que conceitos migrem de um universo para outro.</p>
<p>É a vitória do<strong><a href="http://www.cassano.com.br/brogue/2010/07/gambiarranomics-palestra-no-interact-2010.htm"> Princípio Gambiarra</a></strong>. Da bricolagem de ideias. Do foco em observar as oportunidades que estão quicando ao nosso redor.</p>
<p>A leitura me trouxe mais do que o conteúdo em si. “Where good ideas como from” foi o primeiro livro que li integralmente no meu tablet, usando o <strong>Kindle</strong>. É sem dúvida uma fantástica plataforma para leitura. Li fazendo marcações (notas e highlights). Nem todo mundo sabe, mas você pode acessar suas marcações nos livros lidos via Kindle de qualquer computador, bastando acessar o site da <strong>Amazon</strong>. Fiz isso e depois foi copiar e colar tudo no meu <strong>Evernote</strong>. Ou seja: posso compartilhar com outros equipamentos ou pessoas minhas observações e marcações aos livros em tempo quase real. E mais: é possível saber o quanto sou previsível, comparando minhas marcações com as feitas pelos outros leitores. É uma experiência de leitura absolutamente nova, social e multiplataforma.</p>
<p>Com a leitura se dando na nuvem, não importa se um um tablet maçã ou robô, Mac ou PC, de casa ou do trabalho, posso preservar os pontos que acho mais bacanas, e rapidamente misturar, catalogar ou criar em cima dessas observações. E posso compartilhar, tornando a leitura um ato coletivo. Se Steven Johnson fizer uma segunda edição de seu livro, ele bem que poderia analisar como sua própria leitura em ambientes digitais é um impulso à inovação.</p>
<p><strong>Steven Jonhson apresenta e resume o livro nesta palestra no TED:</strong><br />
<center><br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="446" height="326" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="bgColor" value="#ffffff" /><param name="flashvars" value="vu=http://video.ted.com/talks/dynamic/StevenJohnson_2010G-medium.flv&amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/StevenJohnson-2010G.embed_thumbnail.jpg&amp;vw=432&amp;vh=240&amp;ap=0&amp;ti=961&amp;introDuration=15330&amp;adDuration=4000&amp;postAdDuration=830&amp;adKeys=talk=steven_johnson_where_good_ideas_come_from;year=2010;theme=tales_of_invention;theme=the_rise_of_collaboration;theme=how_the_mind_works;theme=unconventional_explanations;event=TEDGlobal+2010;&amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;" /><param name="src" value="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" /><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="446" height="326" src="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" flashvars="vu=http://video.ted.com/talks/dynamic/StevenJohnson_2010G-medium.flv&amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/StevenJohnson-2010G.embed_thumbnail.jpg&amp;vw=432&amp;vh=240&amp;ap=0&amp;ti=961&amp;introDuration=15330&amp;adDuration=4000&amp;postAdDuration=830&amp;adKeys=talk=steven_johnson_where_good_ideas_come_from;year=2010;theme=tales_of_invention;theme=the_rise_of_collaboration;theme=how_the_mind_works;theme=unconventional_explanations;event=TEDGlobal+2010;&amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;" bgcolor="#ffffff" wmode="transparent" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></center></p>
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		<title>Cuidado com as pequenas coisas (e esqueça as coisas pequenas)</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 23:37:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu me considero bem-sucedido profissionalmente, tenho minhas contribuições à internet brasileira, dou aulas e palestras, mas nada disso significa coisa alguma para os visitantes que insistem em me acordar quase toda noite no exato momento da transição entre o estágio conhecido cientificamente como “soninho gostoso” e o de “relaxamento completo”. Pernilongos são pequenos seres. Num [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu me considero bem-sucedido profissionalmente, tenho minhas contribuições à internet brasileira, dou aulas e palestras, mas nada disso significa coisa alguma para os visitantes que insistem em me acordar quase toda noite no exato momento da transição entre o estágio conhecido cientificamente como “soninho gostoso” e o de “relaxamento completo”.</p>
<p><a href="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2011/01/raquete.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-747" title="raquete" src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2011/01/raquete-300x257.jpg" alt="" width="300" height="257" /></a>Pernilongos são pequenos seres. Num texto do tamanho desse que você lê, um pernilongo não daria nem uma vírgula. Ainda assim, eles são responsáveis pela minha mais recente prática esportiva, a Caça a Mosquitos na Madrugada, modalidade Raquete Elétrica 110V. Inclusive, a raquete elétrica é uma das mais sádicas e incríveis invenções humanas. Ela não só torna a chacina de insetos uma atividade lúdica, como apresenta efeitos especiais – faíscas, estalos elétricos e um dispensável cheiro de churrasco de aedes aegypt.</p>
<p>Bom, essa longa introdução é basicamente para lembrar que pequenas coisas podem causar grandes perturbações. Assim também é nas relações humanas e profissionais. Defendo que as empresas tenham cargos como o Gerente de Pequenas Coisas (mas jamais um Gerente de Coisas Pequenas, esse é puro atraso de vida). As Pequenas Coisas são aquelas as quais geralmente não dedicamos a menor atenção, mas podem ser a diferença entre um projeto 100% e um “legal, mas&#8230;”. Ou a sutil separação entre o mediano e o único, inesquecível.</p>
<p>Se a pequena coisa é a cereja, é ela que torna um bolo com cereja diferente dos outros cem bolos sem cereja. E se mil cerejas não fazem um bolo, mil bolos sem cereja continuarão sendo mil bolos totalmente esquecíveis.</p>
<p>Muitas vezes a relação cliente x fornecedor é minada exatamente por esses pequenos pernilongos diários. E quando a paciência acaba, quem leva a raquetada elétrica é você, não o mosquito. Até porque é difícil mapear e mensurar o efeito da pequena coisa. Ela é a rosa no cabelo (e não o cabelo). É o feijão no dente, mas não o dente.</p>
<p>No seu próximo projeto, trabalho, ideia, criação, dedique um tempinho a avaliar e aparar as pequenas coisas. Eliminar os pernilongos e caprichar nas cerejas e rosas. Sobre as coisas pequenas, recorro ao simpático Professor Hermógenes e sua filosofia de vida resumida em duas regras básicas:</p>
<p>1) Nunca se aborreça com ninharias</p>
<p>2) Tudo é ninharia.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2011%2F01%2Fcuidado-com-as-pequenas-coisas-e-esqueca-as-coisas-pequenas.htm&amp;title=Cuidado%20com%20as%20pequenas%20coisas%20%28e%20esque%C3%A7a%20as%20coisas%20pequenas%29" id="wpa2a_14">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Qual o futuro da internet?</title>
		<link>http://www.cassano.com.br/brogue/2010/09/qual-o-futuro-da-internet.htm</link>
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		<pubDate>Sun, 19 Sep 2010 21:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Treconologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Quase sempre que alguém me entrevista sobre redes sociais há uma pergunta recorrente. Deve ser o equivalente a perguntar ao jogador de futebol após uma vitória se o resultado foi positivo. E a pergunta é: “Qual o futuro da internet?” Adianto então a resposta. E ela é simples. Não chega à mágica simplicidade do “42”, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase sempre que alguém me entrevista sobre redes sociais há uma pergunta recorrente. Deve ser o equivalente a perguntar ao jogador de futebol após uma vitória se o resultado foi positivo. E a pergunta é: “Qual o futuro da internet?”</p>
<p>Adianto então a resposta. E ela é simples. Não chega à mágica simplicidade do “42”, a resposta para A Vida, o Universo e Tudo o Mais, mas é quase. Tem duas palavras apenas:</p>
<p>“Ninguém sabe”.</p>
<p>Poucas coisas são mais imprevisíveis do que tecnologia. Ou melhor, do que a gente é capaz de fazer com novas tecnologias.</p>
<p>É como se a tecnologia quisesse seguir sempre em frente, mas a gente pega aquele trilho e faz um desvio nele. A partir daí, tudo se reconfigura para seguir em frente a partir do desvio. Até a gente fazer um puxadinho pra outro lado.<br />
Um monte de coisas vai moldar esse futuro. Listo algumas:</p>
<p><strong>1)	Qual será o dispositivo? </strong>Vamos interagir com os outros e com o conteúdo pela TV? Pelo celular? Torradeira? Computador? <a href="http://www.wired.com/magazine/2010/08/ff_webrip/">A Web está morta</a>, como cogita a <em><strong>Wired</strong></em>?</p>
<p><strong>2)	O que vai colar? </strong>E o que não vai? O Orkut não foi feito, ele aconteceu. Idem para o Twitter. Na outra ponta, Foursquare e Chatroulette não vingaram como prometiam. Discutir ferramentas me desinteressa profundamente, mas elas são, não posso negar, parte da equação.</p>
<p><strong>3)	Teremos tempo e dinheiro para brincar? </strong>Brincar é o primeiro passo. Perder tempo, bater papo, namorar digitalmente, comprar uma coisa ou outra. Pelo que mostra nosso comportamento digital, definitivamente os humanos não vieram ao mundo a trabalho.</p>
<p><strong>4)	E a inclusão? </strong>A internet se populariza no Brasil com velocidade assustadora, mas ainda não chega de forma rotineira nem à metade da população. E seu principal carro-chefe, o Orkut, já não cresce. Teremos alcançando o teto de alcance e interesse que essa web atual oferece a nosso povo?</p>
<p><strong>5)	E a grande mídia? </strong>Desprezar o poder de uma mídia que chega a 95% dos lares brasileiros, como a TV, é doideira. Que modas ela vai abraçar? Quem será o novo Twitter a ganhar capas e capas de revistas? Vale lembrar que os grandes saltos da web se deram quando ela soube cooptar o mainstream e usar a mídia de massa, monolítica e desajeitada, a seu favor. Ou vice-versa.</p>
<p><strong>6)	 E o dinheiro? </strong>Conseguiremos juntar a inevitável digitalização de tudo a modelos de negócio que funcionem? A internet é fruto da árvore capitalista. Se, no fim, a coisa não der dinheiro, não haverá pesquisa nem inovação. E se o Google for dividido em vários por ter se tornado um monopólio global? E se surgir um novo Google? E se Steve Jobs reinventar a roda de novo (leia-se, lançar algo que já existe, só que banhado numa aura cool e com pitadas de genialidade)?</p>
<p><strong> 7)	E você? </strong>O que você vai fazer? Continuará sendo os 80% que só consomem? Resquícios de nosso papel social de “audiência” ou vai criar algo? O que você vai criar? O que você fizer é o que o mundo digital será.</p>
<p><strong>O que você acha?</strong></p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F09%2Fqual-o-futuro-da-internet.htm&amp;title=Qual%20o%20futuro%20da%20internet%3F" id="wpa2a_16">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Cadê o idioma que estava aqui?</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 23:10:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[bienal]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[idioma]]></category>
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		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui convidado para participar de um debate na Bienal do Livro de São Paulo. Grande honra. O tema é a linguagem dos jovens, das gerações Y, Z, X, cima, cima, baixo, baixo, B A start. &#60;sarcasmo&#62;Tema super tranqüilo&#60;/sarcarmo&#62;. Não sou filólogo, nem professor de Língua Portuguesa. Confesso que, tirando o pobre do trema e do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fui convidado para participar de um debate na <strong>Bienal do Livro de São Paulo</strong>. Grande honra. O tema é a linguagem dos jovens, das gerações Y, Z, X, cima, cima, baixo, baixo, B A start. &lt;sarcasmo&gt;Tema super tranqüilo&lt;/sarcarmo&gt;.</p>
<p>Não sou filólogo, nem professor de Língua Portuguesa. Confesso que, tirando o pobre do trema e do acento da ideia, mal incorporei esta nova reforma ortográfica. Para todos os efeitos me tornei aqueles velhinhos que ainda escreviam farmácia com “ph”.</p>
<p>Mas posso falar tanto pela ótica de quem acompanha os movimentos e os efeitos da tecnologia quanto pela ótica de quem mudou também. Não escrevo da mesma forma. Em nenhum prisma.</p>
<p>Primeiro, a relação com a escrita digital é diferente de escrever à mão. Mal reconheço minha própria letra. A caneta me parece um objeto meio exótico, o pulso dói (esse acento caiu?) se preciso escrever um texto longo na munheca. E, por ser digital, tenho essa relação diferente com a estética do texto. Tenho o direito de desistir, apagar e começar de novo. Posso mover os blocos de texto como se o texto fosse um brinquedo feito de legos.</p>
<p>E quando vou para redes sociais, o texto deixa de ser objetivo para ser meio. Em primeiro lugar, há a função prática, que ganha peso. O texto é funcional. “Entendeu? Então tá valendo.” Dai da p abreviar pq assim funfa mais rapido e vc entende da msma maneira. Da pra escrever + rapido, os acentos nao fazem mta falta e o importante aki eh se fazer entender. O problema é quando a garotada esquece que o texto acima “tá valendo” quando o objetivo é meramente se fazer entender.</p>
<p>É como se as gerações anteriores tivessem se apaixonado por telegramas fonados ou por rádio-amador e passassem a falar nas línguas dessas ferramentas em todas as situações.</p>
<p>Já pensou? #corrão!</p>
<p>E tem essa outra função. As redes sociais são tribais. Adolescentes são tribais. Nós somos tribais. Precisamos de formas de mostrar que estamos unidos. A linguagem cumpre esse papel. Criamos jargões, neologismos, palavras, símbolos. Já me peguei usando <em>hashtags</em>, emoticons e afins em e-mails e outras formas de comunicação.</p>
<p>Já não se escreve como antigamente? Certamente não. Folheie a revista <em>Wired</em> e você verá como o texto hoje se escreve com gráficos, com setas, com caixas, com hipertextos, links e inúmeras formas que amadureceram sendo usadas “erradamente” na web.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F08%2Fcade-o-idioma-que-estava-aqui.htm&amp;title=Cad%C3%AA%20o%20idioma%20que%20estava%20aqui%3F" id="wpa2a_18">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Gambiarranomics &#8211; palestra no InterAct 2010</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 22:43:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As boas práticas para o planejamento e a criação todo mundo conhece: métricas, benchmarks, planejamento detalhado e justificar maior investimento para se colher mais resultados. Mas e o outro lado? Será que a escassez de recursos e um certo &#8220;jeito moleque&#8221; também pode ser útil? Palestra dada no iMasters InterAct 2010, no Rio de Janeiro. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As boas práticas para o planejamento e a criação todo mundo conhece: métricas, benchmarks, planejamento detalhado e justificar maior investimento para se colher mais resultados. Mas e o outro lado? Será que a escassez de recursos e um certo &#8220;jeito moleque&#8221; também pode ser útil?</p>
<p>Palestra dada no iMasters InterAct 2010, no Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><a title="Gambiarranomics" href="http://www.slideshare.net/rcassano/rcassano-interact-gambiarra">Gambiarranomics</a></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a title="Gambiarranomics" href="http://www.slideshare.net/rcassano/rcassano-interact-gambiarra"></a></strong><object id="__sse4779126" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayer2.swf?doc=rcassanointeractgambiarra-100717173412-phpapp02&amp;stripped_title=rcassano-interact-gambiarra" /><param name="name" value="__sse4779126" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="__sse4779126" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayer2.swf?doc=rcassanointeractgambiarra-100717173412-phpapp02&amp;stripped_title=rcassano-interact-gambiarra" name="__sse4779126" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<div id="__ss_4779126" style="width: 425px; text-align: center;">
<div style="padding: 5px 0 12px;">View more <a href="http://www.slideshare.net/">presentations</a> from <a href="http://www.slideshare.net/rcassano">Roberto Cassano</a>.</div>
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<p style="text-align: center;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F07%2Fgambiarranomics-palestra-no-interact-2010.htm&amp;title=Gambiarranomics%20%26%238211%3B%20palestra%20no%20InterAct%202010" id="wpa2a_20">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Quando a liberdade manda os outros calarem a boca</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 13:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por encomenda da turma do Tecnoblog, escrevi sobre os polêmicos Cala Boca Galvão e Tadeu Schmidt: Tadeu Schmidt até tem Twitter, mas quase não usa. A revelação surgiu enquanto o jornalista e apresentador da TV Globo fazia um bico de mestre de cerimônias no TEDxSudeste, no Rio de Janeiro. Bem-humorado, divertido, se encantou com as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por encomenda da turma do <a href="http://www.tecnoblog.com.br">Tecnoblog</a>, escrevi sobre os polêmicos Cala Boca Galvão e Tadeu Schmidt:</strong></p>
<p>Tadeu Schmidt até tem Twitter, mas quase não usa. A revelação surgiu enquanto o jornalista e apresentador da TV Globo fazia um bico de mestre de cerimônias no <a href="http://www.tedxsudeste.com.br/2010/">TEDxSudeste</a>, no Rio de Janeiro. Bem-humorado, divertido, se encantou com as palestras e conduziu bem o evento. Naquele momento, ele não tinha como imaginar que toda aquela força de mobilização, que no evento se mostrava poderosa para disseminar arte, tecnologia, qualidade de vida e inclusão social, em pouco tempo seria usada para mandá-lo calar a boca.</p>
<p>Tadeu entrou de gaiato numa briga de gigantes: a Seleção Brasileira, a TV Globo (simbolizando toda a força da imprensa) e a “Opinião Pública”, senhora exaltada e volátil. Tudo começou com os ingredientes básicos do <em>viral-que-deu-certo</em>: uma personalidade que todo mundo conhece (graças à mídia de massa), um sentimento extremo em torno dessa celebridade (se for de rejeição, melhor; se for de odiar, melhor em dobro), um Twitter e algumas pessoas criativas, talentosas e com tempo livre. Pronto: nasce um “cala boca Galvão”.</p>
<p>Não faz sentido perder tempo avaliando se o “cala boca Galvão” é uma perda de tempo, é um desperdício de energia em torno de uma causa fútil ou se é uma genial e divertida prova da criatividade brasileira (ou todas as anteriores). Uma das frases que vi flutuando pelo Twitter definia bem o fenômeno: foi a maior piada interna já feita (no caso, interna a um país inteiro).</p>
<p>O Cala Boca é um <em>#CORRÃO</em> em rede nacional. Um fenômeno que saiu da mídia de massa, foi para as <em>internets </em>e voltou para a mídia de massa. E que se beneficiou das regras para determinar o que é tendência no Twitter ou não. E que se realimentou pela velha regra das redes, dos ricos que ficam mais ricos.</p>
<p>Aí sobrou para o Tadeu. Na guerra declarada entre o técnico Dunga e a TV Globo (ou contra a imprensa em geral), ele ficou na linha de tiro. Eleito porta-voz de um editorial da emissora contra o técnico, que havia supostamente ofendido um repórter da casa durante uma coletiva, ele foi alvo de um viral parasita. Virais parasitas são aquelas tréplicas de terremotos sociais. Viraizinhos que surgem pegando carona nos modelos e conteúdos de temas que realmente bombaram. Cala Boca Tadeu. É a revolta da incensurável internet contra a toda-poderosa emissora que quer censurar o técnico que quer censurar jornalista. Quer dizer, uma zona.</p>
<p>Na linha bem brasileira de torcer para o mais fraco, dificilmente a Casa de Galvão Bueno vai contar com alguma simpatia em duelos de Dungas contra Golias. O curioso é que, nos<em> trending topics</em> da vida e do Twitter, as mesmas pessoas que torcem contra a França de Henry comemoram os braços-de-Deus de Luis Fabiano. As mesmas pessoas que mandam o Galvão fechar matraca (mas não mudam de canal), não admitem qualquer tipo de censura ou ataque à liberdade de expressão (no caso, um ataque à “liberdade” de cercear a expressão. Ou vice-versa. Ou sei lá).</p>
<p>Sim, contraditório. Sim, com pesos exagerados para coisas desimportantes. Sim, criativo, divertido, autêntico. Sim, “nós” somos uma força como a imprensa, como a Seleção, como tudo. Sim, a internet é humana. Logo, não espere justiça, não espere coerência, não espere um uso sábio do poder. E não culpe a liberdade.</p>
<p>Essa liberdade – inclusive de mandar os outros calarem a boca – é a magia da internet.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F06%2Fquando-a-liberdade-manda-os-outros-calarem-a-boca.htm&amp;title=Quando%20a%20liberdade%20manda%20os%20outros%20calarem%20a%20boca" id="wpa2a_22">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O efeito eco no Twitter</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 12:45:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para que ninguém diga que sou deslumbrado: descobri uma falha no Twitter como modelo de comunicação. Uma das coisas mais bacanas dele e das redes sociais em geral é o funcionamento assíncrono. Explico: Telefone = síncrono. &#8220;Alô?&#8221; &#8220;Alô. Tudo bem?&#8221; &#8220;Tudo, e você?&#8221; &#8220;Tudo. Espera um minuto que vou tirar o gato de cima da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para que ninguém diga que sou deslumbrado: descobri uma falha no Twitter como modelo de comunicação. Uma das coisas mais bacanas dele e das redes sociais em geral é o funcionamento assíncrono. Explico:</p>
<p><strong>Telefone = síncrono</strong>. &#8220;Alô?&#8221; &#8220;Alô. Tudo bem?&#8221; &#8220;Tudo, e você?&#8221; &#8220;Tudo. Espera um minuto que vou tirar o gato de cima da mesa&#8221; &#8220;Tá&#8230;&#8230;&#8230;&#8221;</p>
<p><strong>Twitter = assíncrono</strong>. &#8220;PQP! O gato arranhou a mesa toda!&#8221; &#8211; 15 minutos depois &#8211; &#8220;RT @emissor PQP! O gato arranhou a mesa toda! // Hahaha #rialto&#8221;</p>
<p>Essa característica permite que várias pessoas acompanhem e se engajem em inúmeras conversações sem que elas precisem virar operadoras de telemarketing. Mas isso tem um efeito problemático. Quando acontece algum evento de grande repercussão ou de calamidade pública, é absolutamente natural que as pessoas queiram repassar informações importantes para suas redes. </p>
<p>Falo isso ainda no calor de uma chuva fortíssima que alagou completamente a cidade do Rio de Janeiro. Bem no início da manhã, as emissoras de rádio e TV começaram a comunicar que o prefeito Eduardo Paes tinha pedido aos moradores que evitassem sair de casa, visto que as principais vias estavam interditadas. O prefeito usou seu próprio Twitter para isso.</p>
<p>Acontece que, embora o caos permaneça, as pessoas seguem replicando (fazendo retuítes, RTs) a mensagem por horas (escrevo este texto pouco antes das 10h), sem ter certeza de que o alerta continua válido. </p>
<p>Ou seja, o &#8220;Rua X interditada&#8221; vai acabar se propagando por muito tempo depois da via ser liberada, uma vez que o texto é quase sempre escrito em tempo presente e a data/hora original se perde nas replicações.</p>
<p>Outro ponto: digamos que eu escreva sobre a rua interditada às 7h da manhã. Uma pessoa que me siga no Twitter poderá ver a mensagem somente às 10h. Para ela, a mensagem soará como síncrona. É como se tomássemos como &#8220;ao vivo&#8221; todas as informações que recebemos, quando na verdade elas não são.</p>
<p>Nada tão grave, mas principalmente para os formadores de opinião e jornalistas conectados, vale o aviso. Sempre tente posicionar os tweets no tempo e espaço antes de replicar.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F04%2Fo-efeito-eco-no-twitter.htm&amp;title=O%20efeito%20eco%20no%20Twitter" id="wpa2a_24">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Perguntas sobre o futuro</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 00:47:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pessoalmente, prefiro as perguntas às respostas. Como essas, que vez em quando martelam a cabeça: - Até que ponto abriremos mão de nossa privacidade? Lutamos longamente contra regimes ditatoriais, contra o vigilantismo, legislações abusivas. Ao mesmo tempo, entregamos nossas vidas aos demais. O que pensamos, o que vemos, onde estamos, com quem. Abrimos cada vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoalmente, prefiro as perguntas às respostas. Como essas, que vez em quando martelam a cabeça:</p>
<p><strong>- Até que ponto abriremos mão de nossa privacidade?</strong><br />
Lutamos longamente contra regimes ditatoriais, contra o vigilantismo, legislações abusivas. Ao mesmo tempo, entregamos nossas vidas aos demais. O que pensamos, o que vemos, onde estamos, com quem. Abrimos cada vez mais nossa privacidade a outras pessoas e a sistemas &#8211; estes, sabem cada vez mais sobre nós. Um dia essa curva se inverterá. Um dia voltaremos a questionar, a clamar por um espaço nosso, que não esteja aberto ao escrutínio do planeta. Quando será? O que motivará? Fico imaginando a capa da <strong>Wired</strong> nesse dia. </p>
<p><strong>- A eterna busca para longe de &#8220;todo mundo&#8221; nos leva à frente ou para os lados?</strong><br />
Os conectados, chamados <em>early adopters</em>, são nômades por natureza. Assim como os frequentadores de clubes, eles migram para outro espaço assim que a balada cai na boca do povo e o espaço lota de “populares”. Essa eterna busca para longe de “todo mundo” leva a uma evolução das ferramentas, das redes e do ambiente digital ou apenas viabiliza o surgimento de outras redes sociais, todas iguais?</p>
<p><strong>- Quando todos forem jornalistas, quem serão os repórteres?</strong><br />
Nunca me posicionei sobre essa polêmica. Sou entusiasta da criação coletiva e tomei conhecimento de muitos fatos via Twitter. No alarme de tsunami no Havaí, chamou a atenção o fato de redes poderosas como ABC e CNN usarem imagens transmitidas via Justin.tv para noticiar o fato. Mas os congloremados de mídia têm razão em um ponto específico: se as notícias que eles produzirem continuarem circulando o mundo em ferramentas de busca, RSSs, mashups e afins, não haverá como eles cobrarem assinatura nem venderem publicidade. Ou seja, não sobreviverá seu modelo de negócios. Para muitos, o modelo dos jornais está morto, só falta enterrarem.</p>
<p>Acredito que todo cidadão tem plena capacidade de ser um bom captador e divulgador de acontecimentos, mas que fim terá a reportagem? Aquela investigação, que requer coragem e dinheiro, a longa e isenta apuração, que ouve todos os lados envolvidos, diversas fontes&#8230; quem pagará por ela?</p>
<p><strong>- E quando a nuvem for para o espaço?</strong><br />
Agenda de compromissos? Na nuvem. Contatos? Na nuvem. Backup de documentos? Ela mesma. Fotos? Adivinha? A nuvem é a solução para todos os problemas e, de fato, os benefícios imediatos são fantásticos. A começar pela capacidade de se acessar todas as informações de qualquer local e dispositivo. A menor demanda por equipamentos poderosos, o impulso dado à indústria móvel, que aproveita a nuvem para empurrar cada vez mais smartphones, iPads, laptops e uma certa segurança. </p>
<p>É nesse ponto que a dúvida surge. Não estamos entregando nossas informações a entidades perenes, estáveis. Estamos as entregando a empresas privadas, sujeitas a toda sorte de impactos econômicos. Não quero ser profeta do apocalipse, mas é uma questão de lógica (lógica de Murphy, mas é uma lógica): um dia vai dar craca. E quando a nuvem for para o espaço? Voltaremos com uma nuvem mais forte e segura? Voltaremos para nossos HDs externos? E o que causará o apagão da nuvem?</p>
<p>Perguntas, perguntas, perguntas&#8230;</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F04%2Fperguntas-sobre-o-futuro.htm&amp;title=Perguntas%20sobre%20o%20futuro" id="wpa2a_26">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Evangelistas: deixem o conceito de mídias sociais em paz</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 02:03:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu passo mais tempo olhando para o Power Point do que para minha família. Do que para o pôr-do-sol. Do que para qualquer outra coisa. E boa parte do tempo em que estou olhando para a tela do Power Point estou criando ou lendo apresentações tentando apresentar o fantástico novo mundo das redes sociais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu passo mais tempo olhando para o Power Point do que para minha família. Do que para o pôr-do-sol. Do que para qualquer outra coisa. E boa parte do tempo em que estou olhando para a tela do Power Point estou criando ou lendo apresentações tentando apresentar o fantástico novo mundo das redes sociais e seu impacto no mundo dos negócios.</p>
<p>Isso até seria legal, se no fundo, todos os PPTs e livros dos evangelistas não fossem iguais e não falassem a mesma coisa. Eles. Nós. Todo mundo. </p>
<p>Uma vez escrevi aqui no Brogue que tudo que é importante na vida tem poucas letras: ar, pai, mãe, amor, sol, água, céu, Wii (ok, talvez esse não). Claro, porque as coisas importantes vieram primeiro e se resolveram com duas ou três letras. Então, uma vez que o fenômeno das redes sociais realmente é importante, ele também se explica com poucas letras. Nenhum demérito aqui, pelo contrário. Devemos desconfiar é das coisas muito complicadas.</p>
<p>Veja a água, um dos maiores <em>cases</em> de sucesso da Natureza. H2O. Ponto.</p>
<p>Enfim. Toda a mística das redes sociais se resume a:</p>
<p><strong>&#8220;Ouça as pessoas, entenda o que elas querem, dê a elas assunto para conversarem, torne seus clientes felizes e faça os outros verem como seus clientes felizes são felizes.&#8221;</strong></p>
<p>Pronto. É isso. Rede sociais para empresas, você. Você, redes sociais para empresas. Sintam-se apresentados. Qualquer outro post, power point ou livro será redundante.</p>
<p>Acho que podemos combinar que passamos dessa fase. Há muita energia e neurônios a serem dedicados às ferramentas, aos caminhos, às estratégias, às métricas, aos aprendizados, aos efeitos. Deixemos de catequizar mercado para alfabetizar mercado. Ou para graduar mercado.</p>
<p>Aproveite o tempo livre e vá colocar em prática. Vá ouvir. Gerar assunto. Fazer pessoas felizes. E faça você mesmo feliz. Troque horas de power point por horas com a família.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F03%2Fevangelistas-deixem-o-conceito-de-midias-sociais-em-paz.htm&amp;title=Evangelistas%3A%20deixem%20o%20conceito%20de%20m%C3%ADdias%20sociais%20em%20paz" id="wpa2a_28">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Foursquare como forma de protesto</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 11:21:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O Foursquare &#233; uma mistura de rede social, jogo e p&#225;ginas amarelas. Cresce em dezenas de milhares de usu&#225;rios por semana e roubou do Twitter o centro das aten&#231;&#245;es nos eventos, revistas e blogs. N&#227;o bastasse ele servir para um monte de coisa, &#233; claro que n&#243;s brasileiros ir&#237;amos inventar uma nova utilidade: protesto. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Foursquare &#233; uma mistura de rede social, jogo e p&#225;ginas amarelas. Cresce em dezenas de milhares de usu&#225;rios por semana e roubou do Twitter o centro das aten&#231;&#245;es nos eventos, revistas e blogs.</p>
<p>N&#227;o bastasse ele servir para um monte de coisa, &#233; claro que n&#243;s brasileiros ir&#237;amos inventar uma nova utilidade: protesto.</p>
<p>Como voc&#234; pode criar os locais (estabelecimentos, monumentos etc) para serem visitados no jogo. Ele usa os recursos de localiza&#231;&#227;o para marcar os pontos no mapa da cidade, mas n&#227;o exige um endere&#231;o exato, o que permite que gaiatos criem locais como:</p>
<p>&#8220;Engarrafamento no finzinho da Linha Amarela&#8221;</p>
<p>&#8220;Fila do Estacionamento do Santos Dumont&#8221;</p>
<p>&#8220;Rodovi&#225;ria de Congonhas&#8221; (O SDU tamb&#233;m tem sua rodovi&#225;ria)</p>
<p>E muitos outros engarrafamentos, filas, buracos no asfalto e &#243;rg&#227;os p&#250;blicos.</p>
<p>S&#227;o protestos divertidos, que engajam mais pessoas e n&#227;o atrapalham ningu&#233;m.</p>
<p>Eu adoro poder viver nem no presente nem no futuro, mas num indefinido meio do caminho entre os dois.</p>
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		<title>Paulo Barros e o mashup como forma de inovar</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 21:45:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Treconologia]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[mash up]]></category>
		<category><![CDATA[mashup]]></category>
		<category><![CDATA[paulo barros]]></category>
		<category><![CDATA[unidos da tijuca]]></category>

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		<description><![CDATA[Não entendo muito de carnaval (até desfilei uma vez, mas isso é outra história), mas curto acompanhar os desfiles. E desde o carnaval 2007, quando apresentou um enredo sobre fotografia, sou fã da Unidos da Tijuca. Este ano, depois de muito bater na trave, a agremiação faturou o carnaval do Rio de Janeiro. Paulo Barros, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não entendo muito de carnaval (<a href="http://www.cassano.com.br/brogue/2008/02/tem-nerd-no-samba.htm">até desfilei uma vez, mas isso é outra história</a>), mas curto acompanhar os desfiles. E desde o carnaval 2007, <a href="http://www.cassano.com.br/brogue/2007/02/o-que-a-unidos-da-tijuca-nos-ensina.htm">quando apresentou um enredo sobre fotografia</a>, sou fã da Unidos da Tijuca. Este ano, depois de muito bater na trave, a agremiação faturou o carnaval do Rio de Janeiro. Paulo Barros, o carnavalesco, mais uma vez é incensado por público e pela imprensa. O que ele tem de especial?</p>
<p><a href="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/unidos_tijuca.jpg"><img src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/unidos_tijuca-300x191.jpg" alt="Desfile da Unidos da Tijuca / Carnaval 2010" title="Unidos da Tijuca" width="300" height="191" class="alignleft size-medium wp-image-717" /></a>Paulo Barros não vive 100% o mundo do carnaval. Isso é visível em seu discurso e em suas referências. Ele vive em diversos mundos, como a maioria de nós. Olha o mundo e suas tendências como inspiração. E, mais que tudo, <strong>Paulo Barros entendeu que vivemos a era do mashup</strong>.</p>
<p>Seus desfiles saem da mesmice e encantam porque não procuram inovar dentro do repertório repleto de “miscigenação”, índios, e “&#8230; é carnaval!”. Ele busca inovar trazendo elementos corriqueiros de outros universos.</p>
<p>Sua premiada comissão de frente com bailarinos fazendo seis trocas de roupa a cada dois minutos nada mais é do que um truque do mundo do ilusionismo. O mesmo caminho levou Jack Sparrow, Batman, Michael Jackson e Homem-Aranha para a Avenida. Seus desfiles trazem elementos do teatro, do cinema, dos quadrinhos.</p>
<p>O enredo foi sugerido por um adolescente, via Orkut. Paulo Barros não fala de internet de forma caricata e desentendida, como fez a Portela este mesmo ano. Ele traz a internet como linguagem, como cultura.</p>
<p>O segredo de Paulo Barros é a mistura. Ele cria a partir não das referências que desenterrou de gravuras da época de Cabral, ou de lendas indígenas desconhecidas. Ele cria a partir das referências que cada um de nós, que não vive 100% carnaval, temos. Paulo descobriu que é muito mais fácil e inovar pelo mashup do que por variações sobre o mesmo tema.</p>
<p>Se você quiser inovar, ser um Paulo Barros na sua indústria, tente descobrir o que é seu carnaval e que elementos você pode trazer dos carnavais dos outros.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F02%2Fpaulo-barros-e-o-mashup-como-forma-de-inovar.htm&amp;title=Paulo%20Barros%20e%20o%20mashup%20como%20forma%20de%20inovar" id="wpa2a_32">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ciborgues em rede – as redes sociais e o mito do homem-máquina</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 00:06:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ciborgues]]></category>
		<category><![CDATA[CIBT]]></category>
		<category><![CDATA[cyborg]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[google]]></category>
		<category><![CDATA[homem-máquina]]></category>
		<category><![CDATA[questionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Lá está ela sobre a mesa, o encarando. Branca, pálida, com enunciados que zombam de você. Eles sabem a verdade. Sabem que você não sabe o que eles sabem. No caso, eles sabem a resposta, e você não. A professora caminha por entre as fileiras de carteiras de madeira, seus colegas concentrados, o barulho do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Lá está ela sobre a mesa, o encarando. Branca, pálida, com enunciados que zombam de você. Eles sabem a verdade. Sabem que você não sabe o que eles sabem. No caso, eles sabem a resposta, e você não. A professora caminha por entre as fileiras de carteiras de madeira, seus colegas concentrados, o barulho do grafite rascunhando somas, multiplicações, divisões. E os enunciados das questões zombando de você.</p>
<p>Você trava. “Quanto é 8 vezes 7?”. A resposta não vem. Você repassa mentalmente a tabuada, mas se perde antes de chegar lá. A professora passa por você. Desta vez, o cálculo vem rápido: “faltam umas cinco carteiras até ela se virar novamente. Dá tempo.” Você força o lápis contra a mesa. A ponta se quebra. Então, discretamente leva os dedos até o estojo. Puxa o zíper com cuidado para não fazer qualquer barulho. Enquanto os dedos tateiam sem pressa pelo apontador, os olhos vasculham o interior do estojo, em busca do lápis-tabuada. Lá está a resposta. Você aponta seu lápis e escreve “56” na prova.
</p></blockquote>
<p><a href="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/tabuada.jpg"><img src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/tabuada-300x225.jpg" alt="" title="Lápis Tabuada" width="300" height="225" class="alignleft size-medium wp-image-707" /></a>Quase todo mundo já recorreu aos préstimos do lápis-tabuada, ou do colega da carteira da frente. O que fizemos, nessas situações, foi recorrer a uma ferramenta externa – o lápis ou os neurônios do colega – para ampliar nossos sentidos, nossas habilidades ou capacidades físicas. </p>
<p>Macacos e humanos possuem cérebros mais desenvolvidos que a maioria dos seres vivos. Some o cérebro a polegares opositores e você tem espécies animais plenamente adaptadas à invenção e ao uso de ferramentas. O monolito de <em>2001 – Uma Odisséia no Espaço</em>, que motiva os saltos evolutivos, faz com que o neanderthal perceba que ossos de mamute podem dar excelentes porretes e, com isso, ele ganha vantagem na luta pela sobrevivência. O lápis-tabuada, no dia da prova de matemática, cumpriu exatamente o papel do osso pré-histórico em 2001. A diferença é que você não precisou golpear a professora com o lápis até ela te dar uma nota 10.</p>
<p>Costumamos associar tecnologia a coisas que piscam, têm fios e custam caro. Na prática, quaisquer ferramentas que ampliam nossos sentidos e capacidades – de ossos de mamute a iPhones – são tecnologias. E quando a tecnologia e a ferramenta se tornam tão íntimas de nós, tão ligadas a nossos cérebros, ela se torna parte de nós. Nós viramos ciborgues.</p>
<p><strong>Todo taxista é um Robocop</strong><br />
Se você dirige, parabéns, você é praticamente um Robocop. Você não pensa: “vou girar o volante 30 graus, pressionar o pedal direito uns quatro centímetros, soltar o pé dois centímetros, pisar com o pé esquerdo o máximo que puder e mover esta alavanca da posição superior esquerda para esta imediatamente à direita e inferior”. Você simplesmente faz a curva e engata a segunda. O carro é uma extensão de seu corpo.</p>
<p>O mesmo vale para lápis, canetas, o mouse e, agora, a internet e as redes sociais.</p>
<p>Eu tenho uma memória horrível. Ruim mesmo. Há tempos brinco que terceirizei meu cérebro com o Google para livrar neurônios para coisas mais importantes. E é meio que verdade. Eu já não preciso saber dados exatos, números de telefone, endereços. Só preciso saber usar a discreta caixa sobre fundo branco, de onde surgem todas as respostas. </p>
<p><strong>Se você não está no Orkut, você não faz aniversário</strong><br />
Dia desses ouvi uma frase que achei tão divertida quanto simbólica: “Se você não está no Orkut, você não faz aniversário”. Faz sentido. Quando decidimos nos tornar dependentes dos telefones celulares, passamos a não saber mais nenhum número de telefone de cor. Agora, as agendas de papel foram definitivamente enterradas, já que recorremos aos avisos do Orkut – e de outras redes sociais – para saber quando é o aniversário de nossos amigos. Terceirizamos com o Google inclusive nossa memória afetiva. E quanto mais nos sentirmos à vontade com esta relação, mais ciborgues seremos.</p>
<p>O celular é um excelente exemplo da simbiose homem-máquina. Os heavy users manipulam seus aparelhos sem sequer olhar para eles. Sabem exatamente onde está cada coisa e liberam importantes áreas do cérebro para raciocinar sobre outras coisas. Usar o celular se torna um processo mecânico, como caminhar, descascar uma banana ou amarrar os sapatos.</p>
<p>Será que, além de alertar aniversários dos amigos, as redes sociais produzem a mesma relação? O que acontecerá conosco conforme deixarmos de terceirizar nossos cérebros com máquinas e passarmos a terceirizar nossos cérebros mais e mais com outras pessoas – algumas próximas como os colegas da escola, outras desconhecidas no outro lado do planeta?</p>
<p><strong>Nasce o homem-humano?</strong><br />
Será de fato o nascimento de um novo ciborgue? Não um homem-máquina, mas o ciborgue homem-humanidade? Será que precisamos mergulhar de cabeça numa Matrix tecnológica para nos conectarmos aos outros humanos?</p>
<p>Pois há indícios que nos ajudam a pensar desta forma.</p>
<p>No RPG<em> Dungeons &#038; Dragons</em>, o Observador (Beholder) é um monstro dos mais cascudos. Ele é uma esfera flutuante com centenas de olhos, e essa capacidade de ver em todas as direções, além de um raio petrificante, fazem dele um inimigo cruel. Em <em>O Senhor dos Anéis</em>, inspiração para o próprio D&#038;D, as <em>palantíri </em>eram espécies de bolas de cristal, usadas apenas por reis e grandes magos, para, entre outras coisas, poder observar o que se passava em terras distantes. </p>
<p>As redes sociais fizeram com que nossos computadores mais triviais, que nossos celulares e videogames se transformassem em palantíris. A cada instante, milhares de fotos são tiradas em câmeras digitais e celulares ao redor do mundo. E uma parcela cada vez maior dessas fotos têm destino certo: a “nuvem”, como é chamada a camada de serviços em rede que disponibilizam acesso a conteúdo de e para qualquer lugar.</p>
<p><strong>O Olho do Observador</strong><br />
As fotos que são capturadas e enviadas para redes sociais como o Twitter, por exemplo, tem por característica o imediatismo. Não são fotos elaboradas e artísticas, comuns às comunidades de imagem, como o Flickr. São registros – muitas vezes sem foco ou enquadramento adequado – do agora. Aqui, hoje, ao vivo. Quando se resolve acompanhar a timeline – seqüência de imagens postadas a cada instante, independentemente do autor –, o resultado é um sentimento de voyerismo extremo, mágico como numa bola de cristal. Temos a sensação – quase real e acertada – de estarmos vendo o mundo todo, agora, ao vivo. Não por câmeras instaladas em monumentos e praças, mas na intimidade de gente de toda a parte. Polaróides daquilo que pessoas de todo tipo julgaram relevante de ser compartilhado, de ser registrado, de ser preservado.</p>
<p>Também ligado ao Twitter e reforçando o famoso “jeitinho brasileiro” está um serviço informal de alertas que se utiliza da agilidade dos microblogs e da possibilidade de atualização da rua, por meio de celulares, para compartilhar a localização de blitzes policiais com bafômetros. Desta forma, pessoas dispostas a correr o risco de consumir álcool e dirigir podem evitar os bloqueios policiais da Operação Lei Seca.</p>
<p>É claro que o exemplo aqui é de algo no mínimo irresponsável e ilegal. Espancar pessoas com ossos de mamutes também não devia ser algo bacana nem na pré-história. Bombas atômicas nunca foram divertidas. Seria leviano achar que só usaríamos tecnologia para fins benéficos e altruístas. O fato é que, usando redes sociais e os neurônios dos amigos, estamos adquirindo poderes, como a famosa Percepção Extra-sensorial (PES), um sexto sentido que nos torna homens-aranha, capazes de notar quando um perigo se aproxima. Mesmo que esse perigo seja justamente a Lei.</p>
<p>Usaremos a simbiose homem-humanos para o mal? Para a criação de uma sociedade padronizada e pasteurizada? Correremos risco do controle por algum Grande Irmão? Ou seremos capazes de coisas antes restritas aos magos da ficção? Será que um dia, como no livro <em>Neuromancer</em>, de William Gibson, vamos mudar nossa alma para a máquina, como um software buscando um novo hardware, mais potente, durador e com menos bugs e limitações?</p>
<p>Nos idos de 1999, o hiperconectado jornalista Carlos Alberto Teixeira, o C.A.T. antecipava: “Um dia, todo mundo ainda vai implantar um chip no quengo”. A minha dúvida não é se um dia isso vai mesmo acontecer. A questão é: já aconteceu?</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F02%2Fciborgues-em-rede-%25e2%2580%2593-as-redes-sociais-e-o-mito-do-homem-maquina.htm&amp;title=Ciborgues%20em%20rede%20%E2%80%93%20as%20redes%20sociais%20e%20o%20mito%20do%20homem-m%C3%A1quina" id="wpa2a_34">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Paul: o primeiro e o último</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 23:53:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[CD]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[download]]></category>
		<category><![CDATA[indústria fonográfica]]></category>
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		<description><![CDATA[All the Best!, uma coletânea da carreira-solo de Paul McCartney até meados dos anos 90, foi meu primeiro CD. Lembro de cada segundo de fascinação com o disco prateado, o som sem ruídos, sem risco de a fita embolar. Isso foi em 1992 e eu tinha acabado de ganhar um trambolhudo CD Player CCE. Daí [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>All the Best!</em>, uma coletânea da carreira-solo de Paul McCartney até meados dos anos 90, foi meu primeiro CD. Lembro de cada segundo de fascinação com o disco prateado, o som sem ruídos, sem risco de a fita embolar. Isso foi em 1992 e eu tinha acabado de ganhar um trambolhudo CD Player CCE. Daí em diante foram anos de consumo quase compulsivo das bolachinhas cintilantes.</p>
<p><div id="attachment_703" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/PaulNYC_CD.jpg"><img src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/PaulNYC_CD-300x268.jpg" alt="Capa do CD Good Evening New York, de Paul McCartney" title="PaulNYC_CD" width="300" height="268" class="size-medium wp-image-703" /></a><p class="wp-caption-text">O último CD que eu compro?</p></div>18 anos depois faço algo que há muitos meses não fazia: compro um CD. É <em>Good Evening New York</em>, registro de uma (espetacular) performance de vovô-Paul nos Estados Unidos, em 2009. Chego em casa e repito o ritual de quase duas décadas: Tiro o plástico, vejo o encarte, me delicio com fotos, com a arte, com a experiência do produto físico, real, palpável. </p>
<p>Então me dou conta de que esse pode ser o último CD que eu compro. Salvo em ofertas com preços imbatíveis ou em pacotes atraentes (este Paul é um álbum duplo, mais um DVD do show), já não faz sentido comprar CDs, levar para casa e ripá-los. Mais simples seria baixá-los, legalmente mesmo. O CD físico não é mais de onde a música sai magicamente. É apenas o backup dos arquivos digitalizados que ouvimos no PC, no celular ou nas nuvens, via Last.fm.</p>
<p>Bate uma saudade, uma certa nostalgia. Lá na virada dos anos 90 para os 2000, nos primeiros debates sobre MP3, Bruno Gouveia, líder do Biquíni Cavadão e nerd assumido, escreveu sobre o tema em uma revista que eu editava. Ele levava fé no MP3 mas com ressalvas. “O MP3 não deve substituir o álbum, o CD, em todos os casos. Imagina você perder o álbum branco dos Beatles num crash do HD!”, disse ele.</p>
<p>Hoje o álbum branco está nas nuvens, dos torrents aos serviços legais. Está em videogames. Nenhuma destas experiências substitui a inauguração de um CD recém-comprado. Nenhuma delas substitui o cheiro do álbum guardado décadas, as marcas do tempo, o ingresso do show devidamente guardado ali.</p>
<p>Mas não posso esquecer que construí essas referências no primeiro contato com Paul, 18 anos atrás. No momento em que uma moribunda indústria nascia. No momento em que eu amadurecia como consumidor de música. Por mais que nossa geração tenha triplicado o tempo em que alguém se considera jovem, não dá para negar que, pelo menos no que diz respeito à relação com o produto música, todos da minha idade pra cima são tiozões. Ou vovozões como Paul McCartney. E o futuro da música não será composto por nós.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2010%2F02%2Fpaul-o-primeiro-e-o-ultimo.htm&amp;title=Paul%3A%20o%20primeiro%20e%20o%20%C3%BAltimo" id="wpa2a_36">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Como identificar um dono de smartphone?</title>
		<link>http://www.cassano.com.br/brogue/2009/11/como-identificar-um-dono-de-smartphone.htm</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 00:41:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Treconologia]]></category>
		<category><![CDATA[android]]></category>
		<category><![CDATA[iphone]]></category>
		<category><![CDATA[smartphones]]></category>

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		<description><![CDATA[Smartphones são aqueles celulares que agregam tantas funções que viram poderosos computadores de bolso, demandam uma Itaipu de energia para funcionarem e, em geral, são péssimos telefones. Mas quem tem, não vive sem (rima horrorosa). Tanto que dá para identificar fácil-fácil quem é dono de um iPhone, Android ou afim: O dono de smartphone: Ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Smartphones são aqueles celulares que agregam tantas funções que viram poderosos computadores de bolso, demandam uma Itaipu de energia para funcionarem e, em geral, são péssimos telefones. Mas quem tem, não vive sem (rima horrorosa). Tanto que dá para identificar fácil-fácil quem é dono de um iPhone, Android ou afim:</p>
<p><strong>O dono de smartphone:</strong></p>
<ol>
<li>Ao entrar em qualquer ambiente desconhecido, ele checa todo o perímetro da sala em busca de tomadas onde possa recarregar a bateria;</li>
<li>Ele desenvolve uma incrível capacidade de andar e desviar de objetos enquanto se concentra totalmente em responder a uma piada por e-mail ou procurar por menções a si mesmo no Twitter;</li>
<li>Ele aprende (ou acha que aprende) a dirigir enquanto digita com as duas mãos no aparelho;</li>
<li>Ele não acha seu aparelho grande. As calças é que têm bolsos cada vez menores!</li>
<li>Foi banido de gincanas culturais em bares por uso excessivo de Wikipedia;</li>
<li>Ao conhecer novas pessoas, busca desesperadamente uma desculpa para fazer contas, ver as horas ou checar o trânsito no aparelho. Pode apresentar tremedeiras ou suor frio se, em alguns segundos, ninguém perguntar &#8220;Que aparelho é esse?&#8221;;</li>
<li>Mesmo com sol forte lá fora, ele sai de guarda-chuva se esta for a previsão do tempo no smartphone;</li>
<li>Não existe horário estranho para responder um e-mail. De preferência com o aviso de “Enviado de meu smarphone”;</li>
<li>Ele tem o telefone do adido cultural de Honduras no Iêmen, mas não tem o telefone da irmã no aparelho (claro, ele nunca trocou cartões de visita com ela);</li>
<li>Ele não fica muito tempo com o mesmo aparelho. Isso o faz retornar constantemente ao item 6 e aumenta a intensidade dos demais.</li>
</ol>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2009%2F11%2Fcomo-identificar-um-dono-de-smartphone.htm&amp;title=Como%20identificar%20um%20dono%20de%20smartphone%3F" id="wpa2a_38">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Twitter: perdemos tempo demais com nossas regras e etiquetas?</title>
		<link>http://www.cassano.com.br/brogue/2009/10/twitter-perdemos-tempo-demais-com-nossas-regras-e-etiquetas.htm</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 21:38:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu sou o homem que falava cassanês. Cassanês, dizem, é meu dialeto particular, que consiste em despejar palavras de maneira extremamente rápida, não raro pela metade e de forma muitas vezes incompreensível. Tento maneirar durante palestras ou entrevistas, mas no dia-a-dia é difícil mesmo segurar o ritmo. Mas acontece algo curioso. As pessoas mais próximas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Eu sou o homem que falava cassanês.</strong> Cassanês, dizem, é meu dialeto particular, que consiste em despejar palavras de maneira extremamente rápida, não raro pela metade e de forma muitas vezes incompreensível. Tento maneirar durante palestras ou entrevistas, mas no dia-a-dia é difícil mesmo segurar o ritmo. Mas acontece algo curioso. As pessoas mais próximas, que convivem comigo, acabam por aprender cassanês. Até onde eu sei, não há cursos, apostilas, gramáticas ou regras de como falar rápido-enrolado como eu. Elas aprendem por osmose. Assim como a gente acaba aprendendo a ouvir/falar um idioma só por estarmos vivendo num país.</p>
<p>O fenômeno que faz com que a convivência nos faça perceber e aprender códigos, regras e éticas de cada meio, vale para o uso da tecnologia e das redes sociais. Percebo isso quando <strong>vejo os novatos do Twitter dando RTs, usando tags, falando “corrão”</strong>. Como eles aprenderam? Qual foi seu manual?</p>
<p>Se é fato que há regras e etiquetas que sobrevivem ao crescimento do Twitter – e que definem a cultura de quem usa a ferramenta como algo maior que a ferramenta em si –, também é inevitável que muitas das “leis verbais” da rede se percam com seu crescimento. A vida é assim, não adianta fazer #mimimi.</p>
<p>Dá para dizer que <strong>quanto menor é a comunidade, quanto mais de nicho, mais regras ela tem. E mais destas regras são respeitadas</strong>. Experimente observar um grupo de motoqueiros, tipo <em>Hell’s Angels</em>. São inúmeros rituais, saudações, códigos&#8230; <strong>o mesmo vale para caminhoneiros, escoteiros, maçons e pioneiros do Twitter</strong>. Mas quando abrimos o foco de “caminhoneiros” para “motoristas”, os códigos rareiam e é preciso pôr polícia na rua para garantir que as regras básicas sejam respeitadas.</p>
<p>Conforme o Twitter cresce, reduz-se a sensação de grupo, de tribo. Como já não faz sentido falar em “internautas”, como a “blogosfera” hoje representa mais a panela dos <em>early</em> <em>adopters</em>, daqui a pouco não fará sentido nos percebemos como tuiteiros, twitters, o que for.</p>
<p><strong>O crescimento do Twitter diluirá suas regrinhas</strong>. Daqui a pouco USAR SEU JEITINHO E ESCREVER TUDO EM CAIXA ALTA pode deixar de ser falta grave (100 pontos na Carteira Twitteira de Habilitação). Dar RT sem citar a fonte pode não representar mais a apreensão da carteirinha de internauta. Usar script para ganhar usuários deixará de ser um problema. Na verdade, deixará de ser uma solução, quando nós, sub-celebridades digitais, assumirmos nosso posto real num ambiente popular e popularizado. <strong>E nada disso é necessariamente ruim.</strong></p>
<p>Quando o Homem instala uma sociedade, um grupo, há três coisas que ele invariavelmente acaba fazendo:</p>
<p><strong>1) </strong><strong>Ergue uma Igreja;</strong></p>
<p><strong>2) </strong><strong>Extermina os índios;</strong></p>
<p><strong>3) </strong><strong>Cria regras.</strong></p>
<p>As igrejas do vilarejo chamado Twitter são os gurus, os pioneiros, aqueles que elegemos como representantes das melhores práticas, líderes espirituais incontestes. Os índios não foram exterminados, mas a verdade é que, para os pioneiros, quanto mais os nativos do Orkut ficarem longe, melhor. <strong>Um dos motivos que nos faz adorar os <em>memes</em> é que sabemos que a maioria das pessoas não faz idéia do que eles são</strong>. Os <em>memes</em>, por serem exclusivos, nos mantêm ligados como grupo. Conhecer a Susan Boyle, o Zina, seguir o @realwbonner, saber do barraco A, B ou C. É o que nos une. Quando todos conhecem – ou quando o conhecimento está disperso – o grupo se dissipa.</p>
<p>Isso posto, será que faz sentido gastarmos tanta energia discutindo as vaidades de nosso mundinho? Será que não é perder tempo demais explorando só a parte visível do iceberg? <strong>Se o Twitter, como nosso ecossistema digital, não sobrevive a um bando de adolescentes clamando pelos Jonas Brothers ou tem sua credibilidade ameaçada por um post pago aqui e uma jovem que usa scripts acolá, o problema não está nem nos Jonas Brothers nem no script. O problema está no Twitter. </strong>O problema é dessa “sociedade” que a gente criou, que é frágil demais. Que depende de regras fadadas ao esquecimento. Os índios estão invadindo o forte-apache e queimando a igreja. Quer saber? Deixa invadir. Vai ser bom pra todo mundo.</p>
<p>O Twitter, as redes sociais em geral, são só o começo. Não adianta murar o terreno agora, pois o terreno está se expandindo, crescendo, novas espécies surgindo.  A gente tem mania de ficar discutindo porque o mar está recuando na praia ao invés de se preparar para o tsunami que vem em seguida. #<strong>prontofalei</strong>.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2009%2F10%2Ftwitter-perdemos-tempo-demais-com-nossas-regras-e-etiquetas.htm&amp;title=Twitter%3A%20perdemos%20tempo%20demais%20com%20nossas%20regras%20e%20etiquetas%3F" id="wpa2a_40">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>10 coisas que o Rio poderia aprender com São Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 17:56:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
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		<description><![CDATA[Sou carioca, do tipo que força o erre de mermão e o chi de “tchia” e “leitche”. Que fala futiból e se emociona com as mesmas paisagens há mais de trinta anos. Mas isso não me impede de reconhecer algumas coisas que, sim, os cariocas podem e precisam aprender com os paulistas. São Paulo é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-677" title="O Rio" src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2009/10/rio-150x150.jpg" alt="O Rio" width="150" height="150" /> Sou carioca, do tipo que força o erre de <em>mermão </em>e o chi de “tchia” e “leitche”. Que fala <em>futiból </em>e se emociona com as mesmas paisagens há mais de trinta anos. Mas isso não me impede de reconhecer algumas coisas que, sim, os cariocas podem e precisam aprender com os paulistas.</p>
<p>São Paulo é uma cidade estranha. É gigante, mas ao mesmo tempo provinciana. Julgo crer que muitos paulistas (e paulistanos) ignoram o fato de que existe civilização ao norte de Santos. É um lugar de leitura difícil, que não se explica totalmente na esquina da Ipiranga com São João, nem na deselegância discreta de suas meninas.<br />
<img class="alignright size-thumbnail wp-image-678" title="São Paulo" src="http://www.cassano.com.br/wp-content/uploads/2009/10/saopaulo-150x150.jpg" alt="São Paulo" width="150" height="150" /><br />
São Paulo se revela aos poucos, tímida. Vai mostrando sua face, um certo charme. Uma lógica própria perdida entre concreto e motoboys. Lógica que, como tal, faz sentido. Até o ponto em que você entende São Paulo e consegue ver além do óbvio, além do preconceito.</p>
<p>Há muitas coisas boas em São Paulo. Coisas que não me incomodariam nem um pouco se fizessem parte de uma “paulistização do carioca”. Por exemplo:</p>
<p>1)	Paulistas respeitam cruzamentos nas ruas;<br />
2)	Os sinais/semáforos/faróis ficam colocados no lado de lá do cruzamento. Assim, ninguém precisa ficar de pescoço torto só porque parou bem embaixo do dito-cujo;<br />
<strong>3)</strong> Nota Fiscal Paulista. Imagino que isso tenha reduzido horrores a sonegação, e com um benefício palpável para as pessoas (mesmo que simbólico);<br />
<strong>4)</strong> Futebol profissional;<br />
<strong>5)</strong> Aquela lombada invertida em alguns cruzamentos. Ok, elas detonam a suspensão, mas forçam o motorista a dar uma paradinha e olhar para os lados antes de avançar;<br />
<strong>6)</strong> Leis que pegam. Tenho a impressão de que algumas leis pegam em São Paulo (e outras não). Aqui, me parece que nenhuma lei pega, nunca;<br />
<strong>7)</strong> Metrô que realmente liga o ponto A ao ponto B;<br />
<strong>8)</strong> Obras. São Paulo está permanentemente em obras. Tem sempre algo subindo, um viaduto, uma nova estrada. Quando se resolve fazer obras no Rio saem monstros bizarros como a Cidade da Música;<br />
<strong>9)</strong> Friozinho gostoso. Não reclamaria se dias de Rio 40<sup>o</sup> fossem intercalados com noites de Rio 10<sup>o</sup>, vendo um filme na TV e acompanhados de boa comida e vinho;<br />
<strong>10)</strong> Macarrão. Aliás, São Paulo é a prova de que massa e macarrão não são a mesma coisa.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2009%2F10%2F10-coisas-que-o-rio-podia-aprender-com-sao-paulo.htm&amp;title=10%20coisas%20que%20o%20Rio%20poderia%20aprender%20com%20S%C3%A3o%20Paulo" id="wpa2a_42">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Seeding é isso: inspirar pessoas a inspirar pessoas</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 00:21:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[EDTED]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
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		<category><![CDATA[futuro]]></category>
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		<description><![CDATA[Em visita à Infnet, fui abordado por um jovem, cabelo grande, jaqueta azul, aquele olhar determinado de quem quer sugar toda informação que passar por sua frente. Eu estava sentado em um banco, me dividindo entre o laptop, o celular e o Blackberry. Ele se aproximou, se sentou ao meu lado, pensou duas vezes e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em visita à Infnet, fui abordado por um jovem, cabelo grande, jaqueta azul, aquele olhar determinado de quem quer sugar toda informação que passar por sua frente.</p>
<p>Eu estava sentado em um banco, me dividindo entre o laptop, o celular e o Blackberry. Ele se aproximou, se sentou ao meu lado, pensou duas vezes e perguntou:</p>
<p>- Você palestrou no 12o Encontro de Web Design, não foi?</p>
<p>Respondi que sim e confirmei com ele se tinha sido aquele no Hotel Glória, no Rio. Ele continuou:</p>
<p>- Foi meu primeiro evento desse tipo, nunca tinha ido. Gostei muito de todas as palestras. Elas me motivaram a me esforçar.</p>
<p>Ele contou que começou a trabalhar com web como frila, inclusive com clientes europeus. Com a grana dos frilas, entrou para a graduação no Infnet. Contou também que trabalha em um projeto social, o Kabum, voltado para inclusão digital de jovens carentes.</p>
<p>- É fácil lidar com os alunos, porque eu moro na Rocinha -, revelou o jovem profissional, que nunca tinha ido a um evento da área e que, inspirado pelas apresentações, acreditou que poderia seguir carreira, conquistou clientes e investiu em mais conhecimento. E que não esperou o bolo crescer para começar a dividir.</p>
<p>É uma alegria e uma honra muito grande saber que tenho uma modesta participação nisso, por, junto com outros profissionais, ter subido naquele palco no Hotel Glória e inspirado pessoas a perseguirem sonhos &#8211; alguns que eles nem sabiam que tinham até aquele dia. </p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2009%2F08%2Fseeding-e-isso-inspirar-pessoas-a-inspirar-pessoas.htm&amp;title=Seeding%20%C3%A9%20isso%3A%20inspirar%20pessoas%20a%20inspirar%20pessoas" id="wpa2a_44">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>(Minhas) grandes descobertas da Humanidade: a batata corada</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 00:09:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[aprendizado]]></category>
		<category><![CDATA[curiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[descobertas]]></category>
		<category><![CDATA[infância]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu devia ter uns 12 anos. Para todos os efeitos, era uma criança. Colecionava bonecos, assistia Transformers na TV, devorava quadrinhos e enciclopédias e, hábito que preservo, adorava batatas. Passando férias na casa de uns tios, fomos pernoitar em uma fazenda (talvez um sítio, mas para mim era um latifúndio sem fim) em Teresópolis. Foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu devia ter uns 12 anos. Para todos os efeitos, era uma criança. Colecionava bonecos, assistia Transformers na TV, devorava quadrinhos e enciclopédias e, hábito que preservo, adorava batatas.</p>
<p>Passando férias na casa de uns tios, fomos pernoitar em uma fazenda (talvez um sítio, mas para mim era um latifúndio sem fim) em Teresópolis. Foi um fim de semana de muitas descobertas. Por exemplo, ao nadar em uma piscina de água natural, aprendi como é – literalmente – engolir sapo. No caso, pequenos girinos. A sensação é muito parecida com engolir uma aspirina, com a diferença de que, nesse caso, você fica imaginando a aspirina sacudindo a cauda dentro do seu estômago.</p>
<p>Também descobri, andando pelo gramado onde havia uma quadra de tênis, que cobras fazem buracos no chão, não por acaso chamados “buracos de cobra”. E que a presença de cobras ali estava intimamente ligada à presença dos sapos, pais do girino que eu havia engolido. “Onde tem sapo, tem cobra”. E pior, que eu não deveria pisar nos sapos, visto que eles lançariam um líquido venenoso que prontamente me deixaria cego.</p>
<p>Minha crença na precisa mira dos sapos foi total e instantânea. Idem para a constatação de que todo e qualquer buraco tinha uma cobra dentro (sem duplo sentido, por favor, eu mal tinha 12 anos).</p>
<p>Com a noite caindo, e todos recolhidos ao interior da grande casa, aprendi a jogar paciência (sim, achei extremamente divertido). Mas minha cabeça estava lá fora. Mais exatamente, no céu que gradativamente escurecia.</p>
<p>Tinha grande esperança de ali, longe da cidade, finalmente contemplar a Via Láctea, mancha branca que deveria cobrir boa parte do céu em noites sem lua e sem a poluição das cidades. Aquela era minha grande oportunidade de, como bom cientista, comprovar com meus próprios olhos o que as enciclopédias diziam.</p>
<p>Mas então a ciência foi derrotada pelos sapos. Ao abrir a porta da casa, já envolta num breu absoluto, eu pude ouvir os coaxares, vindo de toda parte. Não sabia se eles estavam perto, ou longe. E, pior, não fazia idéia de onde estavam todas aquelas cobras à caça de sapos. A escuridão fez do gramado em torno da casa uma savana selvagem.</p>
<p>Não tive coragem de sair, e da porta, sob as telhas da varanda, não dava para ver o céu. Tive que esperar muitos anos ainda para descobrir que os livros não mentiam.</p>
<p>Mas a grande e mais fantástica descoberta ainda estaria por vir. Mais exatamente, no almoço do dia seguinte. Quando elas chegaram, olhei com estranheza. Afinal, tinham aquelas bordas queimadinhas, em leve tom de marrom, exatamente como as fritas. Tinham aquela superfície mais áspera, seca, também como as fritas. Mas eram redondinhas, como uma batata na manteiga. Era um conjunto de forma, aparência e textura novo para mim. Eram minhas primeiras batatas coradas.</p>
<p>Àquela altura eu era um homem rodado de batatas. Já tinha comido várias, de muitos tipos. Fritas, palha, palito, purê, de forno&#8230; mas coradas, meio assadas meio fritas, crocantes por fora e macias como um purê por dentro&#8230; ah&#8230; foi minha primeira vez.</p>
<p>Acho que se me dissessem que havia mais um prato cheio de batatas coradas no meio da grama, à noite, eu enfrentaria sapos e cobras pelo direito de repetir no jantar a descoberta do almoço.</p>
<p>Isso tem uns vinte anos. Mais, talvez. Mas consigo reviver cada detalhe. Da sala com vigas e teto de madeira, de iluminação suave, do sabor daquela nova batata, do coaxar dos sapos.</p>
<p>E do aprendizado: o mágico, o fantástico, o maravilhoso da ignorância é a alegria incomparável quando percebemos que acabamos de descobrir algo. Que não precisa ser o fogo, a roda, a penicilina. Pode ser as regras do jogo de paciência. Ou o sabor de uma batata corada. Basta ser algo que não sabíamos que existia e que agora conhecemos bem.</p>
<p>Quando se tem 12 anos, o mundo inteiro é um laboratório e tudo são grandes descobertas. Felizes aqueles que têm 12 anos para sempre.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2009%2F07%2Fminhas-grandes-descobertas-da-humanidade-a-batata-corada.htm&amp;title=%28Minhas%29%20grandes%20descobertas%20da%20Humanidade%3A%20a%20batata%20corada" id="wpa2a_46">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Sobre rankings, celebridades e a natureza humana</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 02:46:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rcassano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Treconologia]]></category>
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		<description><![CDATA[O brilhante Alex Primo tem feito alguns posts em seu blog discutindo o sentido (ou a falta de) em se falar de celebridades da web. Isso me remeteu a outra boa e velha discussão: por que continuamos obcecados por virais, celebridades, TOP 10s e rankings que, teoricamente, deveriam ter sido banidos com a disseminação da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O brilhante Alex Primo tem feito alguns<a href="http://www.interney.net/blogs/alexprimo/2009/05/28/existem_celebridades_com_blogs_mas_nao_d" target="_blank"> posts em seu blog</a> discutindo o sentido (ou a falta de) em se falar de celebridades da web. Isso me remeteu a outra boa e velha discussão: por que continuamos obcecados por virais, celebridades, TOP 10s e rankings que, teoricamente, deveriam ter sido banidos com a disseminação da internet e das redes sociais?</p>
<p>Ora, acreditávamos que, livres da ameaça perniciosa da mídia de massa, finalmente poderíamos ver os filmes que quiséssemos, ouvir as bandas mais obscuras, nos informar nas fontes mais diversas. Estaríamos livres dos rankings da Billboard, mais vendidos da Veja ou maiores bilheterias nos EUA. Também estaríamos livres das celebridades ocas da TV.</p>
<p>Antes de entrar nos detalhes dessa discussão, vale um breve exercício. Acho que, cegos e apaixonados pela revolução tecnológica, atribuímos a ela uma responsabilidade além do que a tecnologia (qualquer uma) pode entregar: ousamos pensar que ela mudaria a essência do que somos.</p>
<p>Que me perdoem os ciberpunks, mas a tecnologia não muda o Homem. Darwin muda o Homem. Ou Deus, se preferir, muda o Homem. A internet e as tecnologias em geral mudam COMO fazemos as coisas, mudam O QUE fazemos, mudam até o QUANDO ou QUANTO fazemos. Mas a tecnologia não consegue mudar POR QUE fazemos. Porque o motivador de nossas ações são nossas necessidades e desejos mais íntimos.</p>
<p>Em alguma instância, mais próxima ou remota, comer um Big Mac, esperar o chefe sair da sala para ver o vídeo da Maíra do BBB no computador do trabalho ou baixar o filme dos X-Men são ações solicitadas pelo TCP-IP da existência: nosso DNA.</p>
<p>Partindo-se da premissa de que as tecnologias trazem respostas novas para problemas reformulados a partir de necessidades perenes, celebridades, rankings e TOP 10s são respostas a uma necessidade orgânica e psicológica nossa. Não são invenção maquiavélica e exclusiva da comunicação de massa.</p>
<p>Provavelmente, a gente gosta mesmo de baixaria e violência. Seja em que mídia for.</p>
<p>Sem entrar no mérito da validade ou não de se usar o termo “celebridade” para os fenômenos específicos da blogosfera, acredito que um conceito fundamental para entendermos esse comportamento da mídia de massa no contexto das redes sociais é o da escala: em muitos aspectos (não em todos, é claro), as redes sociais se comportam como um emaranhado de redes massivas em miniatura.</p>
<p>Explico antes que me crucifiquem: no que diz respeito a nossas buscas por referências externas, a internet não veio acabar com rankings, blockbusters, “mais vendidos”etc. Ela apenas fragmentou estes universos. Mudou as fontes. Se antes dependíamos da Billboard para nos dizer quais os 10 melhores discos do mês, hoje formamos nosso próprio ranking no Last.fm.</p>
<p>Se antes a Veja nos dizia que livros ler, hoje vemos que livros as pessoas mais parecidas conosco estão lendo na Amazon ou em redes sociais de livros. Se antes a bilheteria nos EUA era fundamental para definirmos que filmes veríamos no final de semana, hoje esse processo acontece na Net Movies, acontece no Torrent.</p>
<p>Mas os rankings permanecem. Se antes lia-se Paulo Coelho porque ele vendeu milhões de exemplares, hoje se segue o @fulano porque ele já tem 2 mil seguidores. “E não deve ter 2 mil seguidores à toa”.</p>
<p>Os meios, as ferramentas, os formadores de opinião mudaram. Mas a necessidade de termos respaldo na opinião de nossas (agora múltiplas) tribos permanecem. Antes pensávamos: “Um milhão de pessoas não podem estar erradas”. Hoje pensamos: “Todo mundo não pode estar errado.”</p>
<p>E nosso “todo mundo” equivale a 200 pessoas que curtem Zumbi do Mato (eu curto). 50 cineastas amadores de Botucatu. 20 evangélicas lésbicas de Bom Jesus do Itabapoana. O francês Michel Maffesolli retratou com precisão o aspecto tribal da geração das redes sociais&#8230; antes de existirem as redes sociais.</p>
<p>Porque isso não vem de Cupertino ou Mountain View, na Califórnia, vem de nosso cérebro. A gente simplesmente não consegue pensar sozinho. “Certo” ou “Errado” são conceitos relativos que dependem da cara de aprovação ou condenação do sujeito a seu lado.</p>
<p>Precisamos da “opinião dos outros”, mesmo que seja para negá-la. E isso gera as sub-pseudo-celebridades da web, isso gera as<em> tag clouds</em>, <em>trending</em><em> topics</em>, <em>trendhunters</em> e o que mais você disser em inglês que responda a uma pergunta básica: “Isso aqui é bom mesmo ou eu que sou um idiota?”</p>
<p>Isso explica nossa ridícula fascinação por número de seguidores, leitores de <em>feed</em>, amigos no Orkut. Ser uma pessoa tímida <em>offline</em> fazia você ser um forasteiro nas diversas tribos que freqüentava, mas você só era um Zé Ninguém uma tribo por vez. Não ter amigos no Orkut ou seguidores no Twitter faz de você um forasteiro no mundo, um lunático falando sozinho, um segregado, um Botsuana do capital social.</p>
<p>Voltando às celebridades da web, elas podem não ter o mesmo alcance de seus pares tradicionais. Podem não ter a disseminação multi-plataforma, nem ter um altar bacana como o da Paris Hilton. É, pode ser. Mas a motivação para colocá-las no alto desse altar é igualzinha. E a total falta de necessidade de algum conteúdo, ato, feito ou propósito real para se levar a celebridade ao altar também.</p>
<p>As redes são outras, as escalas são outras, as dinâmicas totalmente diferentes. Mas as pessoas&#8230; ah, essas são as mesmas. E continuarão sendo.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cassano.com.br%2Fbrogue%2F2009%2F06%2Fsobre-rankings-celebridades-e-a-natureza-humana.htm&amp;title=Sobre%20rankings%2C%20celebridades%20e%20a%20natureza%20humana" id="wpa2a_48">Compartilhe e salve!</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Fantasmas na máquina</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 02:38:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[perdas]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu me impressiono com algumas coisas. Filmes, acontecimentos. As imagens do tsunami demoraram a sair da minha cabeça. Quase virei terrorista depois de Clube da Luta e nem mesmo o Robin Williams, no papel de uma babá bicentenária interpretando um professor, conseguiu reduzir o efeito que Sociedade dos Poetas Mortos fez em meu espírito candidato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu me impressiono com algumas coisas. Filmes, acontecimentos. As imagens do tsunami demoraram a sair da minha cabeça. Quase virei terrorista depois de <em>Clube da Luta</em> e nem mesmo o Robin Williams, no papel de uma babá bicentenária interpretando um professor, conseguiu reduzir o efeito que <em>Sociedade dos Poetas Mortos</em> fez em meu espírito candidato a escritor.</p>
<p>E já escrevi aqui, na forma de poemas ou posts, sobre o pavor e fascínio que sinto pelo vazio, pelo desaparecimento. Seja o desaparecimento do que criamos – aprisionado em um suporte digital fadado ao apodrecimento – seja o desaparecimento de quem amamos, ou de nós mesmos.</p>
<p>Este ano já experimentei a perda de várias pessoas. De algumas muito próximas a desconhecidos que, pelas circunstâncias de suas partidas, nos fazem refletir sobre como aproveitamos nossa estada. Quando vejo gente sendo subitamente subtraída deste mundo físico, por acidentes ou fatalidades, não consigo não olhar com estranheza para os fantasmas na máquina que permanecem. Os registros inacabados nos perfis sociais que ficam perdidos, órfãos de nós mesmos, pela internet.</p>
<p>Um perfil é diferente de um texto, de uma foto. Se deixamos cartas, textos, posts, filmes&#8230; são coisas que criamos. E que ajudarão os outros a se lembrarem de nós quando partirmos. Mas os perfis, supostamente, não são coisas que criamos. Eles são nós mesmos. Os perfis, teoricamente, são uma representação digital do que somos. Do que pensamos, do que sentimos.</p>
<p><strong>Os perfis pretendem ser a digitalização de nossa alma.</strong></p>
<p>E se partimos sem chance de responder, pela última vez, “o que estou fazendo agora?”, “o que estou ouvindo?” e todas as perguntas que nos forçam a viver cada vez mais presos ao presente, sobrevivem nossos fantasmas digitais, como obras inacabadas. </p>
<p>Que fim eles deveriam levar? Devem ficar ali, congelados no tempo até que sucumbam ao fim inevitável das redes sociais (sim, porque não há empresa eterna, serviço eterno)? Deveriam continuar envelhecendo no Orkut, com sua idade atualizada e suas “fotos recentes”? Deveriam retirar-se de cena? Ou, no fundo, será que nada disso importa?</p>
<p>Tenho conhecidos e amigos que partiram e cujos perfis viveram ainda por muito tempo, recebendo mensagens e comentários, num ritual moderno de celebração aos que se foram. A cada tragédia de comoção nacional, os perfis das vítimas em redes sociais recebem dezenas, centenas de mensagens que nunca serão lidas, como flores deixadas num túmulo. É um gesto tão mórbido quanto singelo e comovente. Como se a pessoa virtual sobrevivesse à sua metade real.</p>
<p>Parece que o cenário de ficção científica onde transferiríamos nossa consciência para a máquina, a fim de nos livrarmos de nossos corpos físicos, não é assim tão absurdo. Quando eu me for, continuarei vivo digitalmente naquilo que crio na Rede. Virtualmente vivo até que se apague meu último eu virtual. Um Gato de Schrödinger contemporâneo, onde não se saberá ao certo se eu de fato ainda respiro ou não. Existe vida após o <em>shut down</em>?</p>
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