Campus Party: de woodstock a micareta
Algo se perdeu na última edição da Campus Party. Pode ter sido o frescor da novidade. Ou a bela arquitetura do Pavilhão da Bienal, substituído pelo “sem-sal” Centro Imigrantes. Ou a mudança no perfil dos participantes, talvez interessados demais em social e menos em mídia, tecnologia, inovação. Enfim, senti (no curto tempo que fiquei por lá, apenas um dia), um clima mais de micareta geek do que o Woodstock geek do ano anterior.
Mas há coisas boas, e muitas. O evento mostrou, mais uma vez, que existe um mercado em torno deste universo, com diversas empresas que crescem e coexistem de forma pacífica, colaborativa. Mostrou que existe um considerável número de pessoas interessadas em tecnologia, mas não como produtos de consumo, um DVD que você compra e leva pra casa. Tecnologia como agente de mudança. Como inovação, como invenção, como revolução.
Perdi apresentações e debates que sei que foram excelentes. Temas que sua mera inclusão no Painel já justificam a plenária. E encontrei pessoas que estavam ali deixando seu tijolinho na construção do futuro. Os empreendedores, que exibiram seus projetos no CPLabs, a turma do faça-você-mesmo, e os sempre fascinantes garotos e garotas da robótica. Convenhamos, não há muitos espaços onde você pode passar dias imerso aprendendo a construir robôs. Isso muda uma vida. Isso faz perceber que, hoje e no futuro, não precisamos ter uma profissão. Podemos simplesmente fazer coisas, como escrevi num post logo depois da Cparty do ano passado. Esse espírito continua.
Esse espírito, que permaneceu em alguns grupos e bancadas, meio que se perdeu no todo (ou estava lá mas não consegui perceber). Para mim, a Campus Party é valiosa como espaço único para se reunir com conhecidos e desconhecidos e criar juntos. Em construir algo juntos. Para plantar a semente de projetos que poderão crescer nos meses seguintes, ou para despertar vocações. E nem tanto como um espaço para aparecer ou “rickrollear” mais que os outros. Não é o espírito Sapucaí do “ver-e-ser-visto”. Isso faz parte? Quebra gelo? Diverte? Claro! A Campus Party, como o nome diz, é uma grande festa. Mas isso a gente consegue em qualquer lugar. Até mesmo no carnaval que se aproxima.




