Brogue do Cassano
 

13 Dezembro, 2008  

Verdade perdida no meio de tanta notícia

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05 Dezembro, 2008  

Coisas idiotas em que eu acreditava quando criança

Todos os helicópteros tinham uma lâmpada amarela na parte de baixo. E eles explodiriam se essa lâmpada encostasse em qualquer coisa.
(então por que diabos eles tinham essa lâmpada!?)

O ar passaria por qualquer mínimo buraco. Eu nunca morreria sufocado se tivesse uma agulha para fazer buracos em paredes, caixas, sacos ou qualquer coisa na qual estivesse dentro.
(ainda bem que nunca tentei provar a teoria)

Se eu desse voltas em torno do Sol, na direção contrária à rotação, e muito, muito rápido, eu voltaria no tempo.
(Muito Jornada nas Estrelas)

Se eu conseguisse um barril, um cano e uma bicicleta, eu conseguiria fazer um submarino para brincar na piscina de uma tia.

(Mais uma vez fui salvo por minha falta de iniciativa e pela dificuldade de se conseguir barris de madeira aos 10 anos de idade)

Cobrir o rosto com o lençol o protege de toda e qualquer ameaça.
(Imagina os policiais do Bope enrolados no lençol?)

Se todos os habitantes, carros, tratores e caminhões do planeta andassem ao mesmo tempo na mesma direção, poderíamos alterar a rotação do planeta.
(Hmm... errr... até provas em contrário eu ainda acredito nisso)

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29 Outubro, 2008  

Todos podem ser um Crisdias?

Durante sua apresentação na edição 2008 do Intercon, Cristiano Dias nos apresentou uma fascinante visão de um mundo onde o verdadeiro capital não é financeiro, mas social. O que o Crisdias fala tem peso. Tem peso porque ele tem capital social, o que só reforça sua tese.

Crisdias - Foto de Renato Targa - http://www.flickr.com/photos/rtarga/Capital social é “tudo aquilo que o dinheiro não compra” numa relação entre duas ou mais pessoas. Afeto, credibilidade, reputação, pertencimento... tudo isso tem valor, tudo isso transita pra lá e pra cá quando você faz um discurso, quando entra numa comunidade ou manda o link para aquele vídeo da Paris Hilton. E, em termos de capital social, o Crisdias é podre de rico.

Mas a pergunta que me fiz, vendo a bela palestra, foi: será que todo mundo pode ser um Crisdias?

No que depender das leis matemáticas por trás da internet, da sociedade, do mercado financeiro e até do metabolismo celular, não.
Mesmo que, subitamente, todos nós nos tornemos simpáticos, sagazes, inteligentes, sortudos, com boa reputação, totalmente “do bem” e bem relacionados (que é a “carteira de ações” que faz do Crisdias um Carlos Slim do capital social), isso não significa que todos nós nos tornaremos um Crisdias.

A explicação, na verdade, é bastante simples e assustadora: a natureza e nossa sociedade abominam a igualdade. Recorro ao pesquisador Albert-Lászlo Barabási para me socorrer. Em seu livro Linked, de 2003, ele nos revela avanços em nosso entendimento sobre redes complexas. A internet, a economia, as redes sociais (offline ou online), as rotas aéreas, os ecossistemas e o metabolismo celular são redes complexas. E são redes de um tipo particular, as redes livres de escala: em todas, absolutamente todas, um pequeno número de nós (elementos) possui um número absurdo de elos, Links, relações com um número assombroso de outros nós/elementos. E uma grande maioria possui apenas um punhado de elos, links e relações.

O gráfico que desenha isso é um gráfico de lei de potência. Aquele mesmo que ilustra a cauda longa (Long tail). Soa familiar? É o velho e batido teorema de Pareto. Os 20% de Crisdias acumulam tanto capital social quanto os 80% de Cassanos, Zés da Silva e Joe Does que completam a blogosfera.

Imagine um exemplo bem prático: seu bairro tem três açougues. Um deles tem ótima reputação, a carne é ótima e o açougueiro é gente boa. Os outros dois são uma porcaria e a carne é de procedência duvidosa. Ora, você aceita até pagar mais caro pelo açougue do gente-boa. Agora, se os três açougues são ótimos, com reputação, carnes incríveis e açougueiros seus amigos, você pode comprar em qualquer um. E vai, provavelmente, optar pelo mais barato, ou pelo mais perto de sua casa. Isto é: quando todo mundo tem muito capital social, a sociedade como um todo é rica, mas individualmente todos são pé-rapados de wuffies, a moeda virtual citada pelo Cris em sua palestra. Capital social é elemento de diferenciação.

Mas será que tudo o que pesa no capital social é regido pela mecânica das redes? Quase tudo. As mesmas teorias que explicam as redes livres de escala mostram que elas são assim porque os links que têm mais, tendem a ganhar mais. Cada vez que o Cris é chamado para um evento, ele ganha capital social (“ih, olha lá aquele blogueiro que deu certo...”). Na hora de fazer um evento e escolher os blogueiros a chamar, matematicamente, o Cris tem mais chances de ser chamado do que a gente, porque a tendência é a pessoa chamar aquela que já recebeu mais convites. Quanto mais conhecidos ele tem, maior a chance de ele ser apresentado a mais pessoas. Quanto mais trabalhos/negócios legais ele fizer, maior a chance de fazer outros trabalhos/negócios bacanas.

É por isso que os ricos tendem a ficar mais ricos. Os famosos, mais famosos. Os “pegadores”, pegando mais gente.

Então é o fim? Devo parar de blogar? Fugir da internet? Claro que não. Primeiro, porque estatisticamente é difícil, mas longe de impossível, ser um Crisdias. O tal 80/20 de Pareto é mais um exemplo do que uma fórmula matemática precisa, mas vamos lá: nesse raciocínio você teria, mais ou menos, 20% de chance de virar um Crisdias. Nada desprezível. Só não há a menor possibilidade de você, todos os seus amigos e os amigos de seus amigos virarem Crisdias. Só com clonagem.

Segundo, porque o Cris estava certo. Existem mil formas de capital, todas até mais importantes que a mera monetização dos blogs. E terceiro, porque não é preciso ser um Crisdias para ser um blogueiro/ blipeiro/ twitteiro/ qualquercoisazeiro realizado profissionalmente. O que explica isso é outra característica das redes sociais: se você pegar um pedacinho de uma rede livre de escala e “olhar no microscópio”, ela apresentará a mesma estrutura da mãe. Isto é, não importa a escala (se você está olhando 10%, 50% ou 100% dela), ela terá o mesmo desenho: alguns poucos hubs mega-conectados e uma maioria pendurada na rede por alguns fios.

O que isso quer dizer? Muita coisa. A internet não é uma mídia de massa. Não é comunicação de massa, mas o império da massa de comunicadores. Não existe uma Meca na internet para onde todo mundo olhe ao mesmo tempo. Mesmo o Crisdias é um ilustre desconhecido pra muita gente. Isso acontece porque o mundo – não faz mais sentido separar mundos online e offiline, é tudo a mesma coisa – é assim. Um conjunto de zilhões de pequenos, complexos e incríveis mundos.

O movimento dos busólogos (apaixonados pelo estudo dos ônibus urbanos) certamente tem seus Crisdias. Os médicos também. Os analistas de capital de risco, os umbandistas, os fãs de Maria Rita, os punks, os funkeiros, os palmeirenses e os abraçadores de árvores. Existe, até mesmo, o Crisdias dos bebedores de Santo Daime.

Afinal, para cada Carlos Slim tem sempre uns dez Eike Batistas. E, convenhamos, não é nada mau ser um Eike Batista.

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27 Outubro, 2008  

Livros que ainda vou escrever: Gambiarra

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23 Outubro, 2008  

Ode à gambiarra

Oh doce gambiarra,
tu que ao mundo amarra
emenda este pobre homem
que por tua ingeniosidade se domina.

Mãe de todos os improvisos
bombril de nossas antenas
faz de fio, corda
de uma tomada, três
um mundo com uma caixa apenas.

e se no final falta a rima
criativa, inventa uma palavra:
                      astrublecomiarra
e fecha rimando com gambiarra.

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Novos significados para "gambiarra"

A gambiarra é a melhor amiga do homem. É ela que permite a inovação e a perpetuidade da espécie. Sem ela não haveria o McGyver, por exemplo. Além de nos permitir fazer mil coisas, a gambiarra também pode assumir mil significados.

Gambiarra pode ser...

Um animal
"Uma gambiarra de três metros e 600 Kg encalhou na costa Sul de Santa Catarina..."

Um prato
"Hmmm... Vou pedir essa gambiarra à bolonhesa, com rúcula e tomate seco. Mas dá pra trocar o manjericão por orégano grego?"

Um jogador italiano
"Canavarro avança, toca para Gambiarra, tabela com Cassano e é gol. Gooool!!!"

Um remédio
"Pra curar essa micose você vai tomar uma gambiarra 500mg de 8 em 8h."

Um lugar
"Quando visitei Gambiarra ano passado choveu o tempo todo, mas os restaurantes eram ótimos"

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18 Outubro, 2008  

10 coisas para fazer se o Twitter acabar

1 - Compre um caminhão. Passe a escrever tudo o que você twittaria no pára-choque.
2 - Passe a falar seus tweets para estranhos. Por exemplo, vire-se para a senhora a seu lado no ônibus e diga: “Odeio festa em que servem Kovac. Pronto, falei”.
3 – Escreva seus tweets em post-its e prenda na geladeira. De tempos em tempos, fotografe sua geladeira e mande a foto para o Flickr.
4 – Descubra outras funções para seu celular. Como joguinhos ou telefonar, por exemplo.
5 – Dê mais atenção para seu abandonado agregador de RSS.
6 – Leia jornais. De preferência impressos, para evitar a eventual tentação de twittar alguma matéria específica.
7 – Compre uma lata de spray. Imortalize seus tweets em muros e paredes. Recomenda-se aprender Le Parkour e contratar um bom advogado.
8 – Volte a blogar.
9 – Sempre que vier uma vontade de twittar, o braço começar a tremer e você procurar o celular/PDA/smartphone/EeePC/laptop, pense “Só por hoje não twittarei. Só por hoje”
10 – Monte uma Herbalife para ex-twitteiros em abstinência. “Deixe de twittar agora. Pergunte-me como”.

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29 Setembro, 2008  

Direito de resposta ao trema

Recebemos esta mensagem do trema e julgamos por bem, em nome da Ordem Democrática, publicá-la, na íntegra, neste Brogue:

“Prezados,

Não venho aqui encher lingüiça nem esbanjar uma eloqüência inconseqüente. Estou tranqüilo quanto ao papel que venho desempenhando na sociedade, da qual tenho sido vítima com freqüência de ataques.

Não sou menino. Vivi e vi muito. Desde 43 que perambulo por estradas e ditongos da vida. Que o diga o U, este grande amigo a quem não me canso de garantir que tenha voz neste mundo de crescente exclusão.

Também o diga o Müller, outro grande defensor de minha carreira, bem como todo o nobre povo alemão, este sim um apreciador do chucrute, da música clássica e do legítimo trema germânico.

Ao ver decretada assim minha expatriação, penso nesse povo sem memória e sem afeto. Desterraram seu último e apaixonado imperador e agora me trocam por kas, dáblius e ipsilones representantes do imperialismo saxão. Sempre suspeitei que minha morte ou exílio estavam sendo há décadas tramadas por alguém.

Não sabia se pelos comunistas, pelos socialistas, pelos capitalistas ou pelos fãs de Marylin Manson. Agora eu sei. Foram os dáblius, esses vês pervertidos que sempre andam de mãos dadas, em plena luz do dia. Caracteres pederastas, esses dáblius. Pederastas e traidores. Quem me lê sabe se tem a mão ensangüentada.

Me espanta a hipocrisia destes mesmos abraçadores de árvores e defensores da ecologia e do seqüestro de carbono tirarem dessa forma o acento e o acalento dos pingüins. Agora eles têm de agüentar. Por um, por dez ou por cinqüenta anos. Até o fim de tudo. Verão, na pele, a falta que um trema faz, delinqüentes ortográficos, seres de índole eqüina.

Vou-me. Partirei de volta para o velho mundo, onde ainda há espaço para tremas, lamparinas e fados tristes. Saio desta vida para a ubiqüidade.”

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28 Setembro, 2008  

Feed-se especial Democracia

Revista Feed-seFoi lançada durante o Blogcamp-RJ a edição especial da revista Feed-se, com o tema "Democracia". O momento não poderia ser mais oportuno, visto que as eleições se aproximam e temos vivido recentemente os altos e baixos do mais democrático de todos os meios de comunicação, a rede.

Leitura obrigatória, até porque é rápida e pra lá de prazerosa.

Esta edição tem, inclusive, a modesta contribuição deste que voz fala, com uma versão revista e ampliada de um post aqui do Brogue, sobre o pouco explorado poder da Gentileza na blogosfera.

Chega lá. É grátis.

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21 Setembro, 2008  

Não sou Mac. Nem sou PC. Sou humano

Não uso Macs. Minto. Usei um eMac por alguns meses assim que cheguei a meu emprego anterior, em 2001. O computador com cara de lancheira estava sobrando, fui lá e usei. Não era ruim. Também não era bom.

Uso PCs. Meu atual é um Sony Vaio. Quase uma categoria distinta, dado o peso da marca, o design e a qualidade. Meu primeiro PC foi um 286 com monitor de fósforo âmbar (só tinha duas cores, preto e um marrom-amarelado).

Nessa época, um amigo que tinha um Amiga (o incrível computador da Commodore) me sacaneava a todo momento. Também pudera. O Amiga tinha um processador de som incrível. Tocava MODs e até sintetizador de voz tinha. Editava vídeo como ninguém, tanto que era o xodó dos filmadores de casamento. O Amiga tinha cores. Muitas cores. Também tinha um sistema com interface gráfica, folders e multitarefa. O sistema, o Workbench, cabia num disquete de 800Kb.

O Amiga era mesmo fantástico. E eu com meu 286 que só fazia beep-beep, jamais imaginou reproduzir um vídeo e que rodava "Príncipe da Pérsia" em seu MS-DOS.

Eu sofri, mas resisti. Porque aquele era meu computador e não tinha dinheiro para outro. Porque sentia que aquilo ali ia vingar. Sei lá. Porque sabia que, mesmo sofrível, o PC era um salto em relação a meu MSX. Que era melhor que meu CP-400. Que dava de dez em meu MC-1000 da CCE.

Insisti. 286, 386SX, 486, Pentium, Pentium II, Pentium III e por aí vai. O Amiga era cool. O 286 era como passar crachá para entrar em casa.

Mas, hoje, qual a diferença entre Mac e PC? Além da coolzisse da Apple, o que os difere?

Quer saber? Tanto faz. Tanto faz se é um Mac ou se é um PC. O que importa é: o que você faz com ele?

Taí uma boa pauta para anúncios da MS: Mostrar coisas incríveis, cool criadas por PCs. No final, só uma assinatura simples: "Seu computador é só um computador. Cool é o que você faz com ele". Ou algo assim.

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09 Setembro, 2008  

Por uma agenda positiva da blogosfera

O surreal equívoco da Justiça, que tirou do ar o site errado numa tentativa de passar a régua no Twitter inteiro por causa de um perfil falso foi o estopim para uma rápida e poderosa mobilização da blogosfera. Isso prova o total despreparo da Justiça brasileira em lidar com o tema, assunto que foi exaustivamente debatido em diversos blogs ao longo de poucas horas. Da Raquel Recuero veio uma das melhores definições do que acontecia: “é como demolir a cidade porque pixaram um muro”.

Mais do que a bizarrice da situação, o que me chamou a atenção foi essa força e agilidade em “defender a cidade”. Mesma energia que conseguiu mais de 100 mil assinaturas à petição contra a lei de cibercrimes, conduzida pelo diligente Caribé. Uma agenda positiva. Uma agenda construtiva.

É disso que tenho sentido falta. Não estou falando em transformar blogs e twitters em um chatíssimo congresso do Partido Comunista. Estamos aqui para falar de bizarrices, de virais, mussumdays etc. A web é isso. Trabalho e diversão. Os dois ao mesmo tempo.

Mas vejo muita, mas muita energia sendo gasta em agendas negativas. Num prazer quase mórbido de apedrejar o trabalho alheio. Em apontar erros e meter dedos nas feridas de empresas, marcas, agências. Não precisa ser cordeirinho. Não precisa aceitar qualquer proposta caracu. Mas será que essa nossa arrogância disfarçada de “independência a qualquer custo” não pode nos levar a uma karma police? Vamos jogar os infiéis e compradores de posts na fogueira?

Porque a gente não faz como o Caribé e direciona toda essa energia pruma agenda positiva? Que trate de temas como meio-ambiente, como segurança, como educação. Que crie virais do bem. Deve ter um jeito de fazer isso sem abraçar árvores ou fazer passeata vestido de branco em Copacabana. Deve ter um jeito de agir sem cair no estereótipo da “classe média indignada”.

Vamos nessa? Vamos mostrar nossa força? Vamos melhorar o mundo (ou o Brasil, ou nossa cidade, ou nossa empresa) um clique por vez? Um post por vez? Um tweet por vez?

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02 Setembro, 2008  

CIBT: Museu de grandes novidades - Odissey

Cartucho de Duelo no Velho Oeste, do Odissey

Tela de Duelo no Velho Oeste, do OdisseyEis que me deparo com um de meus jogos favoritos de Odissey (sim: Odissey, Fluminense, Pepsi e Bob's. Nunca fui com a maioria): "Duelo no Velho Oeste".

A mecânica era simples como a de todos os jogos da época: atire no seu adversário e torça para sua bala não bater numa das árvores. Caso contrário, ela vai começar a ricochetear e pode acabar matando você mesmo.

O jogo era garantia de horas de risadas com assassinatos bem-bolados e suicídios ridículos. Um clássico injustamente esquecido pelo tempo.
Tela de Duelo no Velho Oeste, do Odissey

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26 Agosto, 2008  

Não gosto de mídia social

É verdade. Não gosto. Do nome. Cansa a quantidade de vezes em que temos que explicar que mídia social não tem nada a ver com ONGs, abraçar árvores ou apoiar a pastoral do menor. E social tem, pra nós brasileiros, essa eterna associação humanitária-assistencialista.

E o problema não termina aí. Mesmo quando as pessoas entendem o social pelo lado de “fazer social”, ou seja, de coisas que se faz junto de outras pessoas, há quem interprete o “mídia” como sinônimo de “aquilo que os profissionais que trabalham com Excel fazem para publicar ou veicular em revistas ou TV a criação dos criativos”. Há muita gente que entende mídia social simplesmente como uma opção barata e moderna ao banner. Ou ao quadradinho no jornal. Ou à meia página. Ao spot de 30 segundos.

Não vou dizer que a mídia social não ajude nesse sentido. As ações de seeding, que a cada dia chegam mais, são isso. Alguém cria um produto ou campanha e recorre às agências de mídia social para escoar essa mensagem como parte do plano de mídia. Já fiz isso pelos dois lados (pela agência que cria e pela que escoa) e a coisa existe e, quase sempre, funciona.

Mas mídia social é mais que isso. Muito mais.

Pra começar, mídia social é uma tradução meio capenga. Melhor seria “meio social”, no sentido de ecossistema social. Ou mesmo de sistema social, porque as redes sociais nada mais são do que sistemas onde todo mundo é administrador. Onde as conexões são feitas entre pessoas e não máquinas. O meio social é a matrix.

Mídia social pressupõe olhar a relação mensagem-consumidor-produto de forma radicalmente diferente. Matricial e complexa no lugar de linear. Pressupõe, portanto, repensar o lugar do consumidor na cadeia produtiva. Ele sai da ponta para estar presente de ponta a ponta. Isso vale pra publicidade, é claro, mas também para tudo quando é “P” do marketing.

Mídia social pressupõe repensar o papel dos veículos. Repensar o papel do mídia. E também da criação. Como é que você quer que a agência de mídia social propague um conceito ou produto que tem problema? Ou que é ótimo, só não foi pensado de forma a ser facilmente propagável?

Montar uma estratégia de mídias sociais é botar na equação uma complexa soma de fatores (quem serão os vetores, em que contexto, por que motivos) e criar uma rede de canos. Aí você fica prontinho, com seus canos a postos, esperando as esferas que o cliente ficou de entregar. Então o boy da empresa chega com um pacote cheio de cubinhos e fala “propaga aí”. Não rola. Os cubinhos vão ficar paradinhos entupindo teu cano e, depois, é você que entra por ele (e entala). Quando a estratégia de mídia social permeia desde o início da campanha, é melhor. Desde o início do produto, é ótimo.

Isso é mais que abraçar árvore. É mais que panfletar mensagens. Adoraria se tivéssemos um outro nome para “mídia social”. Um que fosse digno do tamanho daquilo que ele representa.

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22 Agosto, 2008  

Top 5 melhores usos de “filho da puta” na música brasileira

1. Faroeste Caboclo – Legião Urbana
"Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é
E não atiro pelas costas não
Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha
Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão”
-- Simplesmente libertador. O que mais dizer pro safado que te mete bala nas costas? Me lembro quando essa música tocava na Rádio Cidade (RIP), e o f.d.p. era substituído por um apito. Aí era hora de cantar a plenos pulmões e, quando a mãe vinha brigar, a resposta era sempre a mesma: “É a música, mãe!”

2. Papai Noel Velho Batuta – Garotos Podres
“Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres.”
-- Pérola do punk brasileiro, esse hit dos garotos podres é sublime porque a letra NÃO fala f.d.p. Mas a rima é inevitável. E punk que se preze não despreza uma rima que termine com “uta”.

3. Filha da puta - Ultraje a Rigor
“Filha da puta
É tudo filho da puta.”
-- Pra mim, não tem Roberto DaMatta, não tem Vinícius, nem Gilberto Freire. O maior pensador e filósofo sobre o brasileiro é o Roger, do Ultraje. Essa música resume o que a gente pensa, se não dos brasileiros, mas dessa corja que nos governa.

4. Esporrei na manivela – Raimundos
“Entrei no trem, esporrei na manivela
Cobrador filha-da-puta me jogou pela janela”
-- Essa é a música com mais palavrões por metro quadrado do mundo. O legal aqui é que, perto dos outros termos na letra, o “filha-da-puta” chega a ser singelo. É quase um “papai me dá um abraço?”.

5. Vossa excelência – Titãs
“Senhores!
Senhores!
Senhores!
Minha Senhora!
Senhores!
Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!”
-- De novo, eles! Os maiores, os conhecidos. Os verdadeiros filhos da puta dessa terra de Cabral. Como se escreve f.d.p. na urna eletrônica?

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12 Agosto, 2008  

O que fazer se um alienígena com tentáculos aparecer na sua casa?

Flying_Spaghetti_Monster1. Esconda sua bateria e os discos do Phil Collins (ele pode querer exercitar seus 20 braços);
2. Esconda o controle remoto da TV;
3. Aproveite para limpar o video das janelas pelo lado de fora;
4. Disfarce-o como uma samambaia se chegar alguma visita;
5. Um espanador em cada tentáculo e sua casa logo virará um brinco;
6. Mas convém esconder louças e cristais (se você adotar a dica #5);
7. Chame o Fox Mulder (A Scully não vai acreditar em você);
8. Coloque o ET para fazer malabarismo nos sinais (faróis) de trânsito;
9. Dê um celular pra ele. Essa gente adora entrar na casa dos outros pra telefonar;
10. Corte a vodka. E o whisky. Evite fumar também. Se ainda assim o alienígena continuar na sua casa, entre em pânico.

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11 Agosto, 2008  

10 maneiras de se acender uma pira olímpica

Convenhamos: um dia as diferentes maneiras de se acender uma pira olímpica acabam. Já se acendeu tochas fazendo churrasco de pomba (88), com arco e flecha (92, mesmo errando o alvo), com uma pira-voadora (2004) e, agora, com um ginasta-empresário pendurado no ar.

Se o Rio quer mesmo ganhar e fazer bonito com as Olimpíadas cariocas, precisa inovar no acendimento da pira. Então, o CIBT vem aqui sugerir 10 maneiras criativas de se acender uma pira olímpica:

1. Com um balão
: sabia que havia algo de bom guardado nos balões que tanto incendeiam nossas matas nativas. O atleta acende a bucha do balão que sobe, sobe, sobe, desce, desce, desce... e acende a pira.
2. Girando o termostato: o atleta acende o “registro-geral-piloto”, gira o termostato e aperta o botão da estrelinha. Pã! Uma pira que é assim, digamos, uma Brastemp.
3. Por concentração de ex-BBBs. Imagine acumular umas 20 exs-BBBs numa pira de 5 metros quadrados. É fogo demais junto. Impossível a pira não se acender por auto-combustão.
4. Por um jogador do Botafogo. Simplesmente para não deixar passar o trocadilho. Sacaram? Bota – fogo?Anh? Anh?
5. Com um Jornada nas Estrelas. É quase cópia da flecha de Barcelona, mas é diferente: chama o Bernard para sacar uma bola em chamas direto até a pira.
6. Com o motor da Ferrari: o atleta entrega a tocha para Felipe Massa, que acelera sua Ferrari até o motor estourar bem em cima da pira, incendiando tudo.
7. Com um gato. Simples: toda a eletricidade do estádio olímpico vem de um gato (gambiarra, emenda, como queiram) bem no meio da pira. Uma hora ela vai pegar fogo.
8. Usando “O Segredo”. Basta pedir aos 100 mil cidadãos presentes ao estádio para visualizarem com força e alegria a pira acesa. Tanta energia positiva resultará num belo acendimento místico.
9. Por Galvanismo: um mecanismo gera um grau de calor a cada decibel gritado por Galvão Bueno. Se aparecerem imagens dos Ronaldos no telão vai dar para manter a pira acessa por um mês.
10. Por celular. O Pedro Bial aparece no telão dizendo: “Se você quer que a pira se acenda, ligue para 0800pirapira ou envie SMS para 43pira...”

Depois dessa, não vai ser por falta de fogo que os jogos de 2016 não vêm pra cá.

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05 Agosto, 2008  

Quantos smurfs são necessários para se fazer uma medalha de ouro?

Em tempo de Olimpíadas, o CIBT (Cassano Institute of Bizarre Technologies) foi buscar a solução para um enigma que tira o sono de milhões: quantos smurfs são necessários para se fazer uma medalha de ouro?

MedalhasFomos além. Como chinês come cachorro, criancinha, polui o mundo e falsifica tudo o que encontra pela frente, muito provavelmente todas as medalhas do maior espetáculo da Terra terão sido feitas de simpáticas pessoinhas comunistas dissidentes azuis. Então, calcularemos o TOTAL de smurfs consumidos na epopéia atlética.

Uma medalha olímpica pesa 150 gramas. Destes, 6 gramas são de ouro. Para todas as medalhas distribuídas este ano, são necessários 13 Kg de ouro.

Aí começam nossas contas. Muitos acreditam que seis smurfs são suficientes para se criar uma poção que transformaria qualquer quantidade de metais em ouro. Ora, você, eu e o Paulo Coelho sabemos que seis smurfs no liquidificador não enchem nem um milkshake de Smurfmaltine, logo jamais renderiam quantidade suficiente para fazer 13 Kg de ouro.

smurfPortanto, seguiremos a mesma teoria por trás do Grande Colidor Gargameliano de Hádrons: cada smurf rende seu peso em ouro.

Imaginemos que cada smurf pesa o mesmo que um camundongo, ou algo em torno de 15 gramas.

Logo, chegamos à seguinte fórmula:

Ts = OM / PS, onde

Ts = Total de Smurfs;
OM = Ouro necessário para medalhas; e
PS = Peso de um smurf saudável.

No que temos:

Ts = 13000 / 15
Ts = 867

867 smurfs mortos em nome da paz? Da união dos povos? Da Visa, único cartão aceito em Beijing?

Isso se o processo não sofrer alguma das intervenções abaixo:

1) Ocorrer sob gestão do Maluf:
- Nesse caso, deve-se adicionar 10% ao total de smurfs necessários, o que aumentaria o número para 954 smurfs.

2) Ser conduzido por um blogueiro:

- Nesse caso, o resultado seriam 867 smurfs, dois mil comentários e 15 geladeiras USB.

3) Ser conduzido pelo Poder Executivo Federal:
- Nesse caso, os números seriam arredondados para facilitar a conta, o que daria 1.000 smurfs e um discurso iniciado por: “Nunca na história desse país tantos smurfs...”

O CIBT está aberto à colaboração popular, com outras diferentes variações para o cálculo dos smurfs consumidos nessa Olimpíada. Você pode mandar sua teoria nos comentários ou via twitter, com a tag #smurfs.

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29 Julho, 2008  

O Twitter e as redes sociais efêmeras

Baleia do TwitterA rede muda o tempo todo, como blocos de gelo se movendo sobre o mar gelado. Nesse sentido, o Twitter é a ponta de outro iceberg que esse organismo vivo e mutante que é a internet se prepara para jogar sobre nossas cabeças.

Não porque inaugura a era das conversas, idéias, discussões e manifestos em 140 caracteres (nunca imaginei que coubesse tanta coisa em tão poucas letras). Nem porque revela novos formadores de opinião e deliciosos usuários fake (o Oscar do Twitter para o @darthvader, por favor).

Na verdade, é por tudo isso que o Twitter é um iceberg desgovernado pilotado por um mamute míope, mas sobretudo por uma característica peculiar: ele é uma rede social diferente em sua estrutura, em sua mecânica e nos vínculos que unem seus membros. Pois vejamos:

Gráfico de seguidos e seguidores do Twitter- É unilateral: Ao contrário das redes sociais convencionais, o vínculo de amizade no Twitter é fraco. Para começar, não se pede autorização para se seguir alguém. Você segue, e ponto. Nem escolhe quem vai segui-lo, embora ainda possa bloquear pessoas. Isso muda tudo. Primeiro porque não há tantos escrúpulos em se deixar de seguir alguém. Excluir alguém de seu Orkut é dramático. Rende até música. É quase como rasgar fotos ou arranhar o vinil do Odair José do outro. “Desseguir” alguém no Twitter é normal.

Ainda por ser unilateral, cria figuras diferentes. No lugar dos dois extremos (solitário e popular), temos as diferentes gradações. Tem os seguidores natos, que praticamente ouvem e nada criam. Há os formadores de opinião, com poucos seguidos e milhares de seguidores. E há os neutros, onde boa parte dos seguidores na verdade estão retribuindo a gentileza de serem seguidos. No mundo das redes sociais, onde status é a moeda corrente, isso muda tudo.

- É totalmente estruturada em seus membros: Não existe um portão da comunidade entre o público externo e seus membros. O sentimento de que se está “dentro do Twitter” é diferente de o sentimento de se estar “dentro do Orkut”. Além disso, sua extrema simplicidade difere do ambiente cada vez mais repleto de aplicativos das redes sociais convencionais. Ele é simples e direto.

Tela do TwitScoop- É uma rede efêmera: Esse é um dos pontos que mais me fascinam e em que mais aposto no longo prazo. O uso das tags (palavras iniciadas com #) permite que comunidades se formem de forma instantânea e efêmera enquanto o assunto (um evento, um meme, uma pessoa) estiver em voga. É o que acontece durante transmissões esportivas, por exemplo.

Usando a busca do próprio Twitter (o antigo Summize) ou outras ferramentas, os usuários iniciam um diálogo “maluco” onde não há um interlocutor definido. É como se ilustres desconhecidos subissem em seus telhados e gritassem com megafones frases sobre um assunto específico. E eles ouvirão uns aos outros, falarão ao mesmo tempo e, com boa vontade, vão acabar se entendendo.

Em nenhum momento eles necessariamente estabelecem vínculos entre si (amizades), nem com o tema (comunidades). Quando o assunto morre, cada um desce de seu telhado e a rede se desfaz.

O que ficam são os seguidos e seguidores que podem se formar e o histórico da conversa, publicado nas páginas de cada participante. Mas, salvo na busca pela tag, isso permanece de forma totalmente dispersa. Para quem olha a parte, e não o todo, há apenas fragmentos sem sentido completo.

Isso tem grande impacto em como entendemos as redes sociais, os papéis das comunidades e especialmente em como quantificamos isso em nossos sistemas de mensuração. Que métricas precisaremos desenvolver para capturar isso?

O Twitter não é o fim. Mas ele é um modelo para as redes sociais do futuro que, no rastro da abertura permitida pelas APIs de integração inter-redes, serão cada vez mais abertas, transparentes, multiplataformas e efêmeras. Redes sociais sem muros nem membros, mas com milhares de construtores.

É fascinante esse mundo onde o chão é sólido como gelo. Que nosso mamute míope não encontre muitas baleias em seu caminho.

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22 Julho, 2008  

Todo rock star tem dois milhões de amigos

Eu queria ser um rock star
e disparar sem dó
um dó distorcido
no meio do salto
e cair de joelhos
segurando a nota
fazendo careta
quebrando a guitarra
atirando a palheta

e eu me vestiria como se ninguém estivesse ali
usaria um cabelo estranho,
como se ninguém estivesse vendo
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali

meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.

todo rock star tem dois milhões de amigos.

queria ser galã de cinema,
beijar a mocinha no fim da cena,
ter um dublê para ser eu,
sempre que eu correr perigo.

um galã de cinema,
letras maiúsculas na fachada
nome nos créditos de entrada
agradecer pela estátua
como se ninguém estivesse vendo,
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali

meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.

todo galã de cinema tem dois milhões de amigos.

e eu queria ser um escritor best seller,
ter hábitos estranhos,
uma casa na escócia
e traçaria tramas
sobre a escória e
sobre a história

e daria autógrafos
pra gente na fila
livro após livro
como se anotasse um telefone
como se ninguém estivesse vendo,
mas eles estariam ali,
eles estariam sempre ali

meus dois milhões de amigos.
meus dois milhões de amigos.

todo best seller tem dois milhões de amigos.

onde estarão escondidos
onde estarão escondidos
o que estarão esperando

meus dois milhões de amigos
meus dois milhões de amigos

todo mundo tem direito a dois milhões de amigos.

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19 Julho, 2008  

Dia da blogagem política 2: Democracia - ruim com ela, pior sem ela

Uma vez levantei um tema polêmico: o sucesso dos Big Brothers da vida abririam espaço para uma democracia direta? Isto é, um sistema onde o Legislativo não seria mais necessário, já que a tecnologia permitiria a todos criarem suas propostas de Lei (em formato Wiki), e todos votariam nas propostas usando as tecnologias disponíveis. As mesmas usadas pela massa para mandar candidatas a musas da Playboy pro paredão.

Realidade ao mesmo tempo fascinante e assustadora. Imaginem o perigo da manipulação pela mídia. Imaginem o (terrível dizer isso) risco da supremacia da imbecilidade. Você confiaria a constituição à mesma massa que elege o casal Garotinho, ajoelha para o deus Crivela ou se mobiliza para dar milhões para Caubóis, Bambans e Alemães da vida?

A verdade é que nossos representantes não são dignos, mas eles construíram uma rede que os torna indispensáveis à democracia. Como deixar a massa ignorante e analfabeta decidir por si seu destino? Como alijá-la e deixar tudo nas mãos de uma minoria? Abandonar o modelo democrático na perigosa egotrip do "eu sei o que é melhor pro povo"?

Baita sinuca de bico. Baita risco à Democracia. Enquanto isso não acontece, nos resta eleger bem os candidatos. Daí a inutilidade do voto nulo (que tanto pratiquei). É vã a esperança de que os votos nulos inviabilizem um pleito. E, se isso acontecer, estaremos até dando um recado de nossa indignação, mas nenhuma solução.

É difícil, tarefa quase impossível, achar alguém que faça jus a nosso voto. Mas é nosso dever procurar, ao menos. E, se não encontramos ninguém, porque não nos habilitamos nós mesmos?

Será que fugir do mundo podre da política é o melhor que os cidadãos de bem podem fazer? Deixar a política para os vermes de sempre é a contribuição que podemos dar? Lembrem-se das palavras de Raul Seixas: "se você quer entrar num buraco de rato, de rato você tem de transar".

P.S. Comece a fazer sua parte assinando a petição contra a equivocada e perigosa (má)redação da Lei de Cibercrimes: http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html

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Dia da blogagem política 1: Café com o prefeito

Patriotismo é acordar cedo num sábado, rumar para Bangu e me juntar a algumas centenas de papa-bocas-livres, curiosos, cabos eleitorais e puxa-sacos num café da manhã promovido por alguns dos ícones da decadência política brasileira.

Logo na entrada a mesa repleta de "quitutes pra pobre". Muito pão, biscoito e bolo pra encher logo a pança.

No som, berram jingles dos candidatos a prefeito e vereador. Melodias pegajosas e lugares-comuns como "fazer mais pela cidade", "povo feliz", "compromisso com o Rio" e "um Rio melhor pra você".

Na chegada dos candidatos, abraços apertados nos eleitores desconhecidos, sorrisos amarelos e gestos de jóia. O público se divide entre cercar os candidatos (pra pegar autógrafos, pedir para taparem o buraco da rua, coisas assim) e atacar os pães.

Começa. Surge do nada uma horda de jovens uniformizados que gritam e aplaudem com ênfase. Algo me diz que o partido contratou a claquete do Raul Gil ou do Silvio Santos. Elas nao deixam a gente ver nada. Vou ter de levantar. Ficar de pé, agora? O César Maia não merece isso.

Discurso rápido, metralhadora giratória contra os outros candidatos (falando a verdade, o que é pior). Nem uma palavra sobre o próprio e catastrófico governo. E foi-se embora, deixando a palavra para seus protegidos.

Nos saturamos daquele espetáculo de enrolação e fomos embora logo em seguida, não sem antes ver minha esposa, de dedo em riste, dizendo para o prefeito umas verdades sobre o descaso com a educação. Missão cumprida e a triste constatação de que a política é cada vez mais um espetáculo sujo.

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14 Julho, 2008  

Trate bem seu amigo designer

Se você é designer, ótimo. Se não, trate de ficar amigo de um. Descobri que eles são a verdadeira força oculta do mundo. Maçonaria? Opus Dei? Máfia? Que nada. Os designers são o verdadeiro clube da luta.

Clube da Luta Eles estão por toda parte, todos se conhecem e são regidos por rígidas regras de conduta. É um grupo mais unido que motoboy e blogueiro. E eles sabem o que todas as empresas do mundo estão criando, sabem todas as técnicas das agências para influenciar, manipular e dialogar com as pessoas. Eles sabem tudo! E como estão constantemente trocando de emprego uns com os outros, garantem sempre uma informação fresquinha para o Clube.

Não há como esconder algo de um designer. Não tem projeto secreto. E, principalmente, não há como escapar quando eles colocarem bombas no prédio da Mastercard. Pelo menos se você for amigo dos designers eles provavelmente não vão urinar na sua sopa.

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04 Julho, 2008  

O papel social dos blogs e a polêmica do "blog de aluguel"

O papel do jornalismo é levar informação e opinião para as pessoas.

Blogs não são jornalismo. Ou pelo menos não têm a menor obrigação de ser. Mas cada vez mais pessoas confiam nos blogs como fonte de informação.

Vocês se lembram por que os blogs cresceram? “Porque eram feitos por pessoas apaixonadas e não estavam sujeitos ao viés editorial da grande imprensa”. Foi a liberdade, a autonomia, que fez a blogosfera crescer.

Não porque traz reportagens apuradas por isenção, mas porque o blog é, em essência, opinativo.

E você confia numa opinião de uma pessoa física (vulgo ser humano), mas não de uma pessoa jurídica. Por quê? Não sei. Algum complexo capitalista/colonizado de que “pessoas são boas” e “empresas são más”.

Mas fato é que as pessoas pensam assim, concordemos ou não. E isso fez a blogosfera florescer, com sua enorme gama de gente incrível falando coisas fantásticas e gente idiota falando bobagem.

Mas aí uma coisa aconteceu. Os blogs - tão sem querer como artistas que de repente viram celebridades e se fascinam/espantam com o assédio – tomaram o papel social da imprensa de formadora de opinião.

O que faz um jornal ser um jornal? A estrutura administrativa da empresa? O poder de escrever coisas e imprimir em papel que suja a mão? Ou uma instituição com um papel definido na sociedade?

Quem assume – querendo ou não – um papel na sociedade arca com os ônus e os bônus disso. Preservar a integridade dessa relação é um deles.

Isso significa que devemos todos ser blogueiros filantrópicos-budistas-marxistas? Que devemos nos benzer ao ver uma nota de R$ 100? Chamar a polícia cada vez que um “mimo” chega na caixa de correio?

Não. Todo mundo tem o direito de ser reconhecido (financeiramente, inclusive) por aquilo que faz bem. E se isso acontece com um blogueiro, é porque ele passou a fazer parte de um mundo não de pessoas físicas, mas de pessoas jurídicas. Um mundo de transações. Com sua ética própria. Ônus e bônus próprios.

O que me parece é que adoramos o flash dos fotógrafos mas ficamos p* quando os fãs vêm pedir autógrafos. Nada contra quem quer brincar. Mas ou segue as regras ou nem desce pro play.

Receber um presente e fazer um post sem dizer que ele foi motivado pelo presente é trair o vínculo de confiança estabelecido com o leitor. Num blog meramente pessoal, ok. É seu “personal weblog”, você escreve o que quiser nele. Mas se ele passa a ter papel econômico (gera “receita”) e social (forma opinião), a coisa muda de figura.

Reforço aqui que não sou contra os mimos, especialmente quando ele é o produto em si, enviado para ser degustado/resenhado. Mas se você ganha um produto B de presente e fala bem do produto A sem dizer a motivação para o “elogio”, isso não é opinião. É permuta. Jabá. Mesmo dizer discretamente, como os “publieditoriais”, é meio estranho.

Notaram? Há uma diferença sutil entre enviar seu produto para formadores de opinião (dar um livro, um ingresso para uma pré-estréia, convite para uma apresentação, test-drive exclusivo etc) e dar algo de valor monetário que não é o produto em si.

Receber a bacaninha geladeira da Coca-Cola não é pecado nenhum. É sinal de que o papel social como formador de opinião está sendo bem cumprido. Fazer um post, sem problema. Elogiar o produto sem falar do presente? Estranho. É se arriscar a receber, sim, a alcunha de “blog de aluguel”. Ou de "varal de release", como se diz na imprensa. O problema é quando se generaliza e rotula-se toda a blogosfera por alguns gatos pingados.

Mas isso só acontece porque estamos no meio de um processo, em um mercado imaturo ainda, que tem muito a crescer. As mídias geradas por usuários e as redes sociais são o fantástico e inevitável caminho da propaganda. Não fosse não teria eu mesmo migrado para uma empresa especializada nisso, e não distribuiria produtos a blogueiros (sim, eu faço isso) na esperança de que blogueiros gostem dos produtos que enviamos e resolvam falar bem deles. Ou que falem mal. Ou que não falem nada.

Como profissional de comunicação, faz sentido que eu queira mandar pro editor de um blog um produto bacana de um cliente meu que tenha tudo a ver com um blog de produtos bacanas. Faz sentido que eu imagine que o editor de um blog de coisas bacanas possa ter interesse em compartilhar essa coisa bacana com seu público. Se ele achar bacana. Se ele estiver a fim de postar.

Mas não deixa de assustar quando tentamos nos aproximar da área editorial de um blog e recebemos um mídia kit com o preço do post tabelado. Se esse é o futuro, é bom que isso seja combinado com todo mundo, até para que eu, como leitor, saiba quem é veículo de conteúdo e quem é “Páginas Amarelas”.

Pra terminar esse longo post, ressalto que blogueiro não tem que ter vergonha de ser formador de opinião e receber os louros e arpões inerentes a isso. Não temos que ver os blogs como terreno sagrado onde publicidade é pecado. Quero ganhar dinheiro pelo lado da agência e quero ver meus amigos blogueiros ricos. Mas todo poder traz sua devida dose de responsabilidade.

Está na hora de nos unirmos para fortalecer cada vez mais as redes sociais. Até porque, se a gente mata justamente aquilo que fez a blogosfera crescer (a ousadia, a personalidade, a identidade fragmentada em zilhões de blogs que se cruzam o tempo todo), ela morre. Estamos vendendo a raiz para pagar o adubo da planta!

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13 Junho, 2008  

Proteção contra cópia? Que nada...

O www.copyscape.com é um interessante serviço que te ajuda a saber quem anda "plagiando" seu conteúdo. Ele inclusive sugere a instalação de um selo, tipo DNA Security: "Protegido - Não copie!".

Bacana porque funciona (achei altos debates sobre textos meus que eu desconhecia), mas anacrônico. Impedir cópia?

Então deixo aqui registrado: POR FAVOR, COPIE OS TEXTOS DO BROGUE. Mas, por favor, sempre cite a fonte e deixe um link para cá em retribuição.

Que mané impedir cópia... :-)

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28 Maio, 2008  

A rede mundial de pessoas e essa coisa chamada internet

Algumas coisas óbvias podem ser surpreendentes. Aliás, olhar e analisar o óbvio é um saudável exercício que todos deveriam praticar. Aconteceu comigo quando fui tentar resumir o que, hoje, é a internet.

Foi como estar num restaurante giratório. Você dá a primeira garfada no bife enquanto observa a vista. E quando está encurralando a última ervilha na borda do prato, olha de novo para a janela envidraçada e se surpreende por tudo estar diferente. Você sabe que está no mesmo restaurante, na mesma cidade, com o mesmo bife com ervilhas, sabe que o restaurante está girando e ainda assim se surpreende ao notar, de repente, que o panorama mudou completamente.

Quando a internet ganhou as páginas dos jornais, na segunda metade dos anos 90 (e quando a maioria de nós formou sua visão do que é esse treco), a palavra-chave para ela era ACESSO. É só lembrar. Uns 9 em 10 comentários mencionavam o fato de você “poder ver os quadros do Louvre sem sair de casa”. Ou a ver Biblioteca do Congresso Americano. Ou acessar as livrarias e lojas do mundo todo. Ou tentar acompanhar uma rádio da Bósnia pelo RealPlayer, com aquela sua conexão horrorosa e picotada.

A internet abriu as portas para um novo mundo. E como era esse mundo? Bem dizia toda e qualquer menção a ela na Rede Globo: “internet – vírgula – a rede mundial de computadores – vírgula”. Era você, humano, entrando num emaranhado de máquinas. Tron. Matrix. Neuromancer.

Éramos forasteiros. Voyeurs de dados.

O que a gente fazia na rede? Surfava. Navegava. Pulava de site em site. A internet, estar online, era, em si, a atividade. Meio e fim.

E nos fascinamos em acompanhar cada passo, cada software, cada inovação, cada viral. Tão atento que somos em buscar o hoje, o agora, o daqui a pouco, nos surpreendemos ao olhar pela vidraça e perceber que, de forma tão contínua que nem notamos, o panorama mudou completamente.

A cada dia, avalanches de novos brasileiros entram na internet. Entram em lan-houses. Ou em seus computadores Positivo comprados em 24 vezes nas Casas Bahia. Brasileiros jovens. Brasileiros velhos.

Brasileiros que nunca ouviram falar do Cadê?. Nunca acessaram o Yahoo!. Nem sabem do JB Online, o primeiro jornal brasileiro na internet. Desconhecem IRC, Napster, guerra dos browsers.

A internet deles é outra. Completamente diferente.


Eles têm o Orkut como ponto de partida. Como seu sistema operacional. É no Orkut que interagem com fotos, com vídeos, com amigos. O MSN é seu e-mail. E para eles, internet não tem nada a ver com acesso. Internet, para eles, é RELACIONAMENTO.

Essa geração (não só etária, mas sobretudo econômica) nunca conheceu uma web solitária, da navegação noturna, surf virtual madrugadas a dentro. As redes sociais não são a mais nova e quente novidade. A web para eles é necessariamente uma atividade social. É inerente. Faz parte. Pão e manteiga. A característica gregária de novo povo, então, torna isso ainda mais forte.

Para eles, a internet não tem a menor cara de “rede mundial de computadores”. É uma rede de pessoas. Amigos, dos amigos, dos amigos. Comunidades das comunidades.

Quando eles “surfam”, é praticamente uma pesca com rede de arrasto. Recentemente, o guru Jacob Nielsen alertou: “os usuários estão ficando mais egoístas e impacientes”. Claro. Nunca tiveram modem de 2.400. Não se fascinam com hiperlinks, sites que se ligam... entram no Google, digitam o que querem, entram no site (pela porta dos fundos), resolvem sua vida, caem fora e vão socializar. A internet já não é fim, é meio.

A gente vem falando isso há alguns anos, mas é como um petista no poder. De repente aquele discurso todo vira realidade, ali do lado de fora da janela giratória. Visões e sonhos realizados são sempre assustadores, porque a gente precisa rapidinho achar algo novo pra sonhar.

Entender, embarcar e respeitar essa nova dinâmica social da rede, portanto, está longe de ser a “nova moda dos publicitários”. E, mais importante, não está ligada a tecnologia nenhuma. Second Life, Orkut, Open Social... não importa.

A gente finalmente não está mais falando de computadores.

Já não somos forasteiros na matrix. O mundo é o nosso. Mundo real. Com baleia morrendo, aquecimento global, dengue, PT, Bush e créu. Esse mundo que é uma grande rede mundial de pessoas, onde elas propagam idéias em velocidade estonteante. É nele que estamos inseridos. É ele que vemos do lado de fora da janela. É ele que vemos quando ligamos nossos computadores, celulares, videogames e nabaztags nessa coisa chamada internet.

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25 Maio, 2008  

Eu não contrataria o Indiana

Indiana Jones
Muito divertido o novo Indiana Jones, digno da trilogia que o antecedeu. Mas me incomodou o excesso de tiros, perseguições e corre-corre. Nosso Indiana passa mais minutos na tela incorporando um Jason Bourne sessentão do que desvendando os deliciosos enigmas que o levaram à Arca da Aliança (que aparece discretamente no comecinho do filme, em uma das várias piadinhas referentes às películas anteriores).

Também assusta como a Amazônia fictícia de Hollywood se difere da real. Por eles, nossa floresta é cheia de formigas gigantes carnívoras, as Cataratas do Iguaçu ficam no Amazonas e nossos índios mais se parecem com aborígenes australianos. É engraçado.

E a frase final: você contrataria um arqueólogo que marreta, esfaqueia e arremessa relíquias milenares sem um pingo de dor na consciência?

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14 Maio, 2008  

Resistir é inútil

Enquanto você está dormindo, tem um japonês estudando.
Enquanto você está comendo, tem um japonês estudando.
Enquanto você está lendo blogs,tem um japonês estudando.
Enquanto você está procriando, tem um japonês estudando.
Enquanto você está no trânsito, tem um japonês estudando.
Enquanto você está vendo futebol, tem um japonês estudando.
Enquanto você está sambando, tem um japonês estudando.
Enquanto você está trocando a frase do MSN, tem um japonês estudando.

Enquanto você está no banheiro, tem um japonês estudando.

Resistir é inútil.

Também é inútil se desesperar por causa disso.

A verdade é muito pior.

Enquanto um japonês está no banheiro, tem cinco chineses estudando.


* Baseado no aforisma "enquanto você está c*g*ndo, tem um japonês estudando", de Allan Kirsten.

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06 Maio, 2008  

I need my R2-D2

Geeks têm enorme tendência a gastar dinheiro com (in)utilidades eletrônicas. Por isso, para manter as finanças saudáveis, tenho uma tática que gostaria de compartilhar com os companheiros nerds.

Quando boto na cabeça que preciso desesperadamente de uma quinquilharia eletrônica, eu passo a pesquisar muito, mas muito, mas muito mesmo sobre a coisa. Mergulho no Mercado Livre, leio em fóruns, vejo vídeos... pesquiso tanto que a vontade passa. Assim, economizo uns trocados.

É assim que sei tudo sobre o Nintendo Wii e sobre os mais modernos celulares sensíveis ao toque e com GPS. E por isso que ainda não tenho videogame e preservo o valentíssimo K750.

Só que agora deu uma necessidade tremenda de ter meu próprio robô. Acho que chegou a hora de ter algum treco eletrônico que ande pela casa, leia os e-mails pra mim, me mostre a previsão do tempo, me lembre dos compromissos e ajude a explodir a Estrela da Morte se for preciso.

Alguma sugestão de links antes que eu vá à falência total?

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28 Abril, 2008  

Olha o pen drive!!!

Sinal dos tempos. Ontem, comprando alguns acessórios plásticos para banheiro na Casa & Vídeo, entro na fila, cercado de balas e chocolates e me encaminho a um dos caixas.

Ali, enquanto espero a caixa checar os códigos de barra, começo a olhar para aqueles produtos expostos ali esperando por nossa compra por impulso. Os "suspeitos usuais" estavam por lá: pilhas, mais balas e chocolates, agarradinhos... e pen drives Kingston.

Isso mesmo! Pen drive (512Mb por R$ 19,90) ali, na boca do caixa, ao lado das Balas Garoto.

Quando mesmo custava o megabyte de armazenamento há 10 anos?

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09 Março, 2008  

Mercado em trânsito

Não sei se algum guru já cantou essa pedra, mas se eu fosse você eu largaria agora esse mouse e pararia por uns minutos para pensar em como redirecionar sua carreira para um único e simples propósito: trabalhar em algo relacionado ao trânsito de veículos.

Escrevo isso inspirado pelo vídeo abaixo (que descobri no Update or Die), que só reforça uma teoria que há muito me persegue: o trânsito é mágico.

Pense comigo. Com o crescimento acelerado da indústria automobilística o destino de toda cidade é se tornar uma grande São Paulo (acredite, essa não é uma boa notícia), e o destino de São Paulo é se tornar algo entre Constantine, Guerra dos Mundos e Platoon.

Passamos cada vez mais uma considerável parte de nossas vidas no trânsito. Encará-lo como uma doença crônica é uma boa oportunidade de negócio. Vale investir (e lucrar) com a prevenção do problema (engenharia de tráfego, tecnologias de controle etc) mas também vale investir (e lucrar) em simplesmente tornar mais agradável a vida de quem passa horas engarrafado.

E aí? Qual vai ser sua grande sacada?



Se você não entendeu nada do vídeo, explico: os cientistas japoneses recriaram em laboratório os engarrafamentos sem motivo aparente. A causa real: as diferenças de frenagem e aceleração dos veículos, pequenos descompassos, quando somados e repetidos causam essas retenções.

Se um sistema de rádio das rodovias controlasse remotamente a velocidade dos carros, fazendo com que eles mantivessem uma velocidade constante e uma distância específica para o carro da frente, não existiriam engarrafamentos.

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02 Março, 2008  

Tecnologia é puro osso

Aceitei o convite do blogueiro-amigo Rafael Cruz para escrever um texto para a "Semana do Artigo Livre", em um de seus blogs, o Tecnologia e Cinema. O desafio era dos mais cruéis: "escreva sobre o que quiser". Eu, num arroubo de criativididade, resolvi escrever sobre o quê? Tecnologia e cinema... Confiram no blog do Rafael ou aqui emabaixo.

2001
Homens pré-históricos olham meio bolados para um bloco negro. Se cutucam. Esbarram. Se estranham. A porrada estanca. Um deles pega um enorme pedaço de osso. Percebe que aquilo o tornou mais forte. Mete a porrada nos outros. Vence a luta. Em comemoração, joga o osso pro alto. O osso sobe, e subimos junto, até o espaço, onde o osso se torna uma estação espacial. O mesmo homem, as mesmas ferramentas. A mesma cabeça de jegue pronta para fazer besteiras.

É engraçado como até hoje a gente acompanhe as feiras tecnológicas esperando aquilo que nos trará a redenção cibernética ou nossa terrível destruição. No campo do audiovisual, para quem acompanha o mercado do alambrado, me parece estarmos nessa situação, onde os suportes voltam ao centro de um debate onde nunca deveriam ser os protagonistas. O que tenho lido/visto/ouvido? Da inútil batalha HD-DVD x Blu-Ray. Que a gente poderá pedir pizza ou comprar a blusa da Regina Duarte com a TV digital. E que vamos ter que gastar uma grana no decodificador para que nossa experiência com “Zorra Total” seja transformada. Que a internet está destruindo a indústria do DVD.

É exatamente a mesma inócua discussão sobre o mercado de música. Parece que ainda tem gente jurando de pé junto que a indústria (ou a arte) é sobre hardware: discos, leitores, projetores. É tudo ferramenta. Osso. Que pode ser usado tanto para mandar o homem pro espaço como para esmurrar o quengo de um neanderthal. Pouco se dedica a estudar como criar/adaptar as obras para cada novo suporte. A famosa “quarta tela” do celular, por exemplo. Está cada vez mais popular e o que de conteúdo significativo temos para ela? Pouco.

Porque não dá para ver “2001″ numa tela de iPhone. E periga de a bateria acabar antes de “E o Vento Levou”. Como é essa mídia? Essa linguagem? Os notáveis esforços como o da Mobilefest ainda estão presos ao campo da experimentação. Coisas como as “Histórias contadas por coelhos em 30 segundos” deviam estar nas lojas, não apenas uma brincadeira da internet. Mas o mais bacana, o mais inerente ao ser humano (além cabeça de jegue pronta para fazer besteiras), ainda está em segundo plano: como contar histórias com os novos ossos que a indústria nos apresenta? Como contar histórias no celular? Numa sala digital de cinema? No iPhone? No Youtube? Muito se tem feito, mas não dá para dizer que já tenhamos uma linguagem. Alguma sugestão?

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13 Fevereiro, 2008  

Não teremos profissões. Faremos coisas.

A cada conversa com um novo e fascinante desconhecido na Campus Party, a história era sempre a mesma. “Eu era publicitário. Agora trabalho com instalações digitais.” “Faço casemods para uns clientes.” A profissão do futuro não existe. Porque o futuro é um transitar entre saberes e disciplinas. O futuro é uma seqüência nervosa de cliques no Google. Para desespero de nossas mães, os nós do futuro não se graduarão com beca e diploma e seguirão suas carreiras. Eles construirão sua carreira. E as mães nunca vão entender o que exatamente seu rebento faz para ganhar a vida.

Isso a gente já vê. Eu era jornalista. Sei lá o que sou agora. As pessoas que se juntam a nós também não sabem o que são. Sabem do que gostam, e sabem do que sabem. E sabem que isso não se parece com nada que se aprenda na universidade.

Saber e fazer uma coisa só é pouco demais. A geração que nasceu com internet está chegando ao mercado de trabalho. Um dos dois (o jovem ou o mercado) não será mais o mesmo daqui pra frente.

Para empreendedores e executivos, o desafio está em saber como recrutar. Avaliar o quê? Como? Que testes estabelecer? Onde procurar? Em que faculdade encontramos gestores de comunidade? Engenheiros sociais? Arquitetos de interação? Em nenhuma. Em todas.

Aos poucos o preconceito com os novos e específicos cursos de graduação (como o curioso curso de Gestão do Carnaval, da Estácio de Sá) vai cair, porque no fundo o que faz diferença sempre foi e sempre será a pessoa. E a quantidade de coisas que ela quer fazer.

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06 Fevereiro, 2008  

Tem nerd no samba

Quis o destino que eu fosse parar na Sapucaí neste carnaval. Logo eu, nerd de carteirinha, com meu armário cheio de camisetas pretas e uns 30 CDs de rock inglês para cada um que lembre remotamente um samba. Mas pintou a fantasia num sorteio de rádio AM. O ganhador não podia desfilar e nos ofereceu o prêmio. Como de fantasia dada não se olha as plumas, lá fui eu.

A primeira constatação é que a TV não mostra um lado fortíssimo do carnaval: ele fede. E muito. A chuva inclemente aumentava a sensação de caminhar sobre um tênue riacho de urina. A concentração da Mocidade Independente era em frente ao sugestivo edifício Balança mas não cai.

Novato, acabei chegando cedo demais. Na concentração, apenas alguns gatos pingados e pinguços. E o cheiro. Levamos a fantasia (algo que teoricamente representava a Folia de Reis, com direito a saiote rodado e uma igreja enorme na cabeça) num saco de lixo para nos vestirmos na hora.

Por volta das 19h30, rumamos para a concentração propriamente dita e nos paramentamos. O chapéu pesava e machucava a testa. A dúvida era se conseguiríamos atravessar a Avenida com uma Candelária sobre o quengo.

As pessoas se vestiam (ou despiam) ali mesmo. Outra constatação. O carnaval é um computador em que o dono desativa o “firewall” por quatro dias. Nesse ínterim, vale-tudo.

E outra descoberta. Talvez a experiência mais próxima da preparação para o início do desfile seja a militar. As alas, como os pelotões, se põem em seus devidos lugares. Sargentos (no caso vestidos de oficiais do Império) comandam aos berros: “Quero colunas de oito! Colunas de oito!”. Um desatento vira o nono passageiro na coluna da frente e leva um chega pra lá de um Capitão Nascimento do carnaval. “Vai pra trás, zero meia!”

Começa o desfile. Quer dizer, começa para quem está na frente da escola. A gente só sabe por causa dos fogos de artifício. Nada se move. Não se ouve nada. Apenas a espera. De pé, estático, saia rodada e uma Catedral da Sé apertando a testa. Dói. O sapato aperta. Por sorte não faz calor. O capitão nascimento faz uma recontagem das colunas.

Então, o carro à frente se move. Começou. Seguimos num anda-e-para que mais parece uma procissão. Até que a Sapucaí se aproxima. As luzes aumentam. Já dá para ouvir o baticum. Alguém ordena: “Samba! Samba se não te mandam lá pra trás!”. Eu obedeço. Com tantos aparatos sambar não é difícil. Basta se mover como um boneco gigante de Olinda.

Vem a esquina. E a luz. E uma multidão acenando bandeiras, cantando, aplaudindo. Aplaudindo quem? Eu, que não sei sambar? Eu, que tenho cara de gringo e sou ajudado/explorado por tudo que é taxista, pivete, camelô? Quem sou eu?

Naquele momento, descubro que não há identidade. Aplaudem a escola. “A escola somos nozes”. Eu sou a escola. Samba, condenado! Olha o buraco, olha o buraco. Corre, corre. Olha o relógio. Tá bom, ta bom.

Ih, olha a bateria no recuo! Achei o som baixo. Decepcionou. O Sepultura faz mais barulho. Nação Zumbi faz mais barulho. A Madrinha da bateria tava parada, bebendo água. Só deve sambar quando a câmera focaliza.

Um soldado imperial bigodudo passou meio desfile mandando eu andar mais rápido. Uns foliões bêbados na coluna de trás teimavam em enganchar suas plumas em nossos chapéus.

Enfim, a apoteose. A passarela não me pareceu tão curta como dizem. A galera da dispersão vibra. Só quero saber de tirar o chapéu. Dali, mais uns metros de lama e urina e entramos num táxi. Pra casa, por favor. Mas cuidado com a fantasia. Sábado eu quero voltar com ela.

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28 Janeiro, 2008  

Pioneiros da internet brasileira - minha lista

O jornal O Globo de hoje traz uma reportagem sobre o projeto que pretende constrir a árvore genealógica da internet. O "Quem é quem no mundo da internet" (http://www.wiwiw.org) é um projeto internacional que envolve organizações por todo planeta, inclusive no Brasil.

Sabendo que toda lista é inevitavelmente injusta, por sempre deixar alguém de fora, segue minha sugestão (aprovada pelo Comitê o CIBT) para os 5 pioneiros mais importantes da Internet Brasileira, com os quais ou tive contato direto ou acompanhei de perto sua contribuição.

1. Carlos Afonso - seu trabalho à frente do Alternex fez com que sua organização se tornasse sinônimo de internet nos idos de 96.

2. Gustavo Viberti - a página pessoal www.iis.com.br/~gviberti já foi o endereço mais quente da rede. O que tinha nele? Um despretencioso guia de páginas chamado "Cadê?", criação de Gustavo Viberti. Junto com o sócio Fábio Oliveira eles comandaram a primeira grande negociação da bolha brasileira, a venda do Cadê?.

3. Odécio Grégio - ele era diretor de produtos de informática do Bradesco quando criou, em 1999, um furacão sem precedentes ao lançar o que seria a primeira oferta de internet gratuita, atropelando os ainda embrionários iG e BrFree.

4. Sérgio Charlab
- criou o primeiro jornal brasileiro na internet, o JB Online, e ainda instituiu o conceito de popularidade de sites ".br".

5. Fernando Vilela (in memorian) - Fervil, que nos deixou prematuramente, criou a primeira revista brasileira sobre o ciberespaço. Tive a honra de comandar a edição da "internet.br" por vários anos e saber, com orgulho, que pude contribuir para criar a cultura da rede por aqui e para ensinar muitos brasileiros a fazer sua própria home-page. Tudo coisa da caixola do Fervil.

E você? Qual sua lista de benfeitores da internet.br?

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24 Janeiro, 2008  

Apocalipse carioca

Um dia os tatuís emergirão das areias em ato de vingança, pisoteando toda a cidade.

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31 Dezembro, 2007  

Por uma semana de 4 dias

“O diabo está nos detalhes”. No nome das coisas, por exemplo. Como se chama o período entre a segunda e a sexta-feira? “Dias úteis”. Como se o sábado e o domingo fossem dias inúteis e, como tais, dispensáveis.

Na relação trabalhista, esses dias também têm outra nomenclatura: “Descanso remunerado”. Ou seja, é a caridade do patrão que paga para você descansar. Como você recebe pelo domingo, conclui-se que descansar no domingo faz parte de suas obrigações como empregado.

Logo, a função do domingo é garantir que você trabalhe mais na segunda. Se você resolve pegar o domingão para ir à praia, à Convenção Jedi e a uma micareta, e chegar em frangalhos na segundona, seu chefe tem todo o direito de lhe passar um sermão.

É por isso que defendo mudanças nessa nossa relação com o trabalho. Tudo bem que realizar um ofício é super recompensador e bacana, mas a vida é um pouco mais que isso, certo?
O que proponho:
  • Semana de quatro dias trabalháveis (antigos “úteis): trabalhamos de terça à sexta e usamos sábado, domingo e segunda como bem entendermos.
  • Carga horária de 10 horas diárias. Já trabalhamos isso mesmo, ou mais. Na prática, temos uma carga de quase 50 horas semanais. Oficializemos as 40 em 4 dias. Isso inclusive gerará mais empregos, acabará com as horas extras e não afetará a necessidade de produtividade das empresas.
  • Fim do descanso remunerado. O salário deve corresponder ao trabalho. Não é preciso uma relação paternalista ou de caridade entre patrão e empregado. Basta um salário digno que permita à pessoa usar bem seu tempo livre.
  • Manter as férias remuneradas, mas sem aquele bônus de 30% (mesmo motivo acima).
  • Nosso tempo livre é nosso, e não deve ser bancado pela empresa nem controlado por ela (seu direito, já que paga por ele).
É meio louco e, admito, leviano, pois não levei em conta os aspectos econômicos e legais ligados a isso. Mas a idéia do wikibanco também era doida e teve um bom ibope.

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11 Dezembro, 2007  

Aulas de expressão corporal

Nunca tive aulas de expressão corporal. E se tivesse tido, provavelmente teria matado todas sem dor na consciência. De qualquer forma, isso não oculta minha preocupação darwinista: quem teve aulas de expressão corporal terá mais sucesso com os computadores do futuro.

A expressão corporal é o curso de datilografia do Senac do século XXI. Finalmente estamos usando mais do que as pontas dos dedos para interagir com as máquinas. O Nintendo Wii põe os calejados polegares para descansar e transforma todo o corpo em um joystick.

Com acelerômetros cada vez mais baratos, telefones como o iPhone, o N95 (Nokia) e o W910 (Sony Ericsson) adicionam o gestual ao leque de opções para se interagir com a máquina, com jogos e com outras pessoas.

Existe um termo em design que se refere à página fluida. Quer página (ou interface) mais fluida do que uma que escorre se a tela for inclinada? Quer experiência mais imersiva do que mirar de verdade na testa do zumbi e mandar bala nele? Não é simulacro. Não é iconográfico. O mouse não representa a mão. O desktop não representa a mesa.

O mouse é a mão. A mesa é a mesa. O corpo é o corpo.

Adoraria poder conversar sobre isso com William Gibson, o genial escritor de Neuromancer e o vêrdadeiro pai da Matrix. Ele viveria numa boa dentro de uma rede virtual, longe de seu corpo mortal. Mas será que o corpo é tão dispensável assim? Teria ele mudado de opinião?

Será que dá para jogar Wii de dentro da Matrix?

Como será no dia em que pudermos sentir a internet como um arrepio na espinha? Perceber o sinal de wi-fi (ou equivalente) como um golpe de ar? Imergir num holodeck e se deparar com Jack, o estripador?

E no curto prazo, amanhã de tardinha? O que podemos esperar? Ou melhor: o que podemos criar? Que tipo de experiência podemos aprimorar simplesmente por tornar sua interface mais corporal/gestual? Se tudo converge para a Web, é nela que o Wii vai se esbarrar com o iPhone e o N95.

Você está pronto para criar a web corporal?

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A verdade sobre os blogs

O desafio de encontrar algo cool... pega o link do YouTube e embeda no blog. Sabe aquele vídeo viral? O vídeo novo da Sony? Ou aquela notícia que você pegou via RSS? Manda bala que dá ibope.

Ser um cara ligado é ter uma penca de RSS no iGoogle ou seja lá onde for. É conseguir entender essa sopa de letrinha. E ser rápido no gatilho. Esperto e trendsetter é aquele que lê os RSSes dos outros e publica no blog antes que o mundo perceba.

É claro que o cara precisa falar inglês. De Nova York, por favor. Com sotaque do Boing Boing. E ficar conectado 24 x 7 em seu iPhone desbloqueado na Uruguaiana. A lei da selva: update ou morre. ctrl-c / ctrl-v. Gênio.

O post original, de onde vem? Talvez de uma enciclopédia empoeirada. Ou talvez seja tudo mentira. Ou talvez alguém use menos o Google e mais um treco todo arcaico, que não vem de Nova York nem vende na Apple Store. Cérebro.

Aliás, tô precisando de um novo. É melhor procurar no Google ou no Mercado Livre?

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09 Novembro, 2007  

Por um mês menos ordinário (em 2014)

Depois de quase um mês sem atualizações, os leitores do Brogue começaram a se revoltar. Feliz pacotão de surpresas. Primeiro, que o Brogue tem leitores. Segundo, que alguém ainda consegue se revoltar com alguma coisa nesse país anestesiado pela avalanche de descalabros.

Um de nossos leitores mais assíduos inclusive sugeriu pautas. Então, vamos lá tentar juntar todos os temas propostos num texto só:

Não foi a ausência de Pelé, a surpresa fake do Blatter, a comitiva de políticos na Suíça nem as declarações do presidente. O mais ridículo no anúncio do Brasil como sede da Copa de 2014 foram as comemorações falsas. Gente dançando no pelourinho, performances em São Paulo, o camisão aberto no Cristo e no Pão de Açúcar. Aqueles figurantes pagos para fingir estarem felizes contrastavam com a abissal indiferença no mundo real.

Não sou xiita nem adepto do complexo de inferioridade de achar que a gente é incapaz de organizar uma Copa. Dá para fazer, e para fazer bem-feito, é claro. Talvez não seja a prioridade e talvez, se deixarem o César Maia participar, bilhões serão gastos sem nenhum resultado positivo para a sociedade além de um punhado de belos e modernos estádios e outros tantos bilhões desperdiçados ralo abaixo. Mas, no geral, é uma boa oportunidade de fazer as coisas saírem do lugar. Durante o Pan tivemos a fugaz sensação de que as coisas poderiam funcionar, de que o Rio poderia ser um bom lugar, etc etc etc.

Tomemos pelo lado bom: em 2014, durante um mês, vamos achar que o Brasil tem jeito. Por hoje, parece o melhor que podemos esperar. Afinal, há sempre uma luz no fim do túnel (contanto que não seja o Rebouças), e o Brasil ainda pode decolar (desde que não seja de BRA nem de Congonhas).

Por fim, é esperar para ver se, em 2014, alguém ainda vai lançar CD, se poderemos escolher o quanto pagar por cada novo disco e se o Radiohead terá tido razão.

Para fechar (e aguçar a deprê), esse vídeo incrível que mostra a Cidade Maravilhosa no auge da forma, em 1936. Incrível o que nosso povo e nossos governantes conseguiram destruir em pouco mais de 70 anos.

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20 Setembro, 2007  

Gentileza gera gentileza

PRofeta GentilezaEu moro mal. E, por morar mal, costumo passar com freqüência pela Avenida Brasil e pelas pilastras repletas de escritos do Profeta Gentileza, do qual sempre fui admirador.

Para quem também se interessa pela vida e obra deste brasileiro, fica a dica para esses últimos dias de Bienal do Livro, no Rio de Janeiro: passar no estande da Eduff (Editora da UFF) e comprar "Brasil: Tempo de Gentileza", livro de Leonardo Guelman publicado em 2000 e meio complicado de encontrar.

O livro custa R$ 60 e o CD-ROM com documentário custa R$ 25. Se você seqüestrar algum professor (crachá verde) passando pelas redondezas e disser que o livro na verdade é dele, você ganha 10% de desconto.

Não vai à Bienal? Tem erro não. Veja mais alguns sites para seu dia ter mais amorrrr:

Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Datrino

Documentário http://www.portacurtas.com.br/pop4_160.asp?cod=4955&Exib=5407

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17 Agosto, 2007  

Onde está o valor das coisas?

O guru Nicholas Negroponte, professor do MIT, previu há mais de uma década que haveria uma troca de papéis nas telecomunicações. O que tradicionalmente fluía pelo ar, como rádio e televisão, passaria a percorrer cabos (tv a cabo, rádios via internet etc). E o que nasceu como algo preso a fios – telefonia – se tornaria livre. Os celulares estão aí tocando sem parar nas salas de cinema para não nos deixar mentir.

No começo deste ano, outro visionário, o autor de A Cauda Longa e editor da Wired Chris Anderson, criou sua versão desta previsão: “tudo o que nasceu pago ficará gratuito e vice-versa”. Ousado? Com certeza. Mas vejamos: a TV, além de livre, era gratuita. Agora é a cabo e paga. Os canais de rádio via satélite são pagos. Idem para as rádios online como o Pandora ou o Sonora, do Terra. Nunca se comprou tanta água engarrafada. E até o ar tem preço. O que são os créditos de carbono se não taxas que se paga para gastar/estragar o ar?

Produtos – de modems de banda larga a filtros e geladeirinhas – se transformam em serviços, por meio das soluções de comodato e aluguel. E os bens digitalizados imploram para ganhar o mundo, povoar a matrix, se espalhar como gremlins.

Tudo que se digitalizou – de livros e músicas a nossas próprias identidades e privacidade – perdeu o conceito de propriedade junto com os átomos que os compunham. Música já não se compra. Ou você aluga ou simplesmente copia. Junto com o Orkut, a pirataria foi um dos grandes vetores da inclusão digital no Brasil. Procure nos mercados populares por CDs piratas. Eles perdem cada vez mais espaço para os DVDs. Isso porque até o CD “genérico” de R$ 3 é caro perto de um clique no eMule. A pirataria é tão feia e errada como real e inevitável. Ignorar isso é fingir que aquele iceberg jamais afundaria um transatlântico como o nosso.

E tem mais. Digitalizado, o conteúdo pede não só para ganhar o mundo, mas para evoluir. Mudar, mitoses, meioses, osmoses, fagocitoses de idéias, imagens, sons... bricolagem frenética e digital. Criação coletiva, colaborativa. Máquina fazendo arte. Gente e máquina fazendo máquina. Um “eu” que vira “nós”. Um “nós” que vira “eu”. De quem é o conteúdo? Patente do quê? Quem se ousa se clamar “dono” da idéia? De quem é a foto do Corcovado? Se eu fotografo um quadro que é refeito em calda de chocolate por Vik Muniz e depois ganha versões nas mãos de anônimos e um camelô imprime e vende em Guadalajara, quem merece receber os direitos autorais?

Copyright é algo tão na moda quanto mullets e polainas. E não porque está errado. Simplesmente o mundo mudou. Não que ele precise ser abolido. Ele simplesmente não se aplica mais às regras do jogo.

Falando de negócios, estamos dizendo que o grande desafio dos proprietários de conteúdo é torná-los rentáveis de uma maneira sintonizada com o momento do mundo. E não como uma Durval Discos anacrônica.

Mas ainda é cedo para os produtores de átomos rirem de nós, seres digitais. Se ainda não existe a cópia em massa de átomos, tudo que é material virou commodity. Já não há diferença de fato entre tipos de arroz, tipos de carros, tipos de laptops. E as marcas, que assumiram a responsabilidade de diferenciar os produtos, estas sofrem com pirataria, clones, mudanças de humor do mercado.

O futuro, apostam os especialistas, está na customização em massa. Ou seja, produzir em larga escala produtos que rivalizam com os artesanais na capacidade de ser a cara do consumidor. Só que quando todos os produtos tiverem a minha cara, todos serão iguais (a mim). Um Apple e um Sony seriam a mesma coisa. Talvez com uma diferença de aura, de estilo, benefício acessível a um punhado de sortudas e bem-trabalhadas marcas.

Se uma ponte ou uma geladeira já não vale o que valia e se tudo que é digital se copia, onde está o valor? Eu aposto no artesanal. Não por ser tosco, barato. Nem por ser uma oportunidade de dar uma “esmola” a quem se esforça com calos nas mãos. O artesanal se destaca porque possui algo que nenhum MP3 baixado pelo Torrent nem nenhuma Louis Vuitton de camelô pode oferecer: uma história autêntica. É mais que o produto, é a história que ele percorreu até chegar a suas mãos. Veja o valor que você dá a estúpidos souvenires de viagem. Quanto vale aquele chaveirinho vagabundo que você comprou na Tailândia? Para você, uma fortuna.

Você não pode copiar uma história autêntica. Você não pode se apropriar da história de outro produto. Você pode até copiar a marca, mas o valor da marca não leva junto o valor da experiência de fazer parte da vida daquilo que se tem em mãos. Quanto você pagaria por uma cópia de um autógrafo?

Não se pirateia um repente. Uma bolsa de palha do Jalapão. Uma serenata sob a janela ou um pocket show do U2 na Quinta da Boa Vista. Não se pirateia ou patenteia experiência. Mil corridas de avião em plena enseada de Botafogo não mimetizariam um Red Bull Air Race. Você pode até forjar uma história, como fez brilhantemente o sorvete Haagen-Dazs, mas ela é sua, só sua. A experiência é o DNA do produto. Deixem o conteúdo correr. Deixem que se crie, que se recrie. Ninguém vai roubar aquilo que realmente tem valor para você: sua alma. Se você tiver uma, é claro.

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17 Março, 2007  

O que fazer em caso de pouso...


As instruções de emergência nas aeronaves nunca me pareceram completas o suficiente para lidar com todas as situações. Afinal, "pouso na água" é algo bem genérico. Que água? Onde? Com quem? Por isso, recorri ao inesgotável interesse humano por acidentes com aviões para trazer um pouco de luz a esse tema tão em queda, digo, em alta.

Em caso de pouso...

... numa ilha tropical: ver Lost e O Náufrago

... no deserto: ler O Pequeno Príncipe

... na Hungria: ler Budapeste

... numa montanha gelada: ver Alive

...num pântano nojento: ver O Império Contra-Ataca

... no passado: ver O Planeta dos Macacos

... na Bósnia: ver Atrás das Linhas Inimigas

... no Planeta Terra: visitar Roswell, nos EUA

... em um aeroporto, durante uma nevasca, com um terrorista a bordo: ver O Aeroporto.

... na Floresta Amazônica, com uma jararaca na poltrona do meio: ver Serpentes a Bordo

... com as asas de cera derretidas: ler a Lenda de Ícaro.

Tenham um bom vôo.

* Obrigado Leo Paiva pelas contribuições.

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07 Fevereiro, 2007  

O amor é brega mas é bonito

Foi uma notícia publicada hoje em O GLOBO que motivou este post.abraço eterno Ele fala da descoberta de dois esqueletos com mais de 5 mil anos que desrespeitaram o "até que a morte os separe" instituído alguns milhares de anos depois de sua morte.

Encontrado na Itália, o casal está visivelmente abraçado, olhando um para o outro. Ele parece estar segurando de leve o queixo da amada, como quem diz "Não se preocupe. estamos juntos até o fim".

O que terá acontecido a eles? Seriam estes os corpos de Romeu e Julieta? Seria a história desse casal a inspiração de Shakespeare ao criar sua peça?

Morrer junto de quem se ama é um privilégio de poucos. E um tema recorrente na arte. Como diz Morrissey, em There is a light that never goes out:


And if a double-decker bus crashes into us
To die by your side is such a heavenly way to die
And if a ten ton truck kills the both of us
To die by your side, well, the pleasure and the privilege is mine

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23 Janeiro, 2007  

Babel: o que nos une é a dor e a Coca-Cola

Segundo a Bíblia, no início dos tempos todo mundo falava a mesma língua. Se você dissesse “coé, brod, tá ligado na parada?”, um japonês responderia de bate-pronto: “sóóó...”.

Brad Pitt e Cate Blanchett em BabelMas como o Homem não presta e começou a arrumar quizumba, e para evitar a falência prematura dos cursos de idiomas que seriam criados milênios depois, Deus inventou os dialetos e línguas para nos punir. É por isso que, hoje, seu filho fala com você e você fica olhando desesperado para a mãe dele, esperando por uma tradução simultânea.

Línguas, culturas, sociedades... Poderíamos ser um só, mas somos muitos só para a gente ver o que é bom para tosse.

É sobre os efeitos deste castigo que fala Babel, filme ganhador do Globo de Ouro, do mexicano Alejandro González Iñárritu. Fala de intolerância, de inconseqüência...

Numa espécie de “Efeito Borboleta” anti-globalização, Alejandro e seu parceiro Guillermo Arriaga mostram que o que nos une é a dor e a Coca-Cola. E talvez a inconseqüência sobre nossos atos. Dor, preconceito, inconseqüência e Coca-Cola (Sprite, Fanta, Coca Light...) unem Estados Unidos, México, Marrocos e Japão.

Nesses quatro países, histórias que se passam em idiomas, cenários e até tempos diferentes (uma ligação atendida no começo do filme só é feita pelo outro personagem no final) se amarram em nós indiscutíveis, em paralelos de causa-efeito às vezes até artificiais demais. Mas os escorregões na trama são facilmente superados pela bela fotografia, direção de câmera e pelas atuações impecáveis de Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, e dos demais atores iniciantes, menos famosos mas igualmente convincentes.

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09 Janeiro, 2007  

Viva! Começou o Big Brother Brasil 7!

Finalmente podemos parar de ocupar nossas cabeças com bobagens como o Iraque, o aquecimento global, a aposentadoria do Coronel Marco ou as milícias no Rio de Janeiro.


Começou o Big Brother Brasil 7!


Para brindar esse momento de eloqüente regozijo cerebral, e nosso tão auspiciado encontro com estes primorosos cérebros do povo brasileiro, reproduzo o discurso proferido há alguns minutos (são 22h50 da noite de estréia do BBB7) pela ex-Big Brother e atriz global Grazielle Massafera, para dar as boas-vindas aos novos participantes:


"Acho que vocês devem aproveitar bem estes três meses, para quem ficar os três meses, claro, e encará-los como umas férias e uma oportunidade de exercitar o auto-conhecimento de si mesmo"


Viva a cultura nacional!

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Você sabe que virou um monstro capitalista quando:

1 - Não conquista as mulheres. Faz uma aquisição hostil. "Ontem dei um take over naquela gata..."

2 - Depois do take over, você não pede a mulher em casamento. Você apresenta uma proposta de fusão.

3 - Você faz declarações de amor em power point

4 - Você recicla as declarações que fez para a ex-namorada para ter "ganho de escala".

5 - Você pára de dar "bom dia" porque se todos derem "bom dia" o valor de mercado de um "bom dia" vai cair. E ninguém merece um "bom dia" que não vale nada.

6 - Você faz as finanças pessoais em Excel mas se auto-engana com maquiagens fiscais.

7 - Você distribui sopa aos pobres mas antes chama o sogro e a sogra para testemunhar seu marketing social.

8 - Você pega o ônibus no ponto final para poder vender o lugar sentado para velhinhas e gestantes.

9 - Você compra ações da Sinaf sempre que há crise na Saúde.

10 - Contesta o "racha" na conta do bar alegando que comeu menos batatas-fritas que o resto do grupo. E guarda algumas para vender aos amigos depois que a conta já estiver fechada.

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14 Dezembro, 2006  

Mamífero come dinossauro

A informação está no pé de uma matéria de Reinaldo José Lopes, do portal G1 (leia aqui), sobre mamíferos malandros que planavam de árvore em árvore para tirar onda com a cara de dinossauros.

Foto de mamífero voador, do G1Ao mencionar outros mamíferos de responsa, o repórter cita o grandalhão Repenomamus, que tinha quase um metro e... pasmem!... comia bebês dinossauros.

Eu devia estar dormindo, contando pterodáctilos, quando esta notícia saiu. Fato é que ela soou como novidade para mim, e uma novidade daquelas.

Quantas vezes nos achamos pequenos demais para dar conta dos problemas que caem feito meteoros sobre a gente? Siga o exemplo de nossos ancestrais. Quando um T-Rex vier pela proa, tome a dianteira e coma o calango-gigante enquanto ele ainda é bebê.

Repita consigo mesmo: "eu sou mamífero e não desisto nunca".

Com determinação e dentes afiados, a gente come até dinossauro.

Te cuida, Horácio!

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17 Setembro, 2006  

Eduardo Galeano na Uerj (ouça a palestra)

No comecinho de setembro, tive a oportunidade de assistir a uma palestra do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Dono de uma simpatia e simplicidade ímpar, falou por mais de uma hora para uma platéia de estudantes e professores de espanhol na abertura de um simpósio internacional na Uerj.

O tema da palestra era "O poder da palavra", e o conferencista, falando em português e lendo textos seus em espanhol, reservou boas delas para os ouvintes. Um show de bom senso, coerência, visão de mundo e poesia.

Como todo bom escritor latino-americano, orgulha-se de ser o que costumamos rotular de comunista ou socialista. Confesso que, fora das frias páginas da teoria, já não sei dizer o que estes termos significam. Prefiro não me prender a estereótipos. Chame do que quiser. Eduardo apenas quer um mundo justo e igualitário. É pedir muito?

Gravei a palestra e a sessão de perguntas. Para ouvir, clique nos links abaixo. Para salvar os arquivos (formato MP3), clique com o botão direito e selecione "Salvar arquivo como...".

Palestra de Eduardo Galeano na Uerj (MP3 - 45 min. - 2,6 Mb)
Perguntas a Eduardo Galeano na Uerj (MP3 - 25 min - 1,5 Mb)

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11 Setembro, 2006  

O 11 de setembro nosso de cada dia

Onze de setembro. Dia de ficar com pena dos Estados Unidos. Dia de lembrar que a história é contada pelos vitoriosos. Mesmo se esta é a história de uma derrota.

Se tivessem morrido pessoas nas Torres Gêmeas na mesma proporção com que vidas civis se perdem no Iraque, teriam sido milhões, e não duas mil, as vítimas daque fatídico dia de céu azul em Nova York.

Então por que não nos comovemos com as histórias dos bombeiros heróicos que sobreviveram a um bombardeio cirúrgico americano? Por que nos preocupamos em rezar pelos mortos do velório na capelinha quando há uma vala comum lotada atrás de nós?

Rio de Janeiro. Um Honda em alta velocidade bate. Capota. Cinco belos jovens de classe média morrem. Uma morte estúpida. Imbecil. Desnecessária. Chocante. Vira manchete de jornal. A TV cobre a missa de sétimo dia. A classe-média-indignada veste camisetas e ameaça tomar as ruas em passeatas contra a imprudência no trânsito.

Poucas semanas antes, um carro em alta velocidade acerta a traseira de um caminhão. Cinco jovens morrem de forma estúpida. Imbecil. Desnecessária.
Eram jovens pobres. Vinham de um Baile funk. O outro carro capotou na Lagoa. Este, bateu na Avenida Brasil.

O acidente ganha espaço nas páginas dos jornais populares.

Ninguém vestiu camisetas contra a imprudência no trânsito. Ninguém cobriu a missa de sétimo dia.

No nosso onze de setembro diário, nós somos ao mesmo tempo árabes e americanos.

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06 Setembro, 2006  

O peito do pé do Pedro

O peito do pé do Pedro é preto
O dedo do pé do Pedro é preto
O braço esquerdo do Pedro é preto
O braço direito do Pedro é preto
Pedro é preto
Pedro não conheceu o pai
Pedro não consegue arrumar emprego
Pedro nunca entrou numa universidade
Pedro ganha menos pelo mesmo trabalho
Pedro é sempre parado em blitz
Pedro é confundido com bandido
E tudo o que as pessoas se lembram
é que o peito do pé do Pedro é preto

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01 Setembro, 2006  

O dono da bola

Todos sabem que os filósofos, quando se cansam de divagar sobre o Cosmos em seus escritórios empoeirados, pegam seus carros amarelos e saem por aí disfarçados de taxistas. Pois bem. Outro dia fiz sinal para um filósofo no Centro do Rio de Janeiro, e ele me levou para uma viagem até minha casa, passando pelo real sentido da inclusão social.

Ao parar em um sinal do Centro, já quase deserto e recebendo os primeiros habitantes da sinistra noite urbana, fomos abordados por um senhor gordo, de longa barba branca. Ele parecia um Papai Noel maltrapilho, e vendia bolas de futebol. Ofereceu uma ao taxista, por R$ 10. Este recusou educadamente e o vendedor respondeu, sorridente, no mesmo tom. E partiu para oferecer suas bolas para outros motoristas.
Então meu filósofo particular entrou em campo.

-- Ora, veja só -- disse ele. -- Antigamente quem tinha uma bola era rei. Era o dono da bola. O cara podia ser um perna-de-pau danado, mas se tivesse uma bola, tinha o poder. Era escalado em qualquer time. Afinal, sem ele não tinha jogo. Hoje não. Qualquer um tem uma bola.

Ele não se deu conta, mas havia identificado a maior inclusão social já ocorrida no Brasil. Maior que a inclusão digital, telefônica ou educacional, vivemos a inclusão bolotal. Agora todo mundo é dono da bola.

O que se conclui disso? Que é realmente verdade que quando todos têm o poder, ninguém tem de fato poder algum. Nenhum pereba se escala na pelada de domingo por ser dono da pelota. É preciso talento ou, ao menos, amigos influentes.

Isso quer dizer que muito mais gente pode jogar futebol agora. E que, aos ruins de bola, cabe a triste sina de ficar na arquibancada ou, no máximo, marcar o Alam(brado). Esses pernetas podem ocupar seu tempo estudando. E de zagueiros medíocres acabarão virando grandes cientistas. Ou símbolos da revolução maior que se materializa sobre nós: o fim dos donos da bola.

A indústria das telecomunicaÇões ainda é dominada por alguns donos da bola. Incluo aí os grupos de mídia. Num país de 180 milhões de pessoas, contamos nos dedos da mãos aqueles que definem os que os demais assistirão na tevê, por exemplo. Como o modelo da TV Digital foi escolhido por estes mesmos donos da bola, é possível que percamos a enorme oportunidade de distribuirmos bolas às pessoas. Se ficarmos como telespectadores passivos deste cenário, tudo o que teremos é um Vale a Pena Ver de Novo com a Narjara Tureta em altíssima resolução.

A esperanÇa pode estar na iptv, comandada pelos donos da bola das telecomunicações. Como eles não se forjaram em cima de um oligopólio das idéias (mas sim num oligopólio das redes de comunicação), estes grupos estão aptos a permitir uma internetizaÇão da TV.

A inclusão digital no Brasil não se dará por computadores. No Japão foram celulares. Aqui serão os televisores. Então nosso Youtube não nascerá na internet. Quando pudermos "ser", e não apenas "ver" nossa própria programação de tevê, aí sim seremos os donos da bola da mídia. E quando todos são os donos da bola, ninguém será "O" dono da bola. Parafraseando Renato Russo, para uma sociedade, o maior poder é quando ela se permite que ninguém tenha poder algum. Essa revolução não cairá sobre nosso colo, da mesma forma que ninguém nunca me escolheu para a lateral direita de seu time. Nós precisamos fazê-la acontecer. O momento é esse, e não dá para ficar ajeitando o meião, nem marcando o alambrado.

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24 Maio, 2006  

Malditos humanos!

Não costumo publicar links aqui, mas esse vídeo é realmente sensacional. Recentemente concluí que o Ser Humano é inviável por natureza. Nenhuma outra razão a não ser nossa inviabilidade genética explicaria coisas como o Garotinho, o PT ou meu querido Fluminense. Simplesmente fomos programados para desenvolver nossos cânceres diários de egoísmo, ganância e auto-destruição.

Esse vídeo de animação é um alerta para a galáxia sobre o perigo que nós representamos.

http://threeleggedlegs.com/humans/

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16 Maio, 2006  

Tudo que importa na vida tem poucas letras


Num dos raros arroubos filosóficos em dias tão atribulados profissionalmente, divaguei sobre o que realmente importa. Cheguei à conclusão de que tudo na vida que é verdadeiramente fundamental tem poucas letras. Até quatro, em sua maioria. Faça o teste você mesmo. Ar, sol, mar, pai, mãe, água, luz, fé, Deus, pão...

E não é por acaso. Quando o Ser Humano aprendeu que poderia falar, e que poderia ser bastante divertido dar nome às coisas (especialmente quando fazer mímicas para tudo se tornou bastante cansativo), ele começou pelo simples. É claro! Imagine que você é um neanderthal e percebe que existe algo azul sobre você. Algo que você nunca toca, mas que está sempre lá. Algo que é tudo aquilo que não é chão (supondo que você já nomeou o chão).

Você olharia para cima e chamaria aquela imensidão azul, ainda não batizada, de abóbada celeste? Ou de pleniruplexo? Claro que não. Daria um nome simples. Sei lá. Talvez céu. As primeiras coisas a batizarmos, exatamente por serem as mais importantes, ganharam os nomes mais curtos. Ouso apostar que tais coisas possuem nomes simples em qualquer idioma. Até em nórdico ou chinês.

Moral da história? Desconfie e desabpegue-se de qualquer coisa com mais de 8 letras.

P.S. iPod tem quatro letras por puro engano.

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