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Medo de nada
Roberto
Cassano (janeiro/2005)
A Pablo Neruda
Meu maior medo é o do vazio
Da tenebrosa presença
do nada
Da ausência palpável, densa.
Névoa que gela a alma,
Fumaça que entorpece os pulmões
Ar que afoga
Medo do nada
que se espalha
E ocupa todos os espaços
Fuligem que cobre os móveis
Encarde os tapetes
O nada que mancha as roupas
E o insuportável
cheiro de um ontem
Quando o nada ainda era hoje
E não se imaginava que o hoje iria passar
Que seria ontem. Que seria nada.
Cheiro que impregna
as narinas, e a ausência
de você me dói nos ossos, e me dá vontade
de rasgar as roupas, de raspar a cabeça, de me
livrar de tudo que traga essa lembrança do que
já existiu. E que tento arrancar, mas que não vai embora
E que me persegue.
Porque está em
mim.
Eu sou a ausência que há do ontem que não há mais
Para todo o sempre serei a soma do que me falta.
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