Arquivo para 'Trabalho'

O que você aprendeu sobre redes sociais?

O empresário e o empreendedor

O empresário age rápido porque se ele não fizer, outro vem e faz.
O empreendedor age rápido porque se ele não fizer, ninguém fará. E o mundo sairá perdendo.

O empresário entra no negócio porque acredita que dará um bom retorno.
O empreendedor entra no negócio porque acredita que é o certo a ser feito. E alguém precisa fazê-lo.

O empresário tem gente competente trabalhando para ele.
O empreendedor tem gente competente trabalhando com ele.

O empresário escolhe o melhor trajeto estudando mapas de viagem.
O empreendedor viaja e tira o melhor do lugar onde foi parar.

O empresário sonha em conquistar resultados.
O resultado para o empreendedor é conquistar o que sonhou.

O empresário faz riqueza.
O empreendedor faz história.

Todos podem ser um Crisdias?

Durante sua apresentação na edição 2008 do Intercon, Cristiano Dias nos apresentou uma fascinante visão de um mundo onde o verdadeiro capital não é financeiro, mas social. O que o Crisdias fala tem peso. Tem peso porque ele tem capital social, o que só reforça sua tese.

//www.flickr.com/photos/rtarga/Capital social é “tudo aquilo que o dinheiro não compra” numa relação entre duas ou mais pessoas. Afeto, credibilidade, reputação, pertencimento… tudo isso tem valor, tudo isso transita pra lá e pra cá quando você faz um discurso, quando entra numa comunidade ou manda o link para aquele vídeo da Paris Hilton. E, em termos de capital social, o Crisdias é podre de rico.

Mas a pergunta que me fiz, vendo a bela palestra, foi: será que todo mundo pode ser um Crisdias?

No que depender das leis matemáticas por trás da internet, da sociedade, do mercado financeiro e até do metabolismo celular, não.
Mesmo que, subitamente, todos nós nos tornemos simpáticos, sagazes, inteligentes, sortudos, com boa reputação, totalmente “do bem” e bem relacionados (que é a “carteira de ações” que faz do Crisdias um Carlos Slim do capital social), isso não significa que todos nós nos tornaremos um Crisdias.

A explicação, na verdade, é bastante simples e assustadora: a natureza e nossa sociedade abominam a igualdade. Recorro ao pesquisador Albert-Lászlo Barabási para me socorrer. Em seu livro Linked, de 2003, ele nos revela avanços em nosso entendimento sobre redes complexas. A internet, a economia, as redes sociais (offline ou online), as rotas aéreas, os ecossistemas e o metabolismo celular são redes complexas. E são redes de um tipo particular, as redes livres de escala: em todas, absolutamente todas, um pequeno número de nós (elementos) possui um número absurdo de elos, Links, relações com um número assombroso de outros nós/elementos. E uma grande maioria possui apenas um punhado de elos, links e relações.

O gráfico que desenha isso é um gráfico de lei de potência. Aquele mesmo que ilustra a cauda longa (Long tail). Soa familiar? É o velho e batido teorema de Pareto. Os 20% de Crisdias acumulam tanto capital social quanto os 80% de Cassanos, Zés da Silva e Joe Does que completam a blogosfera.

Imagine um exemplo bem prático: seu bairro tem três açougues. Um deles tem ótima reputação, a carne é ótima e o açougueiro é gente boa. Os outros dois são uma porcaria e a carne é de procedência duvidosa. Ora, você aceita até pagar mais caro pelo açougue do gente-boa. Agora, se os três açougues são ótimos, com reputação, carnes incríveis e açougueiros seus amigos, você pode comprar em qualquer um. E vai, provavelmente, optar pelo mais barato, ou pelo mais perto de sua casa. Isto é: quando todo mundo tem muito capital social, a sociedade como um todo é rica, mas individualmente todos são pé-rapados de wuffies, a moeda virtual citada pelo Cris em sua palestra. Capital social é elemento de diferenciação.

Mas será que tudo o que pesa no capital social é regido pela mecânica das redes? Quase tudo. As mesmas teorias que explicam as redes livres de escala mostram que elas são assim porque os links que têm mais, tendem a ganhar mais. Cada vez que o Cris é chamado para um evento, ele ganha capital social (“ih, olha lá aquele blogueiro que deu certo…”). Na hora de fazer um evento e escolher os blogueiros a chamar, matematicamente, o Cris tem mais chances de ser chamado do que a gente, porque a tendência é a pessoa chamar aquela que já recebeu mais convites. Quanto mais conhecidos ele tem, maior a chance de ele ser apresentado a mais pessoas. Quanto mais trabalhos/negócios legais ele fizer, maior a chance de fazer outros trabalhos/negócios bacanas.

É por isso que os ricos tendem a ficar mais ricos. Os famosos, mais famosos. Os “pegadores”, pegando mais gente.

Então é o fim? Devo parar de blogar? Fugir da internet? Claro que não. Primeiro, porque estatisticamente é difícil, mas longe de impossível, ser um Crisdias. O tal 80/20 de Pareto é mais um exemplo do que uma fórmula matemática precisa, mas vamos lá: nesse raciocínio você teria, mais ou menos, 20% de chance de virar um Crisdias. Nada desprezível. Só não há a menor possibilidade de você, todos os seus amigos e os amigos de seus amigos virarem Crisdias. Só com clonagem.

Segundo, porque o Cris estava certo. Existem mil formas de capital, todas até mais importantes que a mera monetização dos blogs. E terceiro, porque não é preciso ser um Crisdias para ser um blogueiro/ blipeiro/ twitteiro/ qualquercoisazeiro realizado profissionalmente. O que explica isso é outra característica das redes sociais: se você pegar um pedacinho de uma rede livre de escala e “olhar no microscópio”, ela apresentará a mesma estrutura da mãe. Isto é, não importa a escala (se você está olhando 10%, 50% ou 100% dela), ela terá o mesmo desenho: alguns poucos hubs mega-conectados e uma maioria pendurada na rede por alguns fios.

O que isso quer dizer? Muita coisa. A internet não é uma mídia de massa. Não é comunicação de massa, mas o império da massa de comunicadores. Não existe uma Meca na internet para onde todo mundo olhe ao mesmo tempo. Mesmo o Crisdias é um ilustre desconhecido pra muita gente. Isso acontece porque o mundo – não faz mais sentido separar mundos online e offiline, é tudo a mesma coisa – é assim. Um conjunto de zilhões de pequenos, complexos e incríveis mundos.

O movimento dos busólogos (apaixonados pelo estudo dos ônibus urbanos) certamente tem seus Crisdias. Os médicos também. Os analistas de capital de risco, os umbandistas, os fãs de Maria Rita, os punks, os funkeiros, os palmeirenses e os abraçadores de árvores. Existe, até mesmo, o Crisdias dos bebedores de Santo Daime.

Afinal, para cada Carlos Slim tem sempre uns dez Eike Batistas. E, convenhamos, não é nada mau ser um Eike Batista.

Sou+Web debate Redes Sociais no Rio

Recebi este aviso para mais um evento dedicado às Redes Sociais e compartilho com a turma. Até porque o sempre gente boa Nepô vai participar.

Neste sábado, dia 18, acontecerá o segundo debate do Sou+Web (série de eventos mensais sobre Marketing e Comunicação na Internet, promovidos pelo curso de Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Marketing Digital, da Facha).
O bate-papo irá de 10h ao meio-dia, no auditório da Facha (Rua Muniz Barreto, 51, Botafogo, Rio de Janeiro). Ofereceremos sucos, café e biscoitinhos doces e salgados para quem quiser nos acompanhar num café-da-manhã e trocar idéia antes do debate (basta chegar um pouquinho antes das 10h).

O tema será:
Redes Sociais como ferramenta de marketing
Comunidades, Orkut, Facebook, Twitter, Digg, Delicious, Blogs… como estão usando estas ferramentas para comunicação e marketing online?

Estou feliz por ter conseguido juntar três profissionais mega-feras que são muito admirados e respeitados no cenário de internet no Brasil:

Carlos Nepomuceno
Jornalista formado pela PUC-RJ, mestre em Ciência da Informação pela UFRJ, doutorando pela UFF e especialista em informação no ciberespaço, pela Internet Society no Havaí. Consultor de tecnologia para o Sebrae, IBAM e Petrobrás. Professor do MBA do Crie/Coppe/UFRJ e autor do livro “Conhecimento em Rede”. Idealizador do Instituto de Inteligência Coletiva, e do primeiro software livre brasileiro para criação de redes sociais.

Cristina Dissat
Jornalista formada pela UFF, trabalhou com jornalismo de moda nas revistas Desfile, Amiga, Manchete, Fatos e Fotos e Criativa. Desde 1989 atuando em jornalismo científico, passou a se especializar em conteúdo web a partir de 1995. Referência nacional em conteúdo digital na área de saúde e Membro da Academia Ibest de Imprensa por duas vezes e, em 2008, foi da Academia Ibest. Em 2004 criou o blog Fim de Jogo, que acompanha o que acontece nos arredores do Maracanã em dias de jogos e grandes eventos. É a única blogueira credenciada pela Suderj, que acompanha regularmente as coletivas convocadas pela Secretaria.

Raphael Perret
Formando em jornalismo pela UERJ e mestre em Informática pelo NCE/UFRJ, na linha de pesquisa de trabalho colaborativo. Professor do curso de pós-graduação de Gestão em Marketing Digital na Facha. Pesquisa a área de Comunicação Digital, com foco em jornalismo online, blogs e redes sociais. Mantém o blog Butuca Ligada. Tem artigos e reportagens publicadas em veículos como Jornal do Brasil, Jornalistas da Web, Comunique-se e Webinsider. Trabalhou na Prefeitura do Rio de Janeiro. Atualmente, atua na área de Comunicação Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Cada um dos convidados irá apresentar suas idéias em 20 minutos. Em seguida, abriremos para perguntas e interação com o público.

O evento é gratuito, basta enviar pedido de inscrição por email (para nino.carvalho@gmail.com) até a sexta-feira, dia 17 (nós enviaremos um reminder):

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Qual cargo
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Apresentação do Frogcampus exibida no Blogcamp-RJ

Atendendo a pedidos, a apresentação do Frogcampus, circuito de palestras que fazemos em universidades, e que acabou sendo exibida, meio que no improviso, no Blogcamp-RJ.

Frogcampus

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Feed-se especial Democracia

Revista Feed-seFoi lançada durante o Blogcamp-RJ a edição especial da revista Feed-se, com o tema “Democracia”. O momento não poderia ser mais oportuno, visto que as eleições se aproximam e temos vivido recentemente os altos e baixos do mais democrático de todos os meios de comunicação, a rede.

Leitura obrigatória, até porque é rápida e pra lá de prazerosa.

Esta edição tem, inclusive, a modesta contribuição deste que voz fala, com uma versão revista e ampliada de um post aqui do Brogue, sobre o pouco explorado poder da Gentileza na blogosfera.

Chega lá. É grátis.

Valeu Nikiti!

FrogCampus
Foi show ontem o bate-papo com estudantes de publicidade (e uma de jornalismo) na UFF, em Niterói. Acabamos passando a versão completa da apresentação do Frogcampus e ainda deu para falar um pouco sobre o “casamento” sexo e mídias sociais.

Obrigado, galera, pela atenção e carinho. E obrigado Adilson Cabral, fera que transita suavemente entre séculos na Ciência Política e na Publicidade.

Como planejar sua estratégia em mídias sociais pensando em sexo?

Seguindo a série de dicas de mídias sociais para neófitos, uma breve apresentação sobre como escolher a estratégia ideal para sua marca/produto. Para ajudar, uma analogia com um assunto de grande interesse.

Por uma agenda positiva da blogosfera

O surreal equívoco da Justiça, que tirou do ar o site errado numa tentativa de passar a régua no Twitter inteiro por causa de um perfil falso foi o estopim para uma rápida e poderosa mobilização da blogosfera. Isso prova o total despreparo da Justiça brasileira em lidar com o tema, assunto que foi exaustivamente debatido em diversos blogs ao longo de poucas horas. Da Raquel Recuero veio uma das melhores definições do que acontecia: “é como demolir a cidade porque pixaram um muro”.

Mais do que a bizarrice da situação, o que me chamou a atenção foi essa força e agilidade em “defender a cidade”. Mesma energia que conseguiu mais de 100 mil assinaturas à petição contra a lei de cibercrimes, conduzida pelo diligente Caribé. Uma agenda positiva. Uma agenda construtiva.

É disso que tenho sentido falta. Não estou falando em transformar blogs e twitters em um chatíssimo congresso do Partido Comunista. Estamos aqui para falar de bizarrices, de virais, mussumdays etc. A web é isso. Trabalho e diversão. Os dois ao mesmo tempo.

Mas vejo muita, mas muita energia sendo gasta em agendas negativas. Num prazer quase mórbido de apedrejar o trabalho alheio. Em apontar erros e meter dedos nas feridas de empresas, marcas, agências. Não precisa ser cordeirinho. Não precisa aceitar qualquer proposta caracu. Mas será que essa nossa arrogância disfarçada de “independência a qualquer custo” não pode nos levar a uma karma police? Vamos jogar os infiéis e compradores de posts na fogueira?

Porque a gente não faz como o Caribé e direciona toda essa energia pruma agenda positiva? Que trate de temas como meio-ambiente, como segurança, como educação. Que crie virais do bem. Deve ter um jeito de fazer isso sem abraçar árvores ou fazer passeata vestido de branco em Copacabana. Deve ter um jeito de agir sem cair no estereótipo da “classe média indignada”.

Vamos nessa? Vamos mostrar nossa força? Vamos melhorar o mundo (ou o Brasil, ou nossa cidade, ou nossa empresa) um clique por vez? Um post por vez? Um tweet por vez?

Não gosto de mídia social

É verdade. Não gosto. Do nome. Cansa a quantidade de vezes em que temos que explicar que mídia social não tem nada a ver com ONGs, abraçar árvores ou apoiar a pastoral do menor. E social tem, pra nós brasileiros, essa eterna associação humanitária-assistencialista.

E o problema não termina aí. Mesmo quando as pessoas entendem o social pelo lado de “fazer social”, ou seja, de coisas que se faz junto de outras pessoas, há quem interprete o “mídia” como sinônimo de “aquilo que os profissionais que trabalham com Excel fazem para publicar ou veicular em revistas ou TV a criação dos criativos”. Há muita gente que entende mídia social simplesmente como uma opção barata e moderna ao banner. Ou ao quadradinho no jornal. Ou à meia página. Ao spot de 30 segundos.

Não vou dizer que a mídia social não ajude nesse sentido. As ações de seeding, que a cada dia chegam mais, são isso. Alguém cria um produto ou campanha e recorre às agências de mídia social para escoar essa mensagem como parte do plano de mídia. Já fiz isso pelos dois lados (pela agência que cria e pela que escoa) e a coisa existe e, quase sempre, funciona.

Mas mídia social é mais que isso. Muito mais.

Pra começar, mídia social é uma tradução meio capenga. Melhor seria “meio social”, no sentido de ecossistema social. Ou mesmo de sistema social, porque as redes sociais nada mais são do que sistemas onde todo mundo é administrador. Onde as conexões são feitas entre pessoas e não máquinas. O meio social é a matrix.

Mídia social pressupõe olhar a relação mensagem-consumidor-produto de forma radicalmente diferente. Matricial e complexa no lugar de linear. Pressupõe, portanto, repensar o lugar do consumidor na cadeia produtiva. Ele sai da ponta para estar presente de ponta a ponta. Isso vale pra publicidade, é claro, mas também para tudo quando é “P” do marketing.

Mídia social pressupõe repensar o papel dos veículos. Repensar o papel do mídia. E também da criação. Como é que você quer que a agência de mídia social propague um conceito ou produto que tem problema? Ou que é ótimo, só não foi pensado de forma a ser facilmente propagável?

Montar uma estratégia de mídias sociais é botar na equação uma complexa soma de fatores (quem serão os vetores, em que contexto, por que motivos) e criar uma rede de canos. Aí você fica prontinho, com seus canos a postos, esperando as esferas que o cliente ficou de entregar. Então o boy da empresa chega com um pacote cheio de cubinhos e fala “propaga aí”. Não rola. Os cubinhos vão ficar paradinhos entupindo teu cano e, depois, é você que entra por ele (e entala). Quando a estratégia de mídia social permeia desde o início da campanha, é melhor. Desde o início do produto, é ótimo.

Isso é mais que abraçar árvore. É mais que panfletar mensagens. Adoraria se tivéssemos um outro nome para “mídia social”. Um que fosse digno do tamanho daquilo que ele representa.