|

Soneto
Urbano
A
cidade resplandece em teu sorriso
Paixão de um títere miserável
Arranha-céus desafiam a libido
Que o ar cinzento torna palpável
As estrelas perfuram o manto escuro
Chegam pálidas etéreas flamejantes
Incendeiam a veste dos impuros
Resplandecem os olhares dos amantes
O concreto armado não pulsa
Também não pulsa a roda-gigante
O monóxido de carbono insulta
O coração, que já não pulsa - como antes
As luzes e letreiros refletem teu olhar
Distante sereno ausente e triste
Nas nuvens onde sua mente gosta de estar
Distante de tudo de ruim que existe
As ondas perfuram o negrume da noite
E a Lua tece sua estrada prateada
E realça em sua pele as marcas do açoite
Ferrão cruel tapa tiro chute espada
Suas lágrimas deságuam no mar
Que em eterno ciclo ao ar retorna
Não importa quanto você há de chorar
O mar o céu ninguém se importa
A cidade resplandece em teu sorriso
Amarelo envergonhado miserável
Saudoso do excesso da libido
Distante de um toque mais afável
<<
Página principal do Brogue
|