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Posts com a tag ‘Rio de Janeiro’

O efeito eco no Twitter

abril 6th, 2010

Para que ninguém diga que sou deslumbrado: descobri uma falha no Twitter como modelo de comunicação. Uma das coisas mais bacanas dele e das redes sociais em geral é o funcionamento assíncrono. Explico:

Telefone = síncrono. “Alô?” “Alô. Tudo bem?” “Tudo, e você?” “Tudo. Espera um minuto que vou tirar o gato de cima da mesa” “Tá………”

Twitter = assíncrono. “PQP! O gato arranhou a mesa toda!” – 15 minutos depois – “RT @emissor PQP! O gato arranhou a mesa toda! // Hahaha #rialto”

Essa característica permite que várias pessoas acompanhem e se engajem em inúmeras conversações sem que elas precisem virar operadoras de telemarketing. Mas isso tem um efeito problemático. Quando acontece algum evento de grande repercussão ou de calamidade pública, é absolutamente natural que as pessoas queiram repassar informações importantes para suas redes.

Falo isso ainda no calor de uma chuva fortíssima que alagou completamente a cidade do Rio de Janeiro. Bem no início da manhã, as emissoras de rádio e TV começaram a comunicar que o prefeito Eduardo Paes tinha pedido aos moradores que evitassem sair de casa, visto que as principais vias estavam interditadas. O prefeito usou seu próprio Twitter para isso.

Acontece que, embora o caos permaneça, as pessoas seguem replicando (fazendo retuítes, RTs) a mensagem por horas (escrevo este texto pouco antes das 10h), sem ter certeza de que o alerta continua válido.

Ou seja, o “Rua X interditada” vai acabar se propagando por muito tempo depois da via ser liberada, uma vez que o texto é quase sempre escrito em tempo presente e a data/hora original se perde nas replicações.

Outro ponto: digamos que eu escreva sobre a rua interditada às 7h da manhã. Uma pessoa que me siga no Twitter poderá ver a mensagem somente às 10h. Para ela, a mensagem soará como síncrona. É como se tomássemos como “ao vivo” todas as informações que recebemos, quando na verdade elas não são.

Nada tão grave, mas principalmente para os formadores de opinião e jornalistas conectados, vale o aviso. Sempre tente posicionar os tweets no tempo e espaço antes de replicar.

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10 coisas que o Rio poderia aprender com São Paulo

outubro 19th, 2009

O Rio Sou carioca, do tipo que força o erre de mermão e o chi de “tchia” e “leitche”. Que fala futiból e se emociona com as mesmas paisagens há mais de trinta anos. Mas isso não me impede de reconhecer algumas coisas que, sim, os cariocas podem e precisam aprender com os paulistas.

São Paulo é uma cidade estranha. É gigante, mas ao mesmo tempo provinciana. Julgo crer que muitos paulistas (e paulistanos) ignoram o fato de que existe civilização ao norte de Santos. É um lugar de leitura difícil, que não se explica totalmente na esquina da Ipiranga com São João, nem na deselegância discreta de suas meninas.
São Paulo
São Paulo se revela aos poucos, tímida. Vai mostrando sua face, um certo charme. Uma lógica própria perdida entre concreto e motoboys. Lógica que, como tal, faz sentido. Até o ponto em que você entende São Paulo e consegue ver além do óbvio, além do preconceito.

Há muitas coisas boas em São Paulo. Coisas que não me incomodariam nem um pouco se fizessem parte de uma “paulistização do carioca”. Por exemplo:

1) Paulistas respeitam cruzamentos nas ruas;
2) Os sinais/semáforos/faróis ficam colocados no lado de lá do cruzamento. Assim, ninguém precisa ficar de pescoço torto só porque parou bem embaixo do dito-cujo;
3) Nota Fiscal Paulista. Imagino que isso tenha reduzido horrores a sonegação, e com um benefício palpável para as pessoas (mesmo que simbólico);
4) Futebol profissional;
5) Aquela lombada invertida em alguns cruzamentos. Ok, elas detonam a suspensão, mas forçam o motorista a dar uma paradinha e olhar para os lados antes de avançar;
6) Leis que pegam. Tenho a impressão de que algumas leis pegam em São Paulo (e outras não). Aqui, me parece que nenhuma lei pega, nunca;
7) Metrô que realmente liga o ponto A ao ponto B;
8) Obras. São Paulo está permanentemente em obras. Tem sempre algo subindo, um viaduto, uma nova estrada. Quando se resolve fazer obras no Rio saem monstros bizarros como a Cidade da Música;
9) Friozinho gostoso. Não reclamaria se dias de Rio 40o fossem intercalados com noites de Rio 10o, vendo um filme na TV e acompanhados de boa comida e vinho;
10) Macarrão. Aliás, São Paulo é a prova de que massa e macarrão não são a mesma coisa.

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