Arquivo para 'Prosa e verso'

Feed-se especial Democracia

Revista Feed-seFoi lançada durante o Blogcamp-RJ a edição especial da revista Feed-se, com o tema “Democracia”. O momento não poderia ser mais oportuno, visto que as eleições se aproximam e temos vivido recentemente os altos e baixos do mais democrático de todos os meios de comunicação, a rede.

Leitura obrigatória, até porque é rápida e pra lá de prazerosa.

Esta edição tem, inclusive, a modesta contribuição deste que voz fala, com uma versão revista e ampliada de um post aqui do Brogue, sobre o pouco explorado poder da Gentileza na blogosfera.

Chega lá. É grátis.

Cassanop Art

Um zilhão de coisas para fazer, o cansaço começa a apertar, os cronogramas se aproximam do limite. Aí o que é que a criatura faz? Abre o Photoshop e faz isso.

Cassanop Art

Todo rock star tem dois milhões de amigos

Eu queria ser um rock star
e disparar sem dó
um dó distorcido
no meio do salto
e cair de joelhos
segurando a nota
fazendo careta
quebrando a guitarra
atirando a palheta

e eu me vestiria como se ninguém estivesse ali
usaria um cabelo estranho,
como se ninguém estivesse vendo
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali

meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.

todo rock star tem dois milhões de amigos.

queria ser galã de cinema,
beijar a mocinha no fim da cena,
ter um dublê para ser eu,
sempre que eu correr perigo.

um galã de cinema,
letras maiúsculas na fachada
nome nos créditos de entrada
agradecer pela estátua
como se ninguém estivesse vendo,
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali

meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.

todo galã de cinema tem dois milhões de amigos.

e eu queria ser um escritor best seller,
ter hábitos estranhos,
uma casa na escócia
e traçaria tramas
sobre a escória e
sobre a história

e daria autógrafos
pra gente na fila
livro após livro
como se anotasse um telefone
como se ninguém estivesse vendo,
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali

meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.

todo best seller tem dois milhões de amigos.

onde estarão escondidos
onde estarão escondidos
o que estarão esperando

meus dois milhões de amigos
meus dois milhões de amigos

todo mundo tem direito a dois milhões de amigos.

Resistir é inútil

Enquanto você está dormindo, tem um japonês estudando.
Enquanto você está comendo, tem um japonês estudando.
Enquanto você está lendo blogs,tem um japonês estudando.
Enquanto você está procriando, tem um japonês estudando.
Enquanto você está no trânsito, tem um japonês estudando.
Enquanto você está vendo futebol, tem um japonês estudando.
Enquanto você está sambando, tem um japonês estudando.
Enquanto você está trocando a frase do MSN, tem um japonês estudando.

Enquanto você está no banheiro, tem um japonês estudando.

Resistir é inútil.

Também é inútil se desesperar por causa disso.

A verdade é muito pior.

Enquanto um japonês está no banheiro, tem cinco chineses estudando.

* Baseado no aforisma “enquanto você está c*g*ndo, tem um japonês estudando”, de Allan Kirsten.

Microconto: Don’t be evil

“Não faz sentido”. Ele continuava a olhar, perplexo. Tirou os olhos do microscópio. “Não pode ser!”. Olhou ao redor. Ninguém tinha percebido nada. “Puta que pariu!”. Uma assistente olhou pra ele, intrigada. Então ele rapidamente jogou fora a lâmina com uma célula-tronco humana. Lá dentro, no DNA, ele jurava ter lido “© Google Inc.”.

Microconto: O menino que queria ser astronauta

Acorda. Escova os dentes. Xixi. Se arruma. Toma café. Faz número dois. Pega a chave. Sai. Espera o ônibus. Entra no ônibus. Fica em pé. Desce do ônibus. Entra no escritório. Bebe café. Senta. Liga o computador. Escreve coisas. Desce pra rua. Almoça. Volta. Liga o computador. Escreve coisas. Desliga o computador. Espera o ônibus. Entra no ônibus. Fica em pé. Desce do ônibus. Entra em casa. Acende a luz. Toma banho. Bota o pijama. Janta. Toma café. Escova os dentes. Deita. Apaga a luz. Estrelas, planetas, galáxias brilham esverdeadas no teto do quarto. Dorme. Não sonha. Acorda. Escova os dentes. Xixi. Se arruma…

Microconto: Um dia quente

Quando a bomba atômica explodiu, ele estava lendo jornal no vaso sanitário. Ela estava esperando no quarto, nua. A TV falava de múmias que morreram abraçadas. Ela achou lindo. Chorou. As paredes do banheiro se dissolveram enquanto ele lia no horóscopo que aquele ia ser um dia quente pra ele.

Microconto: O homem antenado

Já era a terceira antena que nascia atrás da orelha. Começou a ficar preocupado. Fora isso, nada de especial. O pessoal da repartição ainda não tinha reparado. Mas as antenas estavam crescendo. Pelo menos já dava para ouvir o jogo. O problema era pra dormir. Maldita rádio pirata.

As vassouras e o Aspira

Eu tinha prometido a mim mesmo jamais fazer paródias de Tropa de Elite, mas não resisti. Peço desculpas aos leitores.

As vassouras e o Aspira

Paguei dez real no novo Radiohead

Radiohead - In RainbowsOlhos rasos d’água, acabo de ouvir In Rainbows, sétimo álbum do Radiohead. Ouço em MP3, desbloqueado, que baixei na Internet. O link do arquivo zip? Quem me passou foi a própria banda, por e-mail. Ouço sem medo do Capitão Nascimento bater na minha casa. Paguei 2,5 libras (uns R$ 10) pelo download.

Para quem não sabe (sei lá, muita gente vive em Marte esses dias), o Radiohead lançou ontem (10/10) seu novo álbum de uma maneira revolucionária: distribuição pela internet, sem DRM. O preço? Você decide. Um campo em branco pergunta ao usuário quanto ele deseja pagar pelo álbum (grátis é uma opção). Eu quis pagar. Primeiro, porque fiz duas juras na vida: “Nunca mais passarei fome novamente” (mentira, fiz não) e “Jamais piratearei um Radiohead, um Legião Urbana ou um Los Hermanos” (essa eu fiz mesmo). Segundo, porque acho que R$ 10 é preço mais do que justo por um disco. Terceiro, porque preciso retribuir esses 11 anos de felicidade e de ininterruptas e incontáveis reproduções de Ok Computer & cia.

O álbum? Curtinho, 10 faixas, 42 minutos, maravilhoso. Radiohead. Menos hermético e eletrônico do que Kid A e Amnesiac (brilhantes mas que você leva um tempão para digerir), com faixas que a banda vem executando ao vivo há algum tempo. As letras não deu para sacar ainda e aí a gente começa a ver a falta que faz uma capinha, um encarte, um “deitar no sofá e ficar ouvindo o som lendo os encartes”. Mas nada que Google não resolva.

O disco saiu ontem. O hit até agora é a faixa 3, Nude, com quase 9 mil ouvintes no Last.fm (http://www.last.fm/music/Radiohead/In+Rainbows). Obrigado Radiohead. Quer o seu? Compra (ou só baixa) aqui: www.radiohead.com