Brogue do Cassano
 

29 Setembro, 2008  

Direito de resposta ao trema

Recebemos esta mensagem do trema e julgamos por bem, em nome da Ordem Democrática, publicá-la, na íntegra, neste Brogue:

“Prezados,

Não venho aqui encher lingüiça nem esbanjar uma eloqüência inconseqüente. Estou tranqüilo quanto ao papel que venho desempenhando na sociedade, da qual tenho sido vítima com freqüência de ataques.

Não sou menino. Vivi e vi muito. Desde 43 que perambulo por estradas e ditongos da vida. Que o diga o U, este grande amigo a quem não me canso de garantir que tenha voz neste mundo de crescente exclusão.

Também o diga o Müller, outro grande defensor de minha carreira, bem como todo o nobre povo alemão, este sim um apreciador do chucrute, da música clássica e do legítimo trema germânico.

Ao ver decretada assim minha expatriação, penso nesse povo sem memória e sem afeto. Desterraram seu último e apaixonado imperador e agora me trocam por kas, dáblius e ipsilones representantes do imperialismo saxão. Sempre suspeitei que minha morte ou exílio estavam sendo há décadas tramadas por alguém.

Não sabia se pelos comunistas, pelos socialistas, pelos capitalistas ou pelos fãs de Marylin Manson. Agora eu sei. Foram os dáblius, esses vês pervertidos que sempre andam de mãos dadas, em plena luz do dia. Caracteres pederastas, esses dáblius. Pederastas e traidores. Quem me lê sabe se tem a mão ensangüentada.

Me espanta a hipocrisia destes mesmos abraçadores de árvores e defensores da ecologia e do seqüestro de carbono tirarem dessa forma o acento e o acalento dos pingüins. Agora eles têm de agüentar. Por um, por dez ou por cinqüenta anos. Até o fim de tudo. Verão, na pele, a falta que um trema faz, delinqüentes ortográficos, seres de índole eqüina.

Vou-me. Partirei de volta para o velho mundo, onde ainda há espaço para tremas, lamparinas e fados tristes. Saio desta vida para a ubiqüidade.”

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12 Maio, 2007  

Rapidez, discrição e precisão

Potato potato potato pota... Desligou o motor, desmontou e entrou na cidade à pé, segurando a moto pelo guidão, envolto pelo criquilar dos grilos e pelo barulho das próprias botas chapinhando nas poças sobre a terra enlameada.

A rua principal estava deserta e escura. Apenas a lua e o frágil cintilar das velas e luzes de leitura que escapavam pelas janelas com cortinas de renda. Se tivesse um coldre, estaria tateando as ancas só para se certificar se sua Colt estaria no lugar, tão forte era o clima de faroeste na cidadezinha.

Mas ele não tinha um coldre. Parou e tirou do bolso da camisa um papel amassado e molhado pela chuva. Conferiu o número e buscou por referências nas fachadas das casas de madeira. Número 66. Encostou a Harley na lateral, ao lado de um canteiro de rosas, e desamarrou sua maleta da garupa.

Guardou o papel no bolso e tirou um relógio antigo de algibeira. Dez para meia-noite. Por pouco não se atrasara. Deu a volta e olhou de novo para a fachada. No segundo andar, a única janela estava aberta e a cortina de rendado branco se agitava como uma flâmula.

Limpou as botas no capacho de xaxim. Tocou de leve a fria maçaneta. Um calafrio percorreu todo seu corpo. Sacudiu a cabeça e fez o sinal da cruz. Girou. A porta se abriu. Passou pela cadeira de balanço, onde uma almofada de costura repousava perfurada por agulhas como uma boneca vodu. Notou, na penumbra, os belos pratos de louça na cristaleira. Subiu devagar a escada, com cuidado para não deixar a madeira traiçoeira ranger.

A porta do quarto estava aberta. Depositou a maleta em uma cadeira sob a janela. Puxou a cortina para dentro e fechou-a delicadamente. Sobre a cama de viúva, cansada de tanto se debater, dormia uma moça de uns 20 anos, de pele branca e longos cabelos negros, camisola de pano grosso, amarrada pelos pulsos e pés.

Constantino abriu a maleta. Pegou o incensário e depositou certa quantidade de cânfora nele. O cheiro do incenso rapidamente se espalhou pelo quarto, em espiral, como espíritos flanando pelo éter. Pegou a Bíblia, a abriu e começou a rezar em voz baixa.

Por fim, pegou a pistola. Enquanto atarraxava o silenciador, se aproximou da cama. Era uma bela jovem. Não era de se admirar que o demônio a tivesse possuído. E que todas as tentativas de exorcismo tenham falhado. Não houve qualquer sucesso, e era por isso que ele estava ali. Ele era chamado sempre que as coisas davam errado.

Aquele era seu trabalho. Rapidez, discrição e precisão eram as características. O tiro acertou a testa, a meia distância dos dois olhos. Guardou a pistola e o incensário, enquanto o sangue ensopava o travesseiro. Terminou suas orações e caminhou para a porta.

Quando entrou no beco ao lado da casa, notou uma luz acessa no sobrado da frente e sentiu o aroma de incenso no ar. Ele poderia ter sido visto. Abriu rapidamente a maleta, jogou a pistola num monte de lama e escondeu o punhado de cânfora no tanque de sua Harley.

Puxou a moto até a rua, montou e ligou o motor. Tirou do bolso um papel molhado e amassado e memorizou outro endereço. Rapidez, discrição e precisão. Tudo que um padre como ele precisa. Acelerou. Potato potato potato...

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21 Março, 2007  

Mais contos de apenas seis palavras

O título deste post tem seis palavras, mas não é um conto. O que, então, faz com que uma frase de seis palavras seja um micro-conto? O fato de, magicamente, elas terem uma história, uma ação, um sentimento, uma imagem na mente, a imaginação do que se sucede ou do que aconteceu antes... experimente. Crie os seus!


Papai, papai! Olha ali um tsunami!

O navio seguiu, alheio ao iceberg.

Amou-a em segredo até a morte.

No último dia de vida, choveu.

Apertou o gatilho. Depois se arrependeu.

Logo ele que refutava os ETs...

O dragão pousou no Planalto destruído.

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08 Fevereiro, 2007  

Helen Sue

Helen Sue acordou deprimida, magneticamente atraída pelo frasco repleto de Prozacs. Fechou os olhos, apertou os dedos sobre a colcha de cetim azul-turquesa, encheu o pulmão de ar e gritou para que todos os seus neurônios pudessem ouvir:

– Eu posso ser amada! Eu serei amada! Eu... serei... amada!!!

Então fez escova. Maquiou-se como se fosse a um casamento. Depois de quinze trocas, escolheu a sua roupa mais matadora. Pegou sua bolsa e foi para a rua.

Parou no ponto de ônibus, girando sobre o próprio eixo para evitar que o vento estragasse seu penteado. Fez sinal. Então sentiu alguém tocando de leve sobre seu ombro. Mal se virou, e uma voz masculina, firme, forte e destemida fez a pergunta. Não uma pergunta qualquer, mas a pergunta pela qual Helen Sue havia esperado por toda sua triste vida:

– Você acredita em amor à primeira vista?

O coração disparou. 100, 200, 300, um milhão de batidas por minuto... seu coração poderia fazer o ônibus que parara em vão para Helen dar a volta na Lua e voltar. O homem era lindo, e a olhava fixamente nos olhos esperando por uma resposta, que veio num grito a plenos pulmões:

– Sim! Sim! Acredito!

Então ele marcou um “X” num formulário sobre uma prancheta, agradeceu educadamente e foi embora, com seu crachá do Ibope.

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14 Janeiro, 2007  

Máfia russa


43º andar
Sempre soube que ter escritório em andar alto era um bom negócio.

42º andar
Bela vista, as formiguinhas andando lá embaixo... acho que aquilo é um caminhão.

41º andar
Gerenciamento de crises... por que eu faltei essa aula mesmo?

40º andar
Ah, lembrei. Fui sair com a Joana. Nossa, que peitos!

39º andar
Eram tão bons assim? Valeram a pena?

38º andar
Gerenciamento de crises ou aqueles peitos?

37º andar
Os peitos, claro. Os peitos...

36º andar
Eles deveriam ter sido mais compreensivos. Com ou sem gestão de crises.

35º andar
Porra, um milhão não é tanto dinheiro assim...

34º andar
Como se eu só valesse um milhão! Eu valho mais que isso.

33º andar
Caramba! Aquilo era um urubu?

32º andar
Se bem que a Joana disse que eu não valia nada...

31º andar
Mas mamãe disse que eu era um gênio.

30º andar
Meu pai me achava criativo.

29º andar
Uma vez minha irmã jogou meu autorama da janela.

28º andar
Tudo porque meu Falcon matou a Barbie dela.

27º andar
A Joana me deixou por causa da Angélica.

26º andar
Aquilo de anjinho não tinha nada...

25º andar
Se eu tivesse ido à aula de gestão de crises ainda teria meu autorama.

24º andar
Se eu tivesse ido à aula de gestão de crises ainda teria a Joana.

23º andar
Mas seu eu tivesse ido à aula eu nunca teria pego a Joana.

22º andar
Escolhas... a vida é cheia de escolhas.

21º andar
O terno, por exemplo. Um Armani teria rasgado?

20º andar
Não era para esses ternos terem um reforço na perna?

19º andar
Mas não... tinha que comprar um mais barato...

18º andar
O infeliz aluga um escritório no 43º andar e compra terno vagabundo.

17º andar
Isso nem é nada. O pior é apostar 1 milhão de dólares num negócio furado.

16º andar
As formigas estão aumentando... parecem uns ratos zanzando.

15º andar
Gente de longe é muito feio. Parecem umas bolas de pelo perambulando.

14º andar
Pior é quando o milhão nem era seu.

13º andar
Nego não tem espírito esportivo, é foda. E por que me seguraram pela porra da calça?

12º andar
Não tem mais diálogo no mundo... todo mundo estressado.

11º andar
A gente deveria amar mais o próximo... saber perdoar.

10º andar
Joana, me perdoa!

9º andar
Eu perdôo minha irmã. O autorama não era tão legal assim.

8º andar
Eu perdôo o professor de gerenciamento de crises.

7º andar
Como ele ia adivinhar?

6º andar
Se bem que não custava nada dar a aula extra.

5º andar
Não passei no concurso por causa disso.

4º andar
Aí acabei me metendo com gente errada.

3º andar
Agora é tarde... tarde mesmo.

2º andar
Nunca mais me meto com a máfia russa.

1º andar

* * *


Baixe aqui o conto em formato PDF.

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13 Janeiro, 2007  

Paranoid Android - o conto

Tem conto novo na área!!!

Este é o primeiro de uma série que batizei de "Letras do disco": pequenas histórias que usam como argumento as letras de músicas de álbuns que marcaram minha vida. Ok Computer, do Radiohead, é o primeiro.

Clique aqui e baixe "Paranoid Android", minha modesta homenagem a este disco de 1997, eleito por diversas publicações como o melhor da década de 90. Com justiça.

Saiba mais sobre Ok Computer no Last.fm.

Leia o conto.

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21 Dezembro, 2006  

Seis bebês... - Capítulo 15 - O FIM

Enfim, o fim de tudo. Confira agora o derradeiro capítulo da saga colaborativa mais confusa da galáxia.
Se tiver perdido o fio da meada, baixe o PDF completão com o texto completo do conto escrito por mim e por Leonardo Paiva.

Capítulo 15 – Todo fim tem um começo (e vice-versa)

Balbúrdia. Todos querem falar ao mesmo tempo. Bolinhos de chuva voam pelo espaço sideral. Pedaços de Belo Horizonte flutuam pelo nada, rodopiando serenamente sobre a imensidão estrelada. Parece o cenário do fim do mundo, mas não é. Na verdade, é o cenário de dois minutos depois do fim do mundo.

A Assembléia reúne a cada Aeon todos os departamentos, diretorias, gerências e sub-suplentes envolvidos na reformatação dos planetas alinhados à Corporação. Miguel, ainda vestindo o corpo de um mexicano caliente, discute calorosamente com o corpo furado de bala de Suzanne Cooper. Rose Shelley circula pelo ambiente, completando xícaras de chá que bóiam sobre o éter, oferecendo bolinhos que volta e meia cismam de sair voando de sua bandeja.

Um bebê brasileiro protesta com a boca cheia de guloseimas, e farelos voam pela galáxia. Johnny Hellmont, no corpo de Johnny Hellmont, tenta se livrar do bebê sem-nome de Vanildo e Amarilda, que questiona seus métodos para influenciar o resultado da formatação. Caminha pelo nada até bater de frente com um africano com longas tranças grisalhas. Olha para Yohana, dá meia volta, estica a perna para passar por cima do bebê e caminha para perto da Mesa da Presidência. Sobre a mesa, uma galáxia em forma de olho gira solenemente.

– Protesto! As máquinas foram beneficiadas! – brada um dos bebês queimados por Suzanne.
– É. Nós nem tivemos chance!!! É a primeira vez que isso me acontece... – pondera outro bebê. Johnny pega três estrelas do firmamento e começa a fazer malabarismos.
– Contra o estatuto reformulação está – afirma Yohana, batendo com seu cajado sobre Júpiter. – Topetudo descumprir regulamento.
– Que descumpri o quê, ô Steven Seagall. Não tinha que tacar um neném no vulcão? Taquei um neném no vulcão. Não tinha que explodir o planeta? Então explodi...
– REFORMATAR.
Silêncio. Quando Ele fala, é bom escutar. A galáxia em forma de olho prossegue:
– REFORMATAR É O PLANO. REFORMATAR É O PROCESSO. NÃO DESTRUIR A CRIAÇÃO. ALGO SAIU ERRADO.
– Eu disse! – gritam uns três.
– Eu sabia! – berram outros dois.
– Eu disse que sabia! – bradam os demais.
– Quem quer mais bolinho? – pergunta Rose Shelley.
Johnny olha para a galáxia em forma de olho. Acha que reconhece aquela voz de algum lugar, mas não se lembra de onde.
– Quem é o rosquinha, hein?
– SOU O CRIADOR. DE TUDO. MÁQUINAS E HOMENS. PLANETAS E ESTRELAS. PARA VOCÊ, SOU HÉLIX
– Helinho, camarada... bem que tava te reconhecendo... você deu uma engordada né, mas ficou bem legal...
– CALE A BOCA.
– Tá. Valeu.

Johnny recua até perto de Europa (a lua de Júpiter, não o continente, que nesse exato instante entra em órbita ao redor do Sol nas vizinhanças do Cinturão de Orth). A balbúrdia recomeça. Todos os representantes de departamentos estão visivelmente contrariados.

– Olhem só para isso!!! Era para termos recomeçado tudo numa boa, tranqüilos... – explana o bebê de Vanildo e Amarilda, fumando um charuto. – nem naquela Era Glacial que o Departamento de Clima e Expectativas criou por engano foi tão problemática!
– O bebê brasileiro, representante do departamento de Clima e Expectativas, partiu para cima do outro, sendo erguido pela fralda por Miguel.
– Olha galera... o papo aqui tá bom, o chazinho tá maneiro, né gatinha?, – diz o anjo mexicano, dando uma piscada de olho para Rose Shelley – mas eu tenho mais o que fazer... tem um zilhão de planetas por aí com porrada comendo solta e com umas mulheres... hmmm... de outro mundo.... anh... er... arram. Então? Dá para decidir ou tá difícil?

Silêncio. Se o momento é de decisão, isso é tarefa para o chefe. Hélix se manifesta.

– QUANDO JOHNNY JOGOU SEU BEBÊ NO VULCÃO, OUTROS DOIS BEBÊS, QUE LUTAVAM PRÓXIMO AO CUME, TAMBÉM CAÍRAM DENTRO DELE. ISSO CAUSOU A INSTABILIDADE TEMPO-ESPACIAL.
Silêncio de novo. Todos esperam que Hélix conclua seu pensamento, até porque a instabilidade tempo-espacial explica muita coisa mas não resolve nada.
– E? –Johnny se atreve a perguntar.
– E, POR ISSO, A REFORMATAÇÃO NÃO VALEU.
– Recomeçar processo Hélix precisa –argumenta Yohana. – E sem interferências. – Completa, olhando para Johnny, o “Deus das máquinas” de Hélix, que apesar de sua obrigação de isenção parece ter mexido seus pauzinhos mágicos para determinar o final de uma história que fugiu até mesmo a seu controle.
– COMO QUISEREM. SEM INTERFERÊNCIAS. SESSÃO ENCERRADA.

* * *


O Sol brilha com força sobre o deserto. O mamute bebe água tranqüilamente numa poça ao lado de um cactus gigante quando vê um brilho estranho sobre a superfície da poça. Olha para frente e leva um baita susto quando vê um mexicano correndo atrás de uma neanderthal com uma espada flamejante nas mãos. O mamute ergue seus chifres, recua e esbarra no cactus gigante, saindo em disparada.

As passadas do mamute apressado fazem a caverna de Vanildo Sapiens e Amarilda Sapiens tremer. Com isso, o desenho de pequenos morcegos (que obviamente ainda não surgiram na cadeia evolucionária) que Vanildo faz na parede fica total e completamente borrado. Ele sai para ver do que se trata.

Amarilda o segue, curiosa. O mamute passa por eles e some no horizonte. Vanildo pede a Amarilda que busque água no riacho que passa em frente à caverna. Ela obedece. Quando se abaixa, se encanta com formas coloridas que começam a surgir na superfície. São galáxias, que giram e rodopiam sem parar. Então aparece uma grande galáxia em forma de olho.

Amarilda gosta do que vê. E aquela imagem a inspira a criar coisas. Não pinturas na parede ou roupas com pele de tigres dente-de-sabre. Coisas com madeira, com pedra. Coisas mecânicas. Então ela se levanta e começa a imaginar que uma pedra redonda poderia ajudar a carregar coisas de um lado para o outro. E que uma pedra pontiaguda presa a um pedaço de madeira poderia dar uma boa ferramenta para cortar coisas.
Ela se levanta e começa a maquinar mais invenções. Na outra ponta do Cosmos, uma galáxia em forma de olho sorri.

FIM (ou melhor, recomeço)

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