A cada conversa com um novo e fascinante desconhecido na Campus Party, a história era sempre a mesma. “Eu era publicitário. Agora trabalho com instalações digitais.” “Faço casemods para uns clientes.” A profissão do futuro não existe. Porque o futuro é um transitar entre saberes e disciplinas. O futuro é uma seqüência nervosa de cliques no Google. Para desespero de nossas mães, os nós do futuro não se graduarão com beca e diploma e seguirão suas carreiras. Eles construirão sua carreira. E as mães nunca vão entender o que exatamente seu rebento faz para ganhar a vida.
Isso a gente já vê. Eu era jornalista. Sei lá o que sou agora. As pessoas que se juntam a nós também não sabem o que são. Sabem do que gostam, e sabem do que sabem. E sabem que isso não se parece com nada que se aprenda na universidade.
Saber e fazer uma coisa só é pouco demais. A geração que nasceu com internet está chegando ao mercado de trabalho. Um dos dois (o jovem ou o mercado) não será mais o mesmo daqui pra frente.
Para empreendedores e executivos, o desafio está em saber como recrutar. Avaliar o quê? Como? Que testes estabelecer? Onde procurar? Em que faculdade encontramos gestores de comunidade? Engenheiros sociais? Arquitetos de interação? Em nenhuma. Em todas.
Aos poucos o preconceito com os novos e específicos cursos de graduação (como o curioso curso de Gestão do Carnaval, da Estácio de Sá) vai cair, porque no fundo o que faz diferença sempre foi e sempre será a pessoa. E a quantidade de coisas que ela quer fazer.
Desculpem pelo título 90% em inglês. Mas é por uma ótima causa. O Videolog.tv, da heróica dupla Edson Mackeenzy e Ariel Alexandre anunciou hoje durante a Campus Party a versão 3.0 de seu site. Para quem não sabe, o Videolog é tão pioneiro que antecede até mesmo o todo-poderoso Youtube.
Além de investir na criação de comunidades (o grande mote do momento), o site traz uma novidade de peso: o upload e a transmissão de vídeos em High Definition (HD). Pude ver uma demonstração, com o vídeo rolando em tela cheia e a coisa é mesmo de babar. Parabéns pra dupla.
1 - O clima é incrível. Manadas de criatividades desenfreadas pululam pelo pavilhão. 2 - Chama a atenção o grande número de Macs e Vaios. Laptops em geral são a maioria. 3 - Há meninas geek também! Imaginei encontrar um clube do bolinha. 4 - A sensação é de segurança total. As pessoas deixam laptops ao relento e, ao que parece, eles ficam bem. 5 - Estranho como num evento Geek, palestras para iniciantes (como Second Life e Podcasts) atraem bons públicos. 6 - Ronaldo Lemos é o cara. Excelente palestra sobre um dos temas que mais me interessam: Creative Commons e direitos autorais na internet. 7 - Todo mundo criando agora. Câmeras, filmadoras, bloggers por toda a parte. Destaque especial para o LiveStream da galera gente-boa do BlogBlogs. Virou o muralzão do evento. 8 - Sabotaram a turma de astronomia. Última área no pavilhão, fica com palestras quase desertas apesar dos temas bem bacanas. 9 - Já a palestra do velho amigo Pedro Dória tem casa cheia, falando sobre produção coletiva. 10 - A turma de robótica é a mais bizarra. Quando crescer vou ser um deles. 11 - E dá para fazer negócios também (viu chefe?)! Muitas trocas de cartões, encontros com galera do mercado e a descoberta de profissionais para nos ajudar a surtar cada vez mais com soluções de comunicação digital.
Acabo de chegar à Campus Party Brasil, em São Paulo. Está cedo e, pelo visto, a galera ainda está nas barracas, acampada no terceiro andar do pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. Tudo está meio vazio, e as equipes de TV aproveitam para filmar os nerds, seus computadores tunados e os jogos que rodam neles. Procurei uma bancada, pluguei o cabo de rede no Vaio e me conectei a uma velocidade indecente. Simples assim.
Olha uma das belezocas que acabo de encontrar:
Um velho de guerra CP 500, da Prológica (fabricado nos anos 80), transformado por Rogerio Rossi (de Franca, SP), em um Core 2 Duo 2.2 Ghz, 160 Gb de HD, DVD RW e monitor LCD... Ficou ótimo. O dono ainda não apareceu. Deve estar dormindo.