É verdade. Não gosto. Do nome. Cansa a quantidade de vezes em que temos que explicar que mídia social não tem nada a ver com ONGs, abraçar árvores ou apoiar a pastoral do menor. E social tem, pra nós brasileiros, essa eterna associação humanitária-assistencialista.
E o problema não termina aí. Mesmo quando as pessoas entendem o social pelo lado de “fazer social”, ou seja, de coisas que se faz junto de outras pessoas, há quem interprete o “mídia” como sinônimo de “aquilo que os profissionais que trabalham com Excel fazem para publicar ou veicular em revistas ou TV a criação dos criativos”. Há muita gente que entende mídia social simplesmente como uma opção barata e moderna ao banner. Ou ao quadradinho no jornal. Ou à meia página. Ao spot de 30 segundos.
Não vou dizer que a mídia social não ajude nesse sentido. As ações de seeding, que a cada dia chegam mais, são isso. Alguém cria um produto ou campanha e recorre às agências de mídia social para escoar essa mensagem como parte do plano de mídia. Já fiz isso pelos dois lados (pela agência que cria e pela que escoa) e a coisa existe e, quase sempre, funciona.
Mas mídia social é mais que isso. Muito mais.
Pra começar, mídia social é uma tradução meio capenga. Melhor seria “meio social”, no sentido de ecossistema social. Ou mesmo de sistema social, porque as redes sociais nada mais são do que sistemas onde todo mundo é administrador. Onde as conexões são feitas entre pessoas e não máquinas. O meio social é a matrix.
Mídia social pressupõe olhar a relação mensagem-consumidor-produto de forma radicalmente diferente. Matricial e complexa no lugar de linear. Pressupõe, portanto, repensar o lugar do consumidor na cadeia produtiva. Ele sai da ponta para estar presente de ponta a ponta. Isso vale pra publicidade, é claro, mas também para tudo quando é “P” do marketing.
Mídia social pressupõe repensar o papel dos veículos. Repensar o papel do mídia. E também da criação. Como é que você quer que a agência de mídia social propague um conceito ou produto que tem problema? Ou que é ótimo, só não foi pensado de forma a ser facilmente propagável?
Montar uma estratégia de mídias sociais é botar na equação uma complexa soma de fatores (quem serão os vetores, em que contexto, por que motivos) e criar uma rede de canos. Aí você fica prontinho, com seus canos a postos, esperando as esferas que o cliente ficou de entregar. Então o boy da empresa chega com um pacote cheio de cubinhos e fala “propaga aí”. Não rola. Os cubinhos vão ficar paradinhos entupindo teu cano e, depois, é você que entra por ele (e entala). Quando a estratégia de mídia social permeia desde o início da campanha, é melhor. Desde o início do produto, é ótimo.
Isso é mais que abraçar árvore. É mais que panfletar mensagens. Adoraria se tivéssemos um outro nome para “mídia social”. Um que fosse digno do tamanho daquilo que ele representa.
Tive a oportunidade de colocar as mãos em um dos dois únicos exemplares no Brasil do próximo smartphone da Sony Ericsson, o esperado Xperia X1, primeiro exemplar de uma nova linha, que virá se juntar às bem-sucedidas franquias Walkman e Cybershot.
O Xperia é o “iPhone Killer” da Sony Ericsson. Para isso, conta com uma tela sensível a toque com incríveis 800x480 pixels. Sim, o celular tem uma tela VGA widescreen, meus amigos. Dá para se ver um DVD com perfeição.
O exemplar que pude futucar era ainda um protótipo, e por isso nem tudo estava funcionando. Pude ver o Windows Mobile em ação (normal, sem grandes customizações, ao menos na versão do protótipo). Mas a interface de seleção de aplicativos, um mosaico com 9 thumbnails das telas estava lá, dando um ar super fashion pro bom e velho alt-tab.
Mas, sem dúvida, o ponto alto do aparelho está no lado de fora. Não que processamento, memória e funcionalidades não sejam generosos, mas é que a aparência e a ergonomia do X1 são fantásticas.
Pra começar ele é pequeno e leve, apesar da tela enorme. E seu fundo apresenta uma curvatura que faz com que ele se encaixe nas mãos. O tecladinho deslizante é suave e fácil de se utilizar. Não fica devendo em nada aos Nokia ou HTC com teclados.
Pena que era apenas um protótipo e, mais ainda, que não era meu. Ficou gostinho de quero mais.
A rede muda o tempo todo, como blocos de gelo se movendo sobre o mar gelado. Nesse sentido, o Twitter é a ponta de outro iceberg que esse organismo vivo e mutante que é a internet se prepara para jogar sobre nossas cabeças.
Não porque inaugura a era das conversas, idéias, discussões e manifestos em 140 caracteres (nunca imaginei que coubesse tanta coisa em tão poucas letras). Nem porque revela novos formadores de opinião e deliciosos usuários fake (o Oscar do Twitter para o @darthvader, por favor).
Na verdade, é por tudo isso que o Twitter é um iceberg desgovernado pilotado por um mamute míope, mas sobretudo por uma característica peculiar: ele é uma rede social diferente em sua estrutura, em sua mecânica e nos vínculos que unem seus membros. Pois vejamos:
- É unilateral: Ao contrário das redes sociais convencionais, o vínculo de amizade no Twitter é fraco. Para começar, não se pede autorização para se seguir alguém. Você segue, e ponto. Nem escolhe quem vai segui-lo, embora ainda possa bloquear pessoas. Isso muda tudo. Primeiro porque não há tantos escrúpulos em se deixar de seguir alguém. Excluir alguém de seu Orkut é dramático. Rende até música. É quase como rasgar fotos ou arranhar o vinil do Odair José do outro. “Desseguir” alguém no Twitter é normal.
Ainda por ser unilateral, cria figuras diferentes. No lugar dos dois extremos (solitário e popular), temos as diferentes gradações. Tem os seguidores natos, que praticamente ouvem e nada criam. Há os formadores de opinião, com poucos seguidos e milhares de seguidores. E há os neutros, onde boa parte dos seguidores na verdade estão retribuindo a gentileza de serem seguidos. No mundo das redes sociais, onde status é a moeda corrente, isso muda tudo.
- É totalmente estruturada em seus membros: Não existe um portão da comunidade entre o público externo e seus membros. O sentimento de que se está “dentro do Twitter” é diferente de o sentimento de se estar “dentro do Orkut”. Além disso, sua extrema simplicidade difere do ambiente cada vez mais repleto de aplicativos das redes sociais convencionais. Ele é simples e direto.
- É uma rede efêmera: Esse é um dos pontos que mais me fascinam e em que mais aposto no longo prazo. O uso das tags (palavras iniciadas com #) permite que comunidades se formem de forma instantânea e efêmera enquanto o assunto (um evento, um meme, uma pessoa) estiver em voga. É o que acontece durante transmissões esportivas, por exemplo.
Usando a busca do próprio Twitter (o antigo Summize) ou outras ferramentas, os usuários iniciam um diálogo “maluco” onde não há um interlocutor definido. É como se ilustres desconhecidos subissem em seus telhados e gritassem com megafones frases sobre um assunto específico. E eles ouvirão uns aos outros, falarão ao mesmo tempo e, com boa vontade, vão acabar se entendendo.
Em nenhum momento eles necessariamente estabelecem vínculos entre si (amizades), nem com o tema (comunidades). Quando o assunto morre, cada um desce de seu telhado e a rede se desfaz.
O que ficam são os seguidos e seguidores que podem se formar e o histórico da conversa, publicado nas páginas de cada participante. Mas, salvo na busca pela tag, isso permanece de forma totalmente dispersa. Para quem olha a parte, e não o todo, há apenas fragmentos sem sentido completo.
Isso tem grande impacto em como entendemos as redes sociais, os papéis das comunidades e especialmente em como quantificamos isso em nossos sistemas de mensuração. Que métricas precisaremos desenvolver para capturar isso?
O Twitter não é o fim. Mas ele é um modelo para as redes sociais do futuro que, no rastro da abertura permitida pelas APIs de integração inter-redes, serão cada vez mais abertas, transparentes, multiplataformas e efêmeras. Redes sociais sem muros nem membros, mas com milhares de construtores.
É fascinante esse mundo onde o chão é sólido como gelo. Que nosso mamute míope não encontre muitas baleias em seu caminho.
O papel social dos blogs e a polêmica do "blog de aluguel"
O papel do jornalismo é levar informação e opinião para as pessoas.
Blogs não são jornalismo. Ou pelo menos não têm a menor obrigação de ser. Mas cada vez mais pessoas confiam nos blogs como fonte de informação.
Vocês se lembram por que os blogs cresceram? “Porque eram feitos por pessoas apaixonadas e não estavam sujeitos ao viés editorial da grande imprensa”. Foi a liberdade, a autonomia, que fez a blogosfera crescer.
Não porque traz reportagens apuradas por isenção, mas porque o blog é, em essência, opinativo.
E você confia numa opinião de uma pessoa física (vulgo ser humano), mas não de uma pessoa jurídica. Por quê? Não sei. Algum complexo capitalista/colonizado de que “pessoas são boas” e “empresas são más”.
Mas fato é que as pessoas pensam assim, concordemos ou não. E isso fez a blogosfera florescer, com sua enorme gama de gente incrível falando coisas fantásticas e gente idiota falando bobagem.
Mas aí uma coisa aconteceu. Os blogs - tão sem querer como artistas que de repente viram celebridades e se fascinam/espantam com o assédio – tomaram o papel social da imprensa de formadora de opinião.
O que faz um jornal ser um jornal? A estrutura administrativa da empresa? O poder de escrever coisas e imprimir em papel que suja a mão? Ou uma instituição com um papel definido na sociedade?
Quem assume – querendo ou não – um papel na sociedade arca com os ônus e os bônus disso. Preservar a integridade dessa relação é um deles.
Isso significa que devemos todos ser blogueiros filantrópicos-budistas-marxistas? Que devemos nos benzer ao ver uma nota de R$ 100? Chamar a polícia cada vez que um “mimo” chega na caixa de correio?
Não. Todo mundo tem o direito de ser reconhecido (financeiramente, inclusive) por aquilo que faz bem. E se isso acontece com um blogueiro, é porque ele passou a fazer parte de um mundo não de pessoas físicas, mas de pessoas jurídicas. Um mundo de transações. Com sua ética própria. Ônus e bônus próprios.
O que me parece é que adoramos o flash dos fotógrafos mas ficamos p* quando os fãs vêm pedir autógrafos. Nada contra quem quer brincar. Mas ou segue as regras ou nem desce pro play.
Receber um presente e fazer um post sem dizer que ele foi motivado pelo presente é trair o vínculo de confiança estabelecido com o leitor. Num blog meramente pessoal, ok. É seu “personal weblog”, você escreve o que quiser nele. Mas se ele passa a ter papel econômico (gera “receita”) e social (forma opinião), a coisa muda de figura.
Reforço aqui que não sou contra os mimos, especialmente quando ele é o produto em si, enviado para ser degustado/resenhado. Mas se você ganha um produto B de presente e fala bem do produto A sem dizer a motivação para o “elogio”, isso não é opinião. É permuta. Jabá. Mesmo dizer discretamente, como os “publieditoriais”, é meio estranho.
Notaram? Há uma diferença sutil entre enviar seu produto para formadores de opinião (dar um livro, um ingresso para uma pré-estréia, convite para uma apresentação, test-drive exclusivo etc) e dar algo de valor monetário que não é o produto em si.
Receber a bacaninha geladeira da Coca-Cola não é pecado nenhum. É sinal de que o papel social como formador de opinião está sendo bem cumprido. Fazer um post, sem problema. Elogiar o produto sem falar do presente? Estranho. É se arriscar a receber, sim, a alcunha de “blog de aluguel”. Ou de "varal de release", como se diz na imprensa. O problema é quando se generaliza e rotula-se toda a blogosfera por alguns gatos pingados.
Mas isso só acontece porque estamos no meio de um processo, em um mercado imaturo ainda, que tem muito a crescer. As mídias geradas por usuários e as redes sociais são o fantástico e inevitável caminho da propaganda. Não fosse não teria eu mesmo migrado para uma empresa especializada nisso, e não distribuiria produtos a blogueiros (sim, eu faço isso) na esperança de que blogueiros gostem dos produtos que enviamos e resolvam falar bem deles. Ou que falem mal. Ou que não falem nada.
Como profissional de comunicação, faz sentido que eu queira mandar pro editor de um blog um produto bacana de um cliente meu que tenha tudo a ver com um blog de produtos bacanas. Faz sentido que eu imagine que o editor de um blog de coisas bacanas possa ter interesse em compartilhar essa coisa bacana com seu público. Se ele achar bacana. Se ele estiver a fim de postar.
Mas não deixa de assustar quando tentamos nos aproximar da área editorial de um blog e recebemos um mídia kit com o preço do post tabelado. Se esse é o futuro, é bom que isso seja combinado com todo mundo, até para que eu, como leitor, saiba quem é veículo de conteúdo e quem é “Páginas Amarelas”.
Pra terminar esse longo post, ressalto que blogueiro não tem que ter vergonha de ser formador de opinião e receber os louros e arpões inerentes a isso. Não temos que ver os blogs como terreno sagrado onde publicidade é pecado. Quero ganhar dinheiro pelo lado da agência e quero ver meus amigos blogueiros ricos. Mas todo poder traz sua devida dose de responsabilidade.
Está na hora de nos unirmos para fortalecer cada vez mais as redes sociais. Até porque, se a gente mata justamente aquilo que fez a blogosfera crescer (a ousadia, a personalidade, a identidade fragmentada em zilhões de blogs que se cruzam o tempo todo), ela morre. Estamos vendendo a raiz para pagar o adubo da planta!
(ou como uma empresa deve se comportar quando entra na festa dos outros)
1. Você é o convidado. Não tente chamar mais atenção do que o anfitrião.
2. Quando você chega numa roda de pessoas que estão conversando, qual sua atitude:
a. Você fica calado um tempo tentando captar qual o assunto da conversa e então tenta fazer algum comentário que contribua; ou b. Você interrompe quem está falando e diz como foi emocionante o último empate entre XV de Piracicaba Vs. Madureira?
3. Sair distribuindo seu cartão de visitas a todos os convidados não é a melhor forma de ficar enturmado e querido.
4. Tem festa de tudo que é tipo. Tem desde festa de colecionador de salgadinho (que vai adorar uma lembrancinha) até festa-cabeça onde falar de trabalho será muito, mas muito mal recebido. Veja antes qual o perfil dos convidados.
5. Os sites de relacionamento e as redes sociais não têm esses nomes por acaso. Ser social... construir relacionamentos... “construir”, viu, e não “comprar”... isso diz alguma coisa a você?
6. Cresça, filho único. Você não é mais o centro das atenções.
7. Aprenda a ouvir não. Nem todo mundo vai te amar, nem todo mundo vai te dar um gole da Coca-Cola, nem todo mundo vai te oferecer quibe. Isso já acontecia antes. A diferença é que agora vão falar na sua cara.
8. Se você levar presentes para a festa, provavelmente a turma vai gostar. Mas não espere que eles retribuam na mesma moeda.
9. Não puxe papo e vire as costas quando finalmente forem te responder.
10. Amor de carnaval é só no carnaval. Cuide, zele e faça crescer os relacionamentos que você fizer. Não tem essa de dizer que estava bêbado e não se lembra de nada.
A rede mundial de pessoas e essa coisa chamada internet
Algumas coisas óbvias podem ser surpreendentes. Aliás, olhar e analisar o óbvio é um saudável exercício que todos deveriam praticar. Aconteceu comigo quando fui tentar resumir o que, hoje, é a internet.
Foi como estar num restaurante giratório. Você dá a primeira garfada no bife enquanto observa a vista. E quando está encurralando a última ervilha na borda do prato, olha de novo para a janela envidraçada e se surpreende por tudo estar diferente. Você sabe que está no mesmo restaurante, na mesma cidade, com o mesmo bife com ervilhas, sabe que o restaurante está girando e ainda assim se surpreende ao notar, de repente, que o panorama mudou completamente.
Quando a internet ganhou as páginas dos jornais, na segunda metade dos anos 90 (e quando a maioria de nós formou sua visão do que é esse treco), a palavra-chave para ela era ACESSO. É só lembrar. Uns 9 em 10 comentários mencionavam o fato de você “poder ver os quadros do Louvre sem sair de casa”. Ou a ver Biblioteca do Congresso Americano. Ou acessar as livrarias e lojas do mundo todo. Ou tentar acompanhar uma rádio da Bósnia pelo RealPlayer, com aquela sua conexão horrorosa e picotada.
A internet abriu as portas para um novo mundo. E como era esse mundo? Bem dizia toda e qualquer menção a ela na Rede Globo: “internet – vírgula – a rede mundial de computadores – vírgula”. Era você, humano, entrando num emaranhado de máquinas. Tron. Matrix. Neuromancer.
Éramos forasteiros. Voyeurs de dados.
O que a gente fazia na rede? Surfava. Navegava. Pulava de site em site. A internet, estar online, era, em si, a atividade. Meio e fim.
E nos fascinamos em acompanhar cada passo, cada software, cada inovação, cada viral. Tão atento que somos em buscar o hoje, o agora, o daqui a pouco, nos surpreendemos ao olhar pela vidraça e perceber que, de forma tão contínua que nem notamos, o panorama mudou completamente.
A cada dia, avalanches de novos brasileiros entram na internet. Entram em lan-houses. Ou em seus computadores Positivo comprados em 24 vezes nas Casas Bahia. Brasileiros jovens. Brasileiros velhos.
Brasileiros que nunca ouviram falar do Cadê?. Nunca acessaram o Yahoo!. Nem sabem do JB Online, o primeiro jornal brasileiro na internet. Desconhecem IRC, Napster, guerra dos browsers. A internet deles é outra. Completamente diferente.
Eles têm o Orkut como ponto de partida. Como seu sistema operacional. É no Orkut que interagem com fotos, com vídeos, com amigos. O MSN é seu e-mail. E para eles, internet não tem nada a ver com acesso. Internet, para eles, é RELACIONAMENTO.
Essa geração (não só etária, mas sobretudo econômica) nunca conheceu uma web solitária, da navegação noturna, surf virtual madrugadas a dentro. As redes sociais não são a mais nova e quente novidade. A web para eles é necessariamente uma atividade social. É inerente. Faz parte. Pão e manteiga. A característica gregária de novo povo, então, torna isso ainda mais forte.
Para eles, a internet não tem a menor cara de “rede mundial de computadores”. É uma rede de pessoas. Amigos, dos amigos, dos amigos. Comunidades das comunidades.
Quando eles “surfam”, é praticamente uma pesca com rede de arrasto. Recentemente, o guru Jacob Nielsen alertou: “os usuários estão ficando mais egoístas e impacientes”. Claro. Nunca tiveram modem de 2.400. Não se fascinam com hiperlinks, sites que se ligam... entram no Google, digitam o que querem, entram no site (pela porta dos fundos), resolvem sua vida, caem fora e vão socializar. A internet já não é fim, é meio.
A gente vem falando isso há alguns anos, mas é como um petista no poder. De repente aquele discurso todo vira realidade, ali do lado de fora da janela giratória. Visões e sonhos realizados são sempre assustadores, porque a gente precisa rapidinho achar algo novo pra sonhar.
Entender, embarcar e respeitar essa nova dinâmica social da rede, portanto, está longe de ser a “nova moda dos publicitários”. E, mais importante, não está ligada a tecnologia nenhuma. Second Life, Orkut, Open Social... não importa.
A gente finalmente não está mais falando de computadores.
Já não somos forasteiros na matrix. O mundo é o nosso. Mundo real. Com baleia morrendo, aquecimento global, dengue, PT, Bush e créu. Esse mundo que é uma grande rede mundial de pessoas, onde elas propagam idéias em velocidade estonteante. É nele que estamos inseridos. É ele que vemos do lado de fora da janela. É ele que vemos quando ligamos nossos computadores, celulares, videogames e nabaztags nessa coisa chamada internet.
Enquanto você está dormindo, tem um japonês estudando. Enquanto você está comendo, tem um japonês estudando. Enquanto você está lendo blogs,tem um japonês estudando. Enquanto você está procriando, tem um japonês estudando. Enquanto você está no trânsito, tem um japonês estudando. Enquanto você está vendo futebol, tem um japonês estudando. Enquanto você está sambando, tem um japonês estudando. Enquanto você está trocando a frase do MSN, tem um japonês estudando.
Enquanto você está no banheiro, tem um japonês estudando.
Resistir é inútil.
Também é inútil se desesperar por causa disso.
A verdade é muito pior.
Enquanto um japonês está no banheiro, tem cinco chineses estudando.
* Baseado no aforisma "enquanto você está c*g*ndo, tem um japonês estudando", de Allan Kirsten.
Sinal dos tempos. Ontem, comprando alguns acessórios plásticos para banheiro na Casa & Vídeo, entro na fila, cercado de balas e chocolates e me encaminho a um dos caixas.
Ali, enquanto espero a caixa checar os códigos de barra, começo a olhar para aqueles produtos expostos ali esperando por nossa compra por impulso. Os "suspeitos usuais" estavam por lá: pilhas, mais balas e chocolates, agarradinhos... e pen drives Kingston.
Isso mesmo! Pen drive (512Mb por R$ 19,90) ali, na boca do caixa, ao lado das Balas Garoto.
Quando mesmo custava o megabyte de armazenamento há 10 anos?
Não sei se algum guru já cantou essa pedra, mas se eu fosse você eu largaria agora esse mouse e pararia por uns minutos para pensar em como redirecionar sua carreira para um único e simples propósito: trabalhar em algo relacionado ao trânsito de veículos.
Escrevo isso inspirado pelo vídeo abaixo (que descobri no Update or Die), que só reforça uma teoria que há muito me persegue: o trânsito é mágico.
Pense comigo. Com o crescimento acelerado da indústria automobilística o destino de toda cidade é se tornar uma grande São Paulo (acredite, essa não é uma boa notícia), e o destino de São Paulo é se tornar algo entre Constantine, Guerra dos Mundos e Platoon.
Passamos cada vez mais uma considerável parte de nossas vidas no trânsito. Encará-lo como uma doença crônica é uma boa oportunidade de negócio. Vale investir (e lucrar) com a prevenção do problema (engenharia de tráfego, tecnologias de controle etc) mas também vale investir (e lucrar) em simplesmente tornar mais agradável a vida de quem passa horas engarrafado.
E aí? Qual vai ser sua grande sacada?
Se você não entendeu nada do vídeo, explico: os cientistas japoneses recriaram em laboratório os engarrafamentos sem motivo aparente. A causa real: as diferenças de frenagem e aceleração dos veículos, pequenos descompassos, quando somados e repetidos causam essas retenções.
Se um sistema de rádio das rodovias controlasse remotamente a velocidade dos carros, fazendo com que eles mantivessem uma velocidade constante e uma distância específica para o carro da frente, não existiriam engarrafamentos.
Aceitei o convite do blogueiro-amigo Rafael Cruz para escrever um texto para a "Semana do Artigo Livre", em um de seus blogs, o Tecnologia e Cinema. O desafio era dos mais cruéis: "escreva sobre o que quiser". Eu, num arroubo de criativididade, resolvi escrever sobre o quê? Tecnologia e cinema... Confiram no blog do Rafael ou aqui emabaixo.
Homens pré-históricos olham meio bolados para um bloco negro. Se cutucam. Esbarram. Se estranham. A porrada estanca. Um deles pega um enorme pedaço de osso. Percebe que aquilo o tornou mais forte. Mete a porrada nos outros. Vence a luta. Em comemoração, joga o osso pro alto. O osso sobe, e subimos junto, até o espaço, onde o osso se torna uma estação espacial. O mesmo homem, as mesmas ferramentas. A mesma cabeça de jegue pronta para fazer besteiras.
É engraçado como até hoje a gente acompanhe as feiras tecnológicas esperando aquilo que nos trará a redenção cibernética ou nossa terrível destruição. No campo do audiovisual, para quem acompanha o mercado do alambrado, me parece estarmos nessa situação, onde os suportes voltam ao centro de um debate onde nunca deveriam ser os protagonistas. O que tenho lido/visto/ouvido? Da inútil batalha HD-DVD x Blu-Ray. Que a gente poderá pedir pizza ou comprar a blusa da Regina Duarte com a TV digital. E que vamos ter que gastar uma grana no decodificador para que nossa experiência com “Zorra Total” seja transformada. Que a internet está destruindo a indústria do DVD.
É exatamente a mesma inócua discussão sobre o mercado de música. Parece que ainda tem gente jurando de pé junto que a indústria (ou a arte) é sobre hardware: discos, leitores, projetores. É tudo ferramenta. Osso. Que pode ser usado tanto para mandar o homem pro espaço como para esmurrar o quengo de um neanderthal. Pouco se dedica a estudar como criar/adaptar as obras para cada novo suporte. A famosa “quarta tela” do celular, por exemplo. Está cada vez mais popular e o que de conteúdo significativo temos para ela? Pouco.
Porque não dá para ver “2001″ numa tela de iPhone. E periga de a bateria acabar antes de “E o Vento Levou”. Como é essa mídia? Essa linguagem? Os notáveis esforços como o da Mobilefest ainda estão presos ao campo da experimentação. Coisas como as “Histórias contadas por coelhos em 30 segundos” deviam estar nas lojas, não apenas uma brincadeira da internet. Mas o mais bacana, o mais inerente ao ser humano (além cabeça de jegue pronta para fazer besteiras), ainda está em segundo plano: como contar histórias com os novos ossos que a indústria nos apresenta? Como contar histórias no celular? Numa sala digital de cinema? No iPhone? No Youtube? Muito se tem feito, mas não dá para dizer que já tenhamos uma linguagem. Alguma sugestão?
A cada conversa com um novo e fascinante desconhecido na Campus Party, a história era sempre a mesma. “Eu era publicitário. Agora trabalho com instalações digitais.” “Faço casemods para uns clientes.” A profissão do futuro não existe. Porque o futuro é um transitar entre saberes e disciplinas. O futuro é uma seqüência nervosa de cliques no Google. Para desespero de nossas mães, os nós do futuro não se graduarão com beca e diploma e seguirão suas carreiras. Eles construirão sua carreira. E as mães nunca vão entender o que exatamente seu rebento faz para ganhar a vida.
Isso a gente já vê. Eu era jornalista. Sei lá o que sou agora. As pessoas que se juntam a nós também não sabem o que são. Sabem do que gostam, e sabem do que sabem. E sabem que isso não se parece com nada que se aprenda na universidade.
Saber e fazer uma coisa só é pouco demais. A geração que nasceu com internet está chegando ao mercado de trabalho. Um dos dois (o jovem ou o mercado) não será mais o mesmo daqui pra frente.
Para empreendedores e executivos, o desafio está em saber como recrutar. Avaliar o quê? Como? Que testes estabelecer? Onde procurar? Em que faculdade encontramos gestores de comunidade? Engenheiros sociais? Arquitetos de interação? Em nenhuma. Em todas.
Aos poucos o preconceito com os novos e específicos cursos de graduação (como o curioso curso de Gestão do Carnaval, da Estácio de Sá) vai cair, porque no fundo o que faz diferença sempre foi e sempre será a pessoa. E a quantidade de coisas que ela quer fazer.
Desculpem pelo título 90% em inglês. Mas é por uma ótima causa. O Videolog.tv, da heróica dupla Edson Mackeenzy e Ariel Alexandre anunciou hoje durante a Campus Party a versão 3.0 de seu site. Para quem não sabe, o Videolog é tão pioneiro que antecede até mesmo o todo-poderoso Youtube.
Além de investir na criação de comunidades (o grande mote do momento), o site traz uma novidade de peso: o upload e a transmissão de vídeos em High Definition (HD). Pude ver uma demonstração, com o vídeo rolando em tela cheia e a coisa é mesmo de babar. Parabéns pra dupla.
O jornal O Globo de hoje traz uma reportagem sobre o projeto que pretende constrir a árvore genealógica da internet. O "Quem é quem no mundo da internet" (http://www.wiwiw.org) é um projeto internacional que envolve organizações por todo planeta, inclusive no Brasil.
Sabendo que toda lista é inevitavelmente injusta, por sempre deixar alguém de fora, segue minha sugestão (aprovada pelo Comitê o CIBT) para os 5 pioneiros mais importantes da Internet Brasileira, com os quais ou tive contato direto ou acompanhei de perto sua contribuição.
1. Carlos Afonso - seu trabalho à frente do Alternex fez com que sua organização se tornasse sinônimo de internet nos idos de 96.
2. Gustavo Viberti - a página pessoal www.iis.com.br/~gviberti já foi o endereço mais quente da rede. O que tinha nele? Um despretencioso guia de páginas chamado "Cadê?", criação de Gustavo Viberti. Junto com o sócio Fábio Oliveira eles comandaram a primeira grande negociação da bolha brasileira, a venda do Cadê?.
3. Odécio Grégio - ele era diretor de produtos de informática do Bradesco quando criou, em 1999, um furacão sem precedentes ao lançar o que seria a primeira oferta de internet gratuita, atropelando os ainda embrionários iG e BrFree. 4. Sérgio Charlab - criou o primeiro jornal brasileiro na internet, o JB Online, e ainda instituiu o conceito de popularidade de sites ".br".
5. Fernando Vilela (in memorian) - Fervil, que nos deixou prematuramente, criou a primeira revista brasileira sobre o ciberespaço. Tive a honra de comandar a edição da "internet.br" por vários anos e saber, com orgulho, que pude contribuir para criar a cultura da rede por aqui e para ensinar muitos brasileiros a fazer sua própria home-page. Tudo coisa da caixola do Fervil.
E você? Qual sua lista de benfeitores da internet.br?
“O diabo está nos detalhes”. No nome das coisas, por exemplo. Como se chama o período entre a segunda e a sexta-feira? “Dias úteis”. Como se o sábado e o domingo fossem dias inúteis e, como tais, dispensáveis.
Na relação trabalhista, esses dias também têm outra nomenclatura: “Descanso remunerado”. Ou seja, é a caridade do patrão que paga para você descansar. Como você recebe pelo domingo, conclui-se que descansar no domingo faz parte de suas obrigações como empregado.
Logo, a função do domingo é garantir que você trabalhe mais na segunda. Se você resolve pegar o domingão para ir à praia, à Convenção Jedi e a uma micareta, e chegar em frangalhos na segundona, seu chefe tem todo o direito de lhe passar um sermão.
É por isso que defendo mudanças nessa nossa relação com o trabalho. Tudo bem que realizar um ofício é super recompensador e bacana, mas a vida é um pouco mais que isso, certo? O que proponho:
Semana de quatro dias trabalháveis (antigos “úteis): trabalhamos de terça à sexta e usamos sábado, domingo e segunda como bem entendermos.
Carga horária de 10 horas diárias. Já trabalhamos isso mesmo, ou mais. Na prática, temos uma carga de quase 50 horas semanais. Oficializemos as 40 em 4 dias. Isso inclusive gerará mais empregos, acabará com as horas extras e não afetará a necessidade de produtividade das empresas.
Fim do descanso remunerado. O salário deve corresponder ao trabalho. Não é preciso uma relação paternalista ou de caridade entre patrão e empregado. Basta um salário digno que permita à pessoa usar bem seu tempo livre.
Manter as férias remuneradas, mas sem aquele bônus de 30% (mesmo motivo acima).
Nosso tempo livre é nosso, e não deve ser bancado pela empresa nem controlado por ela (seu direito, já que paga por ele).
É meio louco e, admito, leviano, pois não levei em conta os aspectos econômicos e legais ligados a isso. Mas a idéia do wikibanco também era doida e teve um bom ibope.
O leitor e blogueiro Rafael Cruz me perguntou sobre os microblogs, como o Twitter. Disse ele:
“Cassano, você já deve ter ouvido falar (talvez até use) sobre os microblogs, tipo Powncer, Twitter etc. Eu não consigo ver nenhuma utilidade prática neles. Pelo menos para o meu cotidiano. Talvez, quando esses microblogs forem compatíveis com as redes de celular no Brasil, um novo caminho pode surgir, mas mesmo assim isso tudo ainda é muito nebuloso pra mim. O que você acha?”
Bem, respondendo, de fato eu não uso. Ao menos não profissionalmente. Quanto à utilidade prática, isso é bem relativo. Não há uma utilidade prática num Playstation 3, num toque do “É o tchan” no celular ou, exagerando, em passar os dias percorrendo comunidades no Orkut.
Cada vez mais as pessoas precisam de ferramentas que as ajudem a mostrar (aos outros ou a si mesmas) quem elas realmente são, ou desejam ser. E não digo aqui que isso seja bom ou ruim. Apenas é.
Assim, os microblogs são interessantes. Permitem estar lado-a-lado com as pessoas de quem queremos estar perto – mesmo sem estar. É uma expansão daquele sentimento de estar perto provocado pelo simples status online no MSN... ou aquele compartilhamento do estado de espírito pela simples edição da frase de status no mensageiro instantâneo.
Concordo com o Rafael que o sistema vai decolar por aqui quando as pessoas descobrirem uma utilidade (mesmo que inútil) e tiverem facilidade de uso. Aí incluído o celular como o meio perfeito de atualização. E de geração de receita.
Na empresa onde trabalho estamos envolvidos em alguns projetos que passam por aí. Por enquanto, quanto mais nebuloso para os demais, melhor. :-)
Quem devia ser pago para inovar é o primeiro a cair na armadilha fácil da “tendência inescapável”. É, falo de nós mesmos, profissionais de comunicação. Num dado momento, estar no Second Life era tudo que uma marca poderia querer. Mesmo se não soubesse o que fazer por lá.
Depois, sortear um iPod (ou que tal congelar um iPod? Essa sim uma belíssima idéia). Um tanto depois, criar um site para as pessoas mandarem seus próprios vídeos, ou quem sabe criarem seu próprio comercial do produto XYZ. Se o produto for 2.0, 5.8 ou qualquer coisa que pareça web-2.0-colaborativa-inovadora, melhor ainda.
A bola da vez me parece ser trocar prêmios em dinheiro por experiências. Jantar com a Grazi, tênis com o Meligeni... enfim, um dia com uma estrela. Tudo ótimo, tudo bem pensado, correto. Nada vale mais que uma experiência, eu mesmo já disse isso aqui. Mas custava variar um pouquinho na fórmula, na mecânica, timing, linguagem, sei lá? Custava ao menos mudar a celebridade?
Se nada der certo, bota a Ivete Sangalo para cantar o jingle que resolve.
P.S. Sim, leitores, ando meio ranzinza. Deve ser o stress de fim de ano. Acho que preciso ver mais Bob Esponja. Ou trabalhar menos.
Nunca tive aulas de expressão corporal. E se tivesse tido, provavelmente teria matado todas sem dor na consciência. De qualquer forma, isso não oculta minha preocupação darwinista: quem teve aulas de expressão corporal terá mais sucesso com os computadores do futuro.
A expressão corporal é o curso de datilografia do Senac do século XXI. Finalmente estamos usando mais do que as pontas dos dedos para interagir com as máquinas. O Nintendo Wii põe os calejados polegares para descansar e transforma todo o corpo em um joystick.
Com acelerômetros cada vez mais baratos, telefones como o iPhone, o N95 (Nokia) e o W910 (Sony Ericsson) adicionam o gestual ao leque de opções para se interagir com a máquina, com jogos e com outras pessoas.
Existe um termo em design que se refere à página fluida. Quer página (ou interface) mais fluida do que uma que escorre se a tela for inclinada? Quer experiência mais imersiva do que mirar de verdade na testa do zumbi e mandar bala nele? Não é simulacro. Não é iconográfico. O mouse não representa a mão. O desktop não representa a mesa.
O mouse é a mão. A mesa é a mesa. O corpo é o corpo.
Adoraria poder conversar sobre isso com William Gibson, o genial escritor de Neuromancer e o vêrdadeiro pai da Matrix. Ele viveria numa boa dentro de uma rede virtual, longe de seu corpo mortal. Mas será que o corpo é tão dispensável assim? Teria ele mudado de opinião?
Será que dá para jogar Wii de dentro da Matrix?
Como será no dia em que pudermos sentir a internet como um arrepio na espinha? Perceber o sinal de wi-fi (ou equivalente) como um golpe de ar? Imergir num holodeck e se deparar com Jack, o estripador?
E no curto prazo, amanhã de tardinha? O que podemos esperar? Ou melhor: o que podemos criar? Que tipo de experiência podemos aprimorar simplesmente por tornar sua interface mais corporal/gestual? Se tudo converge para a Web, é nela que o Wii vai se esbarrar com o iPhone e o N95.
As boas idéias flanam por aí e, geralmente, são ridiculamente simples. Por exemplo, a bela idéia de se criar capas transadas para laptops! Sim! Carregar seu notebook numa maleta é implorar para ser assaltado. Levá-lo solto na mochila é um passaporte para arranhões e tufos de poeira dentro da porta USB... E agora? As capas de neoprene são extremamente práticas, mas todas oscilam entre o preto básico e o chumbo discreto.
Como ser uma pessoa moderna sem perder o estilo? Simples! Com as capas Nimin (www.nimin.com.br), idéia de uma esperta turma de São Paulo. São modelos de nomes sugestivos como "Ovo", "Te quiero fucsia", "céu de estrelas" e "Consuelo Celestial" (que se parece com a capa que Frida Kahlo teria se tivesse tido um notebook, mas infelizmente esgotada).
Os preços são mais salgados que os de uma capa normal (em torno de R$ 60), mas estilo tem seu preço, certo?
Fica a dica e o aviso de que não ganhei um único centavo por este post (céu de estrelas tamanho 13'' widescreen, por favor... :-) ).
Hoje é dia de cada blogueiro indicar outros cinco blogs para gerar uma inflação blogária e deixar todos os blogueiros podres de ricos com seus blogs. Logo, apresento aqui minhas cinco sugestões de blogs (eu já falei em blogs hoje?).
Então vamos às compras, digo, às dicas:
- Fotos da Sandy Pelada (http://rockdeindio.com/fsp/) Além de ter o melhor nome de blog do últimos tempos, é de um humor ácido, preciso e certeiro. Imperdível (aviso antes que seja tarde: o site não tem nenhuma foto da Sandy).
- Trizle (http://www.trizle.com/) A gente também precisa trabalhar, né? O Trizle beira a auto-ajuda corporativa, mas é tão bem escrito que você nem nota.
- Lista 10 (http://lista10.blogspot.com) Simples como o nome indica, é uma relação aleatória de TOP 10s sobre qualquer coisa. Tão bacana que tem até um texto aqui do Brogue... :-)
O guru Nicholas Negroponte, professor do MIT, previu há mais de uma década que haveria uma troca de papéis nas telecomunicações. O que tradicionalmente fluía pelo ar, como rádio e televisão, passaria a percorrer cabos (tv a cabo, rádios via internet etc). E o que nasceu como algo preso a fios – telefonia – se tornaria livre. Os celulares estão aí tocando sem parar nas salas de cinema para não nos deixar mentir.
No começo deste ano, outro visionário, o autor de A Cauda Longa e editor da Wired Chris Anderson, criou sua versão desta previsão: “tudo o que nasceu pago ficará gratuito e vice-versa”. Ousado? Com certeza. Mas vejamos: a TV, além de livre, era gratuita. Agora é a cabo e paga. Os canais de rádio via satélite são pagos. Idem para as rádios online como o Pandora ou o Sonora, do Terra. Nunca se comprou tanta água engarrafada. E até o ar tem preço. O que são os créditos de carbono se não taxas que se paga para gastar/estragar o ar?
Produtos – de modems de banda larga a filtros e geladeirinhas – se transformam em serviços, por meio das soluções de comodato e aluguel. E os bens digitalizados imploram para ganhar o mundo, povoar a matrix, se espalhar como gremlins.
Tudo que se digitalizou – de livros e músicas a nossas próprias identidades e privacidade – perdeu o conceito de propriedade junto com os átomos que os compunham. Música já não se compra. Ou você aluga ou simplesmente copia. Junto com o Orkut, a pirataria foi um dos grandes vetores da inclusão digital no Brasil. Procure nos mercados populares por CDs piratas. Eles perdem cada vez mais espaço para os DVDs. Isso porque até o CD “genérico” de R$ 3 é caro perto de um clique no eMule. A pirataria é tão feia e errada como real e inevitável. Ignorar isso é fingir que aquele iceberg jamais afundaria um transatlântico como o nosso.
E tem mais. Digitalizado, o conteúdo pede não só para ganhar o mundo, mas para evoluir. Mudar, mitoses, meioses, osmoses, fagocitoses de idéias, imagens, sons... bricolagem frenética e digital. Criação coletiva, colaborativa. Máquina fazendo arte. Gente e máquina fazendo máquina. Um “eu” que vira “nós”. Um “nós” que vira “eu”. De quem é o conteúdo? Patente do quê? Quem se ousa se clamar “dono” da idéia? De quem é a foto do Corcovado? Se eu fotografo um quadro que é refeito em calda de chocolate por Vik Muniz e depois ganha versões nas mãos de anônimos e um camelô imprime e vende em Guadalajara, quem merece receber os direitos autorais?
Copyright é algo tão na moda quanto mullets e polainas. E não porque está errado. Simplesmente o mundo mudou. Não que ele precise ser abolido. Ele simplesmente não se aplica mais às regras do jogo.
Falando de negócios, estamos dizendo que o grande desafio dos proprietários de conteúdo é torná-los rentáveis de uma maneira sintonizada com o momento do mundo. E não como uma Durval Discos anacrônica.
Mas ainda é cedo para os produtores de átomos rirem de nós, seres digitais. Se ainda não existe a cópia em massa de átomos, tudo que é material virou commodity. Já não há diferença de fato entre tipos de arroz, tipos de carros, tipos de laptops. E as marcas, que assumiram a responsabilidade de diferenciar os produtos, estas sofrem com pirataria, clones, mudanças de humor do mercado.
O futuro, apostam os especialistas, está na customização em massa. Ou seja, produzir em larga escala produtos que rivalizam com os artesanais na capacidade de ser a cara do consumidor. Só que quando todos os produtos tiverem a minha cara, todos serão iguais (a mim). Um Apple e um Sony seriam a mesma coisa. Talvez com uma diferença de aura, de estilo, benefício acessível a um punhado de sortudas e bem-trabalhadas marcas.
Se uma ponte ou uma geladeira já não vale o que valia e se tudo que é digital se copia, onde está o valor? Eu aposto no artesanal. Não por ser tosco, barato. Nem por ser uma oportunidade de dar uma “esmola” a quem se esforça com calos nas mãos. O artesanal se destaca porque possui algo que nenhum MP3 baixado pelo Torrent nem nenhuma Louis Vuitton de camelô pode oferecer: uma história autêntica. É mais que o produto, é a história que ele percorreu até chegar a suas mãos. Veja o valor que você dá a estúpidos souvenires de viagem. Quanto vale aquele chaveirinho vagabundo que você comprou na Tailândia? Para você, uma fortuna.
Você não pode copiar uma história autêntica. Você não pode se apropriar da história de outro produto. Você pode até copiar a marca, mas o valor da marca não leva junto o valor da experiência de fazer parte da vida daquilo que se tem em mãos. Quanto você pagaria por uma cópia de um autógrafo?
Não se pirateia um repente. Uma bolsa de palha do Jalapão. Uma serenata sob a janela ou um pocket show do U2 na Quinta da Boa Vista. Não se pirateia ou patenteia experiência. Mil corridas de avião em plena enseada de Botafogo não mimetizariam um Red Bull Air Race. Você pode até forjar uma história, como fez brilhantemente o sorvete Haagen-Dazs, mas ela é sua, só sua. A experiência é o DNA do produto. Deixem o conteúdo correr. Deixem que se crie, que se recrie. Ninguém vai roubar aquilo que realmente tem valor para você: sua alma. Se você tiver uma, é claro.
O jornalista Beto Largman, do blog Feira Moderna, promove na próxima segunda-feira, dia 6, no Rio, o “I Encontro BLS – Blogueiros, leitores e simpatizantes”. Apesar do nome para lá de duvidoso, é uma excelente iniciativa e conta com gente boa no programa.
Replico abaixo o e-mail convite do Largman para que ele apresente a programação:
“A idéia é reunir pessoas que, de alguma maneira, estejam ligadas ao assunto. Por isso, foram convidados Alexandre Inagaki (Agência Riot), que falará sobre blogs e marketing viral; Paulo Mussoi (coordenador dos blogs do Globo Online) vai mostrar a visão de uma grande empresa de comunicação sobre os blogs; Carlos Cardoso, que vive exclusivamente do seu blog, um problogger; Fabio Seixas (analista de sistemas, sócio-fundador do Camiseteria.com e diretor de marketing do WeShow.com) vai detalhar como é possível rentabilizar um blog e Alessandro Barbosa Lima (a confirmar), diretor do E.life, explicará como funciona a monitoração do boca-a-boca na web. O objetivo é que o encontro seja um fórum livre de debates e idéias.”
Acredito que a tendência de blogs e blogueiros é, como tudo que dá certo, desaparecer. Não no sentido de deixarem de existir, mas de serem tão comuns a ponto de perderem o nome próprio. Já não faz muito sentido falar em “internautas”, por exemplo. Nem fará sentido sermos “blogueiros” e, muito menos, “simpatizantes”. Seremos apenas humanos. Ou, quem sabe, ciborgues.
A programação do encontro: - Rentabilização de Blogs - Como a mídia tradicional está encarando os blogs - Vivendo de blog: o problogger - O marketing e os blogs, marketing viral e estratégias de guerrilha - Monitoração e análise da comunicação boca-a-boca na web
Quando? Segunda, dia 6, às 19h. Onde? No Armazém Digital – Shopping Rio Design/Leblon (Avenida Ataulfo de Paiva, 270 - Loja 104 - Tel: (21) 2274-5999) Quanto? "Di grátis"
Estúdios ainda erram a mão no script das ações digitais
Os estúdios de cinema aprenderam que mesclar marcas a seus roteiros é uma receita para lá de lucrativa. Também estão descobrindo maneiras muito criativas de explorar o product placement como forma de promoção dos próprios filmes. Um bom exemplo é a ação que transformou lojas do 7-Eleven em Kwik-E-Marts para divulgar o longa dos Simpsons. Mas quando o assunto é mídia digital, as atuações são dignas de Silvester Stallone.
Os responsáveis pelos sites de filmes ainda não se tocaram que a comunicação na web é diferente. Que conceitos abstratos como pertinência, utilidade e relevância ganham vida no meio digital. Vejamos o próprio longa de Homer & cia. O site traz, entre outras firulas, uma ferramenta para criar seu avatar simpsoniano. Apesar de um pouco limitada, a ferramenta diverte e temos um sem-número de springvillenses espalhados por blogs, MSNs e GTalks por aí. Legal, né? Bem legal.
O detalhe é que esses avatares só foram parar nestes lugares pelos poderes mágicos do e do Photoshop. O site mesmo não oferece uma utilidade clara para os avatares simpsonianos que você cria lá. Tudo depende do esforço e envolvimento dos internautas com seus ídolos.
Quer dizer que não tem nenhum papel de parede ou ícone para Messenger? Tem. Mas sempre com um “Dia X nos cinemas” piscando enorme. Quantos desses ícones eu vi por aí? Nenhum. Porque as pessoas não querem ser avatares-sanduíche, promovendo filmes por onde passam. Elas são fãs (ou fiéis) dos Simpsons, não do filme. Utilidade é permitir que as pessoas sejam Homer por um dia. Ou tenham um Líder Optimus irado como papel de parede, sem interferências, sem ruído. E isso comunica? Claro que sim.
É tudo uma questão de foco. Para o cliente, as informações comerciais sobre o filme são o coração da mensagem. Para o usuário, é apenas ruído. Para que dizer que é um filme? Ou que está em cartaz? A mídia tradicional e a própria imprensa se encarregam disso! Não tem como um blockbuster passar incólume hoje em dia. Não precisa transformar cada imagem de exibição do MSN em um mini-outdoor. Isso não é prestar serviço. É contar o fim da história.
P.S. O filme dos Simpsons estréia dia 17/08. Com ou sem ícone do MSN, estarei lá. :-)
Não sei se o recurso é antigo, mas me deparei com um tradutor automático de bate-papos no Second Life! É impressionante. A pessoa fala em inglês e o sistema traduz de forma bastante razoável para o português. Isso permite que pessoas de diversos idiomas conversem na boa em suas línguas de origem. Me fez lembrar o Babelfish, de O Guia do Mochileiro das Galáxias.
Reproduzo aqui o diálogo traduzido: - Oi! - Por favor... - Esta é uma propriedade particular. - Caia fora!
Falta testar o sistema com diálogos mais elaborados, o que é um bocado difícil de encontrar no SL. E descobrir se isso vale para todo o mundo virtual. Alguém sabe?
Os designers devem conhecer este site. Além disso, o software preferido de quem faz programação visual de impressos, o InDesign, possui este recurso de fábrica. Mas não resisti a compartilhar um pequeno achado: um gerador online de textos em latim, o famoso Lorem ipsum dolor sit amet.
Você entra no www.lipsum.com, escolhe quantos parágrafos, palavras, letras (bytes) ou listas você quer gerar em texto falso e... voilà! Habemos latim! Especialmente útil quando você monta um protótipo, lay-out ou afim, quer simular a massa de texto mas não quer que o cliente fique revisando as palavras que só estão lá para encher lingüiça.
Mas o latim não é infalível. Uma vez, uma alta executiva italiana de uma grande empresa, ao receber nosso belíssimo projeto gráfico de um trabalho, se pôs a ler e a revisar o lorem ipsum... Logo, se for apresentar projeto para algum cliente italiano (ou para qualquer padre católico ou quem domine a língua de Cesar), prefira textos falsos em grego, esperanto ou russo. Ou o bom e velho nonono...
It's the end of Last.fm as we know it... and the CBS will feel fine...
Não sei se fico feliz ou em pânico com essa notícia. A CBS comprou o site inglês Last.fm pela bagatela de US$ 280 milhões. Deveria ficar feliz por ver gente que tem idéias geniais e as executa com primazia sendo recompensada. E triste porque normalmente o fim das histórias das criativas start-ups compradas por gigantes não é nada feliz... Seriam estes os last days do Last.fm?
Resta torcer para, com essa grana, eles desenvolverem um plug-in que funcione nos novos Walkman, da Sony-Ericsson...
P.S.1. Confira a notícia da compra na Info Exame P.S.2. Não conhece o Last.fm? Ë só conferir (e clicar) no meu hit parade na coluna cinza aqui ao lado. P.S.3. O título desta nota é do bravo Leonardo Paiva.
É com orgulho que o CIBT (Cassano Institute of Bizarre Technologies) anuncia o vencedor do troféu “Screen Saver” para a funcionalidade tecnológica absolutamente inútil mais bacana. Depois de analisadas diversas traquitanas, nosso favorito foi...
O recurso de S.O.S. dos celulares Walkman/ Cybershot da Sony-Ericsson
Trata-se de uma funcionalidade onde, por meio de um menu, você ativa a luz do flash para piscar em código morse! Três piscadas curtas, três longas, três curtas.
Sensacional, incrível para impressionar suas tias em jantares de família e para testar as habilidades dos vizinhos escoteiros. Mas que dificilmente você lembrará de usar se ficar perdido na Floresta da Tijuca durante uma tempestade de granizo.
Parabéns Sony-Ericsson por essa deliciosa e inútil tecnologia! O CIBT aprova!
Um de nossos maiores desafios é saber o que se passa na cabeça dos consumidores de nossos clientes. Aliás, esse é o grande dilema de todas as empresas e agências interessadas em desenvolver um relacionamento mais profundo entre marcas e pessoas. Como ir além do share of mind, como estudar o comportamento das pessoas durante a decisão de compra?
Nesse sentido, uma área que ganha força é a do neuromarketing, que literalmente cai dentro do cérebro dos consumidores para entender os meandros que as marcas percorrem pela massa cinzenta dos clientes. Para ajudar nessa tarefa, a Hitachi desenvolveu uma espécie de tomógrafo portátil, que pode monitorar o fluxo sangüíneo no cérebro dos consumidores durante as compras. Na verdade, o aparelho se presta a diversos fins. O marketing é apenas um deles.
Poderemos saber, por exemplo, se a gostosa no anúncio de cerveja provoca uma avalanche de hemoglobinas na parte do cérebro responsável pelo prazer, ou se uma experiência de imersão de marca bombeia sangue (e processamento de informações) para as áreas do cérebro que cuidam das emoções.
É a evolução das pesquisas etnográficas, que estudam o consumidor em plena situação de compra ou consumo dos bens. Resta achar candidatos a sair por aí com esse disco voador na cabeça. Saiba mais no site Neurosciencemarketing.
Hoje tive a honra de palestrar no 12º Encontro de Web Design, no Rio de Janeiro. Foi bacana, até porque fechou um ciclo. Minha última participação tinha sido mediando uma mesa-redonda na primeira edição, há uns 10 anos.
Para quem foi, meu muito obrigado por permanecerem acordados após o almoço.
O multimídia e talentoso Leo Almeida deixou a TVE e agora se prepara para voltar às telas por outros meios. Confira o teaser de sua nova atração, integrada com seu projeto Web (www.eletroliteraria.com.br), prestes a ganhar as ruas...
Revirando tralhas, eis que me deparo com esta credencial da Sport Street Wear 97, feira de esportes realizada no Riocentro, Rio de Janeiro. Neste ano, eu fazia parte da equipe mucho loca do JB Online, o primeiro jornal brasileiro na Internet. Hoje vejo que muito do que fazíamos era por pura inconseqüência, e não pelo apoio do Jornal. Em todos os sentidos, éramos uma start up, assumindo riscos e perrengues como tal.
Nesta feira, participei (num sacrifício em nome do jornalismo) do primeiro salto de bungee jump transmitido ao vivo pela internet. A relevância disso? Nenhuma, exceto a demonstração de que aquela tal da internet estava ali para isso mesmo: surpreender. O autor da façanha foi Marcelo Botelho, o homem-webcam-ao-vivo. Eu fiquei lá no alto do guintaste, chacoalhando para lá e para cá com o peso dos cento-e-alguma-coisa quilos do Marcelo e sua câmera zigue-zagueando com o elástico.
Nesta feira, ainda fotografamos beldades que participaram do primeiro concurso de beleza da internet, a Musa do Verão do JB Online. Elas foram flagradas em um dos primeiros tours de internet do Brasil, o projeto "Verão 97 JB Online - não saia da rede neste verão" (sacaram o trocadilho? Rede, verão, internet?). Pegamos computadores e, durante o verão, instalamos redações móveis do Jornal do Brasil Online em Búzios, Angra e no Rio, levando a internet aos veranistas. Tudo transmitido ao vivo, por Botelho.
Podemos assumir, sem medo de errar feio, que seus consumidores entendem tanto de seu produto ou de sua empresa como eu, sujeito meio estranho da cabeça e totalmente doente do pé, entendo os desfiles de carnaval.
Assisto religiosamente aos desfiles da Marquês de Sapucaí, tentando identificar a “conversa entre o tamborim e o surdo de primeira”, ou a inovação na ala das baianas. Suo frio buscando perceber o “Reino Encantado de Ilê-Aloá no Tempo das Garoas Místicas” num carro alegórico tão cheio de plumas, purpurinas e destaques como todos os outros.
Resumindo: não entendo nada de carnaval. Mas isso não me impede de gostar, de curtir, de consumir.
O mesmo acontece fora do período momesco. Quando seu consumidor compra, por exemplo, um barbeador elétrico, ele não precisa entender do revolucionário sistema helicoidal de lâminas. Por quê? Porque ele não compra barbeador, ele compra uma pele que parece bumbum de bebê. Ele compra uma história.
E ninguém compra uma história que não entende. Ninguém passa adiante um causo que não faz o menor sentido. É por isso que, ano após ano, minhas escolas favoritas são aquelas que se permitem entender. Como a Unidos da Tijuca neste ano, com um didático e divertido enredo sobre fotografia. Era fácil, sem legendas ou comentaristas, entender o que simbolizava cada ala. Simples, lindo, empolgante.
A escola não faturou o título, mas ficou entre as seis campeãs. E disse ao que veio, contou uma história.
Tenha isso em mente quando for posicionar ou comunicar seu produto, sua empresa, seu currículo. Mais que as especificações técnicas, que histórias sua marca conta? E elas estão sendo entendidas pelo público? Como sua marca ganha vida no imaginário do consumidor?
Não tente enfeitar o pavão, ou fazer com que as pessoas entendam a importância do “reino encantado de Ilê-Aloá no Tempo das Garoas Místicas”. Isso não importa. Deixe as especificações de lado e foque na experiência do consumidor, nas histórias que ele pode entender, vivenciar e repassar.
Em um dos episódios da série de animação Futurama, dos mesmos criadores de Os Simpsons, um personagem que viaja no tempo para o futuro se depara com um sonho bem estranho, em que ele aparece com uma cueca pós-moderna.
Vários “figurantes” de seu sonho atestam a qualidade da roupa íntima. Ou seja, um pesadelo. Já desperto, no café da manhã ao lado de robôs, alienígenas e outras criaturas esquisitas, ele descobre que a publicidade em sonhos é trivial no futuro, que “todo mundo sonha com marcas”, empurradas cérebro adentro por ondas de rádio. Por fim, ele mesmo acaba querendo comprar a tal cueca.
Há alguns milhares de anos, alguém inventou a escrita. Pouco depois, Moisés veio com os 10 Mandamentos, que não deixam de ser uma ação de comunicação de massa. Não há humano ocidental quem nunca tenha ouvido falar deles. Com Gutemberg, os Mandamentos viraram bíblias impressas e a propaganda ganhou tipologia. Tem sido assim com toda e qualquer tecnologia que se preste à comunicação: mais cedo ou mais tarde, ela atende a necessidades de marketing.
O assunto passa a exigir atenção redobrada hoje, quando vivemos em um cenário de inovações tecnológicas se multiplicando como gremlins incontroláveis, quase todas envolvendo ou afetando a mídia e a comunicação e todas num contexto onde simplesmente a publicidade já não resolve todos os problemas. Nem em sonhos.
Desenha-se aí um dilema frankeinsteiniano. Tão importante como utilizar novas tecnologias para o marketing é saber como fazer isso sem violentar o consumidor. Hoje podemos, tecnicamente falando, invadir nosso público-alvo com a precisão de um míssil guiado por GPS. Mas mesmo os bombardeios cirúrgicos dos norte-americanos deixam seus estragos colaterais.
Nosso “poder” é cada vez maior. Em 31 de março, o eMarketer.com publicou um artigo sobre uma bizarra solução envolvendo nanorrobôs implantados no cérebro que recebem anúncios por radiofreqüência e os embutem em nossos sonhos. O delirante artigo, com cara de primeiro de abril, chegava a citar marcas como Coca-Cola e Speedo, e previa um mercado global de US$ 3 bilhões para publicidade em sonhos em 2020. Ou seja, se não bastasse sermos interrompidos e impactados por propagandas durante o dia, elas ainda invadiriam nossas freudianas fantasias eróticas com a professora do ginásio.
O exemplo é extremo, mas quando a tecnologia se torna cada vez mais pessoal e intransferível, é impossível pensar em comunicações de marca que não sejam úteis, relevantes, divertidas e desejadas pelo público. Minha tese: para chegar a níveis tão avançados de intimidade tecnológica com o público, toda comunicação precisa ser por conteúdo.
Pois vejamos: o celular é alardeado aos quatro ventos como a mídia do futuro. Afinal, é um dispositivo multimídia que você carrega para cima e para baixo, capaz de receber conteúdos nos mais diversos formatos. Mas exatamente por ser quase que um apêndice de nossos corpos, ele faz parte da esfera privada de nossas vidas. Ninguém gostaria de ver uma oferta de sanduíche aparecer tatuada no braço esquerdo. O mesmo se fala para a propaganda invasiva e interruptiva que chega por SMS, ligação, fotomensagem ou por bluetooth.
Em meio a calorosos debates contra a poluição visual causada pelos painéis de publicidade, a Central de Outdoor está testando em São Paulo um conceito já utilizado especialmente na Europa, o da integração da mídia urbana (outdoors, vitrines e pontos de ônibus, por exemplo) com os celulares por meio de conexões sem fio bluetooth. Lá fora, há o caso da banda Coldplay, cujos cartazes do novo álbum convidavam os pedestres a baixarem o single da banda para seus celulares. Tudo muito legal, mas é como alguém descer de pára-quedas na sua casa oferecendo uma fatia de bolo. A torta pode ser deliciosa, mas a forma como ela chegou a você é invasiva.
É importante que o púbico queira receber
Isso acontece porque, na verdade, conteúdo é tudo. Uma comunicação de conteúdo inclui a mensagem e a forma como ela chega. Portanto, é preciso ter em mente o bom e velho opt-in quando criamos qualquer comunicação digital, tecnológica, cibernética, biônica, o que for.
Mas isso não basta. Mais que um “aceito receber”, é importante que o público “queira” receber.
Quando pudermos colocar marcas em sonhos, tem que ser mais como as pílulas azuis e vermelhas de Matrix do que como a cueca de Futurama. A pessoa, cujo aparelho de ar-condicionado pifou, tem que querer sonhar com uma refrescante Halls, ou sonhar com uma Brahma gelada e uma loura de biquini. E quando ela quiser sonhar, é preciso estarmos prontos para entregar um sonho de qualidade. Esse é outro elemento fundamental quando pensamos em comunicação por conteúdo tecnológica: a entrega.
Acabou a era do publicitário que cria o outdoor e vai para casa esperar o prêmio em Cannes. O universo dos bits e bytes é regido por uma lei invisível mas inescapável: a Lei de Murphy. Tudo pode sempre dar errado, e geralmente dá. É preciso garantir a entrega da experiência de forma ainda mais cuidadosa do que nas outras mídias. Um cuidado constante e uma preocupação extra com a infra-estrutura tecnológica. Um belo conteúdo em banda larga que é pesado demais para o consumidor baixar pode não surtir efeito algum. Experimente assistir Guerra nas Estrelas com o vídeo engasgando. Uma entrega num formato inapropriado pode arruinar a criação.
O inverso também é válido. O Pearl Jam, banda de Seattle, resolveu deixar para os fãs a tarefa de promover o videoclipe de Life Wasted, de seu mais recente álbum. Como eles fizeram isso? Licenciaram o vídeo sob a égide do Creative Commons, permitindo a livre cópia e distribuição do clipe. Ele logo foi parar no Bit Torrent, plataforma de troca de arquivos que é o pesadelo da indústria cinematográfica, por ter se tornado o playground da turma antenada que intercambiava MP3s no Napster e agora troca álbuns inteiros e filmes pelo Torrent.
Mais do que o conteúdo, a forma como a música foi distribuída disse muito sobre a banda, e certamente a fez subir no conceito de uma considerável legião de pessoas que acreditam em software livre, Creative Commons e tudo o que há de mais moderno em termos de direitos autorais, criações coletivas e colaborativas etc. Nesse caso, a forma da distribuição é a mensagem. E isso faz com que as pessoas busquem a comunicação, que ela seja desejada.
No dia-a-dia, parte de nosso trabalho é difundir a visão de Comunicação por Conteúdo, que não vem reinventar a roda, mas, em resumo, transformar a comunicação de marca: precisamos colocar o público no controle da comunicação, e não o gerente de mídia. Quando o meio para levar a marca ao consumidor é tecnológico, a preocupação com esses valores é redobrada, porque temos, como nunca, o poder de sermos interruptivos, invasivos, de empurrar a mensagem de marca internet/celular/cérebro adentro. Mas não queremos isso.
Queremos ver a tecnologia, seja ela qual for, como uma facilitadora para que o público busque e encontre a mensagem de marca a qualquer hora e qualquer lugar, porque ela é útil, relevante e divertida para ele. Por que ele deseja se envolver com a comunicação. Como dizia Ben, tio de Peter Parker em Homem Aranha, “com grande poder vem grande responsabilidade”. Use a tecnologia com consciência. E conteúdo.
Todos sabem que os filósofos, quando se cansam de divagar sobre o Cosmos em seus escritórios empoeirados, pegam seus carros amarelos e saem por aí disfarçados de taxistas. Pois bem. Outro dia fiz sinal para um filósofo no Centro do Rio de Janeiro, e ele me levou para uma viagem até minha casa, passando pelo real sentido da inclusão social.
Ao parar em um sinal do Centro, já quase deserto e recebendo os primeiros habitantes da sinistra noite urbana, fomos abordados por um senhor gordo, de longa barba branca. Ele parecia um Papai Noel maltrapilho, e vendia bolas de futebol. Ofereceu uma ao taxista, por R$ 10. Este recusou educadamente e o vendedor respondeu, sorridente, no mesmo tom. E partiu para oferecer suas bolas para outros motoristas. Então meu filósofo particular entrou em campo.
-- Ora, veja só -- disse ele. -- Antigamente quem tinha uma bola era rei. Era o dono da bola. O cara podia ser um perna-de-pau danado, mas se tivesse uma bola, tinha o poder. Era escalado em qualquer time. Afinal, sem ele não tinha jogo. Hoje não. Qualquer um tem uma bola.
Ele não se deu conta, mas havia identificado a maior inclusão social já ocorrida no Brasil. Maior que a inclusão digital, telefônica ou educacional, vivemos a inclusão bolotal. Agora todo mundo é dono da bola.
O que se conclui disso? Que é realmente verdade que quando todos têm o poder, ninguém tem de fato poder algum. Nenhum pereba se escala na pelada de domingo por ser dono da pelota. É preciso talento ou, ao menos, amigos influentes.
Isso quer dizer que muito mais gente pode jogar futebol agora. E que, aos ruins de bola, cabe a triste sina de ficar na arquibancada ou, no máximo, marcar o Alam(brado). Esses pernetas podem ocupar seu tempo estudando. E de zagueiros medíocres acabarão virando grandes cientistas. Ou símbolos da revolução maior que se materializa sobre nós: o fim dos donos da bola.
A indústria das telecomunicaÇões ainda é dominada por alguns donos da bola. Incluo aí os grupos de mídia. Num país de 180 milhões de pessoas, contamos nos dedos da mãos aqueles que definem os que os demais assistirão na tevê, por exemplo. Como o modelo da TV Digital foi escolhido por estes mesmos donos da bola, é possível que percamos a enorme oportunidade de distribuirmos bolas às pessoas. Se ficarmos como telespectadores passivos deste cenário, tudo o que teremos é um Vale a Pena Ver de Novo com a Narjara Tureta em altíssima resolução.
A esperanÇa pode estar na iptv, comandada pelos donos da bola das telecomunicações. Como eles não se forjaram em cima de um oligopólio das idéias (mas sim num oligopólio das redes de comunicação), estes grupos estão aptos a permitir uma internetizaÇão da TV.
A inclusão digital no Brasil não se dará por computadores. No Japão foram celulares. Aqui serão os televisores. Então nosso Youtube não nascerá na internet. Quando pudermos "ser", e não apenas "ver" nossa própria programação de tevê, aí sim seremos os donos da bola da mídia. E quando todos são os donos da bola, ninguém será "O" dono da bola. Parafraseando Renato Russo, para uma sociedade, o maior poder é quando ela se permite que ninguém tenha poder algum. Essa revolução não cairá sobre nosso colo, da mesma forma que ninguém nunca me escolheu para a lateral direita de seu time. Nós precisamos fazê-la acontecer. O momento é esse, e não dá para ficar ajeitando o meião, nem marcand