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	<title>Brogue do Cassano :: Comunicação, nerdices, mídias sociais e tecnologia &#187; etnocentrismo</title>
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		<title>Todo mundo quem?</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 18:59:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Todo mundo está falando que fulano vendeu um post&#8221;. É comum ouvir isso a cada polêmica ou nova febre no Twitter. “Todo mundo” alguma coisa. Na verdade, se você fizer uma enquete pelas ruas do Rio, de SP e de Recife, raríssimas serão as pessoas que estarão indignadas com o uso de scripts para seguir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Todo mundo está falando que fulano vendeu um post&#8221;. É comum ouvir isso a cada polêmica ou nova febre no Twitter. “Todo mundo” alguma coisa. Na verdade, se você fizer uma enquete pelas ruas do Rio, de SP e de Recife, raríssimas serão as pessoas que estarão indignadas com o uso de scripts para seguir milhares de pessoas no Twitter. </p>
<p>O assunto, tampouco, foi pauta na reunião do G20, enredo de escola de samba (&#8220;<em>tuiteeeei&#8230; Lá da Sapucaí&#8230; E aí, e aí&#8230;</em>&#8220;) ou tema no sermão do padre (&#8220;<em>irmão, não seguireis a quem não te queres seguindo</em>&#8220;). Mas ainda assim a gente considera isso a preocupação maior de “todo mundo”.</p>
<p>Quem é “todo mundo”? Se a resposta é o infalível “depende”, o Twitter a torna ainda mais curiosa. A partir do momento em que você monta sua rede de 100, 200 seguidos, e começa a seguir aqueles desconhecidos com quem seus conhecidos conversam, você monta um universo fechado onde, mais ou menos, todo mundo segue todo mundo. É como um <em>Barrados no Baile</em>, onde todo mundo pegava todo mundo, só que sem a Shannon Doherty.</p>
<p>Como praticamente todas as conversas, desabafos, babados e polêmicas que você acompanha parecem fazer sentido – afinal você lê os diálogos quase inteiros -, têm-se a impressão de que você de fato segue “todo mundo”. Se seu universo de seguidos não toca no assunto, é porque o assunto obviamente não existe.</p>
<p>O novo Google somos nozes. São nossos contatos de primeiro e segundo grau que definem, via Twitter, o que é ou não é tendência. O que existe ou não. O que eu devo ver ou não. São eles que definem que posts pagos ou o viral da moda são o assunto preferido de “todo mundo”.</p>
<p>Para um humano normal, tal comportamento não passa de um fenômeno delicioso para os cientistas sociais analisarem. No fundo, ele não é novo. O “todo mundo” de cada sempre foi muito reduzido. A diferença é que agora ele tem ares de coisa quantificável. De fato aquele interminável rio de frases curtas parece ser tudo. Parece ser todo mundo.</p>
<p>Mas para quem trabalha com redes sociais, esse comportamento é perigoso. Precisamos praticar o sempre saudável exercício de nos afastarmos. De reconhecermos que, sim, “<em>Hanna Montanna</em>” é um dos assuntos mais quentes no Twitter hoje, embora ninguém que eu siga tenha falado sobre isso. É fundamental fugirmos do etnocentrismo, aqui travestido de um ciberetnocentrismo. De acharmos que virais, posts pagos e panes no Speedy são a paixão nacional. Mesmo que “todo mundo” só fale disso.</p>
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